nicole krauss

Semana cento e cinco

Os lançamentos desta semana são:

A memória de nossas memórias, de Nicole Krauss (Tradução de José Rubens Siqueira)
O que acontece quando estamos a ponto de perder tudo — inclusive a esperança? A busca por uma resposta atravessa o tempo e o espaço, marcando a trajetória daqueles que precisam lidar com suas memórias e com a consequente necessidade de esquecimento em nome da autopreservação. O resultado é um painel (que tem algo elegíaco) narrado com elegância, por meio de personagens que aos poucos, no decorrer da leitura, vão descortinando aspectos inesperados de seu próprio percurso. Narrativa que mesmo sem ser detetivesca transcorre a partir do mistério escondido na vida de cada um de nós, A memória de nossas memórias conduz o leitor pelos emaranhados fios que somente a reconstrução do passado é capaz de desvendar.

Éramos nós, de Thomas L. Friedman & Michael Mandelbaum (Tradução de Ivo Korytovski)
Os dois autores travam uma conversa descontraída sobre a política norte-americana, conduzindo o leitor em uma agradável viagem pelos fatos históricos que tornaram os Estados Unidos a maior potência mundial, e apontam as causas da atual crise desse modelo. Juntos, eles traçam um texto esperançoso, analítico e opinativo, que busca explicar por que a ideia de que a Grã-Bretanha dominou o século XIX, os EUA o século XX e de que a China vai inevitavelmente reinar no XXI está errada, apesar de coisas muito estranhas ocorrerem em todo o país. Embora o cenário pareça devastador, Friedman e Mandelbaum conseguem localizar pequenas ações que os enchem de esperança no futuro, e lhes dão a certeza de que o fim da hegemonia americana não está tão perto quanto se imagina.

Sobre meninos e lobos – Mystic river, de Dennis Lehane (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Um carro encosta perto de três meninos que brigam numa rua da violenta periferia de Boston. Aturdidos com a inesperada abordagem, Sean e Jimmy veem o amigo Dave ser levado por dois homens que, ao que tudo indica, pertencem à polícia. Mas eles logo percebem que há algo de errado: uma simples disputa entre três garotos de onze anos não justificaria tal intervenção. Vinte e cinco anos mais tarde, os três companheiros se reencontram numa encruzilhada armanda por um trágico destino. Espelhados nas águas turvas do rio Mystic, Sean, Jimmy e Dave tentarão se livrar definitivamente de um passado que por tanto tempo ficou encoberto.

Fotografia e império, de Natalia Brizuela (Tradução de Marcos Bagno; co-edição IMS)
Natalia Brizuela resgata um aspecto pouco explorado da história do Brasil no século XIX: o extraordinário papel da mídia recém-inventada na formação de uma identidade nacional brasileira. Mais que um simples aparato para registrar paisagens e rostos, a fotografia foi utilizada — de forma mais ou menos consciente — como um instrumento para fixar e configurar o vasto território do Império tropical. Pintado como uma espécie de paraíso selvagem, o Brasil se tornou um território de desejo para olhos estrangeiros — e um espaço a ser dominado pelo Estado, fosse ele a Coroa ou a República.
[A autora estará no Rio de Janeiro e em São Paulo para bate-papo sobre o livro.]

Paralelo 10, de Eliza Griswold (Tradução de Ângela Pessoa)
Nos últimos anos, a escritora e jornalista norte-americana Eliza Griswold visitou 6 países assolados por violentas hostilidades entre cristãos e muçulmanos: na África, as regiões conflagradas da Nigéria, do Sudão e da Somália; na Ásia, os arquipélagos da Indonésia e das Filipinas e as florestas da Malásia continental. Visitando por perigosas zonas de conflito, a autora entrevistou personagens-chave de batalhas supostamente travadas em defesa dos ensinamentos de Maomé e Jesus Cristo. Suas conversas com pastores evangélicos, xeques, guerrilheiros, políticos e líderes tribais — e, sobretudo, com os sobreviventes de diversos massacres — revelam que os crimes cometidos em nome da religião não se dissociam da luta pela dominação econômica em territórios historicamente marcados pela desigualdade. Como demonstram as impactantes reportagens reunidas em Paralelo 10, a disputa por terras e matérias-primas quase sempre subjaz ao confronto entre islã e cristandade ao redor do planeta.

Pai, não fui eu!, de Ilan Brenman (Ilustrações de AnnaLaura Cantone)
A imaginação infantil pode ir longe — tão longe a ponto de fazer parte da própria realidade em que vivem os pequenos. Brincando com essa poderosa capacidade de inventar típica da infância, Ilan Brenman narra a história de um pai que, enquanto trabalhava tranquilamente no escritório de sua casa, ouve um estrondo. A filha dele, que presenciou o desastre, logo chega para dar explicações: o barulho foi por causa do livro italiano gigante — o preferido do pai — que, de repente, despencou da prateleira da estante. E quem o deixou cair foi o leopardo, que, ao ver a menina folheando o livrão, disse que adorava ler e se aproximou, mas acabou esbarrando nele e lá foi o livro gigante estante abaixo… Depois de todo aquele esclarecimento, qual não foi a surpresa do pai ao abrir o seu livro!… Com um final surpreendente e divertido, esta é uma pequena amostra da relação entre pais e filhos, ilustrada com delicadeza por AnnaLaura Cantone.