paulo henriques britto

Semana cento e sessenta e sete

Os lançamentos desta semana são:

A maçã envenenada, de Michel Laub
Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de 18 anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres.

Cidadania insurgente, de James Holston (Tradução de Claudio Carina)
Investigação etnográfica, ensaio histórico, análise sociológica, intervenção no debate político: diversas e enriquecedoras são as maneiras de ler Cidadania insurgente. Publicado originalmente nos EUA em 2008, este livro é o resultado de décadas de pesquisa sobre a cidadania brasileira e a luta por direitos como moradia e infraestrutura urbana na periferia de São Paulo. James Holston explica os processos formadores de nossa sociedade desde o período colonial até a atualidade, circunscrevendo sua aguda leitura em torno dos construtos jurídicos e práticas sociais responsáveis pela natureza ao mesmo tempo inclusiva e desigual de nossa cidadania. O autor de A cidadania modernista, clássico da crítica ao urbanismo utópico e excludente de Brasília, desmascara os mecanismos perpetuadores da desigualdade e da marginalização ao longo da violenta história social do Brasil.

Mínima lírica, de Paulo Henriques Britto
Esta edição reúne os dois títulos iniciais de um poeta que, ao longo de trinta anos de carreira, iria ostentar uma das trajetórias mais sólidas e brilhantes da lírica brasileira contemporânea. Para além da reflexão acerca da “música banal dos sentimentos” (como escreve nos versos de abertura do poema “Pour Élise”), as peças reunidas neste volume também dão conta de uma vasta gama de interesses do tradutor de, entre outros, Elizabeth Bishop e Wallace Stevens. A tradição literária, a poesia de língua inglesa e as tentativas do eu lírico de abarcar — de forma nada pretensiosa — as diversas esferas da experiência concreta estão entre os grandes momentos de um livro permeado de astúcia literária, humor e observação do cotidiano.

Manual do pequeno skatista cidadão, de Vinícius Patrial (Ilustrações de Jimmy Leroy)
O skate é o segundo esporte mais praticado no Brasil, com milhares de pistas espalhadas pelo país todo. Mas, apesar de toda essa fama, há muito pouco material sobre o skate no Brasil. Pensando nesse público, que adora se jogar nas pistas e precisa aprender a se proteger e a cair direito, a banda Pequeno Cidadão preparou um almanaque completo sobre o assunto, inspirado em uma canção do novo CD. Com informações aprovadas pela Confederação Brasileira de Skate, este manual é ideal para os que são apenas simpatizantes, para aqueles que começaram a arriscar um ollie e até para os praticantes mais experientes.

Tutu-Moringa: história que tataravó contou, de Elizabeth Rodrigues da Costa e Gabriela Romeu (Ilustrações de Marilda Castanha)
Os bichos-papões são tão assustadores quanto antigos. Com fama de feiosos e cruéis, rondam a noite infantil, assustando e roubando criancinhas, desde a Antiguidade. Na Grécia, por exemplo, os pequenos temiam ser raptados por uma velha feiíssima, a Strigalai. Já os romanos se apavoravam com a Caprimulgus, uma senhora que saía de noite para tirar leite da cabra e papar meninos e meninas. Aqui no Brasil, há vários papões: a cabra-cabriola, a cuca, o jurupari… — e os tutus, seres encantados que chegaram com os escravos africanos escravizados muito tempo atrás. Neste livro, Tataravó conta, para os netos vidrados e ao mesmo tempo apavorados, a história de Tutu-Moringa, aquele que morava numa moita no meio do mato e que, no final da tarde, saía à caça de crianças que imaginava serem seus filhinhos roubados pelos portugueses lá na África.

