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11 livros para ler no Dia do Rock

Biografias, romances, livros que se inspiram em canções ou bandas e que falam sobre grandes nomes da música: escolhemos onze leituras para você aproveitar no Dia do Rock! :)

1. Atravessar o fogo, de Lou Reed

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O primeiro da lista não poderia ser outro. Atravessar o fogo, que faz parte da coleção listrada da Companhia das Letras, reúne traduções de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo para mais de 300 letras de Lou Reed. À frente do Velvet Underground, Reed “trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio”, nas palavras do lendário crítico musical Lester Bangs, com quem mantinha uma notória relação de amor e ódio. Com sua carreira solo não foi diferente. Neste livro, o leitor pode contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda.

2. John Lennon, de Philip Norman

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Biografias de grandes nomes do rock estão no nosso catálogo, e uma delas é de John Lennon. Escrito após três anos de pesquisa, e longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, Philip Norman fez de John Lennon: a vida o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX. Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida.

3. Linha Mde Patti Smith

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Em 1970 Patti Smith lançou Horses, considerado precursor do punk rock e um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Daí para frente, Patti não parou com sua carreira na música, que é marcada pela sua paixão por poesia. Linha M é um livro onde podemos ver seu talento também para a literatura. Num tom que transita entre a desolação e a esperança — e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão de Patti Smith sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

4. Só garotos, de Patti Smith

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Não tem como falar de Patti Smith sem lembrar de Só garotos, livro em que fala sobre o início de sua carreira, quando se muda para Nova York no final dos anos 1960, e de seu relacionamento de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem prometeu escrever a sua história. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970.

5. Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg

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Não só de música é feito Cidade em chamas, primeiro romance de Garth Risk Hallberg, mas ela é parte importante dessa história que recria a Nova York dos anos 1970. Clássicos álbuns do rock inspiraram o autor na escrita do livro (como The Rolling Stones, Patti Smith e Lou Reed, já citados na lista), e um de seus protagonistas é ex-vocalista de uma lendária banda de punk-rock, a fictícia Ex-Post Facto. Entre shows em bares abafados da cultura underground, os negócios de uma rica família de NY e a investigação de um crime, as personagens de Cidade em chamas se esbarram pela cidade que passa por transformações sociais e culturais.

6. Minha fama de mau, de Erasmo Carlos

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Com cabeça de homem e coração de menino, o cantor e compositor Erasmo Carlos conta em Minha fama de mau suas divertidas memórias, da infância humilde à consagração como ídolo do rock. Considerado por Rita Lee como “o pai do rock brasileiro”, Erasmo reuniu por dois anos e meio passagens que costuram os detalhes de sua vida e sua carreira para narrar como o menino criado pela mãe numa casa de cômodos superou todas as limitações e o preconceito da Zona Sul carioca, consagrando-se, junto ao amigo Roberto Carlos, como o porta-voz sentimental de milhões de pessoas.

7. Do que é feita uma garotade Caitlin Moran

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Do que é feita uma garota não é um livro sobre rock, mas ele é constante na vida da narradora, a adolescente Johanna Morrigan. Depois de passar vexame num programa de TV local aos 14 anos, a jovem decide mudar de vez para virar uma “garota legal”: se transforma em Dolly Wilde, uma menina gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Nos anos 1990, ela escreve críticas de shows e álbuns para uma revista de música, se relaciona com rockstars, vê nas letras das canções que escuta aquilo que faltava para a sua vida. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota? Caitlin Moran faz do livro uma história divertida sobre crescer e construir sua própria identidade.

8. Mick Jagger, de Philip Norman

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Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock’n’roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman refaz os passos da consagração de Mick Jagger e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do pop star genial, escandaloso e milionário. Passando pela infância e momentos turbulentos de sua carreira, Norman narra como, em sua longa trajetória de mais de cinquenta anos como astro e ícone sexual, Mick Jagger foi assimilado pelo establishment, mas manteve a mística transgressiva e fascinante do rock.

