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Anunciados os finalistas do Prêmio Jabuti 2016

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Na noite desta sexta-feira, dia 21 de outubro, a Câmara Brasileira do Livro anunciou os finalistas do Prêmio Jabuti de 2016. Conheça as obras do Grupo Companhia das Letras indicadas nas categorias romance, conto e crônica, poesia, tradução, capa, ilustração, adaptação, livro infantil, ciências humanas, comunicação, economia, gastronomia, reportagem e documentário, teoria e crítica literária.

Adaptação

— Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (Quadrinhos na Cia.)

Capa

— Alceu Chiesorin Nunes pela capa de O gigante enterradode Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras)

Ciências humanas

— A capital da vertigemde Roberto Pompeu de Toledo (Editora Objetiva)

— Brasil: uma biografiade Heloisa M. Starling e Lilia Moritz Schwarcz (Companhia das Letras)

— Flores, votos e balas, de Angela Alonso (Companhia das Letras)

Comunicação

— O estado de Narciso, de Eugênio Bucci (Companhia das Letras)

Contos e crônicas

— As mentiras que as mulheres contam, de Luis Fernando Verissimo (Editora Objetiva)

— Jeito de matar lagartas, de Antonio Carlos Viana (Companhia das Letras)

— Rio de Janeiro, de Luiz Eduardo Soares (Companhia das Letras)

Economia, administração, negócios, turismo, hotelaria e lazer

— Devagar e simplesde André Lara Resende (Companhia das Letras)

Gastronomia

— O frango ensopado da minha mãede Nina Horta (Companhia das Letras)

Ilustração

— Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (Quadrinhos na Cia.)

— Todo Bob Cuspe, de Angeli (Quadrinhos na Cia.)

Infantil

Inês, de Roger Mello (Companhia das Letrinhas)

— Malala, a menina que queria ir para a escola, de Adriana Carranca (Companhia das Letrinhas)

Poesia

— Agora aqui ninguém precisa de si, de Arnaldo Antunes (Companhia das Letras)

Reportagem e documentário

— A noite do meu bem, de Ruy Castro (Companhia das Letras)

— Bateau Mouche, de Ivan Sant’Anna (Editora Objetiva)

— Política, propina e futebol, de Jamil Chade (Editora Objetiva)

Romance

A resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras)

— Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (Alfaguara)

— O Grifo de Abdera, de Lourenço Mutarelli (Companhia das Letras)

Teoria/Crítica literária, dicionários e gramáticas

— Cenário com retratos, de Antonio Arnoni Prado (Companhia das Letras)

Tradução

— Guilherme da Silva Braga pela tradução de A ilha da infância, de Karl Ove Knausgård (Companhia das Letras)

— Lawrence Flores Pereira pela tradução de Hamletde William Shakespeare (Penguin-Companhia)

— Paulo Geiger pela tradução de O livro da gramática interiorde David Grossman (Companhia das Letras)

 

Confira a lista com todos os indicados. Os vencedores de cada categoria serão anunciados no dia 11 de novembro.

Jabuti, o retorno

Por Luiz Schwarcz


Hoje não seria meu dia aqui no blog, mas decidi não esperar a próxima quinta-feira para dar minha opinião sobre mais um imbróglio envolvendo o outrora prestigioso prêmio literário — o Jabuti.

Quando da infeliz polêmica sobre as regras de premiação, que há muitos anos favorecem o prêmio da classe editorial sobre a votação dos críticos, manifestei-me dizendo que não ficava bem contestar regras estabelecidas previamente à inscrição, de maneira deselegante com relação aos escritores envolvidos. Além disso disse que, para que uma premiação da crítica fosse corretamente instituída, seria fundamental investir na constituição do júri, escolhendo corretamente seus membros, dando condições aos jurados, pagando bem esse trabalho fundamental, e gastando menos no show de premiação, que consome uma parte significativa dos recursos do Jabuti. As regras foram mudadas sem que outros editores fossem ouvidos (do que sei, apenas a editora que questionava os critérios do Jabuti teve esse privilégio), e escritores que nem pedem que seus livros sejam inscritos no prêmio acabaram sendo atacados e julgados publicamente, com o suporte da absoluta falta de tato da Câmara Brasileira do Livro e dos responsáveis pelo prêmio.

O que ocorreu nesta edição do prêmio nada mais é do que a consequência de um problema antigo. O jurado C, ao manipular a votação de forma acintosa, desrespeitando escritores com notas vergonhosas, acabou prestando um serviço ao prêmio e ao público. Além da discussão sobre a validade da regra, quando princípios tão claros de uma votação literária são violados, falta discutir as condições, a qualidade e a quantidade de jurados, e os critérios para evitar fraudes ou manipulação, cuidados que qualquer bom prêmio tem que ter.

Quando da divulgação da lista dos finalistas deste ano, notamos a falta, entre os dez indicados, do livro Diário da queda, de Michel Laub, que frequentou praticamente todas as listas de finalistas dos prêmios literários importantes do país. Sem que tivéssemos nos manifestado, surgiu certa reação espontânea nas redes sociais. Não cabe à Companhia investigar o que de fato ocorreu, ainda mais com o meu desânimo após a condução indelicada das polêmicas anteriores.

Hoje sugiro aos responsáveis pelo Jabuti que divulguem abertamente quais são os membros do júri, como são escolhidos, quantos livros recebem para leitura e em que condições trabalham.

