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13 livros infantis que podem agradar os adultos também

Hoje, dia 2 de abril, é o Dia Internacional do Livro Infantil. Não há literatura mais importante para encantar desde cedo as crianças e trazê-las para o mundo da leitura. Mas só porque o livro é voltado para o público infantil não quer dizer que nós, adultos, não podemos lê-lo. Pensando nisso, organizamos uma lista com livros que vão divertir tanto as crianças como os seus pais, irmãos mais velhos, tios e até avós. Confira!

1) A princesa que escolhia, de Ana Maria Machado (Ilustrações de Mariana Massarani)

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A princesa que escolhia conta a história de uma princesa muito bem comportada, que vivia em um lindo castelo. Mas certo dia, ao dizer “não” para seu pai, o rei, ela sofre as consequências por conta de sua insolência. Ele, que sempre se considerou um grande mandachuva, fica inconformado com a atitude da filha e resolve deixá-la de castigo na torre do palácio por discordar de sua opinião. Mas a princesa não se abala, e enquanto está de castigo lê livros e faz amizades pela internet, aprendendo muitas coisas e ajudando a cidade. Nesta divertida fábula contemporânea, as peripécias da princesa de Ana Maria Machado comovem e fazem refletir sobre a importância de adquirir conhecimento e poder fazer as próprias escolhas.

2) O príncipe que bocejava, de Ana Maria Machado (Ilustrações de Taline Schubach)

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O príncipe dessa história se preparou toda a vida para ser rei. Ele se tornou um jovem bem educado, com boas maneiras, inteligente e bonito, e a família decide que é hora de encontrar uma noiva para o príncipe. Porém, assim que começa a conversar com a primeira das moças, algo muito desagradável acontece: um belo e grande bocejo sai de sua boca. E toda vez que ele se aproxima de uma princesa, um sono enorme o domina. Entediado pela insistência da família em arranjar uma esposa, o príncipe resolve dar um basta na situação e fazer as coisas do seu jeito. Decide viajar mundo afora e conhecer novas pessoas. Afinal, do que adiantaria tudo o que ele aprendeu se ele não pusesse em prática?

3) A gente é monstro!, de Alan Snow

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“A gente é monstro!” é o primeiro livro da série As Crônicas de Ponterrato, e foi adaptado para o cinema na animação Os Boxtrolls. Tem alguma coisa estranha acontecendo embaixo das ruas de Ponterrato. As tampas de bueiro foram lacradas, impedindo Arthur de voltar para casa. As mais diversas espécies de subterráqueos também estão em apuros, pois parece que os caixatrolls, grupo que deveria cuidar dos encanamentos, estão deixando a água inundar a rede de túneis da Subterra. Tudo isso por causa de um tal de Ladravão, que está armando um tremendo golpe para alcançar o poder. Cabe a Arthur a tarefa de salvar a pátria. Com a ajuda de Vainumar Mordisco (Conselheiro Real aposentado), de um bando de caixatrolls, alguns cabeças-de-repolho, da tripulação do navio-lavanderia-pirata, e de Marjorie, a inventora frustrada, o garoto vai ter de enfrentar poucas e boas para se livrar do enrosco armado por Ladravão e sua trupe truculenta.

4) Joões e Marias, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta (Ilustrações de Laurent Cardon)

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A história de João e Maria é uma só. Mas em Joões e Marias são quatro. Ou 1.024, dependendo dos caminhos que você escolher. Ler este livro é mais ou menos como fazer um bolo. E ele pode ser de chocolate, banana, sorvete ou… brócolis. Toda criança já sonhou com a famosa casa de doces e guloseimas do clássico conto infantil de João e Maria. Mas e se ela fosse feita de legumes? Ou de frutas? Ou, quem sabe, de picolés? Neste livro, você encontrará muitos outros modos de contar essa história. Há versões para todos os gostos, e cada uma tem um sabor especial.

