quadrinhos

“Adultos não existem”

Por Érico Assis

Ser adulto talvez seja esquecer algumas coisas. Esquecer talvez seja parar de perceber. Parar de aprender. Parar de querer aprender. Parar de querer entender e fixar-se no que é “claramente explicável”.

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Eu gosto dos seus quadrinhos. Gosto do traço, gosto da composição, gosto das ousadias formais. Mas nem sempre entendo, e gosto mesmo sem entender. Explique porque eu não consigo explicar.

Haha. Bem, acho que se todo mundo tiver essa opinião que você tem e ousar gostar de algo que não se completa inteiramente, será sinal de que eu alcancei meu objetivo. Basicamente: acho que tudo conta uma história. Temos essa capacidade de juntar pedaços.

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Minhas histórias tiveram muitas influências, entre elas as versões confusas de fábulas que meu avô contava, que, por terem sido passadas por tradição oral, eram um mistério, que para ele se resolvia provavelmente através do mesmo mecanismo cerebral que o fazia não questionar a Bíblia. Onde estão os três atos na Bíblia? Ou por exemplo, a verdadeira história da Chapeuzinho Vermelho: o Lobo se adianta, mata a avó, se disfarça, faz Chapeuzinho beber o sangue da velha fingindo que é vinho ou algo assim e comer a carne dela também. Não segue uma lógica do tipo atual, onde essa história se encaixaria como “terror” ou algo assim. Não busca se encaixar num estilo que o justifique.  A mitologia é uma grande influência. Então, não, nem sempre tenho intenção de levar o personagem pra algum lugar. É como uma música onde um instrumento não aparece nela inteira, só faz um som rápido ali no meio, e aí, o que isso representou pra música?

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Duvido que caras como C.F., Gary Panter, Gerlach e outros NÃO tenham domínio técnico para “desenho de realidade”. O primitivismo é opção estética, opção por não mostrar o apuro técnico e voltar a um desenho mais primitivo. É uma exploração, como o cara que — não sei se estou citando uma pessoa ou se é um sentimento geral — tem anos de desenho e pintura mas quer regressar aos rabiscos de quando era criança.

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De vez em quando faço uns exercícios de análise das coisas através de uma lógica livre, tentando enxergar o que tem por trás da impressão formatada que tenho das coisas. E nessas surgiu essa ideia. Talvez tenha tido a ver com a visão que eu tinha dos meus pais quando era criança, de que eles, por serem adultos, estavam isentos de certas coisas. Tem a ver com a perda dos rituais de passagem. Talvez a história devesse se chamar “Adultos não existem (mais)”. Mas não seria verdade também, acho que meu avô também era uma criança. Um bobo, cheio de manias e (tô imaginando o  Rafa Coutinho falando isso) coisas ‘lindamente’ não resolvidas.

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Como funciona esse processo shuffle quando o roteiro é de outra pessoa, ou compartilhado? Como foi o caso de Campo em branco, em que você trabalhou com Emilio Fraia?

Bem, daí temos uma outra “vertente”, porque as ideias rebatem. Mas acontece do Emilio me passar uma coisa e eu devolver bem diferente, e a partir disso ele tem outra ideia. Isso porque acho um saco desenhar cenas “inúteis” só pra dar um diálogo ou passar um tempo na história. Acabamos dando um ritmo bem dinâmico, onde tem sempre algo acontecendo, mesmo que não soe muito importante. Daí vem o trabalho depois de ver se o ritmo está legal, se as cenas soam naturais.

Acho que esse é um ponto que vai ficar bem diferente da Cachalote. Temos muito menos silêncio, páginas transitórias, ações detalhadas. Foi uma escolha estética, até um pouco baseada na ideia de fazermos diferente deles. Eles mandaram muito bem, e fizeram 300 páginas. O nosso vai ter metade disso. Espero que crie uma emoção equivalente, a seu modo.

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Você comentou que não gosta nem de saber muito dos personagens, mas tem ideia daonde quer chegar com eles?

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Depois comecei a ler Lispector, aquele livro Perto do coração selvagem, que é bizarro, e ficava me forçando a continuar, mesmo sem entender tudo. Desse fui pro Kafka, depois Joyce. O Godard causou impacto também, inesquecível aquele filme O desprezo. Tinha os livros de infância também que achei na casa do meu avô, no interior, tinha fábulas com bichos, desenhados realisticamente, que falavam e usavam roupas. Depois o Cortázar, John Cage, Nirvana, Of Montreal, tanta coisa.

