poesia

Semana noventa e dois

Os lançamentos da semana são:

Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo é o terceiro livro de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940. Aqui, o poeta surge atento aos acontecimentos políticos da época. “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”, escreve nos versos que abrem  este volume. Esse Drummond humanista lamenta que as pessoas mantenham olhos cerrados par ao mundo a ponto de permitir a violência – a Segunda Guerra Mundial – e de trocar a compaixão pelo egoísmo de quem vive em um “terraço mediocremente confortável” (“Privilégio do mar”). A visão de mundo pouco otimista não o impede de ser lírico nos delicados “Menino chorando na noite” e “Noturno à janela do apartamento”. E ainda sobre tempo para escrever sobre o amigo Manuel Bandeira, num “apelo de um homem humilde” que funciona ainda como um elogio e uma reflexão sobre o fazer poético.

Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade
Profundos e metafísicos, os poemas reunidos em Claro enigma ocupam uma posição singular na obra de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente dando as costas para aquela realidade que tanto calor trouxe à sua lírica anterior (e que iria reaparecer em livros publicados mais tarde, aliás), aqui o autor parece querer buscar, por meio da retomada de formas e dicções clássicas da poesia, um equilíbrio delicado entre o passado e o presente. O amor, a brevidade da vida e a herança cultural são alguns dos temas elaborados – com maestria técnica e profundidade filosófica – por um homem que sempre quis fazer parte do seu próprio tempo.

A rosa do povo, Carlos Drummond de Andrade
A rosa do povo ocupa uma posição central não apenas no longo percurso de Carlos Drummond de Andrade. Não resta dúvida alguma que este livro, publicado em 1945, pode ser lido hoje como uma das mais importantes coleções de poemas do século XX em qualquer idioma literário. Falando da guerra e dos afetos, do passado familiar e da experiência de viver no Rio de Janeiro – a primeira grande metrópole brasileira –, além de especular sobre o lirismo em tempo sombrios, o livro estabeleceu definitivamente a figura do poeta mineiro no panorama da melhor poesia de língua portuguesa.

Contos de aprendiz, Carlos Drummond de Andrade
Nas quinze histórias reunidas neste livro, Carlos Drummond de Andrade transfere para a prosa de ficção algumas das maiores qualidades de sua poesia. E vai além: divertidos, emocionantes, transpirando argúcia e escritos machadianamente com a “tinta da melancolia”, os contos falam de um Brasil provinciano, que começava a se deslumbrar com novidades como cinema, telefone e outros confortos modernos. Publicado em 1951, quando o autor estava prestes a completar cinquenta anos e já tinha uma sólida carreira como poeta, Contos de aprendiz contém alguns dos melhores momentos da narrativa breve de um autor essencial.

Fala, amendoeira
, Carlos Drummond de Andrade
Na crônica, gênero brasileiro por excelência, Carlos Drummond de Andrade conseguiu transpor algumas das maiores qualidades de sua produção poética (como a ironia e a suave melancolia) sem nem por um momento deixar de revisitar os temas clássicos dessa modalidade de literatura mais leve, urbana e atenta às transformações do tempo. Em textos que falam, entre outros temas, do Rio de Janeiro, do cinema, da política e dos afetos, o autor oferece – com delicadeza, inteligência cortante e uma prosa a um só tempo clássica e moderna – um retrato do Brasil de sua época. E que, como sabemos hoje, alcançaria a eternidade.

Antologia Hede, Manuel Graña Etcheverry (Traduzido do espanhol pelo autor com a supervisão de Aline dos Santos e Luis Mauricio Graña Drummond)
Entrego agora ao público, traduzidas par ao português, a totalidade das poesias hedes que chegaram até nós e um estudo a seu respeito: esta é a única versão para uma l[íngua culta e, tambpem, a primeira publicação no Brasil sobre o assunto. Ao fazer tais esclarecimentos preliminares, não é meu intuito predispor os leitores em meu favor mencionando méritos deste trabalho; bem pelo contrário, quis reclamar benevolência com os meus defeitos, pois não tive outras traduções a meu alcance para com elas confrontar a validade das minhas (…), e os obstáculos que enfrenta um hedólogo não são comparáveis com os que possam apresentar-se ao tradutor de nenhuma outra língua.

