política

Semana setenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Como mudar o mundo, de Eric Hobsbawm (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Nesta seleção de conferências, ensaios e artigos escritos ao longo de mais de cinco décadas, o consagrado historiador britânico oferece um panorama do legado intelectual de Karl Marx, bem como de sua repercussão na história dos séculos XIX e XX. Eric Hobsbawm, cujo refinado método de interpretação marxista transparece em títulos como Era dos extremos e Ecos da Marselhesa, analisa os trabalhos pioneiros do “socialismo científico”, com ênfase na necessidade de reavaliá-los segundo seu contexto de produção original, relativizando as formulações posteriores de seus fervorosos inimigos e apologistas. Num livro que explicita a influência decisiva do autor de O capital sobre sua própria visão da história, Hobsbawm reconhece na atual crise sistêmica das finanças globalizadas uma confirmação quase profética da crítica de Marx às contradições insolúveis do capitalismo.

A maldição da pedra, de Cornelia Funke (Tradução de Sonali Bertuol)
Jacob Reckless descobriu um mundo mágico, escondido atrás de um espelho do escritório do pai, um lugar em que fadas, bruxas, unicórnios e tritões convivem com seres humanos e no qual os aspectos mais sombrios dos contos de fadas se tornam realidade. É lá que Jacob vai passar a maior parte do tempo, longe do seu irmão mais novo, Will. Muitos anos depois, Will descobre a passagem e segue o irmão. Mas lá, no Mundo do Espelho, acaba sendo atingido por uma maldição: aos poucos se transformará em uma criatura terrível, com pele de jade. Nessa terra cheia de perigos, Jacob finalmente percebe o quanto o irmão caçula significa para ele, e vai precisar usar toda a sua esperteza, coragem e espírito de aventura para reverter o feitiço, antes que seja tarde demais.

Semana sessenta e um

Os lançamentos da semana são:

Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash (Tradução de Pedro Maia Soares)
Timothy Garton Ash dedica-se há décadas a uma atividade híbrida entre jornalismo e historiografia: escrever a “história do presente”. Ele vai ao lugar onde as coisas estão acontecendo, entrevista pessoas nas ruas, discute com políticos, intelectuais e militantes. E essas reportagens são complementadas com a pesquisa e a reflexão que faz nas universidades de Oxford e Stanford, onde leciona. Neste livro estão reunidos artigos sobre a primeira década do século XXI, que tratam, por exemplo, das relações entre islamismo e terror, temática que o autor aborda com uma visão liberal equilibrada, sempre preocupada com a tolerância e o respeito pela diversidade. Com esse mesmo olhar, ele acompanha de perto a situação em países como Ucrânia, Belarus, Sérvia e Macedônia, bem como Birmânia, Brasil, Egito e Irã.

O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (Posfácio de Anita Leocadia Prestes)
Jorge Amado decidiu escrever a biografia de Prestes em 1941, como forma de pressionar pela libertação do líder revolucionário, preso desde 1936. Viajou então ao Uruguai e à Argentina, onde Prestes havia se exilado anos antes. O autor narra os momentos mais dramáticos da trajetória de Prestes: a épica coluna que atravessou o Brasil entre 1924-27, o exílio, a tentativa frustrada de levante contra Getúlio Vargas em 1935, a prisão na solitária, a entrega de Olga Benário — grávida de Anita Leocadia, que escreve o posfácio desta edição — ao governo nazista, a campanha internacional de Leocadia, mãe de Prestes, pela libertação do filho e de Olga, e pela guarda da filhinha do casal.

Monsieur Pain, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Paris, 1938. Enquanto a maioria dos franceses ainda lutava com os fantasmas da Primeira Guerra, pairava no ar uma tensão causada pela ascensão de regimes fascistas na Europa. Neste peculiar período, a capital francesa era habitada por poetas e romancistas vanguardistas, artistas selvagens e curandeiros nada convencionais: os mesmeristas. Discípulo dessa terapia heterodoxa, o obscuro protagonista do livro tem a missão ingrata de curar um poeta com ataques crônicos de soluço. Monsieur Pain, um dos primeiros romances escritos por Bolaño, é uma peça rara em sua obra: um livro atmosférico, repleto de temas caros à literatura de gênero, como o ocultismo, a busca detetivesca e a confusão entre sonho e realidade. Enquanto Pain se deixa levar pelo mistério, as fronteiras entre o que é real e o que é imaginação se dissolvem.

Borges oral & Sete noites, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Em Borges oral (1979) e Sete noites (1980) se acham escritas palavras que brotaram da boca de um narrador cego, que falava como um sábio sibilino e irônico a auditórios do mundo todo. Sempre modesto, mas sem deixar de aludir a modelos gloriosos — Sócrates, Pitágoras, Cristo, Buda — e a outros mais próximos, como Macedonio Fernández, Borges (1899-1986) apresentava-se, na última etapa de sua vida, como um grande mestre da oralidade. A princípio tímido e reservado, a ponto de se ocultar em meio à plateia e pedir a um amigo para ler a conferência que redigira, com os anos e a progressiva cegueira, o escritor argentino tornou-se um narrador oral, como se quisesse dissolver-se na tradição épica dos narradores anônimos. Embora aparentemente abstratos e intelectuais, os temas de suas conferências são tratados num recorte concreto, a que servem exemplos precisos, sempre manipulados com perfeição pelo refinado contador de casos, que não perde uma deixa para uma frase de humor e se orienta em meio às dificuldades do assunto pela força da memória e da imaginação.

O anexo: a incrível história do garoto que amava Anne Frank, de Sharon Dogar (Tradução de Luiz A. de Araújo)
O diário de Anne Frank, um dos textos mais célebres do século XX, lido por jovens e adultos do mundo inteiro, só foi publicado graças ao pai da menina, o único sobrevivente dentre as 8 pessoas que passaram 2 anos escondidas no anexo de uma casa em Amsterdam, durante a perseguição aos judeus organizada pelos nazistas. Neste romance, a inglesa Sharon Dogar se baseia no diário mundialmente conhecido para imaginar como teria sido conviver de perto com Anne Frank e até se apaixonar por ela. É através dos outros de outro adolescente que acompanhamos a sensação clautrofóbica de morar no esconderijo, a revolta por não poder lutar contra o inimigo e as aflições de se viver numa época tão sombria.

Macbeth, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)
Macbeth, general do exército escocês, é um defensor leal do rei e de sua pátria. Mas, ao voltar de uma batalha, depara com três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei. A previsão desperta as ambições mais secretas de Macbeth: impelido pela esposa, ele assassina o rei e é proclamado o novo regente. E este é só o primeiro de uma série de crimes que irá cometer. Bruxas, um fantasma e um punhal espectral… prepare-se para muita aventura, nesta que se tornou uma das mais famosas peças de Shakespeare. Além da adaptação em prosa da peça, o livro traz um prefácio da autora e pesquisadora brasileira Marta de Senna e dois posfácios: um sobre a questão do mal em Macbeth e outro sobre a dificuldade enfrentada pelos escritores da época de Shakespeare em encontrar papel para escrever.