philip roth

Semana trezentos e catorze

 

Companhia das Letras

Os fatos – A autobiografia de um romancista, de Philip Roth (tradução de Jorio Dauster)
Os fatos
é a incomum autobiografia de um romancista que remodelou a maneira como encaramos a ficção. Livro de irresistível candura e inventividade, é especialmente instrutivo em sua revelação sobre as conexões entre arte e vida. Philip Roth foca em cinco episódios de sua trajetória: a infância em Nova Jersey; a formação universitária; o envolvimento com a pessoa mais ríspida que conheceu; o embate com a comunidade judaica por conta de seu livro Adeus, Columbus; e a descoberta do lado adormecido de seu talento que o levou a escrever O complexo de Portnoy. Ao final, um ataque do próprio autor a suas habilidades como biógrafo encerra de forma surpreendente o novo livro de um dos principais escritores contemporâneos.

70 historinhas, de Carlos Drummond de Andrade
Lançado em 1978, 70 historinhas reúne a prosa já publicada por Drummond em outros livros. São crônicas e contos — ou “cronicontos” — em que a observação caminha junto com a fabulação, o humor roça cotovelos com o lirismo e a crítica aparece arejada pelo deboche. Treze das histórias deste livro têm crianças e adolescentes como personagens, sem que o autor se preste a infantilizá-las, pela paródia da linguagem ou pelo primarismo das ações. Pelo contrário, elas enfrentam, contestam e vencem, muitas vezes, os detentores da autoridade, com a inteligência e a argúcia a que recorrem para desafiar-lhes o poder. Mais um lance de gênio de um dos mais importantes autores brasileiros de todos os tempos.

Um amor feliz, Wislawa Szymborska (tradução de Regina Przybycien)
Quando, em 2011, a Companhia das Letras lançou Poemas, o primeiro volume com a lírica da poeta polonesa Wislawa Szymborska (Prêmio Nobel de literatura em 1996), começou uma verdadeira “febre Szymborska” no Brasil: ótimas vendas, esplêndidas resenhas e uma enorme repercussão garantiram um novo e amplo público para essa poesia que fala diretamente com o leitor. A obra de Szymborska equilibra-se entre o rigor e a observação dos fatos, sempre num tom levemente informal –- a despeito da cuidadosa construção dos versos. Falando de amores e da vida cotidiana, a escritora ergueu uma obra que toca os leitores e influencia novas gerações. Este segundo volume promete fazer tanto barulho quanto o primeiro.

Penguin-Companhia

Tratado da vida elegante – Ensaios sobre a moda e a mesa, de Honoré de Balzac (tradução de Rosa Freire D’Aguiar)
Antes de se dedicar ao projeto titânico de A Comedia Humana, monumento literário de noventa títulos e quase 2.500 personagens produzidos em pouco mais de vinte anos, Honoré de Balzac escreveu um sem-número de artigos em jornais e revistas, sobre política, filosofia, livros — e também boas maneiras, moda e culinária. Esta seleção de textos sobre a chamada “vida elegante” traz o olhar do escritor francês sobre temas como a moda, a cozinha, o uso de luvas e gravatas, além de observações sobre charutos e bebidas alcoólicas. Observações e prescrições — deliciosamente antiquadas e reveladoras da vida europeia do século XIX — a cargo de um dos maiores escritores de todos os tempos.

Objetiva

O princípio da caixa-preta, de Matthew Syed (tradução de Paulo Geiger)
Estudos de caso e entrevistas exclusivas mostram que a chave para o sucesso é uma atitude positiva em relação ao fracasso. Um dos fatores determinantes para o sucesso em qualquer área é o reconhecimento do fracasso. No entanto, a maioria das pessoas se relaciona negativamente com ele, e isso as impede de progredir e inovar, além de prejudicar suas carreiras e vidas pessoais. Raramente reconhecemos ou aprendemos com os erros — apesar de dizermos o contrário. Syed utiliza inúmeras fontes para explorar os padrões sutis do erro humano e nossas respostas defensivas a ele. O autor também compartilha histórias fascinantes de indivíduos e organizações que utilizam com sucesso o “princípio da caixa-preta”, como David Beckham, a equipe de Fórmula 1 da Mercedes e a empresa Dropbox.