Editora Seguinte

Sombras vivas (Reckless, vol. 2), de Cornelia Funke (Tradução de Sonali Bertuol)
Mais uma vez no Mundo do Espelho, Jacob Reckless precisa se libertar de uma maldição que em poucos meses lhe custará a vida. Depois de tentar diferentes formas de magia, sua última opção é uma lendária balestra, arma capaz de dizimar exércitos, mas também de salvar aqueles que realmente precisam. Para encontrar esse objeto extraordinário, ele terá de viajar por Álbion, Lorena e Austrásia, enfrentar criaturas terríveis e competir com Nerron, um ser perigosíssimo que está decidido a derrotá-lo a qualquer custo e ser o primeiro a encontrar a balestra, para então se tornar o caçador de tesouros mais talentoso de todos. Jacob não tem tempo a perder. E se não fosse a presença de Fux, sua companheira de aventuras capaz de assumir tanto a forma humana quanto a figura de uma raposa, ele talvez não tivesse forças para encarar tantos obstáculos. Só assim, no limite entre a vida e a morte, ele conseguirá perceber que existem tesouros ainda mais preciosos que sua própria vida.

Editora Paralela

Um toque de vermelho (Renegade Angels, vol. 1), de Sylvia Day (Tradução de Alexandre Boide)
Adrian Mitchell não é um homem qualquer. Além de ser o mais sensual, elegante e charmoso dos seres, ele é também o grande líder de uma unidade de elite de Operações Especiais dos Serafins. Sua missão: controlar vampiros e licanos e manter todo o universo em ordem. No entanto, o seu encontro, depois de quase duzentos anos, com a alma da mulher que ama, no corpo da bela Lindsay, os leva a uma proibida — mas incontrolável — paixão que poderá colocar tudo a perder.

Semana noventa e dois

Os lançamentos da semana são:

Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo é o terceiro livro de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940. Aqui, o poeta surge atento aos acontecimentos políticos da época. “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”, escreve nos versos que abrem  este volume. Esse Drummond humanista lamenta que as pessoas mantenham olhos cerrados par ao mundo a ponto de permitir a violência – a Segunda Guerra Mundial – e de trocar a compaixão pelo egoísmo de quem vive em um “terraço mediocremente confortável” (“Privilégio do mar”). A visão de mundo pouco otimista não o impede de ser lírico nos delicados “Menino chorando na noite” e “Noturno à janela do apartamento”. E ainda sobre tempo para escrever sobre o amigo Manuel Bandeira, num “apelo de um homem humilde” que funciona ainda como um elogio e uma reflexão sobre o fazer poético.

Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade
Profundos e metafísicos, os poemas reunidos em Claro enigma ocupam uma posição singular na obra de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente dando as costas para aquela realidade que tanto calor trouxe à sua lírica anterior (e que iria reaparecer em livros publicados mais tarde, aliás), aqui o autor parece querer buscar, por meio da retomada de formas e dicções clássicas da poesia, um equilíbrio delicado entre o passado e o presente. O amor, a brevidade da vida e a herança cultural são alguns dos temas elaborados – com maestria técnica e profundidade filosófica – por um homem que sempre quis fazer parte do seu próprio tempo.

A rosa do povo, Carlos Drummond de Andrade
A rosa do povo ocupa uma posição central não apenas no longo percurso de Carlos Drummond de Andrade. Não resta dúvida alguma que este livro, publicado em 1945, pode ser lido hoje como uma das mais importantes coleções de poemas do século XX em qualquer idioma literário. Falando da guerra e dos afetos, do passado familiar e da experiência de viver no Rio de Janeiro – a primeira grande metrópole brasileira –, além de especular sobre o lirismo em tempo sombrios, o livro estabeleceu definitivamente a figura do poeta mineiro no panorama da melhor poesia de língua portuguesa.

Contos de aprendiz, Carlos Drummond de Andrade
Nas quinze histórias reunidas neste livro, Carlos Drummond de Andrade transfere para a prosa de ficção algumas das maiores qualidades de sua poesia. E vai além: divertidos, emocionantes, transpirando argúcia e escritos machadianamente com a “tinta da melancolia”, os contos falam de um Brasil provinciano, que começava a se deslumbrar com novidades como cinema, telefone e outros confortos modernos. Publicado em 1951, quando o autor estava prestes a completar cinquenta anos e já tinha uma sólida carreira como poeta, Contos de aprendiz contém alguns dos melhores momentos da narrativa breve de um autor essencial.