5) O piloto e o Pequeno Príncipe, de Peter Sís

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Mundialmente conhecido como o autor de O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry foi piloto de profissão. Ele nasceu na França, em 1900, justamente na época em que foram inventados os aviões, e foi uma das primeiras pessoas no mundo a entregar correspondências via aérea. Nesta biografia escrita e ilustrada por Peter Sís, você vai descobrir como Antoine ajudou a criar novas rotas para lugares distantes, os acidentes que sofreu e as suas reflexões enquanto estava nos céus – que depois o inspiraram a escrever sobre suas experiências -, além de muitas outras histórias dessa figura tão apaixonante.

6) Contos de Grimm para todas as idades, de Philip Pullman

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Se tem um livro que precisava estar nesta lista é o Contos de Grimm para todas as idades. Nele, Philip Pullman recria seus contos de fadas favoritos, adicionando detalhes e fazendo versões muito mais divertidas. Ao longo dos 53 contos reunidos na coletânea, belos príncipes e princesas, velhas feiticeiras, madrastas cruéis e animais falantes transitam entre o estranho e o absurdo. Estão presentes clássicos como Branca de Neve, Cinderela, João e Maria e Chapeuzinho Vermelho, e histórias menos conhecidas, mas não menos surpreendentes, como O junípero, Rumpelstiltskin e Hans Meu Ouriço.

7) Menino Drummond, de Carlos Drummond de Andrade (Ilustrações de Angela-Lago)

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A infância, assim como a memória, o amor e a família, sempre fez parte dos versos de Carlos Drummond de Andrade. Sensíveis, engraçados e irônicos, os poemas reunidos neste livro – ilustrados por Angela-Lago – mostram as diferentes faces do grande autor mineiro. São versos em que Drummond relembra seus tempos de menino, fala do cotidiano, sai em busca do amor e procura entender o vasto mundo à sua volta. Tudo com a sensibilidade e o encantamento de uma voz que há diversas gerações cativa leitores de todas as idades.

8) Branca de Neve e as sete versões, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta (Ilustrações de Bruna Assis Brasil)

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E se Branca de Neve se ela casasse com o caçador? Ou se o espelho mágico mentisse para a Madrasta? Clássicos não deixam de ser clássicos, mesmo quando ganham um final diferente. Em Branca de Neve e as Sete Versões, José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta resolveram modificar o rumo da história, e o leitor irá se deparar com sete diferentes desfechos para a heroína de pele alva.

9) Bárbarode Renato Moriconi

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Era uma vez um bravo guerreiro que montou em seu lindo cavalo e saiu em uma perigosíssima jornada. Ele lutou contra serpentes e gigantes de um olho só, sobreviveu a flechadas, enfrentou leões monstruosos e plantas carnívoras, até que… Ué, ele de repente parou no meio do caminho e começou a chorar! Para saber o motivo da tristeza repentina do nobre cavaleiro, você terá de chegar ao final desta história criativa e divertida contada apenas com ilustrações.

10) Quem soltou o pum?de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)

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A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum!

11) O único e verdadeiro Rei do Bosque, de Iban Barrenetxea

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Em um lindo bosque de bétulas, os irmãos Jaska, Kaspar e Másia vivem tranquilamente em uma minúscula casa de madeira. Na primeira manhã de inverno, porém, uma série de acontecimentos mudará completamente suas vidas. Isso porque Másia quer porque quer um cachecol de pele de lobo – e ninguém melhor que seus irmãos para caçar no bosque. Jaska, alto e tonto, e Kaspar, baixinho e medroso, acabarão cruzando com um lobo bem diferente, conhecerão um tal de rei Primus I e sua guarda real e assistirão à chegada da primeira neve depois de uma festa pra lá de animada. Mas tudo só vai realmente se transformar quando eles descobrirem quem é o verdadeiro – e único – rei do bosque.

