paul auster

Semana cento e quarenta e três

Os lançamentos desta semana são:

Segredo de família, de Eric Heuvel (Trad. Érico Assis)
Quando Jeroen vai ao sótão da avó Helena procurar algo interessante para vender, ele descobre o livro de recortes que ela manteve durante a Segunda Guerra Mundial. O livro desperta memórias dolorosas, e a leva a contar pela primeira vez como foi ser uma menina em Amsterdam durante a ocupação alemã da Holanda e sobre a perda de sua melhor amiga, a judia Esther. Após ouvir a história, porém, Jeroen fará uma descoberta surpreendente. Nesta envolvente graphic novel, fiel aos acontecimentos históricos, pessoas comuns assumem papéis variados — vítima, observador, colaborador, criminoso — e têm que tomar as decisões mais importantes e difíceis da vida.

Toda poesia, de Paulo Leminski
A poesia de Paulo Leminski promove — com inteligência e sensibilidade — o encontro de muitos contrários: o rigor e a emoção, a erudição e a leveza, a vanguarda e o pop. Não por acaso Leminski é um dos autores que, tendo florescido nos anos 1970, continua influenciando poetas e letristas das novas gerações. Esta edição reúne pela primeira vez toda a poesia já publicada do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia. Livros hoje clássicos como Caprichos e relaxos, e La vie en close, além de títulos raros como Quarenta clics em Curitiba estão agora novamente à disposição dos leitores com inédito apuro editorial.

Todos os poemas, de Paul Auster (Trad. Caetano W. Galindo)
No final da década de 1970, Paul Auster ainda era um nome quase desconhecido das letras norte-americanas. Havia publicado somente algumas coletâneas de poemas, com escassa repercussão fora dos círculos de connaisseurs agrupados em torno de revistas especializadas, tais como Daimone The Mysterious Barricades. Poucos anos depois, o jovem poeta seria catapultado à fama internacional com o grande êxito de público e crítica dos romances filosófico-policiais da Trilogia de Nova York, que inauguraram uma brilhante carreira na prosa de ficção. À diferença dos escritores que iniciam suas carreiras com a composição de poemas e costumam renegar sua produção juvenil quando se tornam ficcionistas consagrados, Auster não se esqueceu dos versos que ganharam versão para o português pelo mesmo tradutor do Ulysses de James Joyce, com que se lançou na exploração da escrita literária. Ao contrário, o autor de Timbuktu costuma ressaltar a relevância pessoal e estética de sua poesia. “Continuo muito ligado à poesia que escrevi […]. Pensando bem, pode ser a melhor coisa que eu já fiz”, como afirmou em entrevista na década de 1990.

Semana cem

Os lançamentos da semana são:

A primeira pessoa, de Ali Smith (Tradução de Caetano W. Galindo)
Cada conto é uma deliciosa surpresa em A primeira pessoa. Em “A criança”, uma pessoa se vê às voltas com um bebê que surge do nada em seu carrinho de supermercado e que não é seu, embora todos pareçam acreditar que sim. O mesmo estranhamento se dá mais adiante, no conto “N’água”, em que uma mulher é beijada por uma completa desconhecida, na rua, e ao voltar para casa encontra-se com a menina que era há três décadas, o seu “eu de catorze anos”, para uma conversa pungente e improvável. É a partir de situações como estas que Ali Smith discute temas centrais como a identidade, o amor e o fazer literário. Acertando em cheio e aparentemente sem esforço nosso intelecto, nosso coração e nosso senso de humor, a autora explora, por meio de jogos sofisticados, os possíveis caminhos e as questões centrais da arte de narrar.

