poemas

Semana noventa e dois

Os lançamentos da semana são:

Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo é o terceiro livro de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940. Aqui, o poeta surge atento aos acontecimentos políticos da época. “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”, escreve nos versos que abrem  este volume. Esse Drummond humanista lamenta que as pessoas mantenham olhos cerrados par ao mundo a ponto de permitir a violência – a Segunda Guerra Mundial – e de trocar a compaixão pelo egoísmo de quem vive em um “terraço mediocremente confortável” (“Privilégio do mar”). A visão de mundo pouco otimista não o impede de ser lírico nos delicados “Menino chorando na noite” e “Noturno à janela do apartamento”. E ainda sobre tempo para escrever sobre o amigo Manuel Bandeira, num “apelo de um homem humilde” que funciona ainda como um elogio e uma reflexão sobre o fazer poético.

Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade
Profundos e metafísicos, os poemas reunidos em Claro enigma ocupam uma posição singular na obra de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente dando as costas para aquela realidade que tanto calor trouxe à sua lírica anterior (e que iria reaparecer em livros publicados mais tarde, aliás), aqui o autor parece querer buscar, por meio da retomada de formas e dicções clássicas da poesia, um equilíbrio delicado entre o passado e o presente. O amor, a brevidade da vida e a herança cultural são alguns dos temas elaborados – com maestria técnica e profundidade filosófica – por um homem que sempre quis fazer parte do seu próprio tempo.

A rosa do povo, Carlos Drummond de Andrade
A rosa do povo ocupa uma posição central não apenas no longo percurso de Carlos Drummond de Andrade. Não resta dúvida alguma que este livro, publicado em 1945, pode ser lido hoje como uma das mais importantes coleções de poemas do século XX em qualquer idioma literário. Falando da guerra e dos afetos, do passado familiar e da experiência de viver no Rio de Janeiro – a primeira grande metrópole brasileira –, além de especular sobre o lirismo em tempo sombrios, o livro estabeleceu definitivamente a figura do poeta mineiro no panorama da melhor poesia de língua portuguesa.

Contos de aprendiz, Carlos Drummond de Andrade
Nas quinze histórias reunidas neste livro, Carlos Drummond de Andrade transfere para a prosa de ficção algumas das maiores qualidades de sua poesia. E vai além: divertidos, emocionantes, transpirando argúcia e escritos machadianamente com a “tinta da melancolia”, os contos falam de um Brasil provinciano, que começava a se deslumbrar com novidades como cinema, telefone e outros confortos modernos. Publicado em 1951, quando o autor estava prestes a completar cinquenta anos e já tinha uma sólida carreira como poeta, Contos de aprendiz contém alguns dos melhores momentos da narrativa breve de um autor essencial.

Fala, amendoeira
, Carlos Drummond de Andrade
Na crônica, gênero brasileiro por excelência, Carlos Drummond de Andrade conseguiu transpor algumas das maiores qualidades de sua produção poética (como a ironia e a suave melancolia) sem nem por um momento deixar de revisitar os temas clássicos dessa modalidade de literatura mais leve, urbana e atenta às transformações do tempo. Em textos que falam, entre outros temas, do Rio de Janeiro, do cinema, da política e dos afetos, o autor oferece – com delicadeza, inteligência cortante e uma prosa a um só tempo clássica e moderna – um retrato do Brasil de sua época. E que, como sabemos hoje, alcançaria a eternidade.

Antologia Hede, Manuel Graña Etcheverry (Traduzido do espanhol pelo autor com a supervisão de Aline dos Santos e Luis Mauricio Graña Drummond)
Entrego agora ao público, traduzidas par ao português, a totalidade das poesias hedes que chegaram até nós e um estudo a seu respeito: esta é a única versão para uma l[íngua culta e, tambpem, a primeira publicação no Brasil sobre o assunto. Ao fazer tais esclarecimentos preliminares, não é meu intuito predispor os leitores em meu favor mencionando méritos deste trabalho; bem pelo contrário, quis reclamar benevolência com os meus defeitos, pois não tive outras traduções a meu alcance para com elas confrontar a validade das minhas (…), e os obstáculos que enfrenta um hedólogo não são comparáveis com os que possam apresentar-se ao tradutor de nenhuma outra língua.

Formas do nada, Paulo Henriques Britto
Desde o título, Formas do nada não deixa dúvida sobre o jeito de Paulo Henriques Britto praticar a poesia. O som aberto e incisivo dos “as” e a batida firme e séria do ritmo anunciam a pegada combativa de quem não está para contemplações ou devaneios. Sua poesia, permeada pelo humor irônico de quem quase não se permite ter esperança, opera uma prestidigitação impecável e engana o leitor: diz produzir “sofríveis simulacros de sentido”, mas na verdade produz vida palpável e sonora.

Estórias abensonhadas, Mia Couto
Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um longo período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. São histórias que formam um retrato afetivo e mágico da Moçambique de Mia Couto, onde o fantástico faz parte do cotidiano, e a música reside na própria fala das ruas. A partir de vidas enganosamente pequenas, revela-se um prodigioso universo literário, inovador na linguagem, mas sempre atento à força das grandes narrativas.

Fome de monstro, Ed Vere (Traduzido por Júlia Moritz Schwarcz)
Você alguma vez já imaginou que, em algum lugar não tão distante da sua casa, talvez existam…monstros? Sim, monstros como este aqui. Aliás, por que será que ele está babando tanto? Você por acaso está ouvindo o ronco do barrigão dele? Xi, o que será que ele quer com você?!