A ilíada de Homero adaptada para jovens, de Frederico Loureço
Ao lado da Odisseia, a Ilíada de Homero constitui o berço da literatura ocidental. Apensar de ter sido criado por volta do século VII a.C., este poema épico que narra os eventos da célebre guerra entre gregos e troianos aborda temas atemporais, como o amor, a coragem, a traição. Nesta versão em prosa, pensada especialmente para os jovens, Frederico Lourenço, atentando para a fidelidade ao original, retoma as aventuras vividas por deuses e heróis.

Suma de letras

Minha melodia, de Camila Moreira
Você se apaixonou por Dereck em O amor não tem leis. Chegou a hora de conhecer sua história. Dereck chegou ao fundo do poço. Sem suportar a dor de perder um grande amor, ele se entrega ao sofrimento e mergulha no lado obscuro do rock; com sexo e drogas. Com a carreira em risco, o astro volta ao Brasil um ano depois do casamento de Maria Clara e Alexandre Ferraz, em uma última tentativa de retomar o sucesso e superar o passado. Ao chegar, Dereck reencontra a mulher que nunca esqueceu. A mulher que conheceu no momento mais difícil de sua vida e que conseguiu acalmar seu coração com um sorriso. “Reconheci em sua voz o mesmo sofrimento que o meu, mas também vi em seu olhar a vontade de seguir em frente.”. E não demora para que Dereck perceba que apenas ela poderá tirá-lo do abismo em que se encontra.

O problema dos três corpos, de Cixin Liu (tradução de Leonardo Alves)
Até onde você iria para entrar em contato com seres extraterrestres? China, final dos anos 1960. Enquanto o país inteiro está sendo devastado pela violência da Revolução Cultural, um pequeno grupo de astrofísicos, militares e engenheiros começa um projeto ultrassecreto envolvendo ondas sonoras e seres extraterrestres. Uma decisão tomada por um desses cientistas mudará para sempre o destino da humanidade e, cinquenta anos depois, uma civilização alienígena a beira do colapso planeja uma invasão. O problema dos três corpos é uma crônica da marcha humana em direção aos confins do universo. Uma clássica história de ficção científica, no melhor estilo de Arthur C. Clarke. Um jogo envolvente em que a humanidade tem tudo a perder.

Reimpressões

Fora de mim, de Martha Medeiros
Minha querida Sputnik, de Haruki Murakami
Freud 10 – O caso Schreber e outros textos (1911-1913), de Sigmund Freud
Introdução à história da filosofia – Vol. I, de Marilena Chaui
Um copo de cólera, de Raduan Nassar
O que é isso, companheiro, de Fernando Gabeira
O poder do hábito, de Charles Duhigg
Rápido e devagar, de Daniel Kahneman
Sete breves lições de física, de Carlo Rovelli
Notas sobre Gaza, de Joe Sacco
A herdeira, de Kiera Cass
A maldição da pedra, de Cornelia Funke e Lionel Wigram
A seleção, de Kiera Cass
Coração de tinta, de Cornelia Funke
Mentirosos, de E. Lockhart
Morte de tinta, de Cornelia Funke

Leia antes (ou depois) de assistir: conheça as adaptações de 2016

Em 2016, vários títulos publicados pelo Grupo Companhia das Letras vão ganhar versões para o cinema ou televisão. Organizamos uma lista para você planejar as leituras antes ou depois daquilo que vai ver nas telinhas. Confira!

