p.d. james

Semana cento e quarenta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O mais estranho dos países, de Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos tinha extrema precisão ao perfilar personagens de sua época dourada — aquele Brasil eufórico das décadas posteriores à Segunda Guerra. Para falar de Vinicius de Moraes, cita um encontro do poeta com uma ex: “Você continua no Jardim Botânico?”, ele pergunta. A mulher informa: “Não, estou há muito tempo no São João Batista.” Vinicius não se aguenta: “E qual é o número de sua sepultura?” Para falar de Drummond, lembra um episódio surpreendente: “Entro no seu gabinete pela manhã e encontro o poeta desalinhado, procurando os óculos: embolara-se com um funcionário malcriado que o ofendera. E estava bem feliz com o resultado do round”. Para lembrar o místico Jayme Ovalle: “Andando às vezes pela Lapa, de madrugada, costumava-se agarrar a um poste, transtornado com a beleza da aurora: ‘Meu Deus, eu morro…'”. E para retratar o grande amigo Rubem Braga: “Deitado na rede, armada no gabinete de trabalho, falava de mulheres, da raridade de um cotovelo bonito, de paixões, arrasadoras ou frívolas, mas a conversa acabava quase sempre no mato, onde ele gostaria de viver”.

O amor acaba, de Paulo Mendes Campos
Deixai para trás toda desesperança, ó leitor: o bem-aventurado que aqui vier em busca de motivos para amar a beleza da mulher, enaltecer a virtude do ócio, maldizer o tédio e rezar no altar da boemia encontrará motivos de sobra nas crônicas de Paulo Mendes Campos. Exímio na ciência de aproximar a prosa da poesia em textos elegantes, leves e bem-humorados, nas crônicas de O amor acaba o mineiro radicado no Rio de Janeiro é menos o contador de causos do que o apóstolo da boa vida. Publicados quase sempre em jornais, são antes ensaios sobre a efemeridade do êxtase achado no cotidiano mais áspero do que narrativas sobre o Brasil dos anos 1950 e 60 — ambiente que fomentou a bossa nova, o cinema novo, o futebol-arte e a arte da conversa fiada, expressa na geração que gerou, entre outros, Rubem Braga, Fernando Sabino, Antônio Maria e Drummond como luminares deste gêneto tão preciso quanto fugidio: a crônica.

Morte em Pemberley, de P.D. James (Trad. Sonia Moreira)
O ano é 1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy já estão casados, tiveram dois filhos e sua felicidade na imponente propriedade rural de Pemberley parece inabalável. Mas a paz do lugar é ameaçada quando, na noite da véspera do baile anual de Pemberley, Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido, George Wickham, foi assassinado na floresta. Com este ponto de partida, P.D. James retoma o universo do clássico Orgulho e preconceito, de Jane Austen, numa trama de assassinato em que nada é o que parece. Morte em Pemberley segue a tradição dos grandes romances de mistério sobre a aristocracia inglesa. P.D. James, criadora do detetive Adam Dalgliesh, estrela da maioria de seus livros, combina sua paixão pela obra de Austen a um suspense eletrizante, em que nem o grande casal da literatura inglesa está acima de qualquer suspeita.

Editora Seguinte

Infinity Ring: Um motim no tempo, de James Dashner (Trad. Alexandre Boide)
Quando os amigos Dak Smyth e Sera Froste descobrem o segredo da viagem no tempo — um dispositivo portátil conhecido como Anel do Infinito — eles não têm nem ideia da guerra oculta e milenar em que estão entrando; e muito menos de que a partir daquele momento embarcarão numa jornada cheia de perigos e serão responsáveis por salvar a humanidade. Neste volume, os garotos são apresentados aos Guardiões da História, uma sociedade secreta que remonta aos tempos de Aristóteles, e descobrem que fatos históricos importantíssimos estão sendo misteriosamente modificados, gerando Grandes Fraturas na Terra. Com a ajuda do Anel, Dak e Sera vão viajar até a Espanha de 1492 para tentar impedir a primeira catástrofe: um navegador chamado Cristóvão Colombo está sofrendo um motim terrível e será lançado ao mar antes de conseguir chegar na América! Eles precisam ser rápidos…

Semana cento e dezesseis

Os lançamentos desta semana são:

