quadrinhos

Meu quadrinho favorito de 2013

Por Erico Assis

Meu quadrinho favorito de 2013 saiu em 2012 e chama-se Annie Sullivan and the Trials of Helen Keller. Annie Sullivan, deficiente visual, foi a professora da menina cega e surda Helen Keller, que viria a tornar-se defensora dos portadores de deficiência nos EUA cem anos atrás. A história das duas já virou peça de teatro e filme. No quadrinho, o mundo sem visão, sem audição e sem instrução de Keller consiste em sombras imaginadas. A língua de sinais que Sullivan lhe ensina vai dando nome às sombras: pedra; grama; graveto; você; eu. Não haveria como representar o processo mental de Keller melhor do que numa HQ. O autor é um americano chamado Joseph Lambert, que está recém começando carreira.

Meu quadrinho favorito de 2013 foram os quase 4 mil frames de “Time”, da xkcd. Ou melhor, a discussão em torno de “Time”, seus significados ocultos, suas pistas elaboradas, o xkcd Time Wiki e os quatro meses de especulação. Não curti muito quando o Randall Munroe resolveu explicar a história, por isso finjo que a explicação não existe.

Meu quadrinho favorito de 2013 foi a edição de Hellblazer pelo Neil Gaiman que eu li pela primeira vez quando tinha uns dezesseis anos, e várias vezes depois dos dezesseis, e que rererererereli de forma privilegiada porque tive que traduzi-la. Duas outras HQs do Gaiman que li e reli e reli muito desde a adolescência também saíram com traduções minhas: Orquídea Negra e Os Livros da Magia. Além de fazer outras traduções de Gaiman, este ano vi o próprio de perto durante três dias seguidos. Não lhe dirigi uma palavra sequer.

Meu quadrinho favorito de 2013 foi virar editor de quadrinhos. Não tanto editor, mas tradutor com privilégios. O Outros Quadrinhos, que surgiu da conversa num café com meu amigo Fabiano, encerrou o ano com 500 páginas de webcomics inéditas em português. (E ainda rendeu a colaboração com The Private Eye, que também é meu quadrinho favorito de 2013.) (Não espalhem, mas meu Outro Quadrinho preferido é Os Nós Ocultos.)

Meu quadrinho favorito de 2013 foi a descoberta de Robô Esmaga, do Alexandre Lourenço. Meu quadrinho favorito de 2013 foi Notre Toyota Était Fantastique (ou Our Toyota was Fantastic), do Boulet. Meu quadrinho favorito de 2013 foi Sex Criminals, Hawkeye, Matt Fraction contra o suicídio, Jupiter’s Legacy, The Superior Foes of Spider-Man, Battling Boy. Meu quadrinho favorito de 2013 foi o infográfico The Chris Ware Sadness Scale no Supergraphic. Meu quadrinho favorito de 2013 foi Você é Minha Mãe? e o molho de chaves do Rafael Sica no Claviculário. Meu quadrinho favorito de 2013 foi Harmatã, do Pedro Cobiaco, One Page Movie, do Bruno Seelig, e O Beijo Adolescente 2, do Rafael Coutinho.

Meu quadrinho favorito de 2013 foi “There’s a Place”, que o Kioskerman só postou no Twitter. Tem seis quadros, parece ter sido desenhado enquanto ele estava no telefone e diz que “Existe un país adentro de mi cabeza donde la práctica religiosa de la población entera consiste en observar a un bebe por horas, sin pensar absolutamente nada.” Se os melhores quadrinhos — e literaturas, e cinemas, e músicas etc. — são os que mostram o mundo onde gostaríamos de viver, eu escolho esse.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu RetalhosHabibi, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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Quem lê quadrinhos (2): o condomínio que leu Retalhos

Por Érico Assis

reading on the roof

Rogério Rezende tem 47 anos, é escritor e avalia livros para bibliotecas na Secretaria de Educação de Campo Grande, bairro de Cariacica (ES). Peça a ele uma lista do que gosta de ler e veja o pergaminho se desenrolar das mãos: Tolkien, Lewis Carroll, C.S. Lewis, Karen Armstrong, Hans-Ulrich Treichel, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Blake, Keats, Jorge Amado, Scliar, Marie Darrieussecq, Ana Cristina César… e Craig Thompson. E Marjane Satrapi. E Jonathan Franzen.