E que pensem que, se querem de fato recuperar o prestígio perdido, é preciso mudar completamente o conceito e os procedimentos vigentes, após o ocorrido com Chico Buarque no ano retrasado e agora com Ana Maria Machado e os outros inscritos este ano. Os escritores não se dedicam à literatura para serem desrespeitados publicamente pelos jurados, pela CBL, e por quem simplesmente se julgar neste direito.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

Nota sobre o Jabuti

Aos nossos leitores

1 – A imprensa está dando acolhida a uma petição que corre na internet tentando constranger Chico Buarque a devolver o Jabuti de Melhor Livro do Ano — prêmio conquistado de maneira legal e legítima, escolhido por um amplo corpo de jurados ligados à indústria do livro no Brasil.

2 – A petição tem, entre uma infinidade de nomes duvidosos e repetidos, as assinaturas de Dom Quixote de la Mancha, Jesus Cristo e Pedro Álvares Cabral. Até o nome do próprio Chico Buarque assina o documento.

Como a imprensa pode precisar o número correto de assinantes, se a lista foi propositalmente inflada por uma parcela imensa de nomes falsos e repetidos? Quais critérios teriam os jornais e as revistas para verificar, entre milhares de assinaturas, quais são as autênticas e quais são as falsas? Não é preciso muito para se concluir que esta é mais uma daquelas ações de baixa credibilidade tão comuns na internet.

4 – A ombudsman da Folha, Suzana Singer, e o jornalista Clóvis Rossi fizeram esta semana importante alerta sobre a necessidade de o jornalismo desenvolver mecanismos eficientes para separar informação fidedigna e verdadeira da avalanche de insultos, boatos, falsificações e mensagens apócrifas que a internet despeja todos os dias. O debate cultural sério não pode ser pautado por aqueles que se dedicam à difamação em tempo integral.

5 – Nos dezoito anos de vigência deste regulamento, o prêmio de Melhor Livro do Ano foi concedido por dezessete vezes a um livro que não estava em primeiro lugar nas categorias do Jabuti. A reação ao prêmio deste ano revela tanto desconhecimento da obra do escritor quanto das regras e histórico do prêmio Jabuti.

6 – A Companhia das Letras agradece a manifestação de solidariedade que vem recebendo de leitores, autores, editores, livreiros, jornalistas e agentes literários. Mantemos a nossa convicção de que a obra de Chico Buarque é maior do que este lamentável episódio e que ela ficará — assim como a nossa política editorial criteriosa e de sempre renovado compromisso com a qualidade.

“Leite derramado” é o livro mais premiado de 2010

[Atualização em 9 de novembro]


Chico Buarque ao lado de Pilar Del Río (Foto por Leandro Soares/Agência Estado)

Menos de uma semana após ter ganho o Jabuti, Chico Buarque também foi premiado pelo Portugal Telecom de Literatura. Leite derramado conquistou o primeiro lugar da competição; Outra vida, de Rodrigo Lacerda, e Lar, de Armando Freitas Filho, foram o segundo e o terceiro colocados, respectivamente. Veja aqui quais eram os dez finalistas.

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[Notícia original, de 5 de novembro:]


Chico Buarque entre o curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, e sua editora, Maria Emilia Bender. (Foto por Patrícia Araújo/UOL)

Quinta-feira, dia 4 de novembro, na cerimônia do Prêmio Jabuti, Chico Buarque recebeu os prêmios de Melhor Livro do Ano segundo voto popular e jurados, por seu romance mais recente, Leite derramado. Muito obrigado a todos que votaram pela internet!

Veja abaixo um vídeo onde Chico lê o primeiro capítulo do livro. A lista com todos os títulos da editora que foram agraciados pelo 52º Prêmio Jabuti está aqui.

O Jabuti dos ilustradores

Por Júlia Moritz Schwarcz

Na semana passada aconteceu a cerimônia de entrega do prêmio Jabuti. O Roger Mello ganhou o segundo melhor infantil, com o Carvoeirinhos, e a Ângela-Lago, o terceiro, com o Visita dos dez monstrinhos. Nenhum dos dois podia vir para a cerimônia, e fui escalada para buscar algumas tartarugas (o autor recebe uma e a editora, outra).

Ainda a caminho da Sala São Paulo, me dei conta de que os três infantis vencedores foram feitos por autores-ilustradores — em primeiro lugar ganhou o Nelson Cruz e seu Herdeiros do Lobo. Não é super notável isso?

Notável por alguns aspectos. Em primeiro lugar, esses são livros que tiveram texto, ilustração e diagramação criados em conjunto, por uma mesma pessoa. No caso desses três, sei que foram projetos concebidos pelos artistas, e não uma encomenda das editoras.

Em segundo, acho demais que artistas reconhecidíssimos por seu trabalho como ilustradores de livros infantis escrevam também as histórias, e tão bem: os textos são muito bons, têm estilos originais, criativos.

De alguns anos pra cá, a discussão sobre a importância e o papel dos ilustradores nos livros para crianças cresceu muito. Vários deles se uniram como um grupo, e passaram a exigir participação nos direitos autorais — em geral são contratados e pagos pelo trabalho assim que entregam os originais e pronto, acabou-se o seu elo com o livro. É importante considerar que os ilustradores têm também autoria na obra, e que contam a sua história do livro, às vezes em uma narrativa totalmente colada ao texto, às vezes com a sua versão, que corre paralelamente à outra.

Esse Jabuti reafirmou a importância da atuação dos ilustradores na literatura infantil; além de mostrar como alguns deles são também escritores excepcionais. Não é de se estranhar, se pensarmos que são narradores com seus desenhos, habituados ao mundo da ficção. Deve ser muito legal saber transitar entre linguagens diferentes — musicar o próprio poema, cantar a própria música, ilustrar a própria história, ou quem sabe escrever a história para a sua própria ilustração.

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

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