Bahia de todos-os-santos, de Jorge Amado
Há poucas cidades no mundo tão fascinantes, complexas e repletas de história quanto Salvador. E que outro guia melhor do que Jorge Amado para desvelar os encantos, mistérios — e mazelas — seculares de suas ruas, ladeiras, terreiros, igrejas, mercados, trapiches e praias? O autor de tantos romances ambientados em Salvador, responsável em grande parte pela difusão de sua mitologia popular pelo mundo afora, abre aqui de modo generoso as portas da cidade para quem quiser conhecê-la, mas sem perder o olhar crítico e transformador. Diferentemente dos guias turísticos e prospectos oficiais, este livro, publicado originalmente em 1944 e alvo de sucessivas atualizações, não esconde o lado obscuro da capital baiana, seus bairros miseráveis e sem higiene, a vida dura e sem perspectivas da população mais pobre, bem como a deterioração paulatina do meio ambiente e da arquitetura. Bahia de todos-os-santos entrega ao leitor a cidade por inteiro, não só na paisagem física mas também em seus ritos tradicionais e em seus costumes cotidianos.

Notícias do planalto, de Mario Sergio Conti (Edição econômica, com novo posfácio)
“Com sua força narrativa concentrada, um amplo panorama de personagens de cima e de baixo, denso nos detalhes, e com um desenlace dramático à altura, lê-se Notícias do Planalto como um trabalho documental de Balzac. Sem poupar ninguém — proprietários, comentaristas ou repórteres —, o livro quebrou o tabu fundamental da imprensa: cachorro não come cachorro.” Foi assim que Perry Anderson, um dos grandes historiadores ingleses, classificou Notícias do Planalto num ensaio na London Review of Books. Lançado em 1999, o livro deflagrou uma imensa controvérsia acerca das relações perigosas entre a imprensa e o poder e entre jornalistas e donos de órgãos de comunicação. Com mais de 70 mil exemplares vendidos, entrou para a bibliografia básica de inúmeras faculdades de jornalismo.

Os inimigos íntimos da democracia, de Tzvetan Todorov (Trad. Joana Angélica d’Ávila Melo)
Em Os inimigos íntimos da democracia, Todorov emite um enfático alerta contra a maior ameaça à sobrevivência dos valores democráticos no século XXI: as estruturas autoritárias gestadas nas entranhas do próprio sistema político ocidental. Para o autor, o risco de uma regressão global a modos de agir e pensar típicos do totalitarismo é o efeito mais alarmante da perversão interna dos valores democráticos nas últimas décadas. Todorov denuncia os descomedimentos da política contemporânea por meio de uma lúcida compreensão dos discursos ideológicos em jogo nos conflitos decisivos da realidade social.

Aninha, a pestinha, de Juliet Mickelbugh (Trad. Eduardo Brandão)
Aninha era sempre uma gracinha — pintava que era uma gracinha, cantava que era uma gracinha, e todo mundo só dizia: “Que gracinha, a Aninha!”. Mas, irritada com a situação, um dia resolveu passar a fazer só abobrinha. Falava de boca cheia, subia na cadeira, rabiscava a mesa inteira, pintava as paredes de casa, respondia para os adultos, só aprontava confusão! Logo, logo, para todos tinha virado “a pestinha”. Foi aí que ela percebeu que não queria ser nem uma coisa nem outra: queria mais ser ela mesma, só a Aninha.

O voo do golfinho, de Ondjaki
E se todos tivéssemos o dom de mudar de corpo ao longo da vida? E se voar fosse mesmo possível para todos os que sempre desejaram ter asas? Esta é a história de um golfinho que queria ser passarinho e que um dia ousou dar um salto a mais…

A força da escravidão, de Sidney Chalhoub
“Esses escravos ilegais estão a todo momento e por toda parte em presença das autoridades brasileiras, mas eles não são vistos.” A irônica observação de um cônsul britânico diante do escândalo dos africanos escravizados sintetiza o descaso criminoso a que a cidadania dos negros foi submetida no Brasil oitocentista. Em aberta afronta ao direito internacional, mais de 750 mil pessoas foram contrabandeadas para o país após a lei de 1831 que proibia o comércio de cativos. por outro lado, a notória tolerância das autoridades em relação aos horrores do tráfico deteriorava a já instável condição social dos ex-escravos e dos nascidos livres, sinalizando-lhes que seus direitos pouco valiam contra a força avassaladora do poder escravista. Apoiado numa abrangente pesquisa em arquivos da época, o historiador Sidney Chalhoub demonstra como a precária experiência da liberdade dos negros esteve à mercê da cumplicidade entre o Estado e as classes proprietárias durante a maior parte do Segundo Reinado.