Ele respondeu minha coluna “Quem aí lê quadrinhos?” com este e-mail:

Quando comprei Retalhos, também havia comprado Liberdade, de Franzen. No condomínio a molecada vivia o triângulo da (in)felicidade: escola, Playstation e shopping. Cheguei em casa e meu sobrinho de 13 anos viu o livro na minha mão. Queria saber que livro era aquele. Era legal?

Sem ter lido, falei que sim.

— Deixa eu ler? — pediu.

— Hãã… Tá, toma.

Imaginei que 55 pilas voltariam com orelhas e cheias de folhas amassadas.

O livro foi lido naquele dia pelo Daniel. No dia seguinte foi levado para a escola e foi um incêndio. Tanto que a biblioteca teve que comprar dois exemplares para atender a demanda. Nem vampiro nem lobisomem chegavam perto do interesse da garotada pelo livro. Alguns pais curiosos pelo interesse dos filhos também leram.

Acredito que mais de 50 pessoas leram aquele livro.

Antes havia comprado/emprestado Persépolis, mas não foi a mesma coisa, nem de longe foi o tsunami de Retalhos. Se não tivesse acontecido comigo, alguém contasse, eu acharia que alguém estava querendo vender o livro ou empolgado em demasia por um livro para adolescentes.

A dúvida atual de Rogério é se Habibi terá o mesmo feito. Ele ainda não leu. Nem o condomínio.

Hoje ele me enviou mais um e-mail:

Queria lhe contar uma experiência que aconteceu aqui no trabalho do Setor de Formação Continuada. Li um post seu em que colocava umas tarjas laranjas sobre os balões da história. Lembra? Pois é, eu conversando com a coordenadora disse que seria interessante usarmos isso nas aulas de redação e leituras de língua portuguesa. Ela gostou da ideia e incluiu esse assunto no curso. Comprou e usou o Diário de um banana. Resultado que vários professores começaram a usar quadrinhos nas salas de aula.

Uma das escolas decidiu colocar em cada sala uma “gibiteca” (nome horrível). A escola está situada num baixo de risco e vulnerabilidade social e tinha um Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) baixo. Ocorreu um fato curioso: os alunos levavam os quadrinhos para casa e muitos pais passaram a ler. Alguns foram alfabetizados com essa iniciativa. Na última avaliação, foi a escola da região que teve o melhor Ideb.

Como eu acredito que os quadrinhos são, comprovadamente, o meio ideal para que os alunos aprendam e se instruam, tenho defendido uma biblioteca de quadrinhos para cada escola.

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Tenho recebido os e-mails mais fantásticos sobre experiências com leitura de quadrinhos. Outros ainda virão para a coluna. Quem mais aí lê quadrinhos? Entre em contato: ericoassis@gmail.com

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos e Habibi, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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Mitsunaga, Ronin

Por Érico Assis

Diz o André Conti, editor da Quadrinhos na Cia., que estava em Nova York conversando com Chip Kidd, tentando convencê-lo de que, sim, a editora conseguiria fazer uma edição de Asterios Polyp à altura da original. Kidd é um designer de imenso renome no mundo bibliófilo e um dos cabeças da Pantheon, selo de graphic novels da Knopf, que publicou Asterios nos EUA.

O trunfo do André era a edição brasileira de Jimmy Corrigan: o menino mais esperto do mundo. Kidd também estivera envolvido no original.

— Mas então a letreirista de vocês teve que fazer tudo à mão? — perguntou o designer.

— Não. Ela criou as fontes e fez as variações.

Foi a definição que levou Kidd a ligar para David Mazzucchelli e convencê-lo: “Ok, pode deixar os brasileiros fazerem Asterios. Eles dão conta.”

O foco da conversa era, enfim, o trabalho de Lilian Mitsunaga. Eu, o André e mais alguns milhares de leitores de gibi de super-herói crescemos prestando atenção ao nome dela nos créditos da Editora Abril. Posso dizer que aprendi a ler com a letra da Lilian Mitsunaga. Na época, ela ainda fazia tudo à mão.