12) Píppi Meialongade Astrid Lindgren (Ilustrações de Michael Chesworth)

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Astrid Lindgren escreveu Píppi Meialonga em 1945, como presente para os dez anos de sua filha. Píppi é uma menina de nove anos incrivelmente forte. Não tem pai nem mãe e mora sozinha, mas feliz da vida. Seus companheiros são um cavalo e um macaquinho. Ela mesma faz suas roupas – bem esquisitas – e sua comida – biscoitos, panquecas e sanduíches. Píppi tem sempre uma resposta na ponta da língua e demonstra grande confiança em si mesma. Nada convencional, causa espanto e confusão por onde passa, seja na escola, no circo ou na casa de seus vizinhos. É, enfim, uma menina que realiza sonhos de liberdade e aventura.

13) 1 drible, 2 dribles, 3 dribles – Manual do pequeno craque cidadão, de Marcelo Rubens Paiva (Ilustrações de Jimmy Leroy)

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Joca era o maior craque da sua cidade, o rei da pelada na praia, o grande armador do time. Mas, quando seu pai é promovido e tem de mudar de cidade com a família, o menino perde seu posto. Para reconquistar a fama, ele vai passar por muitos desafios. E se os leitores, como o Joca, acham que já sabem tudo de futebol, que arrasam nos números e nas curiosidades sobre o esporte, vão precisar dar uma olhada na segunda parte do livro. Será que eles sabem como nasceu o futebol, como ele chegou ao Brasil, quais as principais jogadas, dribles e chutes, as gírias mais comuns, a ética do torcedor e do jogador, e a história de todas as Copas do Mundo?

Semana duzentos e quarenta e três

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Uma história de ópera, de Carolyn Abbate e Roger Parker (Tradução de Paulo Geiger)
A ópera é uma das formas de arte mais extraordinárias dos últimos quatro séculos. Proibitivamente cara e irrealista por essência, representa no entanto as paixões humanas com inigualáveis poder e drama. O livro de Carolyn Abbate e Roger Parker já nasce como clássico: o leitor especializado encontrará neste ensaio análises profundas e o leigo terá um guia que o conduzirá às várias facetas e períodos da ópera. Da corte dos Médici na Florença do século XVI até o presente, passando por Monteverdi, Händel, Mozart, Verdi, Puccini, Berg e Britten, os autores traçam análises profundas dos contextos sociais, políticos e literários, das circunstâncias econômicas e das quase constantes polêmicas que acompanharam o desenvolvimento do gênero nos últimos quatro séculos. Isso sem se descuidar da apreciação propriamente estética das óperas estudadas e do aspecto central e talvez definidor dessa forma de arte: as tensões entre palavra e música, personagem e intérprete.

Paralela

Não há heróis, de Mark Owen e Kevin Maurer (Tradução de Berilo Vargas e Renata Pucci)
Mark Owen, ex-SEAL da Marinha Americana, escreve seu segundo livro, Não há heróis, no qual conta as histórias que mais o marcaram em sua carreira, transformando-o no soldado e na pessoa que é hoje. Diferentemente do primeiro livro, o autor apresenta um relato mais pessoal e relembra as histórias mais marcantes vividas ao longo dos 13 anos em que ele serviu como SEAL, incluindo momentos-chave em que, no sucesso e no fracasso, passou a conhecer melhor seus colegas e a si próprio. Com histórias que vão dos treinamentos ao campo de batalha, o livro traz ao leitor uma perspectiva interna das experiências e valores que fizeram com que Mark Owen e seus colegas fossem capazes de executar suas missões sem que elas nem sequer chegassem às manchetes.

