olivia byington

Semana trezentos e dois

A Bíblia do Che, de Miguel Sanches Neto
Herói do romance A primeira mulher, o professor Carlos Eduardo viveu a última década em reclusão total. Morando no centro comercial de Curitiba, o professor quer distância das mulheres e dos criminosos que marcaram sua última aventura, e passa os dias entre o consultório abandonado de odontologia onde vive e uns poucos restaurantes nas redondezas. Sua paz é interrompida pela visita de um velho conhecido, um operador financeiro que quer contratá-lo para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito durante uma passagem pelo Brasil. A história conta que, numa temporada clandestina em Curitiba, Che teria se disfarçado de padre e carregado uma Bíblia, em cujas margens fez supostos comentários. Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.  A busca colocará o professor no centro de um furacão político que assola o país. Entre empreiteiros corruptos, políticos escusos e paixões desmedidas — que ele não pôde evitar —, Carlos Eduardo precisa percorrer um labirinto de mentiras e intrigas que pode significar a sua própria morte. Um dos grandes romancistas brasileiros em atividade, Miguel Sanches Neto faz do suspense e do mistério terreno fértil para uma reflexão sobre vida, morte, poder e arte.

Objetiva

O que é que ele tem, de Olivia Byington
Março de 1981. Durante o parto de seu filho, Olivia, então com 22 anos, percebeu que havia algo diferente. Até ali, havia enfrentado os anseios naturais de qualquer mãe de primeira viagem, mas não estava preparada para a mudança radical em seus planos — e em sua vida. Assim começa a história de João, que nasceu com a rara síndrome de Apert. Menino valente, saiu da maternidade diretamente para o centro cirúrgico, começando ali uma longa caminhada repleta de incertezas, obstáculos, mas também de muitas vitórias.

Penguin

Iracema, de José de Alencar
Publicado em 1865, Iracema é um dos textos fundamentais da cultura brasileira. Parte da trilogia indianista de José de Alencar (O guarani e Ubirajara são os outros livros), o romance guarda a multiplicidade dos clássicos: sua prosa é poética, seu tratamento da matéria é mítico, seu ar é de epopeia. Livro que durante muitos anos resumiu o éthos brasileiro nas letras, ainda hoje oferece muitos caminhos de interpretação na crítica literária, na historiografia, nos estudos culturais e de gênero. A história do amor de Iracema, a “virgem dos lábios de mel”, com Martim é a metáfora romântica do encontro entre a civilização e a cultura autóctone. Valorizando a paisagem brasileira e construindo um passado idealizado, José de Alencar criou um mito que perdura até hoje.

Seguinte

O código dos bucaneiros, de Caroline Carlson (Tradução de André Czarnobai)
No último volume da série, Caroline Carlson traz um desfecho fantástico, repleto de ação e absurdamente divertido, como toda aventura em alto-mar deve ser. Depois de descobrir que o líder da Quase Honrosa Liga de Piratas, o capitão Dentenegro, estava envolvido com um grupo de criminosos que quer dominar o reino, Hilary Westfield decide pegar seu sabre, seguir até a Praça da Pólvora e desafiar o capitão e seus comparsas perversos a uma batalha em alto-mar. Se vencer, Hilary se tornará a nova presidente da Liga. Se perder, ela vai perecer no mar, ou, na melhor das hipóteses, será exilada no Abrigo Pestilento para Piratas Mal-Humorados. O problema é que a batalha nem vai começar se Hilary não conseguir reunir duzentos seguidores para lutar ao seu lado. Assim, a jovem pirata parte numa missão de recrutamento que pode ou não envolver piratas temíveis, damas delicadas mais temíveis ainda… e galinhas.

Paralela

21 dias, de Dra. Sara Gottfried (Tradução de Guilherme Miranda)
Quando se trata de emagrecimento, a maioria das pessoas não pensa em hormônios. Mas o que poucos sabem é que sete deles — cortisol, testosterona, hormônios da tireoide e do crescimento, leptina, insulina e estrogênio — podem afetar negativamente o metabolismo, diminuindo a capacidade de digerir e absorver corretamente a comida e resultando em ganho de peso e cansaço constante. E não para por aí: esses hormônios são responsáveis por regular a perda de peso, o que também explica o motivo de as dietas comuns não funcionarem. Ao longo dos últimos vinte anos, a dra. Sara Gottfried tem ajudado milhares de mulheres a desvendarem as causas hormonais de seus problemas de saúde. Neste livro, ela apresenta um programa de sete etapas, cada uma com duração de três dias, para que mulheres de diferentes tamanhos, etnias e idades restaurem seu metabolismo com alterações alimentares específicas para cada tipo de problema. Gottfried explora ainda os motivos emocionais que podem causar compulsão por comida e maus hábitos alimentares. Com 21 dias: Perca peso e melhore o seu metabolismo em 3 semanas, você irá reequilibrar seus hormônios e sua saúde, além de redescobrir seu corpo.