Letreirização de quadrinhos é daquelas coisas que você, leitor, só costuma notar quando há algo de errado. Valorizar o letreirista é algo que parte ou do quadrinista — que tem considerações sobre o contraste entre a fonte e seu traço, sobre o posicionamento dos balões, sobre as quebras de linha — ou do editor. No caso dos quadrinhos traduzidos, a letreirização é notada quando algum resenhista compara com o original e reclama que “a fonte escolhida para a edição brasileira trai a essência da obra.

É difícil que alguma dessas críticas chegue à Lilian. Quando eu a visitei, há poucas semanas, ela havia acabado de terminar a letreirização de Habibi, as quase 700 páginas do Craig Thompson que a Quadrinhos na Cia. lança em breve*. Lilian criou três fontes para reproduzir a caligrafia de Thompson. Alguns trechos tiveram que ser feitos “à mão” (leia-se desenhados no Illustrator). O da foto acima é um dos casos (clique aqui para ver a página).

Na conversa, descobri que o tempo de ofício da Lilian é igual à minha idade. Ela entrou na Editora Abril em 1980 já para colocar letrinhas nos balões das HQs. Passou dezoito anos como funcionária, mesmo que sempre tenha trabalhado em casa. História da época: “O Bafo-de-Onça, inimigo do Mickey, antes era Bafodeonça. O nome ganhou hífens depois que um letreirista separou as sílabas num balão. Numa linha ficou ‘Ba-‘, e na seguinte ‘fodeonça’.”

Quando deixou de ser funcionária e abriu empresa própria, continuou prestando serviço à Abril — hoje faz as letras de todos os gibis Disney, por exemplo —, mas também começou a trabalhar com os leitores que cresceram e viraram editores de quadrinhos. Também foi mais ou menos por essa época que começou a letreirar no computador — quando Macs ainda eram bastante caros e você precisava telefonar para os fabricantes de fontes nos EUA se quisesse comprar uma família tipográfica.

Na Companhia das Letras, Lilian fez a maioria dos Tintins antes de virar letreirista oficial da Quadrinhos na Cia. São delas as fontes de Will Eisner, Dan Clowes, Angeli, Laerte, Lourenço Mutarelli, Caeto — em alguns casos, criadas a partir do que originalmente era só nanquim. Faz parte do trabalho dela você não perceber o que é manuscrito e o que é digital.

Para o disputado Asterios Polyp, Lilian criou quinze fontes. E o serviço que encheu os olhos de Chip Kidd, Jimmy Corrigan, disputa com Asterios o primeiro lugar entre os mais complicados. Nas edições originais, Chris Ware vai na gráfica acompanhar a impressão. Para as estrangeiras, estipula em contrato como lidar com os arquivos — fica proibido chapar o preto com as outras cores, por exemplo — o que pode quintuplicar o serviço do letreirista.

Lilian é uma ronin. Trabalha sozinha, desde sempre — só tem colaboradores, externos, quando sua empresa presta serviço de tradução, colorização, revisão. Especificamente quanto às letras, sempre se especulou que ela assinava em nome de uma equipe, seguindo a tradição dos mangakás. A realidade é ela, um computador, mesa digitalizadora, impressora, scanner e dois telefones num escritório ao lado da sala de estar.

Trinta anos a tornaram sobre-humanamente rápida. Habibi tomou oito anos de Craig Thompson. Lilian levou dez dias. Tem gente que vai levar mais tempo para ler todo o álbum.

* Habibi tem lançamento previsto para o final de julho.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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Semana noventa e um

Os lançamentos da semana são:

Baú de ossos, de Pedro Nava
A caixinha de música da sinhá recém-desperta recobrindo os lamentos dos escravos açoitados no porão. As penosas viagens das tropas de burros através das sertanias da serra da Mantiqueira. O modo tradicional de preparar quentão, angu e feijão tropeiro. As saborosas crendices e anedotas familiares, transmitidas de geração em geração como os dotes, as mobílias e as heranças. A genealogia dos antepassados confundida com as montanhas de Minas Gerais, as praias do Ceará, os burgos da Lombardia, as ruas de Juiz de Fora e do Rio de janeiro. No prodigioso baú de Pedro Nava, os ínfimos detalhes de um mundo extinto pelo trabalho incessante da morte convertem-se em marcos miliários do mapa da memória. Desbravador dos territórios perdidos da infância e da ancestralidade, tão intrincados quanto as rendas de bilro de suas avós nordestinas, Nava conduz o leitor pelos labirintos da lembrança com uma prosa aliciante, cuja opulência é alusiva ao fascínio inesgotável dos afloramentos do passado.