Sunset Park, de Paul Auster (Tradução de Rubens Figueiredo)
Sunset Park é um bairro de imigrantes no Brooklyn, onde quatro jovens beirando os trinta anos decidem encarar a aventura de ocupar ilegalmente um imóvel vazio. Os quatro, embora sem condições de pagar nem mesmo os baixos aluguéis da região, têm um background de classe média, são instruídos e nutrem veleidades artísticas e intelectuais. Entre eles está Miles Heller, que encontra no amor pela adolescente Pilar o primeiro impulso para pôr um ponto final nos anos de isolamento que se seguiram a um trágico acidente pelo qual, desde a adolescência, se sente culpado. Mas enquanto Miles quer juntar os pedaços e reabrir os olhos para o futuro, tudo à sua volta está coberto pela melancolia e o abandono; a crise americana de 2008 — quando o crédito imobiliário entra em colapso — é um dos pontos centrais desse romance, que fala sobre casas esvaziadas e ocupadas, desfeitas e refeitas. Ainda assim, se as coisas obsoletas falam de morte, em Sunset Park uma multiplicação erótica de corpos humanos embebe tudo das potências de vida.

O compadre de Ogum, de Jorge Amado
O compadre de Ogum foi publicado originalmente como um dos relatos de Os pastores da noite. A narrativa começa com a prostituta Benedita, que, depois de longa ausência, aparece com um bebê nos braços e, antes de desaparecer de novo, entrega-o ao negro Massu, que ela alega ser o pai da criança. Massu, que vive de fretes, precisa batizar o menino antes que complete um ano. Escolhida a igreja e a madrinha, resta o problema maior: eleger o padrinho da criança. Para não melindrar nenhum amigo, Massu consulta os orixás, e o próprio Ogum decide ser o padrinho. A situação põe em polvorosa a comunidade boêmia de Salvador. Mães e filhas de santo, prostitutas, jogadores, todos se mobilizam para o grande acontecimento, embora nem sempre os planos ocorram da maneira planejada.

Robinson Crusoé, de Daniel Defoe (Tradução de Sergio Flaksman)
Empreendedor individualista, asceta puritano, antropólogo: as leituras do mito Robinson Crusoé são inesgotáveis. Defoe narra em primeira pessoa as peripécias do engenhoso náufrago inglês ao longo de quase trinta anos de isolamento numa ilha deserta. Desobedecendo aos conselhos paternos, o jovem Crusoé se lança ao mar e inicia uma carreira repleta de infortúnios, que incluem uma decisiva passagem pelo Brasil antes da solidão da “Ilha do Desespero”. Esta edição traz uma introdução e notas de John Richetti, professor emérito de inglês na Universidade da Pensilvânia.

Links da semana

Acima você vê, em primeira mão, uma foto do boneco de Xu, personagem de Cachalote, que está sendo produzido pelo estúdio Factotum para a exposição de originais da graphic novel que ocorrerá em setembro em São Paulo. A Aline, do blog Godot não virá, resenhou a hq de Daniel Galera e Rafael Coutinho.

O Rafael, do blog O Espanador, resenhou O castelo nos Pirineus, de Jostein Gaarder. Ele também falou sobre o encontro que aconteceu segunda-feira entre Mia Couto e Agualusa na Livraria da Vila.

Apesar das constantes manchetes sobre a morte do livro, a Veja on-line fala sobre as tecnologias que estão ajudando a melhorar o livro impresso.

O José Maurício, do blog Kínesis, leu Nove noites, de Bernardo Carvalho. No blog O Café, a Amanda fala de Bordados, de Marjane Satrapi, enquanto Jonas resenhou Uma solidão ruidosa, de Bohumil Hrabal, para o Scream & Yell.

Duas pessoas resenharam A vitória de Orwell, de Christopher Hitchens: o Thiago, do blog Os que cheiraram Cocteau, e a Anica, do Meia Palavra.

Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro, ganhou adaptação para o cinema com participação de Keira Knightley e Carey Mulligan, e um novo pôster do filme foi divulgado.

jornal argentino Página 12 fala sobre Blanco noturno, primeiro romance de Ricardo Piglia em treze anos, e o site Geekologie mostra o que aconteceria se eventos históricos fossem usuários do Facebook.

No Meia Palavra, a Taize resenhou O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca. O lançamento em São Paulo do livro foi marcado para 2 de setembro.

