philip norman

11 livros para ler no Dia do Rock

Biografias, romances, livros que se inspiram em canções ou bandas e que falam sobre grandes nomes da música: escolhemos onze leituras para você aproveitar no Dia do Rock! :)

1. Atravessar o fogo, de Lou Reed

loureed

O primeiro da lista não poderia ser outro. Atravessar o fogo, que faz parte da coleção listrada da Companhia das Letras, reúne traduções de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo para mais de 300 letras de Lou Reed. À frente do Velvet Underground, Reed “trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio”, nas palavras do lendário crítico musical Lester Bangs, com quem mantinha uma notória relação de amor e ódio. Com sua carreira solo não foi diferente. Neste livro, o leitor pode contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda.

2. John Lennon, de Philip Norman

johnlennon

Biografias de grandes nomes do rock estão no nosso catálogo, e uma delas é de John Lennon. Escrito após três anos de pesquisa, e longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, Philip Norman fez de John Lennon: a vida o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX. Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida.

3. Linha Mde Patti Smith

linham

Em 1970 Patti Smith lançou Horses, considerado precursor do punk rock e um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Daí para frente, Patti não parou com sua carreira na música, que é marcada pela sua paixão por poesia. Linha M é um livro onde podemos ver seu talento também para a literatura. Num tom que transita entre a desolação e a esperança — e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão de Patti Smith sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

4. Só garotos, de Patti Smith

sogarotos

Não tem como falar de Patti Smith sem lembrar de Só garotos, livro em que fala sobre o início de sua carreira, quando se muda para Nova York no final dos anos 1960, e de seu relacionamento de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem prometeu escrever a sua história. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970.

5. Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg

cidadeemchamas

Não só de música é feito Cidade em chamas, primeiro romance de Garth Risk Hallberg, mas ela é parte importante dessa história que recria a Nova York dos anos 1970. Clássicos álbuns do rock inspiraram o autor na escrita do livro (como The Rolling Stones, Patti Smith e Lou Reed, já citados na lista), e um de seus protagonistas é ex-vocalista de uma lendária banda de punk-rock, a fictícia Ex-Post Facto. Entre shows em bares abafados da cultura underground, os negócios de uma rica família de NY e a investigação de um crime, as personagens de Cidade em chamas se esbarram pela cidade que passa por transformações sociais e culturais.

6. Minha fama de mau, de Erasmo Carlos

erasmo

Com cabeça de homem e coração de menino, o cantor e compositor Erasmo Carlos conta em Minha fama de mau suas divertidas memórias, da infância humilde à consagração como ídolo do rock. Considerado por Rita Lee como “o pai do rock brasileiro”, Erasmo reuniu por dois anos e meio passagens que costuram os detalhes de sua vida e sua carreira para narrar como o menino criado pela mãe numa casa de cômodos superou todas as limitações e o preconceito da Zona Sul carioca, consagrando-se, junto ao amigo Roberto Carlos, como o porta-voz sentimental de milhões de pessoas.

7. Do que é feita uma garotade Caitlin Moran

doqueefeita

Do que é feita uma garota não é um livro sobre rock, mas ele é constante na vida da narradora, a adolescente Johanna Morrigan. Depois de passar vexame num programa de TV local aos 14 anos, a jovem decide mudar de vez para virar uma “garota legal”: se transforma em Dolly Wilde, uma menina gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Nos anos 1990, ela escreve críticas de shows e álbuns para uma revista de música, se relaciona com rockstars, vê nas letras das canções que escuta aquilo que faltava para a sua vida. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota? Caitlin Moran faz do livro uma história divertida sobre crescer e construir sua própria identidade.

8. Mick Jagger, de Philip Norman

mick

Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock’n’roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman refaz os passos da consagração de Mick Jagger e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do pop star genial, escandaloso e milionário. Passando pela infância e momentos turbulentos de sua carreira, Norman narra como, em sua longa trajetória de mais de cinquenta anos como astro e ícone sexual, Mick Jagger foi assimilado pelo establishment, mas manteve a mística transgressiva e fascinante do rock.

9. Norwegian Wood, de Haruki Murakami

norwegian

Uma música dos Beatles leva o narrador deste livro, Toru Watanabe, a lembrar de sua juventude em Tóquio, onde chegou aos 17 anos para estudar teatro. E é esta música que dá título a Norwegian Wood, romance de Haruki Murakami. Vivendo solitariamente em um alojamento de estudantes, um dia reencontra um rosto de seu passado: Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório. Ambientado em meio à turbulência política da virada dos anos 1960 para os anos 1970, Norwegian Wood é uma balada de amor e nostalgia cuja rara beleza confirma Murakami como uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea.