Formas do nada, Paulo Henriques Britto
Desde o título, Formas do nada não deixa dúvida sobre o jeito de Paulo Henriques Britto praticar a poesia. O som aberto e incisivo dos “as” e a batida firme e séria do ritmo anunciam a pegada combativa de quem não está para contemplações ou devaneios. Sua poesia, permeada pelo humor irônico de quem quase não se permite ter esperança, opera uma prestidigitação impecável e engana o leitor: diz produzir “sofríveis simulacros de sentido”, mas na verdade produz vida palpável e sonora.

Estórias abensonhadas, Mia Couto
Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um longo período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. São histórias que formam um retrato afetivo e mágico da Moçambique de Mia Couto, onde o fantástico faz parte do cotidiano, e a música reside na própria fala das ruas. A partir de vidas enganosamente pequenas, revela-se um prodigioso universo literário, inovador na linguagem, mas sempre atento à força das grandes narrativas.

Fome de monstro, Ed Vere (Traduzido por Júlia Moritz Schwarcz)
Você alguma vez já imaginou que, em algum lugar não tão distante da sua casa, talvez existam…monstros? Sim, monstros como este aqui. Aliás, por que será que ele está babando tanto? Você por acaso está ouvindo o ronco do barrigão dele? Xi, o que será que ele quer com você?!

Semana setenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Seu genoma por mil dólares, de Kevin Davies (Tradução de Ivo Korytowski)
Câncer, diabetes, mal de Alzheimer, esclerosa múltipla, problemas cardíacos diversos: algumas das doenças mais mortíferas podem estar com os dias contados. O vertiginoso desenvolvimento das técnicas de decodificação do DNA já permite que muitas pessoas conheçam sua predisposição a vários males evitáveis. Ao mesmo tempo, pesquisas farmacêuticas imbricadas com o progresso da genética têm originado medicamentos altamente específicos e eficientes, que tornam a cura dessas doenças algo real. Da bilionária decodificação do primeiro genoma humano até os atuais serviços de análise cromossômica por correspondência, Seu genoma por mil dólares discute as principais questões tecnológicas e culturais ocasionadas pela revolução genética.

Omeros, de Derek Walcott (Tradução de Paulo Vizioli)
Poeta mulato das Antilhas, prêmio Nobel de literatura de 1992, Derek Walcott escreveu um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes do século XX. Com um desenho circular, que enfeixa tanto o mundo atemporal dos heróis gregos como o dia a dia de uma aldeia de pescadores do Caribe, Omeros (grego moderno para Homero) é, antes de tudo, uma história viva do oceano, dos povos e idiomas que por ele ressoam. Das raízes mediterrâneas aos grandes autores da língua inglesa, passando pelo patois crioulo das Antilhas e os sons africanos que pulsam até hoje nas margens do Caribe, este é um canto universal, que funde de modo magnífico o encontro de raças, línguas e culturas que se deu nas praias americanas.

Steve Jobs, de Walter Isaacson (Tradução de Berilo Vargas, Denise Bottmann e Pedro Maia Soares)
A vida de Steve Jobs tem o fascínio dos grandes folhetins: entregue para adoção ao nascer, imerso na contracultura dos anos 70 – com direito à maconha, LSD, vegetarianismo radical e peregrinação à Índia em busca de iluminação – milionário aos 25 anos, expulso de sua própria empresa aos 30 anos, retorna triunfalmente 12 anos depois. Essa biografia escrita a seu pedido, no momento em que lutava contra o câncer, é mais um exemplo dos paradoxos de Steve Jobs, conhecido por sua obsessão pelo controle de tudo: ele deixou claro que em nenhum momento interferiria em sua execução, nem exigiria ler o manuscrito antes da publicação. Como resume o próprio autor, “este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade intensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram 6 indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. É uma história tão instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação, caráter, liderança e valores”.