9. Norwegian Wood, de Haruki Murakami

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Uma música dos Beatles leva o narrador deste livro, Toru Watanabe, a lembrar de sua juventude em Tóquio, onde chegou aos 17 anos para estudar teatro. E é esta música que dá título a Norwegian Wood, romance de Haruki Murakami. Vivendo solitariamente em um alojamento de estudantes, um dia reencontra um rosto de seu passado: Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório. Ambientado em meio à turbulência política da virada dos anos 1960 para os anos 1970, Norwegian Wood é uma balada de amor e nostalgia cuja rara beleza confirma Murakami como uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea.

10. A maçã envenenada, de Michel Laub

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Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional.

11. Alta fidelidadede Nick Hornby

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E terminamos nossa lista do Dia do Rock com um livro cheio de listas musicais! Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Alta fidelidade é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990.

Semana duzentos e quarenta e cinco

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O cinema no século, de Paulo Emílio Sales Gomes
A curadoria da coleção Paulo Emílio Sales Gomes está a cargo de Carlos Augusto Calil, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, ex-aluno de Paulo Emílio e autor de diversos textos sobre o mestre. Deve-se a ele a organização dos volumes, a seleção dos textos críticos e a opção por dividi-los a partir de critérios temáticos. Sergei Eisenstein, Charles Chaplin, D. W. Griffith, Orson Welles, Federico Fellini e Jean Renoir são alguns dos nomes que formam o panteão do crítico e que servem de objeto de análise a ele neste volume de textos iluminados e esclarecedores. São trabalhos que atestam o empenho militante de Paulo Emílio pelo cinema no país.

Três mulheres de três PPPês, de Paulo Emílio Sales Gomes
Três mulheres de três PPPês é composto de três novelas — “Duas vezes com Helena”, “Ermengarda com H” e “Duas vezes Ela” — que têm em comum o narrador Polydoro, uma figura abastada da elite paulistana. Em “Duas vezes com Helena”, Polydoro, ainda jovem, é seduzido pela mulher de seu querido professor. Trinta anos mais tarde, o menino já maduro fica sabendo que Helena o seduzira a pedido do próprio marido. Em “Ermengarda com H”, Polydoro, passados os quarenta anos, está envolvido numa guerra conjugal e faz o que pode para tornar insuportável a vida de sua mulher, na esperança de conseguir o divórcio. Em “Duas vezes Ela”, já setentão, Polydoro registra num diário sua satisfação conjugal. Contra a vontade de parentes e sócios, ele casara com uma secretária chamada Ela, com idade para ser sua neta. Anos depois, começa a redação de um segundo diário, para entender as mudanças da mesma Ela, que agora quer o desquite.  A sátira à classe alta paulistana, a prosa inventiva e bem-humorada, os delírios e as obsessões amalucadas se juntam neste clássico da literatura brasileira.

Cenário com retratos – esboço e perfis, de Antonio Arnoni Prado
Esta reunião de ensaios de Antonio Arnoni Prado procura investigar, por meio da trajetória pessoal e criativa de autores como Lima Barreto, Mário de Andrade, Gilberto Freyre e Erico Verissimo, como são percorridos, num país como o Brasil, os caminhos para a excelência e para a independência intelectual. Com maestria argumentativa e clareza estilística, o autor dá conta de questões como nacionalismo, vida intelectual, originalidade criativa e a saudável contaminação dos gêneros literários.

Funny Girl, de Nick Hornby (Tradução de Christian Schwartz)
Com seu ritmo fluente e trama engenhosa, em Funny Girl Nick Hornby fala de cultura popular, juventude e velhice, fama, diferenças de classe e trabalho em equipe. Ele constrói um retrato fascinante da exuberância da juventude e do processo criativo, em uma época especial em que ambos, de repente, puderam florescer. Um livro apaixonante para os fãs de Hornby e para todos os outros leitores.

Paralela

Ardente/Em chamas, de Sylvia Day (tradução de Juliana Romeiro)
Nunca misture trabalho com prazer. Nunca fale de política dentro do quarto. De certa forma, no momento em que me tornei amante de Jackson Rutledge, fiz exatamente essas duas coisas. E não posso dizer que foi por falta de aviso. Dois anos depois, ele voltou. Mas eu não era mais a garotinha que ele havia conhecido, enquanto ele não mudara nada. Ao contrário da última vez em que nos esbarramos, eu sabia exatamente com quem estava lidando… e quão viciante seu toque poderia ser. Só que desta vez eu conhecia as regras do jogo. No ambiente competitivo e impiedoso do mundo dos negócios, há uma regra que vale para todo mundo: mantenha seus inimigos por perto, e seus ex-amantes mais perto ainda…