Fala, amendoeira
, Carlos Drummond de Andrade
Na crônica, gênero brasileiro por excelência, Carlos Drummond de Andrade conseguiu transpor algumas das maiores qualidades de sua produção poética (como a ironia e a suave melancolia) sem nem por um momento deixar de revisitar os temas clássicos dessa modalidade de literatura mais leve, urbana e atenta às transformações do tempo. Em textos que falam, entre outros temas, do Rio de Janeiro, do cinema, da política e dos afetos, o autor oferece – com delicadeza, inteligência cortante e uma prosa a um só tempo clássica e moderna – um retrato do Brasil de sua época. E que, como sabemos hoje, alcançaria a eternidade.

Antologia Hede, Manuel Graña Etcheverry (Traduzido do espanhol pelo autor com a supervisão de Aline dos Santos e Luis Mauricio Graña Drummond)
Entrego agora ao público, traduzidas par ao português, a totalidade das poesias hedes que chegaram até nós e um estudo a seu respeito: esta é a única versão para uma l[íngua culta e, tambpem, a primeira publicação no Brasil sobre o assunto. Ao fazer tais esclarecimentos preliminares, não é meu intuito predispor os leitores em meu favor mencionando méritos deste trabalho; bem pelo contrário, quis reclamar benevolência com os meus defeitos, pois não tive outras traduções a meu alcance para com elas confrontar a validade das minhas (…), e os obstáculos que enfrenta um hedólogo não são comparáveis com os que possam apresentar-se ao tradutor de nenhuma outra língua.

Formas do nada, Paulo Henriques Britto
Desde o título, Formas do nada não deixa dúvida sobre o jeito de Paulo Henriques Britto praticar a poesia. O som aberto e incisivo dos “as” e a batida firme e séria do ritmo anunciam a pegada combativa de quem não está para contemplações ou devaneios. Sua poesia, permeada pelo humor irônico de quem quase não se permite ter esperança, opera uma prestidigitação impecável e engana o leitor: diz produzir “sofríveis simulacros de sentido”, mas na verdade produz vida palpável e sonora.

Estórias abensonhadas, Mia Couto
Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um longo período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. São histórias que formam um retrato afetivo e mágico da Moçambique de Mia Couto, onde o fantástico faz parte do cotidiano, e a música reside na própria fala das ruas. A partir de vidas enganosamente pequenas, revela-se um prodigioso universo literário, inovador na linguagem, mas sempre atento à força das grandes narrativas.

Fome de monstro, Ed Vere (Traduzido por Júlia Moritz Schwarcz)
Você alguma vez já imaginou que, em algum lugar não tão distante da sua casa, talvez existam…monstros? Sim, monstros como este aqui. Aliás, por que será que ele está babando tanto? Você por acaso está ouvindo o ronco do barrigão dele? Xi, o que será que ele quer com você?!

Companhia das Letras na FLIP – parte 2

Depois de muito planejamento e de alguns dias de montagem, a Casa da Companhia na FLIP abriu suas portas às 17h de 4ª.

Até domingo estaremos aqui, com cantinho para crianças, wifi e espaço de leitura. Além de distribuir balões para as crianças!

Fora isso, os dias têm sido bastante corridos. Além de acompanhar as mesas da FLIP e a programação paralela, toda a equipe se dividiu para auxiliar os autores convidados. Seja mostrando-os um pouco de Paraty e da cultura brasileira…

…ou acompanhando-os nas entrevistas e mesas de autógrafos.

Se você não pôde vir a Paraty, aproveite para ver os trechos que os autores estão lendo em seus bate-papos:

E não se esqueça que uma parte dos autores estará no Rio de Janeiro e em São Paulo na próxima semana!