Travessias difíceis, de Simon Schama (Tradução de Denise Bottmann)
A travessia do oceano Atlântico nos porões dos navios negreiros foi uma das mais sombrias experiências de migração na história humana. Neste livro, Simon Schama trata da luta dos abolicionistas para encerrar o infame tráfico negreiro transatlântico e de suas relações com a história da colonização de Serra Leoa — a terra prometida dos ex-cativos, onde não havia escravidão. Articulando episódios fundadores do movimento antiescravista inglês ao papel desempenhado pela escravidão negra na Guerra de Independência dos EUA, Schama oferece uma envolvente narrativa sobre a luta dos africanos e de seus descendentes pela liberdade nos dois lados do Atlântico.

As esganadas, de Jô Soares
Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e… gordas. Sua arma: irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades. Com o hilariante e engenhoso As esganadas, Jô Soares está de volta ao seu gênero de predileção: o romance histórico policial. Veja um vídeo com Jô lendo um trecho do livro.

Antônio Vieira, jesuíta do rei, de Ronaldo Vainfas
Educado no colégio jesuítico de Salvador, fluente em tupi ainda na juventude e testemunha da invasão holandesa da Bahia, na maturidade Vieira foi um missionário incansável entre as tribos bravias do Maranhã e do Pará; já septuagenário, após uma longa temporada na Europa, recolheu-se a uma modesta casa religiosa na capital baiana, onde organizou a maior parte de seus escritos para publicação. Tais fatos já seriam mais que suficientes, segundo o historiador Ronaldo Vainfas, para justificar a inclusão de Vieira na coleção Perfis Brasileiros. Contudo, mesmo quando ausente do Brasil, o religioso exerceu vasta influência sobre os destinos da principal colônia portuguesa. Antônio Vieira, jesuíta do rei oferece um abrangente panorama biográfico dessa figura capital da literatura e da história da lusofonia.

Essencial Padre Antônio Vieira (Organização e introdução de Alfredo Bosi)
Embora o mundo monárquico, escravista e radicalmente dogmático de Vieira já tenha há muito desaparecido, sua extensa obra continua a iluminar a história e a literatura da lusofonia. Jesuíta, político e pregador, confessor de reis e profeta do Quinto Império, autor de centenas de sermões e de uma riquíssima correspondência, Vieira foi um homem de múltiplos interesses, unificados por sua fé inquebrantável e pela crença nos altos destinos de Portugal. Essencial Padre Antônio Vieira é uma generosa amostra de sua eloquente produção literária, incluindo alguns de seus melhores sermões, cartas e textos proféticos, além de uma esclarecedora introdução de Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras, e de excertos de A chave dos profetas.

A paixão de A., de Alessandro Baricco (Tradução de Roberta Barni)
Turim, anos 1970. Quatro adolescentes de 16, 17 anos, levam uma vida de classe média, pacata e sem sobressaltos. Todos são católicos, tocam numa banda de paróquia e fazem trabalho voluntário em um hospital da cidade. É quando aparece Andre, jovem rica, fascinante, desinibida, que reduz a pó a estabilidade do grupo de amigos. Seduzidos pela beleza da garota e pelo mundo completamente diferente no qual ela se move, os quatro amigos aos poucos vão se abrindo para experiências antes impensáveis, o que colocará em xeque suas convicções mais arraigadas, a começar pela fé. Tudo se precipita de modo muito veloz e, a partir de certo ponto, cada um deles seguirá seu rumo — um caminho necessariamente solitário e doloroso, mas também cheio de prazer.

E o cérebro criou o homem, de António R. Damásio (Tradução de Laura Motta)
O que é a consciência? Onde ela fica? Como se desenvolveu ao longo do processo evolutivo e que vantagens traz à sobrevivência? A ciência vem avançando na busca por essas respostas, que este livro apresenta numa discussão rica e instigante. Mas que não se espere uma resposta final. “A tarefa de compreender como o cérebro produz a mente consciente continua incompleta. O mistério da consciência ainda é mistério, apesar de termos conseguido penetrar um pouquinho em seus segredos”, diz o autor. Uma coisa é certa: sem a consciência em seu desenvolvimento máximo, a humana, não haveria ciência nem arte. E não haveria a possibilidade de buscar desvendar essa consciência. Neurocientista português radicado nos EUA, Damásio é um dos pensadores mais influentes do mundo no que diz respeito à investigação da mente.