As relações perigosas

O clássico de Chordelos de Laclos acompanha um grupo peculiar da nobreza francesa que troca cartas secretamente. No centro da intriga está o libertino visconde de Valmont, que tenta conquistar a presidenta de Tourvel, e a dissimulada marquesa de Merteuil, suposta confidente da jovem Cécile, a quem ela tenta convencer a se entregar a outro homem antes de se casar. As relações perigosas ganhou uma adaptação pela Rede Globo em Ligações perigosas, ambientada no Brasil durante os anos 1920 e protagonizada por Selton Mello e Patrícia Pillar. A minissérie de dez capítulos estreou na segunda-feira e fica no ar até o final da semana que vem.

Charlie Brown não desiste nunca!

Desde que foi anunciado, o filme 3D de Snoopy e sua turma é aguardado por todos os fãs das tirinhas de Charles M. Schulz. Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, o filme estreia no próximo dia 14 nos cinemas brasileiros, e o longa conta como Charlie Brown tenta conquistar a menininha ruiva, sua nova vizinha e colega de escola. E, claro, toda a turma e seu cachorrinho fiel vão dar aquela ajuda para o bom e velho Charlie Brown. A história do filme está em duas edições infantis lançadas pela Companhia das Letrinhas: Charlie Brown não desiste nunca!, um belíssimo livro em capa dura, e Você tem talento, Charlie Brown!, lançados no final de 2015. Dois livros para todos os fãs de Snoopy!

Steve Jobs

Dois nomes de peso de Hollywood estão envolvidos na adaptação da biografia do criador da Apple para as telonas: Danny Boyle, responsável pela direção do filme, e Aaron Sorkin, que fez o roteiro com base no livro de Walter Isaacson. O livro, baseado em mais de quarenta entrevistas com Jobs ao longo de dois anos  e entrevistas com mais de cem familiares, amigos, colegas, adversários e concorrentes , narra a vida atribulada do empresário extremamente inventivo e de personalidade forte e polêmica, cuja paixão pela perfeição e energia indomável revolucionaram seis grandes indústrias: a computação pessoal, o cinema de animação, a música, a telefonia celular, a computação em tablet e a edição digital. Protagonizado por Michael Fassbender, Steve Jobs chega nos cinemas brasileiros também no próximo dia 14.

Pastoral Americana

Em Pastoral Americana, Philip Roth narra os esforços de Seymour Levov para manter de pé um paraíso feito de enganos. Filho de imigrantes judeus que deram duro para subir na vida, Seymour tenta comunicar um legado moral à terceira geração da família Levov. Esmagado entre duas épocas que não se entendem e desejam destruir-se mutuamente, Seymour se apega até o fim a crenças que se mostram cada vez mais irreais. O filme baseado em um dos principais romances de Roth tem estreia prevista para 2016 nos EUA (ainda sem data para o Brasil), e será dirigido pelo ator Ewan McGregor, que também protagoniza o longa. O elenco ainda conta com Jennifer Connelly, Dakota Fanning e Uzo Aduba.

De amor e trevas

Confrontado com o suicídio da mãe aos doze anos, três anos depois Amós Oz declara sua independência e volta as costas para o mundo em que crescera a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. Entre a autobiografia e o romance, De amor e trevas é a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século XX, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno. O livro de Amós Oz foi adaptado pela atriz Natalie Portman, que assumiu a direção e roteiro do filme e também atua no papel da mãe do escritor. O longa estreou em 2015 em Israel e tem previsão de lançamento no Brasil em abril.

Um holograma para o rei

Tom Hanks faz o papel de um empresário em apuros financeiros que realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, fazer algo de bom e surpreendente com sua vida. Ambientado em uma próspera cidade da Arábia Saudita, a história do filme é baseada no livro Um holograma para o rei, de Dave Eggers, que nos leva por uma viagem pelo outro lado do mundo e pela comovente e por vezes cômica jornada de um homem para manter a família unida e a vida nos eixos diante da crise. O filme estreia em 2016 nos EUA.