Fora do tempo, de David Grossman (Trad. Paulo Geiger)
Em 12 de agosto de 2006, o sargento Uri Grossman foi morto no Líbano, a dois dias do cessar-fogo em nome do qual seu pai, o escritor David Grossman, havia se manifestado anteriormente, em público, ao lado de Amós Oz e A. B. Yehoshua. Cinco anos depois, o ficcionista oferece uma investigação das maneiras de dizer o luto, fazendo a poesia e o maravilhoso ressoarem num espaço próprio, embora permeado pela política e pela biografia. Destituídas das virtudes mágicas capazes de dar corpo ao ausente, as palavras ainda assim insuflam vida em quem encontra fôlego para dizê-las. Em algum ponto da jornada inconcebível limite entre “aqui” e “lá”, o enlutado vislumbra uma hipótese de caminho de volta do exílio. Com Fora do tempo, Grossman testemunha, mais uma vez, que a vida não acabou. Confiando nas virtudes da escrita, ele prossegue em busca das imagens “em alta resolução”, pelas quais “vivemos a nossa própria vida, não um clichês que outros formularam para nós”, conforme declarou certa vez em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Uma certa justiça, de P. D. James (Trad. Celso Nogueira)
O crime central deste romance é o assassinato de Venetia Aldridge, uma mulher obsessiva e arrogante que, dedicando-se de corpo e alma à advocacia criminal, conseguiu chegar ao topo da carreira, brilhando no tribunal mais famoso da obsessiva e arrogante que, dedicando-se de corpo e alma à advocacia criminal, conseguiu chegar ao topo da carreira, brilhando no tribunal mais famosos da Inglaterra, o Old Bailey. Foi lá que realizou a defesa de Garry Ashe, um jovem acusado do assassinato brutal de sua tia. Venetia, porém, não poderia prever que um mês depois seria morta com violência em seu próprio escritório — pois, como diz P.D. James no início deste livro, “os assassinos não costumam alertar suas vítimas”. Por mais hábeis que sejam, entretanto, os criminosos sempre deixam pistas, e segui-las é o trabalho do inspetor Adam Dalgliesh e de sua equipe da Scotland Yard. Uma das melhores autoras do romance policial, Phyllis Dorothy James nasceu em 1920 e só estreou na literatura em 1962. Desde então, publicou cerca de duas dezenas de livros.

Semana sessenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Causas nada naturais, de P.D. James (Tradução de Fernanda Abreu)
Depois de solucionar um caso difícil, Adam Dalgliesh, inspetor da Scotland Yard, tira férias e vai buscar um pouco de sossego na casa de sua tia, que vive na pequena comunidade de Monksmere Head, em Suffolk, leste da Inglaterra. Ele também precisa decidir se irá se casar com a namorada. Mas logo na manhã de chegada a paz é interrompida: Dalgliesh recebe a notícia de que um romancista policial foi encontrado morto, com as mãos decepadas, em um barco abandonado a poucas milhas dali. Apesar de a autópsia indicar morte por causas naturais, uma herança polpuda e um manuscrito de autoria duvidosa indicam que houve algo a mais. Mesmo não sendo responsável pelo caso, Dalgliesh se vê impelido a desvendá-lo. Afinal, a solução de um crime que envolve um grupo de literatos vaidosos e ressentidos pede a acuidade de um policial que também é poeta.

Microcosmos, de Claudio Magris (Tradução de Roberta Barni)
Claudio Magris, um dos maiores escritores italianos contemporâneos, volta a percorrer os lugares e temas centrais de sua obra. Danúbio e Microcosmos guardam muitas semelhanças, mas, se o primeiro se estendia das nascentes à foz do grande rio europeu, explorando personagens e acontecimentos históricos da Mitteleuropa, o segundo se retrai para a cidade natal do escritor, Trieste, e seu entorno. Magris circula pelos cafés e ruas de sua cidade, visita regiões da fronteira italiana que até recentemente tinham pertencido à ex-Iugoslávia, encontra escritores locais, familiares, figuras anônimas. O resultado é uma sucessão de fragmentos descritivos que não se deixam compor numa narrativa mais ampla, como ocorrera em Danúbio. Microcosmos se mostra apenas como quadros desgarrados da memória sentimental do autor, que olha e registra o que vê.