Budapeste, de Chico Buarque
Nova edição do terceiro romance de Chico Buarque, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de 2003. José Costa é um ghostwriter: ele escreve anonimamente, por encomenda, monografias escolares, cartas de amor, autobiografias romanceadas e até best-sellers involuntários. A versátil picaretagem mistura-se, na trama, com o seu enfeitiçamento pela língua húngara, após uma escala forçada de seu avião em Budapeste. A língua ininteligível invade-lhe os sonhos e o toma como uma idéia fixa, levando-o a criar uma tresloucada vida paralela em Budapeste. Casado aqui com uma apresentadora de telejornais, envolve-se lá com uma professora de húngaro. O que o leva, na verdade, a se afundar num estranhamento permanente, entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas…

A casa dos náufragos, de Guillermo Rosales (Tradução de Eduardo Brandão)
Internado pela família em uma instituição psiquiátrica em Miami, o escritor William Figueras, um cubano exilado, mergulha em um processo de desumanização gradual, apenas adiado pelo amor por uma mulher e o sonho de voltar a escrever. Massacrado pela doença mental e emparedado entre o ressentimento por Cuba e a marginalidade a que é relegado na “América livre”, Figueras naufraga sem esperança de encontrar, seja no passado ou no presente, um porto seguro. Escrito em evidente paralelismo com a experiência vivida no exílio pelo jornalista e escritor cubano Guillermo Rosales, este romance é considerado um marco da literatura hispano-americana do século XX.

Lulu: um livro sobre ser pequenininho, de Camilla Reid (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz; Ilustrações de Ailie Busby)
A Lulu tem um gato chamado Aroldo e uma coelha muito bonitinha, a Coelhalda. Vai com a mãe ao supermercado, depois ao parquinho e faz bagunça em casa com seus dois melhores amigos, a Bia e o Teo. Espiando embaixo das abas, as crianças são apresentadas aos pais da Lulu, à sua casa e a seus brinquedos favoritos. Acompanham um dia na vida da personagem, a ajudam a encontrar a Coelhalda, a contar as pombas, e adivinham qual é a janela do quarto da menininha, entre outras brincadeiras. Com linguagem atenta ao universo das crianças pequenas, as histórias da Lulu são sucesso entre o público de um a quatro anos.

Fotografando Verger, de Angela Lühning (Ilustrações de Maria Eugênia)
Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma família com boa situação social e econômica. Contudo, a vida confortável e os costumes da sociedade europeia de seu tempo não lhe satisfaziam. Aos 30 anos, aprendeu a fotografar com um de seus amigos artistas, e fez desse o seu principal ofício. Por meio da fotografia, despediu-se de forma definitiva do mundo que lhe era familiar, e partiu em busca de novas experiências, viajando por quase todo o planeta. Nessas viagens, Verger procurava captar a identidade de cada lugar visitado, registrando em suas fotos sobretudo pessoas, em situações cotidianas e da maneira mais espontânea: em seus afazeres domésticos, no trabalho, nas horas de lazer. Na década de 1940, Pierre chegou a Salvador, cidade que desejava conhecer desde que lera Jubiabá, de Jorge Amado, ainda na França. E foi na capital baiana que ele se estabeleceu até o fim de sua vida, dedicando-se às imagens e aos estudos da cultura africana. Em 1988, na casa onde morava, criou uma fundação destinada a preservar e divulgar sua obra, bem como destacar a importância das culturas africanas e afro-brasileiras.

Da arte das armadilhas

Depois de receber por duas vezes consecutivas o prêmio Cidade de Belo Horizonte, Ana Martins Marques resolveu reunir seus poemas e publicar o livro A vida submarina. A repercussão foi imediata: na mídia eletrônica foi considerada “absolutamente imperdível”, “um acontecimento”, “uma revelação convincente”. Na revista Bravo, Fabrício Carpinejar saudou seu “desembaraço de linguagem, um coloquialismo que eleva o prosaico e desmistifica o grandioso”.