 

Semana duzentos e quatro

Poesia total, de Waly Salomão
Waly Salomão foi uma das figuras mais fecundas e heterogêneas da vanguarda brasileira. Não é à toa que Caetano Veloso, em música dedicada a ele, diz: “tua marca sobre a terra resplandece […] e o brilho não é pequeno”.
Baiano, filho de sírio com sertaneja, Waly foi ponta de lança de uma geração de poetas que – num movimento de resistência à censura – contrariaram os princípios formais da tradição e pensaram a produção literária a partir de sua articulação com as outras artes, o que contribuiu para sua escrita tão permeável às diversas manifestações do inquieto cenário cultural no Brasil das décadas de 1970 e 1980. Seus versos continuaram se reinventando ao longo dos anos 1990 e 2000, e consolidaram seu papel de poeta múltiplo em livros como Algaravias, lançado em 1996. Poesia Totalreúne pela primeira vez a obra poética completa de Waly Salomão, desde Me segura que eu vou dar um troço, de 1972, até Pescados vivos, de 2004. O volume traz ainda uma seção de canções inéditas em livro, além de apêndice com os mais relevantes textos sobre sua obra, assinados por nomes como Antonio Cícero, Francisco Alvim e Davi Arrigucci Jr. Em Gigolô de Bibelôs, seu segundo livro, o seguinte verso ecoa: “tenho fome de me tornar em tudo que não sou”. Tal desejo de abolir fronteiras e de confronto com os limites – entre o eu e o outro, entre a prosa e a lírica, entre a arte e a vida – é uma das principais marcas da obra de Waly Salomão. Poesia total é uma viagem sem volta: um “processo incessante de buscas poéticas”, como disse o próprio autor sobre seu trabalho poético-visual, os Babilaques.

Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam, de Marcelo Ferroni
Um escritor frustrado folheia todos os dias o jornal em busca de uma resenha para seu primeiro livro. Todavia, A porrada na boca risonha e outros contossegue ignorado pela crítica, enquanto Humberto vê o trabalho de seus rivais sendo incensado na imprensa e adorado pelo público. O único alento do escritor é Julia, a garota que conheceu por acaso e que agora o leva para um fim de semana na serra, onde ele irá conhecer sua família. A casa da família de Julia é uma majestosa propriedade da época do Império, um lugar onde há não muito tempo os senhores eram atendidos por seus escravos. Hoje, a casa serve de veraneio para os Damasceno, família paulista que fez fortuna vendendo filtros de água. A casa é a menina dos olhos do patriarca Ricardo, obcecado com sua restauração e com documentos e objetos relativos ao passado do local. Ao longo do fim de semana, as inúmeras tensões entre familiares, funcionários e amantes, acumuladas em anos de ressentimento e desconfiança, irão tomar forma num crime brutal. Valendo-se da tradição do mistério de quarto fechado, em que um personagem é morto em um cômodo trancado por dentro, Ferroni irá partir de um enunciado conhecido – um crime em que todos são suspeitos – para colocar em xeque os clichês do gênero, ao mesmo tempo que constrói um romance de enorme força literária sobre a família, o amor e o medo.

Uma longa queda, de Nick Hornby (Trad. de Christian Schwartz)
Eles só queriam saltar de um dos edifícios mais altos de Londres e pôr um fim em tudo. Mas escolheram a noite de Ano-Novo para isso, e acabaram encontrando gente demais disposta a fazer a mesma coisa naquele terraço. Nenhum dos quatro queria testemunhas, ainda mais por serem desconhecidos que tinham em comum apenas o fato de estarem no mesmo local, na mesma hora. Desse impasse nasce algo inesperado: os quatro potenciais suicidas fazem um trato, segundo o qual nenhum deles poderia se matar antes do Dia dos Namorados. Juntos, Martin, um apresentador de tevê condenado por pedofilia; Jess, uma adolescente problemática e impulsiva; Maureen, mãe de um rapaz aprisionado a vida toda em estado vegetativo; e o roqueiro frustrado JJ vão descobrir – e inventar – algumas boas histórias para os manter distraídos até o prazo final. Neste romance, Nick Hornby se vale do tema sensível e polêmico do suicídio para mostrar o lado deliciosamente ridículo de nossas tragédias cotidianas.