O silêncio do túmulo, de Arnaldur Indridason (Tradução de Álvaro Hattnher)
Neste premiado romance policial nórdico (mesma região que nos trouxe Stieg Larsson e Henning Mankell), um esqueleto, provavelmente datado da 2ª Guerra, é encontrado por acaso em um canteiro de obras próximo a Reykjavík, Islândia. Enquanto os ossos são removidos por um grupo de arqueólogos, cabe ao inspetor Erlendur e a seus assistentes remexer nas velhas histórias da região, que envolvem violência doméstica, um suicídio duvidoso e a presença de uma base aliada durante a guerra. Paralelamente à investigação, Erlendur precisa lidar com sua filha viciada em drogas, com quem mantém uma relação distante, mas que acabou de entrar em coma. Nessa narrativa concisa e potente, a memória é o grande fio condutor.

Histórias e versos das estações do ano, de vários autores e ilustradores (Tradução de Eduardo Brandão)
As quatro historinhas e os 24 poemas e quadrinhas reunidos neste livro, escritos e ilustrados por diversos artistas, tratam das estações do ano e das principais festas e datas especiais: Natal, Páscoa, o início das férias… A concisão, o tema familiar e os versos e diálogos fáceis de acompanhar fazem com que mesmo as crianças que ainda não sabem ler possam apreciar a leitura dos textos em voz alta. Como nos outros volumes da coleção, a capa dura é produzida com um tipo de acabamento que a torna “fofinha”, fazendo com que fique ainda mais atrativa para os pequenos leitores. Na mesma série já foram publicados os títulos de sucesso: Historinhas de contar, Histórias para todos os dias, Rima pra cá, rima pra lá e Histórias, quadrinhas e canções com bichos.

A lentidão, de Milan Kundera (Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Maria Luiza Newlands da Silveira)
Nesta que é sua primeira narrativa escrita em francês, Milan Kundera, autor de A insustentável leveza do ser, volta a investigar os limites do romance, mesclando ficção e especulação metafísica, a exemplo de mestres da Ilustração como Voltaire e Diderot. Integrando diversos personagens em planos múltiplos — o próprio autor e sua mulher, um entomólogo tcheco, os personagens de uma novela libertina do século XVIII, o “dançarino” —, Kundera propõe uma discussão a um tempo profunda e prazerosa sobre a dificuldade de apreensão do real ante a velocidade da vida moderna, a memória e o esquecimento, o clima frenético de hoje e uma época em se podia retardar o movimento em favor da fruição.

Semana quarenta e um

Os lançamentos da semana são:

Lições de filosofia primeira, de J. A. Giannotti
Giannotti compõe um roteiro didático diferente das “introduções à filosofia” usuais. Em vez de apresentar um desfile mais ou menos apressado de nomes, conceitos e sistemas, o autor prefere concentrar-se nos momentos que conduziram à grande crise do século XX, quando pensadores como Heidegger e Wittgen-stein solaparam as bases do discurso filosófico tradicional. Dividido em duas partes, dedicadas respectivamente aos pensadores clássicos e contemporâneos, o livro percorre as principais questões da metafísica desde Platão e Aristóteles, proporcionando a estudantes e especialistas um excelente guia para a prática e o ensino da filosofia.

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida, de Xinran (Tradução de Caroline Chang)
Xinran, jornalista e autora do best-seller internacional As boas mulheres da China, retorna às histórias verídicas de mulheres chinesas que a tornaram mundialmente conhecida. Desta vez ela aborda com delicadeza um dos aspectos mais cruéis e polêmicos da sociedade chinesa contemporânea: em dez capítulos, são apresentadas dez histórias marcadas pela interrupção da relação mãe-filha. Após relutar, Xinran decidiu abordar esse delicado tema e dedicar um livro às centenas de milhares de mães chinesas que se viram levadas a rejeitar — e até mesmo a matar — suas bebês: pela primeira vez, elas teriam suas histórias ouvidas. São, é claro, histórias alarmantes, como a vez em que a própria autora testemunhou uma parteira afogar uma menina recém-nascida num balde de água suja. Juntos, material humano, dados históricos e informações estatísticas compõem um envolvente panorama de tristes experiências de maternidade e confirmam a autora como uma das principais vozes a traduzir a complexa realidade chinesa para o público-leitor ocidental.