Companhia das Letrinhas

O conto do carpinteiro, de Iban Barrenetxea (Tradução de Eduardo Brandão)
O carpinteiro Firmín era famoso no mundo inteiro. Ele fabricava rodas perfeitas; assentos que faziam as pessoas não quererem mais sentar em nenhum outro lugar; brinquedos capazes de cantar e dançar; cofrinhos que guardavam tão bem os segredos que você os acabava esquecendo para sempre; e muitos outros tesouros. A fama era tanta que até o Barão von Bombus resolveu, certo dia, usufruir dos dotes do carpinteiro. E foi aí que, com tantos pedidos extravagantes – como braços e pernas de madeira para serem encaixados no corpo do próprio nobre, veja que absurdo! —, o talento do grande mestre foi realmente colocado à prova.

O que é que ele tem

Por Olivia Byington

10_joao face

Ilustração: Olivia Byington

Sempre que eu contava alguma coisa relacionada à história do João, meu marido Daniel me dizia: “Você precisa escrever isso. Seu relato é importante para outras pessoas que percorreram esse caminho”.

Eu não fazia ideia de como começar, o que contar primeiro. Tudo o que eu ensaiava escrever me parecia enfraquecido, sem alma. Foi assistindo a uma entrevista da Tatiana Salem Levy que encontrei o caminho. No lançamento de um dos seus livros, ela revelou seu processo criativo, contou que escrevia fora de ordem e, em algum momento, organizava a cronologia e alinhava a narrativa. Foi o estalo do Vieira.

O primeiro relato que me veio foi a cirurgia em Nova York, que João sofreu aos seis meses, com um pós-operatório difícil no New York University Hospital. Aquelas lembranças foram puxando outras e o livro foi tomando forma. Ainda assim, eu tinha dúvidas se conseguiria chegar ao fim. Sofria de uma resistência psicológica avassaladora e qualquer pretexto para não continuar o trabalho era agarrado por mim com entusiasmo. A ambiguidade de querer contar essa importante história junto ao sofrimento que ela me trazia me paralisava a escrita. O texto foi saindo com a reflexão sobre isso tudo, a ajuda de muitos queridos amigos e a entrada dos editores.

Em seu livro de memórias Meu último suspiro, Luis Buñuel conta que durante muito tempo narrou à sua maneira a lembrança do dia do casamento de seu amigo Paul Nizan, na igreja de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, no qual Jean-Paul Sartre era o padrinho. Um belo dia, ele se deu conta de que o amigo, pertencente a uma família de agnósticos e marxista convicto, jamais teria se casado na igreja. Concluiu que a situação era impensável e que provavelmente ele mesmo tinha inventado o cenário da história. Sua conclusão é que “a memória é perpetuamente invadida pela imaginação e pelo devaneio”.

Pensando em Buñuel, flagrei alguns registros fantasiosos no que escrevia e fui atrás da empoeirada agenda do ano de nascimento do João, 1981, assim como dos cadernos de anotações, os resultados de exames, os relatórios médicos para me aproximar ao máximo de sua história. Eu, covardemente, sempre evitei me aproximar daquilo como se fosse material nuclear. Foi preciso que eu desenterrasse esses registros para a reelaboração de vários episódios e mesmo a viravolta de muitos afetos que estavam mal guardados dentro de mim.

João já mudou de século, já evoluiu muito além de todos os melhores prognósticos de quando veio ao mundo. Escrever essas memórias me fez reexaminar minuciosamente a sua trajetória. Foram surgindo lembranças reais, dolorosas, meus erros e tropeços. Mas junto veio a minha juventude, a infância dos meninos, a felicidade vivida em tantos momentos valiosos.

Hoje estou mais forte e mais segura com a minha própria biografia. Fiz as pazes com um monte de assuntos, um balanço do que deixei de fazer na minha carreira e do que eu plantei nas nossas vidas. Mais uma vez, através do João, cheguei a um lugar inesperado. Com o livro pronto, tenho o orgulho de dizer que foi ele quem me auferiu esse novo status, tão longe da construção da minha história quanto respeitado e admirado por mim, o de escritora.

* * *

9788547000110O QUE É QUE ELE TEM
Sinopse: Março de 1981. Durante o parto de seu filho, Olivia, então com 22 anos, percebeu que havia algo diferente. Até ali, havia enfrentado os anseios naturais de qualquer mãe de primeira viagem, mas não estava preparada para a mudança radical em seus planos — e em sua vida. Assim começa a história de João, que nasceu com a rara síndrome de Apert. Menino valente, saiu da maternidade diretamente para o centro cirúrgico, começando ali uma longa caminhada repleta de incertezas, obstáculos, mas também de muitas vitórias. Este é o sincero e corajoso relato de Olivia Byington — hoje mãe de quatro filhos — sobre sua relação com a maternidade, com suas próprias aspirações e medos. O que é que ele tem é uma história de amor. Não qualquer amor, mas o mais difícil e raro: o amor pela diferença.

Evento de lançamento
Rio de Janeiro — Terça-feira, 21 de junho, às 19h — Livraria Argumento — Rua Dias Ferreira, 417

* * * * *

Olivia Byington iniciou a sua carreira como cantora e compositora no final da década de 1970. Gravou seu primeiro disco em 1978 e, desde então, conquistou uma sólida carreira musical, realizando inúmeros shows no Brasil e no exterior. Em junho de 2016 lança pela Objetiva o livro O que é que ele tem.