FREUD (1926-1929)  – Obras completas, volume 17 – Inibição, sintoma e angústia, o futuro de uma ilusão e outros textos, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Entre os textos deste volume, aquele considerado mais importante é o ensaio teórico Inibição, sintoma e angústia, em que Freud faz uma revisão do seu conceito de angústia, distingue entre repressão e defesa e diferencia cinco tipos de resistência, entre vários outros temas. Em O futuro de uma ilusão, que causou controvérsia quando foi publicado, ele reflete sobre a natureza e o destino da religião e faz a apologia da razão como a única via para o conhecimento, no espírito dos iluministas do século XVIII. A questão da análise leiga, escrito em forma de diálogo, é, ao mesmo tempo, uma brilhante exposição da teoria e da prática da psicanálise e uma defesa da autonomia desta em relação à medicina, do seu exercício por terapeutas sem formação médica. Dos textos menores do volume, merecem destaque “O Fetichismo” e “Dostoiévski e o parricídio”. No primeiro, o fetiche é explicado como um sucedâneo do pênis que o garoto atribui à mulher na infância. O segundo analisa a personalidade do escritor russo com base no “complexo de Édipo”.

FREUD (1916-1917)  – Obras completas volume 13 – Conferências introdutórias à psicanálise, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Freud foi um mestre na exposição e divulgação de suas ideias, e entre as várias obras que escreveu para esse fim se destacam as Conferências introdutórias à psicanálise, publicadas em 1916-7. Durante muitos anos deu séries de conferências na Universidade de Viena, onde era “professor extraordinário”, e resolveu publicar em livro a última dessas séries. O livro se tornou um best-seller entre suas publicações e logo foi traduzido para muitas línguas. Ele se divide em três partes. Após capturar a atenção do leitor com a explicação psicanalítica para fenômenos insólitos, mas comuns a todas as pessoas, que são os atos falhos (na primeira parte) e os sonhos (na segunda), Freud expõe sua abordagem das neuroses e apresenta a terapia psicanalítica (terceira parte). Apesar do título, esta é mais que uma simples introdução à psicanálise, pois apresenta algumas novidades na teoria, como a discussão das fantasias primárias, na conferência 24, e da angústia, na conferência 25, além de trazer o mais claro resumo do simbolismo (na 10) e da formação dos sonhos (na 14). Podem ser mencionados também os comentários sobre as perversões, nas conferências 20 e 21, e a análise do processo psicanalítico, na última conferência.

Editora Seguinte

A escolha, de Kiera Cass (Trad. de Cristian Clemente)
Quando foi sorteada para participar da Seleção, America não imaginava que chegaria tão perto da coroa – nem do coração do príncipe Maxon. Com o fim do concurso cada vez mais próximo, e as ameaças rebeldes ao palácio ainda mais devastadoras, ela se dá conta de tudo o que está em risco e do quanto precisará lutar para alcançar o futuro que deseja. America já fez sua escolha, mas ainda há muitas outras em jogo… Aspen, seu antigo namorado, terá de encarar um futuro longe dela. E Maxon precisa ter certeza dos sentimentos da garota antes de tomar a grande decisão, ou acabará escolhendo outra concorrente.

Editora Paralela

Tempo bom, tempo ruim, de Jean Wyllys
Jean Wyllys, um dos parlamentares mais combativos e corajosos em atividade, recebeu em 2013 o prêmio Congresso em Foco por ser o deputado federal que melhor representou a população brasileira, segundo avaliação de jornalistas e da sociedade. Dono de uma trajetória imprevisível e supreendente, Jean Wyllys saiu da pequena cidade de Alagoinhas, no interior da Bahia, estudou jornalismo, venceu o Big Brother Brasil em 2005, para se tornar, enfim, um dos grandes defensores das minorias e dos direitos humanos no Congresso Nacional. Com lucidez, erudição e honestidade implacável, Jean Wyllys revê sua trajetória e as lutas que trava diariamente, revelando ao leitor os conflitos sociais e raciais do Brasil, um país de avanços e retrocessos, de tempo bom e tempo ruim.