Desventuras em série

Finalmente Violet, Klaus e Sunny Baudelaire vão voltar para as telas  mas dessa vez da TV e do computador. A Netflix anunciou que está trabalhando em uma série baseada nos livros de Lemony Snicket que contam a história de três irmãos órfãos que sofrem com a constante ameaça de seu tio, o conde Olaf, que quer roubar sua fortuna. A série de 11 livros já ganhou uma versão para os cinemas em 2004 com Jim Carrey no papel do malévolo conde Olaf. Ainda sem data de estreia (mas que deverá acontecer em 2016), as gravações de Desventuras em série começam agora no início do ano. Ou seja: ainda não temos imagens da adaptação nova para mostrar, mas um fã da série fez este trailer que representa muito bem o clima do livro. Até lá, você pode ir se familiarizando com os irmãos Baudelaire com a série de Snicket.

O Círculo

Mais um romance de Dave Eggers vai ganhar sua versão para as telonas em 2016: O CírculoQuem vai viver a protagonista Mae Holland nos cinemas será Emma Watson, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo. Sediada num campus idílico na Califórnia, O Círculo incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade online única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência. Quem está no Círculo é incentivado a contar tudo, e segredos não são permitidos. O círculo, que deve estrear este ano, é uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.

Os livros da selva

Muitos conheceram a história de Mowgli, o menino lobo, com o desenho da Disney lançado em 1967. Em 2016, a história baseada no clássico Os livros da selva, de Rudyard Kipling, ganha uma versão live-action protagonizada pelo jovem ator Neel Sethi e com vozes de Bill Murray, Ben Kingsley, Idris Elba, Lupita Nyongo, Scarlett Johansson e Christopher Walken. O filme deve estrear no Brasil no dia 14 de abril. A nova edição da Penguin-Companhia de Os livros da selva está nas livrarias desde o final do ano passado.

Novembro de 63

Os próximos itens da lista são duas adaptações baseadas em histórias de Stephen King. Em Novembro de 63o professor Jake Epping corrigia as redações dos seus alunos do supletivo quando se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque… mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. O livro virou a série 11.22.63, com James Franco como protagonista, e estreia no dia 15 de fevereiro na plataforma Hulu.

Celular

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E se uma simples ligação de celular fosse capaz de transformar todos os seus usuários em assassinos impiedosos? Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos quando as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem. Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Apenas Clay e mais duas pessoas que estavam sem celular no momento escapam e tentam sobreviver à loucura que se instaura. Celular é o próximo livro de Stephen King a virar filme. Com previsão de estreia ainda neste ano, será estrelado por Samuel L. Jackson, John Cusak e Isabelle Fuhrman.

Os filhos da noite

Esta estreia vai acontecer apenas em 2017, mas achamos que você já pode se preparar para ler Os filhos da noite, livro de Dennis Lehane que está se transformando em roteiro do novo filme de Ben Affleck como diretor. O livro acompanha a vida de Joe Coughlin, filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, no mundo do crime em plena Lei Seca. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade. Combinando uma história de amor e uma saga de vingança, Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.

Ansioso para as estreias? Não deixe de ler as histórias que deram origem aos filmes e séries que vêm por aí.

 

Semana duzentos e trinta e nove

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As descobertas — O grande avanço da ciência no século XX, de Alan Lightman (Tradução de George Schlesinger)
Neste livro cativante e lúcido, o cientista e escritor Alan Lightman nos apresenta 24 grandes descobertas científicas do século XX — da teoria da relatividade ao mapeamento da estrutura do DNA — que mudaram radicalmente nossa percepção do mundo e o lugar que ocupamos nele.
Fazem parte da lista nomes como Albert Einstein, Alexander Fleming, Hans Krebs, James Watson, Max Planck, Ernest Rutherford, Niels Bohr, Henrietta Leavitt e Linus Pauling. Com uma perspicácia notável, Lightman mapeia a paisagem intelectual e emocional de cada época, retrata o drama humano da descoberta e explica o significado e o impacto de cada trabalho.