Balão cativo, de Pedro Nava
Neste segundo volume de sua monumental saga memorialística, Pedro Nava aborda o período delimitado pelo retorno a Minas após a morte do pai e os estudos no Colégio Pedro II, no Rio – marcos do fim da primeira infância e do início da idade adulta. Nava apresenta um abrangente panorama da cultura e da sociedade brasileiras na segunda década do século XX, alternando entre a Juiz de Fora de fechadas famílias tradicionais, a Belo Horizonte dos palácios recém-inaugurados e as ruas apinhadas da antiga capital federal. Dos sobrados da rua Direita às esquinas da jovem capital mineira, do luxurioso pomar da avó materna ao cotidiano do internato carioca, sua escrita magistral, repleta de termos de raro sabor arcaizante, viaja aferrado ao passado agrário. Muito além da mera crônica autobiográfica, as memórias da adolescência de Nava reconstroem a poesia do passado por meio de uma comovente homenagem aos amigos, professores e familiares mais decisivos em sua formação humana e intelectual.

Avenida Paulista, de Luiz Gê
Apesar de praticamente desconhecida do público em geral, a graphic novel Avenida paulista é um clássico dos quadrinhos nacionais. Concebida originalmente com o título Fragmentos completos, foi publicada em 1992 em uma edição especial da Revista Goodyear, de circulação restrita. Ao longo dos últimos vinte anos, tornou-se objeto cultuado e cobiçado entre colecionadores e marcou o início de um longo período de afastamento das HQs de um dos maiores quadrinistas brasileiros. Mesclando pesquisa histórica e iconográfica e o cenário de delírio e fantasia característico dos trabalhos de Luiz Ge, este livro narra cem anos de transformações ocorridas na avenida que simboliza como nenhum outro lugar o desenvolvimento acelerado e caótico de São Paulo.

Città di Roma, de Zélia Gattai
Neste livro da maturidade, Zélia recua no tempo e nos conta a história de sua família italiana no período anterior ao retratado em Anarquistas, graças a Deus. Com a escrita amorosa e sem afetação de sempre, ela passeia pelas lembranças que começam no navio batizado Città di Roma, no qual imigraram suas famílias materna e paterna. Velhas tias, vizinhos gentis, aulas de piano, rusgas com a polícia, rápidas confissões, os passeios de domingo: tudo se mistura na mesma tinta, pintada com o simpático tom intimista da autora.

Cozinha da Dona Nininha, de Lená Loureiro (Ilustrações de Cecilia Afonso Esteves)
Em uma casinha azul, Nininha cozinhava pra chuchu. Fazia receitas deliciosas, sopas maravilhosas. Mas nos doces, uma decepção, ela não acertava a mão! Depois de muito estudar, nas sobremesas passou a arrasar. Seu reinado apenas começava: pedidos e mais pedidos, a cozinha não parava. Eram recheios, pastas, fondants e pavês, enfeitados com flores, frutas, laços e glacês. Você não vai acreditar: a casa não aguentou, e o teto…voou! Quer conhecer essa história saborosa do começo ao fim? Então se prepare…pois neste livro tem muita farinha, “atchim”!

Semana oitenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Wilson, Daniel Clowes (Tradução de Érico Assis)
Wilson é um adorável malandro e um solteiro solitário. Um pai e marido dedicado, um idiota. Um sociopata. Um fanfarrão desiludido. Uma flor delicada. Wilson é a mais nova graphic novel de Daniel Clowes, autor de Ghost World e David Boring.