Em entrevista a Mario Gioia, o crítico Lorenzo Mammì analisa os ensaios de Giulio Carlo Argan reunidos no livro A Arte Moderna na Europa.

No portal InfoEscola, a Ana Lucia resenha Invisível, de Paul Auster. A Marina resenhou em seu blog o clássico infantil Píppi Meialonga, de Astrig Lindgren, e Wellington fala sobre a obra de José Saramago no Digestivo Cultural.

Para terminar, o Alessandro, do blog Livros e afins, dá doze dicas para facilitar o hábito de leitura, e o Portal Exame mostra os detalhes de catorze leitores de e-books, para que você possa compará-los.

Links da semana

Na quinta-feira passada aconteceu o lançamento de Cachalote em Porto Alegre, na Palavraria. O blog da livraria postou fotos do evento, e o blog de Ronaldo Bressane tem uma entrevista com os dois autores sobre o processo de criação da HQ. O artista Rafael Coutinho fez um pôster inspirado em Cachalote, que pode ser adquirido no site do Estúdio Elástico. O próximo lançamento será em Curitiba, no dia 14.

Para aqueles que gostam de capas de livros, o blog Caustic Cover Critic reúne diversas capas que seguem o mesmo estilo, ou que usam abordagens diferentes para ilustrar temas semelhantes. Mas se você prefere pensar em onde guardar seus livros, veja o Bookshelf Porn, com várias fotos de estantes diferentes, de todos os tamanhos e estilos.

Foi divulgado um novo cartaz do filme de Scott Pilgrim. Se você for como o Scott, que prefere jogar a trabalhar, veja os cadernos da Trapped in Suburbia Design, com páginas que, quando amassadas, viram bolas basquete, futebol e outros esportes.

O blog Depois da última página tem uma resenha de O caminho para Wigan Pier, último título de George Orwell lançado pela Companhia. Este mês será lançado A vitória de Orwell, um ensaio sobre os mitos criados em torno do autor de 1984. A má notícia é que o autor do ensaio, Chistopher Hitchens, que também escreveu Cartas a um jovem contestador, cancelou a turnê de lançamento de seu último livro para se tratar de um câncer no esôfago.

No Twitter algumas pessoas estão brincando de inventar #stieglarssonclassics: livros clássicos com títulos adaptados para o formato usado pelo autor da trilogia Millennium. Alguns exemplos são Lolita (The girl who wasn’t old enough for a dragon tattoo) e Hamlet (The girl who loved the manic-depressive prince of Denmark).

Henning Mankell, compatriota de Stieg Larsson e também autor de romances policiais, teve seu título O guerreiro solitário lançado recentemente. O blog O queijo e os vermes fala sobre o autor e resenha seu primeiro título lançado no Brasil, Assassinos sem rosto.

Aliás, Assassinos sem rosto e vários outros títulos policiais da Companhia estão com desconto de até 40% até 31 de agosto.

Seguindo o exemplo da Amazon e da Barnes & Noble, a Sony também abaixou o preço de seus e-readers. E no Brasil, a Saraiva entrou recentemente no mercado de e-books. Mas, por mais que a tecnologia da leitura digital tenha avançado nos últimos anos, a leitura em papel ainda é mais rápida que no Kindle ou no iPad.

A Petrobras avisa que está com inscrições abertas para seleção pública de patrocínio a projetos culturais.

A revista eletrônica Opperaa fez uma boa resenha de Invisível, de Paul Auster, e o escritor Martin Amis conseguiu cancelar a publicação de uma biografia com a qual não concordava.

Para terminar, o expert em estudos midiáticos Henry Jenkins colocou em seu blog uma entrevista em três partes com Joe Saltzman, jornalista premiado e professor da University of Southern California, responsável por um estudo muito interessante sobre a imagem dos jornalistas na cultura popular. A base de dados, que pode ser consultada online, já tem mais de 75 mil exemplos de figuras de jornalistas em livros, filmes, músicas e outros, que vão muito além de Tintim e Todos os homens do presidente.