Roth Libertado — O escritor e seus livros, de Claudia Roth Pierpont (Tradução de Carlos Afonso Malferrari)
Philip Roth dispensa apresentações. Desde o início da carreira, Roth produziu parte da melhor literatura do século XX e começo do século XXI. Mesmo assim, não há até o momento produção crítica substantiva sobre seu trabalho. Não havia. Claudia Roth Pierpont traz um relato envolvente, capaz de mergulhar na complexidade do trabalho de Roth e na controvérsia que ele suscitou. O livro não é uma biografia — embora contenha muitos detalhes biográficos —, mas algo mais desafiador: uma tentativa de entender um grande escritor por meio de sua arte. Pierpont, que conhece Roth há muitos anos, recupera histórias e anedotas conhecidas de poucos: fala da vida familiar do escritor, de suas inspirações, dos críticos, percorre o leque completo de sua ficção e ainda se aprofunda em suas amizades com Saul Bellow e John Updike. 

Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie (Tradução de Christina Baum)
Neste ensaio preciso e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que alcancemos a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos: meninas poderão assumir sua identidade, ignorando a expectativa alheia, mas também os meninos poderão crescer livres, sem ter que se enquadrar em estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDxEuston, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações.

Companhia de Bolso

Complô contra a América, de Philip Roth (Tradução de Paulo Henriques Britto)
Philip é um menino como tantos outros, apaixonado por sua coleção de selos. O pai é corretor de seguros, a mãe é dona de casa e o irmão mais velho tem dotes precoces de desenhista. Como toda a população do bairro em que vive, a família Roth é judia, e em 1940 parece não haver melhor lugar no mundo para ser judeu do que os Estados Unidos. Porém, Franklin D. Roosevelt, ao tentar reeleger-se para um terceiro mandato, é derrotado pelo candidato republicano Charles Lindbergh. O famoso aviador, que se tornou herói nacional ao empreender o primeiro voo solitário da América à Europa, é um ardoroso defensor da Alemanha nazista, um homem para quem os Estados Unidos deveriam se defender da “diluição nas raças estrangeiras”. A vida da família Roth — e, potencialmente, o mundo — nunca mais será como antes.

Companhia das Letrinhas

O caixão rastejante e outras assombrações de família, de Angela Lago
Fantasmas que pegam táxi, almas que vão à missa aos domingos, namoradas defuntas… Essas são algumas das personagens que aparecem nos causos de família reunidos neste novo livro de Angela Lago. Narradas com aquele sotaque particular da autora mineira e ilustradas de maneira surpreendente, as histórias de assombração e terror vão, além de assustar os leitores, causar boas risadas — afinal, as almas penadas se metem em cada uma!

Penguin-Companhia

A mulher de trinta anos, de Honoré de Balzac (Tradução de Rosa Freire D’Aguiar)
Antes de Emma Bovary, antes de Anna Kariênina, existiu Julie. Contrariando os conselhos do pai, ela julga-se apaixonada e decide se casar ainda muito jovem com um coronel do exército napoleônico. Em pouquíssimo tempo, descobre-se infeliz no casamento e na maternidade, presa a obrigações que não pretende abandonar. A isso se seguem as paixões por outros homens, e anuncia-se o destino trágico da protagonista. Mas A mulher de trinta anos não é a história particular de Julie, e sim a de alguém em quem convergem as contradições do que representava ser mulher no século XIX e, por extensão, as contradições da própria sociedade moderna.

Paralela

Aprendiz por acaso, de Vikas Swarup (Tradução de Flávia de Yacubian)
Ao sair da loja em seu horário de almoço, Sapna é abordada por Vinay Mohan Acharya, CEO do Grupo ABC, um verdadeiro império de negócios que vale 10 bilhões de dólares. Mal imagina ela que sua vida está a prestes a mudar para sempre. Acharya está procurando um herdeiro para a sua empresa gigantesca, e decidiu que Sapna — essa jovem com olhar determinado — é uma forte candidata para assumir esta posição. Há apenas uma exigência: ela deve passar por sete testes, pensados para medir sua valentia e seu caráter. Mas será que os sete testes são reais ou estaria Acharya apenas jogando um jogo perverso com Sapna?