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Em “Adultos Não Existem”, parece que você quer levar esse “não-causalismo” às últimas consequências. Os quadros fazem sequência aleatória, os diálogos não se completam, as frases ficam pela metade, até as palavras parecem intencionalmente cortadas. É algo que você quer desenvolver enquanto estilo ou você quis reforçar a desconexão neste trabalho específico?

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Eu uso um método que estou chamando de SHUFFLE. Pensei em escrever sobre isso no blog, mas daí fiquei pensando se não seria legal ter a mediação de um jornalista.

Sei que é estranho, mas estou tipo te convidando pra me entrevistar, hahaha, ou dá pra chamar talvez de bate-papo por escrito.

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disse que curtiu mas não entendeu

dá pra ir nesse viés

se quiser dissecar a coisa

daí vamos trocando e-mail

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(Versão shuffle de conversa com DW Ribatski. Itálicos são dele, negritos são meus. Campo em Branco, de DW e Emilio Fraia, sai este ano pela Quadrinhos na Cia.)

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
http://www.ericoassis.com.br/

~798 quadrinhos para ler antes de morrer

Por Érico Assis

1001 comics you must read before you die — ou “1001 quadrinhos para ler antes de morrer” — pesa pouco menos que um recém-nascido e, assim como o bebê, cumpre a função de encantar as visitas. Não vai precisar de quarto nem berço, só de um espaço na mesinha de centro ou na estante da sala, desde que de madeira sólida.

Assim como toda a linha 1001, ou assim como toda lista pop associada a obrigações e morte, esta é feita para ser folheada e admirada com inveja por quem  já teve o ócio de fazer seus 10-mais. Quanto a sua utilidade enquanto guia, bom, aí é com você. Talvez o propósito seja só gerar discussão sobre o que entrou, o que não entrou, o que não devia ter entrado etc, e isso já seria válido. Até Paul Gravett, o editor inglês que montou o livro com 67 colaboradores, admite que não leu todos os 1001.

O que eu queria mesmo saber quando o livro foi anunciado era quais os critérios que Gravett e companhia teriam adotado para singularizar os quadrinhos. Os 1001 discos são perfeitamente divisáveis, os 1001 filmes começam no primeiro fotograma e terminam no último, assim como cada um dos 1001 livros tem primeira e última página. Quadrinhos complicam.

Porque se você for individualizar uma HQ enquanto revista ou álbum, muitas histórias não ficam completas sem a revista ou álbum seguinte (ou anterior). Se você restringir às graphic novels ou coleções, obrigatoriamente com início, meio e fim, vai cortar milhares de bons quadrinhos que nunca viraram coleção nem nasceram graphic novel. Lobo Solitário forma uma história completa em 6000+ páginas; se existisse em livro único, você não ia conseguir abri-lo, e os 28 tankobons do mangá comeriam quase 3% da lista. Uma tira de jornal, por mais brilhante que possa ser individualizada em seus três ou quatro quadros, não existe fora da experiência da publicação diária ou da leitura em sequência. Vai recomendar só uma tira do Laerte?

A solução dos listeiros do 1001 Comics: fazer de conta que isso não é problema. De forma que há verbetes que dizem apenas “Turma da Mônica”, “Superman”, “Batman”, “Diabolik”, “Peanuts” etc. O que me sugere que, antes de morrer, devo atravessar os respectivamente 41, 73, 72, 49 e 50 anos de publicação destes personagens. Sem considerar, ainda, que eu não sou imortal e eles não vão dar bola se eu morrer antes de sair a última história do Batman. Ah, e “Sobrinhos do Capitão”, 114 anos e contando, também está lá.

Por outro lado, evidenciando o descaso quanto a critérios, Tintim tem 5 álbuns selecionados (Tintim no Tibete, A lótus azul, As 7 bolas de cristal, O segredo do licorne e As joias da Castafiore), assim como Tio Patinhas e Pato Donald, só aparecem em histórias devidamente nomeadas. Mafalda é Toda Mafalda. Mais à frente, Batman e Superman ganham histórias selecionadas além do verbete genérico. E a Mad ganha tanto o verbete Mad (ou “leia todas as edições da Mad desde 1952″) quanto a coleção de Don Martin na Mad. Em páginas irmãs, um colaborador seleciona toda a Contos da Cripta, enquanto outro faz o favor de dizer qual é a melhor história de Young Romance (“The Girl Who Tempted Me”).