Oito filmes inspirados em livros que estreiam em 2014

1) A música nunca parou

  • Inspirado em: “O último hippie”, estudo de caso de Um antropológo em Marte (Oliver Sacks)
  • Lançamento no Brasil: 17 de janeiro
  • Sinopse: Gabriel desaparece após um confronto com o pai. Vinte anos depois, Henry e sua mulher descobrem que o filho está em Nova York e que ele tem um tumor cerebral. Ao pesquisar sobre a doença, Henry conhece uma musicoterapeuta que pode ajudar o rapaz, já que ela fez grandes avanços com vítimas de tumores cerebrais por meio da música.

2) Quando eu era vivo

  • Inspirado em: A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli
  • Lançamento: 31 de janeiro
  • Sinopse: Após o fim do casamento e a perda do emprego, Júnior (Marat Descartes) retorna à casa do pai (Antonio Fagundes). Mas esta não é mais a casa de sua infância. Seu quarto agora é habitado pela jovem inquilina Bruna (Sandy Leah) e todo o ambiente lhe parece inóspito e opressor. No quartinho dos fundos, Júnior encontra objetos estranhos que pertenciam à sua mãe, incluindo uma misteriosa mensagem criptografada. Certo de que a compreensão da mensagem é a chave para entender melhor seu passado e seu presente, Júnior desenvolve uma obsessão pela história da família, ao mesmo tempo em que acontecimentos sombrios passam a fazer parte da rotina da casa.

3) Doze anos de escravidão

  • Vencedor do Globo de Ouro, indicado ao Oscar 2014 em 9 categorias inclusive Melhor Filme
  • Inspirado em: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup (será lançado dia 24 de fevereiro pela Penguin-Companhia)
  • Lançamento no Brasil: 21 de fevereiro
  • Sinopse: Esta história, baseada em fatos reais, apresenta Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um escravo liberto que é sequestrado em 1841 e forçado por um proprietário de escravos (Michael Fassbender) a trabalhar em uma plantação na região de Louisiana, nos Estados Unidos. Ele é resgatado apenas doze anos mais tarde, por um advogado (Brad Pitt).

4) Amor sem pecado

  • Inspirado em: As avós, de Doris Lessing
  • Lançamento no Brasil: previsto para março
  • Sinopse: Duas amigas de infância se apaixonam pelos filhos uma da outra. Após muitas crises, elas terão de enfretar mais um problema: ambos jovens são casados.

5) Guerras sujas

  • Indicado ao Oscar 2014 na categoria Melhor Documentário
  • Inspirado em: Guerras sujas, de Jeremy Scahill (será lançado em março pela Companhia das Letras)
  • Lançamento: junho de 2013 (Estados Unidos), sem data para o Brasil
  • Sinopse: Jeremy Scahill, repórter investigativo e autor do bestseller Blackwater, investiga dados escondidos por trás das guerras americanas, desde o Afeganistão até a Somália, dentre outras. As histórias paralelas às contadas pelo governo e empresa americana descobertas através de uma profunda jornada investigativa.

6) Uma longa queda

  • Inspirado em: Uma longa queda, de Nick Hornby (será lançado em maio pela Companhia das Letras)
  • Lançamento: 21 de março na Inglaterra, sem data para o Brasil
  • Sinopse: A trama é focada em quatro pessoas que planejam se suicidar. Aaron Paul faz um entregador de pizza, Pierce Brosnan encarna um apresentador de televisão, Toni Collette faz a mãe de uma criança deficiente e Imogen Poots vive uma adolescente problemática. Os personagens se encontram no topo de um prédio em uma noite de Ano Novo.

7) A gente é monstro

  • Inspirado em: A gente é monstro, de Alan Snow
  • Lançamento: previsto para outubro
  • Sinopse: Os caixatrolls são monstros que vivem debaixo das charmosas ruas de Ponterrato e saem dos esgotos, à noite, para roubar o que os cidadãos têm de mais precioso: suas crianças e seus queijos. Pelo menos é isso que dizem as lendas. Na verdade, os caixatrolls vivem numa comunidade amável e criam um garoto humano órfão e abandonado chamado Eggs. Quando as criaturas se tornam alvo de um exterminador, Eggs se aventura pelas ruas para salvá-los, juntando-se com uma garota para salvar não só os caixatrolls, mas também a alma de Ponterrato.