Livros para ler antes do filme (ou da série) em 2015

Reunimos uma lista com os principais filmes e séries baseados em livros publicados pela Companhia das Letras, Editora Objetiva e seus selos. Confira!

1) Vício inerente, de Thomas Pynchon

  • Filme: Vício inerente, dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Joaquim Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Catherine Waterston e Reese Whiterspoon.
  • Estreia: 19 de fevereiro
  • Sinopse: Doc Sportello é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário. Esse desaparecimento é parte de uma conspiração maior, que envolve surfistas, traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e a temível entidade conhecida como Presa Dourada. O livro marca a volta de Pynchon ao cenário de outros dois romances, Vineland e O leilão do lote 49, ambientado na Califórnia no início dos anos 1970.

2) Dois irmãosde Milton Hatoum

  • Série: Dois irmãos, dirigida por Luiz Fernando de Carvalho e estrelada por Cauã Raymond, Juliana Paes, Antônio Fagundes e Eliane Giardini.
  • Estreia: Segundo semestre de 2015, pela Rede Globo.
  • Sinopse: O livro e a série se passam em Manaus e tem como centro a história de dois irmãos gêmeos — Yaqub e Omar — e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado em busca da identidade de seu pai entre os homens da casa. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. Dois irmãos ganhou o Prêmio Jabuti de 2001 de Melhor Romance.

3) Livre, de Cheryl Strayed

  • Filme: Livre, dirigido por Jean-Marc Valleé e estrelado por Reese Whiterspoon, Laura Dern e Gaby Hoffmann. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da chamada Pacific Crest Trail (PCT) — trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos — sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. O filme é apontado como um dos favoritos ao Oscar de 2015.

4) Invencível, de Laura Hillenbrand

  • Filme: Invencível, dirigido por Angelina Jolie e estrelado por Jack O’Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Em uma tarde de maio de 1943, um avião da Força Aérea americana caiu no meio do oceano Pacífico e desapareceu, deixando para trás alguns escombros e um rastro de óleo e sangue. Em seguida, na superfície do oceano, apareceu um rosto. Era de um jovem tenente, um dos artilheiros do avião, que se esforçava para chegar a um bote salva-vidas. Assim começou uma das mais impactantes odisseias da Segunda Guerra Mundial. O nome do tenente era Louis Zamperini. Quando criança, foi um rebelde incorrigível. Adolescente, canalizou a rebeldia no atletismo e descobriu um talento que o levou às Olimpíadas de Berlim e à perspectiva de ganhar uma medalha de ouro nos Jogos seguintes. Mas com o início da guerra, Zamperini foi obrigado a desistir de seu sonho.

5) Um holograma para o rei, de Dave Eggers

  • Filme: A hologram for the king, dirigido por Tom Twyker e estrelado por Tom Hanks, Tom Sekerritt e Sarita Choudhury.
  • Estreia: Setembro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: Em uma cidade emergente da Arábia Saudita marcada por uma recente recessão na América, um persistente homem de negócios chamado Alan Clay possui um último recurso para evitar a falência, pagar a faculdade de sua filha e finalmente fazer algo grandioso. O livro será lançado em agosto pela Companhia das Letras.

6) O quarto azul, de Georges Simenon

  • Filme: O quarto azul, dirigido e estrelado por Mathieu Amalric, Léa Drucker e Stéphanie Cléau.
  • Estreia: Sem previsão de estreia no Brasil
  • Sinopse: Um dos “romances duros” de Simenon, que mergulham em atmosferas sombrias e personagens perturbados, O quarto azul conta a história de Tony Falcone e Andrée Despierre, que não se viam desde a infância. Numa noite de setembro, reencontram-se por acaso e tornam-se amantes. Durante onze meses marcam encontros no “Quarto Azul” de um hotel mantido pela irmã de Tony.
    No último encontro, porém, o marido de Andrée, Nicolas, é visto caminhando em direção ao hotel. Bem naquele dia, ela se declarara, sugerindo que abandonem os casamentos e fiquem juntos. Tony consegue fugir antes de ser flagrado — mas, pouco depois, a morte repentina de Nicolas o deixa em uma situação complicada.