Companhia das Letrinhas

O piloto e o pequeno príncipe — A vida de Antoine de Saint-Exupéry, de Peter Sís (Tradução Érico Assis)
Mundialmente conhecido como o autor de O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry foi piloto de profissão. Ele nasceu na França, em 1900, justamente na época em que foram inventados os aviões, e foi uma das primeiras pessoas no mundo a entregar correspondências via aérea. Nesta biografia escrita e ilustrada por Peter Sís, os leitores vão descobrir como Antoine ajudou a criar novas rotas para lugares distantes, os acidentes que sofreu e as suas reflexões enquanto estava nos céus — que depois o inspiraram a escrever sobre suas experiências —, além de muitas outras histórias dessa figura tão apaixonante.

O único e verdadeiro rei do bosque, de Iban Barrenetxea (Tradução de Eduardo Brandão)
Em um lindo bosque de bétulas, os irmãos Jaska, Kaspar e Másia vivem tranquilamente em uma minúscula casa de madeira. Na primeira manhã de inverno, porém, uma série de acontecimentos mudará completamente suas vidas. Isso porque Másia quer porque quer um cachecol de pele de lobo — e ninguém melhor que seus irmãos para caçar no bosque. Jaska, alto e tonto, e Kaspar, baixinho e medroso, acabarão cruzando com um lobo bem diferente, conhecerão um tal de rei Primus I e sua guarda real e assistirão à chegada da primeira neve depois de uma festa pra lá de animada. Mas tudo só vai realmente se transformar quando eles descobrirem quem é o verdadeiro — e único — rei do bosque.

Semana cento e sessenta e seis

Os lançamentos desta semana são:

Memorial do convento, de José Saramago
Para pagar uma promessa, D. João V, rei de Portugal, ordena a construção de um convento que irá consumir toneladas de minério brasileiro e o sangue de milhares de operários. Dentre eles, um certo Baltasar, da estirpe de Sete-Sóis, inválido da mão esquerda depois de uma guerra e apaixonado por Blimunda, uma jovem dotada de poderes extraordinários. Indivíduos que não costumam ser observados pela dita história oficial, mas que no entanto constituem  seu tecido mais delicado e essencial.
Graças ao entrelaçamento da narrativa história com tragédias individuais, e urdido numa prosa fulgurante e dotada da mais fina ironia na observação dos fatos, Memorial do Convento tornou seu autor, o prêmio Nobel José Saramago, um nome internacionalmente aclamado da literatura contemporânea.

Levantado do chão, de José Saramago
Esta é a história dos Mau-tempo, família de lavradores cuja trajetória, do começo do século XX até a Revolução dos Cravos, em 1974, é contada com o arsenal dos melhores fabulistas e o olhar generoso dos grandes críticos sociais. É também a narrativa das mudanças que um país saudoso de poder e de glória atravessaria ao longo dos anos. E da luta de muitos de seus cidadãos para assegurar uma vida mais digna no campo e na cidade.
Publicado em 1980, e imediatamente aclamado em seu país, Levantado do chão é uma dessas obras incontornáveis na luminosa produção do português José Saramago, um dos grandes narradores do nosso tempo. A história social e a observação poética e particularizada da vida humana ganham aqui contornos de uma espécie de épico da vida ordinária — mas jamais comum, uma vez que cada um de seus personagens reluz com o brilho singular de uma das mais poderosas criações ficcionais das últimas décadas.

A conferência dos pássaros, de Peter Sís.
Num mundo repleto de disputas, revoltas e destruição, os pássaros, liderados pela poupa, decidem ir em busca do rei Simorgh. Ele tem a resposta para todas as perguntas e será o único capaz de encontrar uma solução para tanta descrença e infelicidade. Depois de superarem o medo e o comodismo, as corajosas aves alçam voo, percorrem todos os cantos do planeta e atravessam sete vales: o Vale da Procura, o Vale do Amor, o Vale da Compreensão, o Vale do Desapego, o Vale da Unidade, o Vale do Deslumbramento e o Vale da Morte. Mas, ao encontrar o grande sábio, descobrem que a resposta estava muito mais perto do que imaginavam…

Semana cento e vinte e dois

Os lançamentos desta semana são:

