Nadine Gordimer

Semana duzentos e treze

Lançamentos Millôr Fernandes:

The cow went to the swamp
Foi a partir da sugestão de um amigo que Millôr começou a traduzir para o inglês expressões tipicamente brasileiras. As mais de seiscentas frases reunidas neste livro dão uma amostra de por que o autor é reconhecido como uma das mentes mais talentosas que o Brasil já teve.
Nessa “master class” da tradução literária – ou da tradução literal -, Millôr nos ensina como dizer que fulano é “casca grossa” (thick bark), ou que um amigo “meteu os pés pelas mãos” (he stuck his feet through his hands), ou que chegou a hora de “tirar a barriga da miséria” (to take the belly from the wretchedness). Ao criar este antimanual de tradução, Millôr Fernandes capacitou o leitor a “tirar de letra” (to take of letter) as dificuldades de tradução sem “pisar na bola” (step on the ball). Compilação abrangente de expressões que não estão no “pai dos burros” (the father of the asses), A vaca foi pro brejo (The cow went to the swamp) é o livro de referência ideal para quem quer “fazer bonito” (to make beautiful) e ficar “por cima da carne seca” (above the dried meat) na hora de falar inglês.

Tempo e contratempo
Dos anos 1940 a meados da década de 1960, o semanário O Cruzeiro foi a revista mais vendida e influente do Brasil, com tiragens que chegavam a cerca de 700 mil exemplares, e um número de leitores estimado em 4 milhões por edição. Uma das seções mais populares era uma página dupla de humor intitulada “Pif Paf”, assinada por um certo Emmanuel Vão Gôgo, cujo nome verdadeiro era Millôr Fernandes, um jovem precoce de vinte e poucos anos que trabalhava na imprensa desde os quinze. Primeiro livro do autor, publicado em 1949,Tempo e contratempo é uma seleção de poemas, contos, crônicas, sátiras, pastiches e piadas visuais dos onze anos de Millôr em “Pif Paf”, que já na época alternava diferentes estilos com a naturalidade que só um “escritor sem estilo” – como ele costumava se autodenominar – é capaz de ter. A respeito do interesse que o nosso filósofo maior da vida cotidiana tinha sobre os mais variados assuntos, Luis Fernando Verissimo diz, na apresentação deste volume, que Millôr “andava (ou corria, ipanemamente, de sunga) entre as coisas deste mundo, amando tudo e acreditando em nada. Já tinha nos dito que a morte é hereditária, mas isso não era razão para nos resignarmos a ela. Tudo que fez na vida foi em desrespeito à morte”.

Esta é a verdadeira história do paraíso
Em 1963, Millôr Fernandes era um importante colunista de O Cruzeiro, na época a revista mais lida do Brasil. Ateu desde menino, satirizava em seus textos as passagens bíblicas e os dogmas religiosos, posição que arrebatou milhares de fãs, mas também incomodou os mais fanáticos, como atesta a história em torno da primeira publicação desta versão do Gênesis. Pressionada por “alguns carolas do interior”, segundo as palavras do autor, a direção da revista afirmou que Esta é a verdadeira história do Paraíso havia sido publicado sem a sua autorização. A resposta de Millôr foi se desligar da revista, e quando a mentira veio a público o autor ganhou amplo apoio de seus leitores e dos artistas da época. Mais de cinquenta anos depois, superada a polêmica, o livro é considerado uma das obras mais importantes do autor, com questionamentos que só poderiam ter saído da mente do nosso humorista mais brilhante. Logo nas primeiras páginas fica evidente por que esta história do paraíso, recontada com descrença e humor, está mais atual do que nunca. Nesta edição, além do fac-símile publicado em O Cruzeiro, alguns dos principais quadrinistas da atualidade deram a sua versão sobre a origem do mundo.

Essa cara não me é estranha e outros poemas
Millôr Fernandes sempre fez questão de se definir, não sem ironia, como um “escritor sem estilo”. Durante mais de seis décadas de produção intensa, transitou pelos mais diferentes tipos de linguagem, do cartum à dramaturgia, e ao se dedicar à poesia, sua faceta menos conhecida, mantinha a mesma abordagem iconoclasta, sem se preocupar com a busca por uma unidade temática nem se prender a formas fixas. Os poemas reunidos neste livro são exercícios livres de criatividade, que se debruçam com um olhar atento, inteligente e bem-humorado sobre os mais variados assuntos: literatura, tecnologia, convenções sociais, política, pequenos dramas cotidianos, filosofia, cultura e gatos. Em Essa cara não me é estranha e outros poemas, com uma linguagem poética leve e sedutora, Millôr faz em versos aquilo que o notabilizou na imprensa, nas artes visuais e no teatro: expressar através do humor seu pensamento original e surpreendente – ou expressar um pensamento original e surpreendente como quem faz humor.