7) Brooklyn, de Colm Tóibín

  • Filme: Brooklyn, dirigido por John Crowley e estrelado por Saoirse Ronan, Michael Zegen, Alisha Heng e Mary O’Driscoll. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 26 de janeiro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose, até que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis estabelece uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.

8) No coração do marde Nathaniel Philbrick

  • Filme: No coração do mar, dirigido por Ron Howard e estrelado por Chris Hemsworth, Benjamin Walker e Cillian Murphy.
  • Estreia: 3 de dezembro
  • Sinopse: Livro e filme contam a história real inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick. Em 1820, o baleeiro Essex foi atacado por um cachalote enfurecido e afundou rapidamente. Nunca se imaginara que uma baleia pudesse reagir aos pescadores que a perseguiam. O que se seguiu ao naufrágio foi uma longa provação pelas águas do Pacífico: amontoados em três botes, os marujos navegaram durante três meses, experimentando os horrores da inanição e da desidratação, da doença, da loucura e da morte, chegando à prática do canibalismo.

9) Samba, de Delphine Coulin

  • Filme: Dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache e estrelado por Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim e Izïa Higelin.
  • Estreia: 4 de junho
  • Sinopse: Samba é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país às custas de empregos pequenos. Alice, por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se eles estarão juntos nessa busca em comum. O livro será lançado em junho pela Editora Paralela.

 10) A humilhação, de Philip Roth

  • Filme: Dirigido por Barry Levinson e estrelado por Al Pacino, Greta Gerwig e Dianne Wiest.
  • Estreia: 26 de março
  • Sinopse: Aos 65 anos, Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica. Simon se envolve numa relação passional com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de atores que ele conheceu na juventude. Nasce daí um desejo erótico avassalador, um consolo para uma vida de privação, mas tão arriscado e aberrante que aponta não para o conforto e a gratificação, e sim para um desenlace ainda mais negro e chocante.

11) Jonathan Strange e Mr. Norrell, de Susanna Clarke

  • Série: Direção de Toby Haynes e estrelada por Eddie Marsan, Bertie Carvel e Vincent Franklin.
  • Estreia: Sem previsão de estreia, pela BBC.
  • Sinopse: Mr. Norrell é um senhor recluso que, em 1806, revela ser um mago poderoso. Com fama e poder, ele vai até Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte. Começa então a colocar em prática seu plano secreto de controlar a magia na Inglaterra. Tudo corre bem até que seu discípulo, o arrogante e impetuoso Jonathan Strange, resolve se rebelar contra a visão restrita de Norrell sobre o lugar destinado à magia. Strange decide seguir seu próprio rumo como mago e resgatar os poderes do lendário Rei Corvo, colocando em risco a si próprio, aos que o cercam e a toda a Inglaterra.

12) Deep, down, dark, de Hector Tobar

  • Filme: The 33, dirigido por Patricia Riggen e estrelado por Cote de Pablo, Rodrigo Santoro e Antonio Banderas.
  • Estreia: Previsto para setembro
  • Sinopse: O filme e o livro narram a história dos 33 mineiros que, em 2010, ficaram 69 dias presos a 700 metros de profundidade após a explosão de uma mina de ouro e cobre no Chile. O livro será publicado pela Editora Objetiva em agosto.

 13) Madame Bovary, de Gustave Flaubert

  • Filme: Madame Bovary, dirigido por Sophie Barthes e estrelado por Mia Wasikowska, Rhys Ifans, Ezra Miller e Paul Giamatti.
  • Estreia: Sem previsão de estreia
  • Sinopse: Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura. Em busca de maiores emoções através de aventuras extraconjugais, Flaubert narra o gradual declínio da vida de Emma.