Apego, de Isabel Fonseca (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Aos 46 anos, Jean Hubbard é uma profissional de sucesso que leva uma vida doméstica relativamente feliz. Jornalista formada em Oxford, escreve colunas sobre saúde e bem-estar para inúmeras publicações e é casada com Mark, homem igualmente bem-sucedido, proprietário de uma das mais criativas agências de publicidade da Inglaterra. A harmonia cotidiana se dissolve quando Jean intercepta uma carta indecorosa remetida pelo escritório londrino de Mark. Em vez de apresentar sua descoberta e inquirir o marido, Jean decide acessar um endereço de e-mail fornecido pela signatária da carta e encontra fotos picantes da suposta amante. Tomada por um misto de ciúme, curiosidade masoquista e dependência, Jean começa a se corresponder com a moça, passando-se por Mark. Num crescendo de drama e suspense, Fonseca compõe um painel delicado e surpreendente da meia-idade, mostrando que a maturidade e o sucesso não trazem necessariamente segurança ou amadurecimento emocional.

Mortalha para uma enfermeira, de P.D. James (Tradução de Daniel Estill)
Mortalha para uma enfermeira é um dos primeiros e mais elogiados livros de P. D. James, tido pelo New York Times como “a narrativa de mistério em sua melhor forma”. Os métodos inteligentes e minuciosos de investigação de Adam Dalgliesh, o charmoso inspetor da Scotland Yard que protagoniza uma série de romances da autora, serão postos à prova por intrigas que envolvem algumas mortes misteriosas em Nightingale House, escola de enfermagem anexa a um renomado hospital do sul da Inglaterra. O assassinato de duas jovens estudantes inaugura a série de crimes. A primeira vítima foi envenenada e a segunda era uma bela aluna que, descobre-se, estava grávida de três meses. No cenário de um sombrio casarão vitoriano, com a atmosfera pesada dos ambientes hospitalares, os principais suspeitos serão os estudantes, professores e médicos — justo aqueles que deveriam proteger vidas.

Um lugar incerto, de Fred Vargas (Tradução de Dorothée de Bruchard)
Para o delegado Jean-Batiste Adamsberg seria apenas uma curta estada do outro lado do canal da Mancha, mas a participação em um colóquio sobre crimes ligados à imigração reservou surpresas macabras. Dezessete pés foram encontrados, dentro de sapatos, junto ao cemitério de Highgate. O local é famoso. Corre a lenda que Highgate tem um “mestre”, uma entidade vampiresca que assombra o cemitério e tem ligação com ninguém menos que Bram Stoker, o criador do conde Drácula. Mas Adamsberg tem de retornar à rotina em Paris, onde irá se confrontar com um crime não menos assustador e repulsivo: o corpo de um velho jornalista é encontrado em pedacinhos, estripado em sua residência em um subúrbio de luxo. Pouco depois, descobre-se que um crime semelhante aconteceu recentemente na Áustria. Nessa galeria de personagens, crimes e lugares sinistros, só a imaginação e a argúcia de Adamsberg são capazes de deslindar as relações que ligam suspeitos, épocas e paisagens tão incertos quanto sombrios.

Grande, pequeno, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
Muito adulto jura de pés juntos que nunca fez aquelas coisas que criança sempre faz — pintar a parede com canetinha, vestir uma capa e pular da cadeira, tentando voar, enfiar o dedo no nariz… Pois os autores deste livro revelam alguns segredinhos de infância de personagens insuspeitos: um campeão de natação que perdeu a sunga na piscina; a freira carmelita que usava vestido de chita, o segurança grandão que no teatro da escola fez papel de abelhinha; e muitos mais. Ser grande ou pequeno é mesmo curioso. E só depende do ângulo de que a gente está olhando. Dos mesmos autores de Quem soltou o Pum?.