Os destituídos de Lódz, de Steve Sem-Sandberg (Trad. Jaime Bernardes)
Mistura de romance social e literatura do holocausto, Os destituídos de Lódz enfileira personagens inesquecíveis enquanto retraça, com os poderosos instrumentos da melhor ficção, a história do gueto de Lódz, a macabra cidade segregada erguida pelos invasores nazistas da Polônia no início da Segunda Guerra. Chegando a reunir cerca de 200 mil almas em seu auge, o gueto era administrado por uma figura que, ainda hoje, mais de meio século depois de sua extinção definitiva, permanece um enigma. Trata-se de Mordechai Chaim Rumkowski, um judeu que vivia mergulhado em pensamentos de grandeza enquanto gerenciava a miséria humana: a fome, as precárias condições de higiene e a violência dos guardas nazistas. Escrito a partir da farta documentação sobre um dos episódios mais sombrios da trajetória humana, este é um romance destinado a ocupar um lugar especial na literatura contemporânea. Uma obra cuja denúncia ressoa na alma do leitor mesmo muito depois de seus acontecimentos já constarem dos livros de história.

O muro, de Peter Sís (Trad. Érico Assis)
Imagine crescer em um lugar de onde não se pode sair, em que tudo é regulado ou proibido, até mesmo desenhar. Peter Sís, vencedor do maior prêmio de literatura infantil, o Hans Christian Andersen, responde a essa pergunta narrando, com traços e memórias, o seu dia a dia no lado oriental e comunista da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria. Desde a infância, repleta de privações e obrigações, até os tempos de revolta, quando o garoto conhece o outro lado do muro, a história de Sís nos mostra como a arte – tão prazerosa para ele e ameaçadora para os outros – aproximou-se do sonho de ser livre.

A confissão da leoa, de Mia Couto
Ataques de leões aterrorizam uma aldeia de Moçambique. Da capital do país, um experiente caçador é enviado à região para liquidar as feras. Ao chegar ao local ele se depara com um mundo mais complexo e ameaçador do que imaginava, no qual mito e realidade se entrelaçam. Narrado em primeira pessoa alternadamente por dois personagens – o caçador e uma moradora da aldeia -, este romance inspirado em fatos reais desvenda aos poucos uma África profunda e sombria, onde o impulso rumo à liberdade e a uma vida digna é continuamente obstruído por práticas ancestrais de opressão política, social e sexual. Com sua prosa encantatória, o autor moçambicano chama a atenção para o papel da própria linguagem como força de recriação do real e transfiguração dos males do mundo.

Contos plausíveis, de Carlos Drummond de Andrade
Histórias, pequenas fábulas, iluminações cotidianas, causos deliciosos muitas vezes calcados nas pequenas e grandes notícias do jornal: esse é o refinado – e sempre encantador – cardápio oferecido pela prosa de um dos nossos autores mais importantes nestes Contos plausíveis. Poéticos, realistas e cheios de maravilhamento, os textos em prosa reunidos neste volume são “contos de bolso”, como dizia o próprio Carlos Drummond De Andrade, que os experimentou a partir de 1969, quando passou a assinar pequenas histórias no Jornal do Brasil.

Carcereiros, de Drauzio Varella
Em Estação Carandiru Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população. Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru – o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital. Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor. O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora.

O muro: crescendo atrás da Cortina de Ferro

Imagine crescer em um lugar de onde não se pode sair, em que tudo é regulado ou proibido, até mesmo desenhar. Peter Sís fala de sua própria experiência narrando, com traços e memórias, o seu dia a dia no lado oriental e comunista da Cortina de Ferro durante a Guerra Fria. Depois da infância repleta de privações, dos anos de revolta na adolescência, Sís alcança, através da arte, o sonho de ser livre.

Peter Sís foi o vencedor do Hans Christian Andersen em 2012, o maior prêmio de literatura infantil.