Da arte das armadilhas, que será lançado esta sexta-feira, é seu segundo livro. A Companhia das Letras está especialmente orgulhosa de contar com a nova poetisa em sua coleção de poesia contemporânea, certa de que essa é uma voz que surge para ocupar um lugar no cenário dos poetas importantes do país, enriquecendo-o com sua particularidade.

Neste livro, a poetisa mineira promove uma observação ativa do mundo. Nos objetos do cotidiano ou nas surpresas do corpo, as armadilhas também se chamam vida, ou amor, ou quem sabe cigarros e silêncio. Leia abaixo um dos poemas:

A queda

As palavras
faltam
quando mais
se precisa
delas
são apenas
a sombrinha
do equilibrista
ajudam
talvez
mas não salvam
faltam
quando mais
se precisa delas
se você cair
de uma grande altura
por mais bonita
que seja a sua sombrinha
não conte com ela
para amortecer
a queda

* * * * *

Noites de autógrafos:

Belo Horizonte:
Sábado, 5 de novembro, às 11h
Livraria Scriptum
Rua Fernandes Tourinho, 99 – Funcionários

São Paulo:
Sábado, 19 de novembro, às 11h
Mesa com Ana Martins Marques, Adriana Lunardi e Vilma Areas, na Balada Literária
Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros

Semana setenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

Odisseia, de Homero (Tradução de Frederico Lourenço)
Poema épico fundamental para a tradição literária ocidental, a Odisseia narra as desventuras de Ulisses, herói mítico da Guerra de Troia, em seu caminho de volta a Ítaca, sua terra natal, uma jornada que se estendeu por dez anos. Esta edição em verso traz, além da premiada tradução do helenista português Frederico Lourenço, uma introdução assinada por Bernard Knox, o primeiro diretor do Centro de Estudos Helênicos da Universidade de Harvard, apresentando um panorama detalhado das diferentes teorias que surgiram ao longo dos séculos sobre a origem da narrativa e de seu autor, além de mapas que ajudam a situar o leitor no complexo mundo da geografia homérica.

A lua no cinema e outros poemas, de vários (Organização de Eucanaã Ferraz; Ilustrações de Fábio Zimbres)
De Caetano Veloso a Sophia de Mello Breyner Andresen, de Manoel de Barros a Fernando Pessoa, esta coletânea reúne 19 nomes representativos da poesia de língua portuguesa e realiza uma espécie de mapeamento poético dos séculos XX e XXI, dos dois lados do Atlântico, destinado especialmente aos jovens. O livro é dividido em 4 partes: a primeira, “O verbo ser e outros verbos”, traz uma visão do homem no tempo; na segunda, “Não sei se isto é amor e outras dúvidas”, o amor é o tema; na terceira, “Na ribeira deste rio e outras paisagens”, os poemas são voltados para a natureza e as coisas; e, na última parte, “Não-coisa e outras coisas”, tudo se confunde com a poesia, e faz-se uma espécie de reflexão sobre a existência, o mundo, os sentimentos e o cotidiano. O volume é enriquecido ainda com o traço bem-humorado e irônico de Fábio Zimbres, promovendo-se assim um diálogo entre palavra e imagem.

Histórias arrepiantes de crianças-prodígio, de Linda Quilt (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Os sete protagonistas das histórias deste livro não são crianças-prodígio como Mozart. Entretanto, suas vidas são prodigiosas porque estão em contradição com as leis da natureza. Melinda, por exemplo, cospe um sapo toda vez que conta uma mentira. O extremamente tímido Begon, por sua vez, percebe que as pessoas desaparecem quando ele diz seu próprio nome em voz alta. Com Norm, as coisas são bem diferentes. Ele é tão normal que ninguém nota a sua presença, nem mesmo seus pais, que às vezes se perguntam quem é aquele garoto em sua casa. A essas histórias se unem a de Orville O’Raghallaigh, um garoto incapaz de guardar qualquer coisa na memória; a da bebê A., irmã gêmea de B., que possui uma inteligência tão incomparável que desperta o interesse da comunidade científica; a de Wanda Wippleton, uma adorável preguiçosa que não faz nada além de dormir e ler; e a de Balthazar Bollinger, tão redondinho e leve que precisa usar sapatos de chumbo para não sair voando.