História noturna, Carlo Ginzburg (Tradução de Nilson Moulin)
Durante mais de três séculos, de um extremo a outro da Europa, mulheres e homens acusados de feitiçaria confessaram ter se reunido no sabá, encontro noturno em que, na presença do diabo, celebravam-se banquetes, orgias sexuais, cerimônias antropofágicas, profanações e ritos cristãos. Nessas descrições, muitas vezes obtidas sob tortura, hoje se tende a reconhecer o fruto das obsessões de inquisidores e juízes. Carlo Ginzburg propõe uma interpretação diferente: por trás da imagem enigmática do sabá, vemos aflorar pouco a pouco um estrato antiquíssimo de mitos e processos de exclusão social: trata-se de uma viagem ao mundo dos vivos e dos mortos, à esfera do visível e do invisível.

O valor do amanhã, Eduardo Gianetti
Os juros fazem parte da vida de todos – aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia a dia. Em O valor do amanhã, Eduardo Gianetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão universal como a força da gravidade e a fotossíntese. Desde o momento em que aprendeu a planejar suas vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando essa prática. Mesmo antes disso, a noção de juros já “está inscrita no metabolismo dos seres vivos e permeia boa parte do seu repertório comportamental”. Ao extrapolar os limites financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas – como a alta taxa de juros no Brasil – têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade.

Retrato do Brasil – Ensaio sobre a tristeza brasileira, Paulo Prado
“Como da Europa do Renascimento nos viera o colono primitivo, individualista e anárquico, ávido de gozo e vida livre – veio-nos em seguida o português da governança e da fradaria. Foi o colonizador […] Dominavam-no dois sentimentos tirânicos: sensualismo e paixão do ouro. A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjulgando o espírito e o corpo de suas vítimas”. Organizado por Carlos Augusto Calil.

Histórias de Shakespeare — Otelo, Andrew Matthews (Tradução de Érico Assis)
Otelo e Desdêmona estão profundamente apaixonados e são capazes de abrir mão de tudo para ficar juntos. No entanto, o ambicioso e vingativo Iago, alferes de Otelo, quer arruinar a história de amor dos dois e, para tal, arma as mais terríveis tramoias. Isso porque Iago desejava se tornar tenente, mas, no seu lugar, Otelo promovera o soldado Cássio. Agora o alferes deseja vingança e não hesita em provocar a discórdia. Conheça esta tragédia repleta de aventura e emoção, descubra curiosidades sobre as características dos atores que representarem Otelo ao longo do tempo e aprenda um pouco mais sobre o ciúme, esse sentimento tão devastador.

O livro e ciências mais explosivo do universo, Claire Watts (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Por que não conseguimos ouvir sons no espaço? Em quantas partes um átomo pode ser dividido? De que é feito o buraco negro? Prepare-se para a espetacular investigação das ciências que estudam como você, o mundo  o universo foram criados e funcionam. Passeie pela tabela periódica e conheça os elementos químicos; descubra as diferenças entre ácidos e bases; assista ao vivo e em cores às mudanças de estado da matéria. Da efervescência e barulhenta química à fenomenal força da física, há muito a descobrir.

Aoki, Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Aoki é uma kokeshi – uma boneca de madeira de cabeça redonda, lindas roupas coloridas, que vem de um país distante: o Japão. Ela vai para Tóquio visitar sua amiga Yoko, levando os pequenos leitores em uma viagem cultural. Ela ensina palavras em japonês e pede ajuda para arrumar a mala, entre outras atividades que propõem uma leitura interativa. Com ela, viajamos no trem mais rápido do país, vemos as cerejeiras em flor, passeamos em um jardin zen, visitamos as lojinhas e sua infinidade de produtos, fazemos um piquenique e olhamos as estrelas do alto do monte Fuji. Repleto de acabamentos especiais e abas que se desdobram revelando muitas surpresas, este livro é uma maneira divertida de conhecer um pouco dessa cultura tão apaixonante.

O ogro da Rússia, Victor Hugo (Tradução de Eduardo Brandão)
Um ogro apaixonado por uma fada, como isso poderia dar certo? Na verdade, nesta história não deu, o pobre filho da fada que o diga…Um conto infantil de um dos escritores mais importantes de todos os tempos!