10. A maçã envenenada, de Michel Laub

maca

Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional.

11. Alta fidelidadede Nick Hornby

altafidelidade

E terminamos nossa lista do Dia do Rock com um livro cheio de listas musicais! Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Alta fidelidade é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990.

Semana cento e vinte e seis

Os lançamentos desta semana são:

Marighella, de Mário Magalhães
“Cuidado, que o Marighella é valente”, disse Cecil Borer, diretor do Dops carioca, antes de despachar uma equipe para capturá-lo em seguida ao golpe de 64. De fato, Carlos Marighella, um dos mais destacados revolucionários do século XX, demonstrou muita valentia nos trepidantes 57 anos e onze meses de que dispôs. Foi dirigente comunista, deputado e guerrilheiro. Assaltou banco, escreveu manuais para a luta armada e poemas. Considerava-se discípulo de Marx e Lênin, mas condenava a ortodoxia: esse tipo de rigor, costumava dizer, é coisa de religião. Monitorado tanto pela CIA quanto pelo KGB, Marighella manteve-se ativo por quase quarenta anos de militância, da década de 1930 à de 1960. Viveu clandestino, articulou greves e conspirou por revoluções. Neto de escravos, o guerrilheiro recusava a tutela do medo. E foi intrépido até o fim.

Herança de sangue, de Ivan Sant’Anna
Desde sua fundação por bandeirantes paulistas até meados do século XX, Catalão — atualmente uma próspera cidade do interior goiano — era o lugar mais perigoso do Brasil para forasteiros desavisados. Histórico ponto de repouso das mais variadas espécies de aventureiros em busca de enriquecimento rápido, a localidade foi cenário de terríveis massacres e disputas políticas de lances cinematográficos. Os pistoleiros e valentões catalanos eram famosos em todo o vale do rio Parnaíba, e ainda mais além, por sempre resolver as discussões, até as mais irrelevantes, no tiro ou na faca. Assassinatos cometidos para solucionar questões “de honra” também vitimaram gerações e gerações de famílias rivais, envolvidas numa selvagem espiral de vingança. Neste relato real, mas que parece ter saído das melhores páginas de ficção, Ivan Sant’Anna reconstitui a assombrosa saga de violência da cidade, construindo uma narrativa tão envolvente como um bom filme de faroeste.

Mick Jagger, de Philip Norman (Trad. Álvaro Hattner e Claudio Carina)
Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman apresenta um relato sem precedentes da trajetória de uma lenda viva. De estudante no interior da Inglaterra a superstar do rock nos anos 1960 e ídolo global, o autor decifra a mítica em torno do vocalista de uma das maiores bandas de todos os tempos com uma intimidade de quem acompanhou o mito em sua formação. Hoje, sir Mick Jagger é um respeitado avô de quase setenta anos, mas sua imagem e voz ainda inspiram fãs admiradores. Esta biografia restitui ao astro sua dimensão humana, retratando um personagem complexo, vulnerável e afetivo.

Esaú e Jacó, de Machado de Assis
Originalmente publicado em 1904, Esaú e Jacó trata de uma “história simples, acontecida por acontecer”: dois jovens bem-nascidos, os gêmeos Pedro e Paulo, digladiam-se em intermináveis conflitos e reconciliações desde o útero da mãe até o começo da idade adulta. Os irmãos lutam pelo amor da “inexplicável” Flora Batista, e o enredo desse embate é narrado em terceira pessoa pelo conselheiro Aires — alter-ego de Machado de Assis, que usa o personagem para as suas reflexões autorais. O narrador-personagem compartilha com o leitor suas indagações sobre a arte do romance, por isso, o crítico e professor Hélio Guimarães, que assina a introdução e as notas do volume, considera esta obra uma verdadeira “teoria da composição ficcional”. Ambientado no Rio de Janeiro durante os anos finais do Império e o início da República, o livro ecoa diversos acontecimentos da história do Brasil — incluindo a Abolição, a Proclamação da República e as revoltas contra o governo Floriano Peixoto —, além de passagens da Bíblia, da Divina comédia e do Fausto de Goethe.