8) Cadê você, Bernadette?

  • Inspirado em: Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple
  • Lançamento: sem previsão
  • Sinopse: Bee concluiu seus estudos na Galer Street, uma escola liberal de Seattle, com as melhores notas, e tudo o que ela quer como presente de formatura é uma viagem à Antártida na companhia dos pais. Elgin é um pai ausente, mas genial: programador da Microsoft, tornou-se um rock star no mundo nerd por ter dado a quarta palestra mais vista no TED, e está prestes a lançar o Samantha 2, o projeto de sua vida. O momento não poderia ser pior para se isolar no extremo sul do planeta. A mãe, Bernadette, já não aguenta a vida em Seattle e está à beira de um ataque de nervos. poucos dias antes da viagem, ela desaparece, com medo do convívio social e de sentir enjoo durante a travessia da passagem de Drake. Agora Bee fará tudo para encontrar a mãe. Mas antes ela terá de descobrir quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem.

Depois de Nick Hornby

Por Carol Bensimon

É comum que se pergunte aos escritores, ou ao menos aos considerados jovens, o que eles leram na infância e na adolescência. Acho que isso parte do pressuposto de que o que a gente lê numa tenra idade vai refletir em nossos gostos futuros, em nosso “fazer literatura”, muito mais do que as obras lidas já na vida adulta. Ou simplesmente as pessoas querem que você dê conselhos sobre “como começar”.

Eu costumo dizer que comecei com os livros policiais, e é verdade. Digo que as aventuras infantojuvenis da Coleção Vaga-Lume foram importantes para mim e para toda a minha geração, e é verdade. Eu já falei mais de uma vez que um livro do Marcos Rey, cuja trama se desenrola no Edifício Martinelli abandonado, foi muito marcante lá pelos meus treze anos. Mas, pessoalmente, o romance que transformou a literatura em outra coisa, na minha coisa, foi Alta fidelidade, do Nick Hornby.

Antes de Alta fidelidade, acho que dá pra dizer que a literatura era parte da minha vida porque me distraía, me ensinava, me mostrava outros universos. Naquela época, além de ler, de ir a boates estranhas, festas em casas modernistas da Zona Sul de Porto Alegre, e de tentar beber café na Casa de Cultura Mário Quintana, eu jogava RPG (alguém ainda faz isso? Espero de verdade que sim). O fato de eu jogar RPG me levava a um universo fantasioso extremo, o que de certa forma era divertido, mas preciso admitir que tanta honra, armaduras, tavernas e amores impossíveis não me pareciam o suficiente porque não estavam dizendo nada sobre mim e sobre o mundo que todos os dias eu via assim que levantava da cama.

Alta fidelidade foi o primeiro livro contemporâneo que eu li. Era uma obra (também) sobre fracasso, e isso parecia estabelecer um diálogo profundo com minha vida de adolescente. Além disso, aquela fusão da literatura com as canções que eu ouvia — e com as que eu logo passaria a ouvir — gerou uma espécie de clique decisivo para mim.

Depois de Alta fidelidade, eu me joguei em muitos livros da dita “literatura pop”, esses que de alguma forma tentavam surfar na onda do Nick Hornby. Alguns eram legais, outros nem tanto, mas pelo menos eu me sentia o universo representado. Quem já teve algum contato com a minha literatura deve ter percebido. No fim das contas, essa história de personagens movidos pela música, ações cujo clímax é desencadeado por causa de uma canção, ídolos mortos, dancinhas constrangedoras, trilha sonora de fundo — tudo isso se tornou uma parte considerável das minhas narrativas. Da mesma forma, aliás, que os lugares abandonados — cujo fascínio original, demarcado, está lá no já citado livro do Marcos Rey lido aos treze anos, aquele protagonista que via marcas na parede ou objetos deixados para trás e imaginava histórias — foi essa arqueologia da cidade que nunca me deixou, então eu coloquei uma casa abandonada no meu primeiro livro e coloquei uma cidade inteira em ruínas no meu próximo livro.

E também um pouco de Led Zeppelin, claro.

* * * * *

Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008 e, no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Seu próximo livro, Todos nós adorávamos caubóis, está previsto para outubro. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.
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