Semana setenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Livro do desassossego, de Fernando Pessoa (edição revista e ampliada)
O narrador principal das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros em Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões sobre a paixão, a moral, o conhecimento. Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos e descarta outros que só depois da digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos — a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.

Os cantos perdidos da Odisseia: um romance, de Zachary Mason (Tradução de Rubens Figueiredo)
Odisseu está sempre voltando a Ítaca, por mais que os deuses retardem seu regresso à terra natal. Aqui, porém, os acontecimentos escapam a seu controle, e o herói da Guerra de Troia já não se comporta como um guerreiro mítico. Este é um Odisseu de carne e osso, abandonado pelos deuses, que faz a corte a Helena, dá vida a um duplo de Aquiles, enfrenta a ira do ciclope Polifemo e o canto das sereias. E enfim retorna a Ítaca para reencontrar uma Penélope envelhecida e cansada de esperá-lo. Zachary Mason cria 44 cantos para uma história fundadora, reinventado-a a partir de episódios inusitados e explorando as possibilidades imaginativas da literatura.

Poemas, de Wisława Szymborska (Tradução de Regina Przybycien)
Este livro da maior poeta polonesa viva, ganhadora do Nobel e inédita no Brasil, inaugura, ao lado de Omeros, a reedição da coleção de poesia traduzida da Companhia das Letras, com novas capas e projeto gráfico. Aos 88 anos, Wisława Szymborska vive desde menina em Cracóvia, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Seus poemas, contudo, viajam pelo mundo. Não são tantos: sua obra inteira consiste em cerca de 250 poemas cuja função, como declarou a poeta no discurso de Oslo, é perguntar, buscar o sentido das coisas. Com sua poesia indagadora, Szymborska foi chamada “poeta filosófica”, ou “poeta da consciência do ser”. No Brasil, teve poemas esparsos publicados em jornais e revistas ao longo dos anos, mas esta edição, com seleção, introdução e tradução de Regina Przybycien, é a primeira oportunidade que tem o leitor brasileiro de lê-la em português. A coletânea de 44 poemas é uma belíssima apresentação à obra dessa importante poeta contemporânea.

Contos e lendas dos Jogos Olímpicos, de Gilles Massardier (Ilustrações de Nicolas Thers; Tradução de André Viana)
No fim do século XIX, o barão de Coubertin, um grande incentivador da prática de esportes nas escolas e admirador incondicional da Grécia, teve uma grande ideia: reviver os antigos Jogos Olímpicos. Assim, em 1986, foram realizadas as primeiras Olimpíadas da era moderna. Desde então, de quatro em quatro anos, homens e mulheres tentam romper os limites físicos da humanidade, de acordo com um dos lemas dos jogos: ser mais rápido, ir mais alto, impor mais força. Os contos deste livro trazem informações sobre a história dos jogos e dados biográficos de alguns atletas ainda pouco conhecidos, entremeados em narrativas de ficção. Alguns deles são cômicos; outros, emocionantes e outros ainda bastante inusitados. Em comum, falam de maneira variada sobre o universo dos esportes, para aqueles que não perdem uma boa história.

Cinco histórias de cinco continentes (Vários autores e ilustradores; Tradução de Heloisa Jahn)
Dizem que as histórias nos fazem viajar sem sair do lugar. Se elas falam de outras culturas, o passeio fica ainda mais interessante. Como numa espécie de volta ao mundo em 120 páginas, este livro apresenta histórias dos cinco continentes do planeta Terra: partindo da Rússia, as narrativas passam pela China, Austrália, Magreb e América do Norte. Um menino que engana a bruxa Baba Yaga com sua esperteza; uma princesinha muito voluntariosa que aprende a sua lição; um papagaio que, com seu sangue colorido, pinta os pássaros; uma lebre que acredita estar sendo perseguida mas acaba descobrindo que tem uma sombra; e uma cigarra que procura um pretendente para casar e acaba arranjando um partidão são os personagens que recheiam esta antologia ilustrada e saborosa.

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