Semana duzentos e dezoito

O pintassilgo, de Donna Tartt (Trad. de Sara Grünhagen)
Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte. Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração. O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

Bellini e o labirinto, Tony Bellotto
Remo Bellini está de volta. O áspero (e ocasionalmente sensível) investigador que é fã de blues, de mulheres e de uma boa dose de ação ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo de sua casa. Seu novo caso, no entanto, não tem nada de comum. Após receber um telefonema de Marlon, integrante da famosíssima dupla sertaneja Marlon e Brandão, terá de sair de sua conhecida São Paulo e viajar a Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música country, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal. Contratado para negociar com os sequestradores do milionário Brandãozinho, Bellini se verá em meio a uma espiral de traições e desconfianças que o fará suspeitar de sua própria sanidade.

O homem-mulher, de Sérgio Sant’Anna
A obra de Sérgio Sant’Anna é de difícil classificação. Transgressor contumaz, ele vem desde a década de 1960 testando os limites da prosa, dos gêneros – e da própria ideia de literatura. Seus romances, contos, poemas, novelas e peças de teatro romperam tradições e derrubaram barreiras entre alta e baixa cultura, entre popular e erudito, numa linguagem descarnada tão reconhecível quanto escorregadia, que influenciou inúmeras gerações de escritores. Apesar da explícita vocação experimental, Sant’Anna sempre foi também autor de prosa acolhedora, cujo interesse parece residir não em alienar o leitor, mas, ao contrário, em incluí-lo nos intricados e deliciosos jogos literários que concebe. Os contos de O homem-mulher configuram a expressão máxima dessa ideia. É o caso da história em que o protagonista se apaixona pela vendedora de lencinhos que junta dinheiro para o tratamento de câncer do marido. Em meio à alta carga erótica da trama, o conto também se revela delicado como os produtos da garota. Ou, então, do magistral e imediatamente antológico “Eles dois”, que narra, com força cinematográfica, a história de um casal morando num casarão nos anos 1970. Capaz de surpreender até seus leitores mais antigos, O homem-mulher é também uma perfeita porta de entrada para a obra rica, vasta e memorável de Sérgio Sant’Anna.

A marca humana, de Philip Roth
Coleman Silk, professor de letras clássicas numa universidade da Nova Inglaterra, aos setenta anos se vê obrigado a pedir exoneração e a se afastar do meio acadêmico. O motivo é uma acusação de racismo. Coleman empregou uma palavra de duplo sentido ao se referir a alunos que não compareciam às aulas. Mas o mesmo professor que antes revolucionara a faculdade e se fizera admirar pela audácia guardou um segredo por cinco décadas. Nem a esposa nem os filhos conheceram sua verdadeira origem racial, pois aos vinte anos, ao entrar na marinha, Coleman Silk descobriu que ela não era evidente e que podia manobrá-la. A marca humana, entretanto, não se apaga. Ao lado de Pastoral americanaCasei com um comunista, este romance compõe a grande trilogia de Philip Roth sobre a vida na América do pós-guerra – um painel impressionante em que indivíduos de grande vigor moral e intelectual são assolados por forças históricas fora de controle.

Editora Paralela

1 página de cada vez, de Adam J. Kurtz (Trad. de Giu Alonso)
“Pense em alguma coisa que deixa você inseguro e escreva o que é em letras enormes. Use o espaço todo! Olhe bem para o que você escreveu. Agora vire a página.” No seu primeiro livro, o artista gráfico americano Adam J. Kurtz usa provocações divertidas como esta para fazer o leitor refletir sobre sua vida ao mesmo tempo em que testa a própria criatividade. Como o título diz, cada página traz uma brincadeira diferente. Pode ser uma pergunta, uma sugestão de desenho ou um pedido para que você crie uma lista de músicas para seu amor verdadeiro ou das melhores fatias de pizza que comeu na vida. O autor também pede para o leitor colar objetos inusitados nas páginas do livro e compartilhar nas redes sociais algumas das anotações feitas nele. Uma maneira espirituosa e lúdica de buscar o autoconhecimento.

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