Paul Aster

Semana duzentos e vinte e um

Diário de inverno, de Paul Auster (Trad. de Paulo Henriques Britto)
Em 1982, com a publicação de seu primeiro livro em prosa, A invenção da solidão, um jovem Paul Auster chamou a atenção do público e da crítica ao escrever sobre a paternidade. Trinta anos depois, já amplamente consagrado, ele escreve seu segundo livro de memórias, no momento em que adentra a velhice. Se em sua estreia o escritor se debruçou sobre a figura do pai, que havia acabado de morrer, em Diário de inverno Auster dá destaque à mãe, que se divorciou do marido e se tornou uma pária dentro da própria família. Em meio a lembranças dos jogos de beisebol, do primeiro relacionamento sério, fadado a dar errado, e do dia em que conheceu sua segunda mulher, Auster relembra a luta da mãe para criar os filhos sozinha, sua dedicação ao trabalho, o segundo e o terceiro casamentos, a dependência financeira na velhice e sua morte. Neste livro nada convencional de memórias, os fãs de Auster reconhecerão muitas das virtudes de seus livros anteriores, como a sensibilidade, o estilo claro e lúcido, o fascínio pela arte e pelo esporte. Ao falar das mudanças de casa, das brigas, do amor pela família e pelos amigos, e principalmente do envelhecimento, este relato de uma experiência pessoal se transforma no retrato de uma experiência universal com a qual todos podem se identificar.

Discurso de primavera e algumas sombras, de Carlos Drummond de Andrade
A ecologia, o passado do Brasil, a amizade e os amores em mais uma obra poderosa de nosso grande poeta. Discurso de primavera e algumas sombras é o testemunho poético de uma inteligência penetrante e ecumênica, que abarcava praticamente todos os aspectos do cotidiano – e além disso contava com o arsenal da melhor lírica em língua portuguesa.


Uma amizade (im)possível, de Lilia Moritz Schwarcz
Em meados do século XVI, quando a história de Uma amizade (im)possível acontece, aos olhos dos europeus o Brasil representava uma possessão esranha, ocupadapor homens ainda mais estranhos em seus costumes. Após a febre do pau-brasil, foi a cultura da cana que animuo a exploração da rica colônia e seus nativos. Portanto, de parte a parte, sobrava desconfiança e motivos para todo tipo de distância e suspeita culturais. É nesse contexto histórico que a amizade entre Pedro, filho de um mercador português, e o corajoso Aukê, um índio Tupinambá, ganha ares de aventura. Uma amizade improvável, construída pelas semelhanças e diferenças desses dois heróis mirins, é o ponto central da história. Voltado para o público infanto-juvenil, esta bonita história de companheirismo e tolerância vem acompanhada por um glossário que ajudará o leitor a entender um pouco os desafios dessa Terra de Santa Cruz, marcada pelo vermelho da tinta do pau-brasil e o doce do açúcar da cana.