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Suíte em quatro movimentos, de Ali Smith (Trad. de Caetano W. Galindo)
Imagine a seguinte situação: você está dando um jantar e um amigo de uma amiga traz à sua casa um conhecido dele que você não conhece. Imagine que depois de comer o prato principal esse estranho suba as escadas, tranque-se no quarto de hóspedes e recuse-se a abrir a porta. Talvez você não consiga tirá-lo de lá por dias, semanas, meses. Talvez ele nunca mais saia da sua casa.
Dividido em quatro surpreendentes movimentos, o romance de Ali Smith se desenrola a partir da noite em que Miles Garth se tranca em um quarto de uma casa de uma família aristocrática de Greenwich, na Inglaterra, e passa a se comunicar com o mundo exterior passando bilhetes por debaixo da porta.
Uma narrativa carregada de ternura e ironia, que explora a linguagem em todas as suas possibilidades e põe em evidência o absurdo da existência humana.

O louco de palestra, de Vanessa Bárbara
A capacidade de observação, a inteligência e o humor de uma das melhores cronistas da nova geração numa seleção de textos irresistíveis. O louco de palestra é um desfile de cenas, personagens e situações tão encantadoras quanto humorísticas. Da vida social no Mandaqui, bairro da zona norte de São Paulo, a observações – atiladas e bem-humoradas – sobre cidades como Londres e Macau, tudo parece ganhar novos contornos na prosa da jovem autora brasileira. Entre um continente e outro, Vanessa muda de ares, mas continua a mesma> observadora perspicaz, curiosa onívora e com o olhar (e a audição) treinado para captar e reproduzir aqueles detalhes sutis de que são feitas as coisas do cotidiano. Os apinhadíssimos ônibus paulistanos, a vida secreta dos vizinhos, pequenas epifanias em meio ao caos da cidade grande: não há nada remotamente humano (ou quelônio) que passe despercebido por Vanessa Bárbara.

O melhor tempo é o presente, de Nadine Gordimer (Trad. de Paulo Henriques Britto)
Amantes clandestinos no passado, devido às leis raciais que proibiam relações entre negros e brancos, hoje Jabulile Gumede e Steve Reed vivem numa África do Sul democrática. Ambos foram ativistas que lutaram com todas as forças pelo fim do apartheid, e seus filhos, felizmente, já nasceram em um tempo e em um lugar de liberdade. Mas à medida que os ideais de uma vida melhor para todos são ameaçados por tensões políticas e raciais, pela ressaca das ambiguidades morais e pelo enorme abismo entre os privilegiados e a grande massa pobre que só aumenta a cada dia, o casal pensa em abandonar o país pelo qual tanto lutou. O assunto de O melhor tempo é o presentenão poderia ser mais contemporâneo, porém a escritora Nadine Gordimer o trata, como é característico em sua tremenda obra, de modo atemporal. Aqui, ela mais uma vez dá mostras da grande romancista que é, ao capturar a essência da nação sul-africana no século XXI por meio da história de um casal em conflito.

Portfolio Penguin

Mitos corporativos, de Jorge Duro
Aníbal fora contratado para assumir um cargo de alta responsabilidade no Rio de Janeiro. Vidno do Nordeste, sua prieira impressão na cidade maravilhosa e no novo trabalho era de que nada poderia dar errado. Até descobrir que sua secretária, Neide, uma senhora pra lá de complicada, era também a melhor amiga da esposa do presidente da empresa – e já fora responsável pela demissão de tantos funcionários que tinham passado pelo cargo de Aníbal. Como proceder diante disso? Quando se trata de relações d epoder entre seres humanos, em qualquer contexto, coroprativo ou não, há muito mais variáveis do que supõe a filosofia ensinada nas salas de aula. Um título de MBA é o primeiro passo para o sucesso, mas certamente não será o último. Por meio de um texto acessível e didático, Mitos Corporativos apresenta novas perspectivas para qualquer um que almeja crescer na carreira, sem se deixar levar pelos desafios invisíveis que aparecerão pelo caminho.