Ok, eu sou um chato completista com TOC. Mas sou um chato completista com TOC que comprou o livro, então quero respeito e objetivos realistas antes da morte chegar. Pelas minhas contas obsessivo-compulsivas — ou seja, “Superman” não entra —, tenho 798 quadrinhos pela frente. Com 53 anos sobrando, acredito que minha pressa se justifique. Critérios já!

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Para conhecer a lista dos 1001 quadrinhos, clique aqui.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
http://www.ericoassis.com.br/

Preview da nova HQ de Lourenço Mutarelli

Foram meses de trabalho desde o dia em que Lourenço veio à Companhia entregar os originais, em março, até as provas finais, liberadas há poucos dias. Mas todo esse cuidado valeu a pena: Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente chega às livrarias, em capa dura, a partir do dia 6 de dezembro.

Depois do sucesso recente como romancista e ator, Lourenço Mutarelli volta aos quadrinhos com a história de um homem abalado com a morte da mulher, narrada pelo filho do casal com toques de delírio e fantasia.

Veja abaixo a capa e algumas páginas do livro, feitas em tinta acrílica:


Haverá três eventos de lançamento:

São Paulo:
Sábado, 10 de dezembro, das 15h às 20h
B_arco Centro Cultural
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros

Sexta-feira, 16 de dezembro, das 14h às 17h
O Cara dos Quadrinhos
Galeria do Rock, 2º andar, loja 329 – Rua 24 de Maio, 62

Curitiba:
Quarta-feira, 14 de dezembro, às 19h
Itiban Comic Shop
Av. Silva Jardim, 845 – Rebouças

Semana oitenta

Os lançamentos da semana são:

Agonia da noite (Os subterrâneos da liberdade, vol. 2), de Jorge Amado
No segundo volume da trilogia, Jorge Amado retrata ficcionalmente um momento sombrio da história brasileira: o endurecimento do Estado Novo, quando havia um temor real de que o país se alinhasse com as potências fascistas europeias e se tornasse uma ditadura totalitária.

Vento sul, de Vilma Arêas
Vento sul reúne vinte contos de leitura fácil, sentido cristalino e efeito impactante. Eles estão organizados em quatro blocos: “Matrizes”, “Contracanto”, “Planos paralelos” e “Garoa, sai dos meus olhos”. Neles se articulam histórias fundadoras, lembranças de personagens e vivências, vinhetas poéticas, aqui e ali uma quase parábola. Em todas as histórias: a perda — e sua outra face: a persistência da memória.

Dia de pinguim, de Valeri Gorbachev (Tradução de Érico Assis)
Tartaruguinha gostou tanto da história que o pai leu sobre pinguins que acaba sonhando naquela noite que é um pinguim. Quando acorda, decide tornar o sonho realidade. Veste o paletó do avô e faz tudo que um pinguim faz: anda bamboleando e desliza de barriga no chão, brinca de passar o ovo e come bolachas em forma de peixe. É um verdadeiro dia de pinguim!

O segredo do licorne & O tesouro de Rackham, o terrível, de Hergé (Tradução de Eduardo Brandão)
Enquanto aguardam a chegada do filme As aventuras de Tintim, os fãs do herói dos quadrinhos já podem se deliciar com a edição especial dupla dos episódios que inspiraram a trama. Na história, levada ao cinema pelo diretor Steven Spielberg e pelo produtor Peter Jackson, não faltam piratas, navios, tesouros e grandes emoções. Sempre com o cachorro Milu ao seu lado e a ajuda dos detetives Dupond e Dupont, Tintim vai tentar descobrir o mistério que envolve as réplicas em miniatura do Licorne, o misterioso navio do cavaleiro de Hadoque.

Independentes

Por Érico Assis


(Foto Glenio Campregher)

Os traços de Lu Cafaggi, em Mix Tape, parecem pingos de vinho rabiscados sobre o papel creme. Seus personagens acordam com passarinhos, conversam com a Patti Smith, adoram música assobiada e os cheiros que vêm da cozinha. E soltam pum.

Irmão da Lu, Vitor Cafaggi conta em Duo.tone o momento da infância em que você precisa trocar as antigas aventuras pelas novas. Já Rafael Coutinho troca a infância pelo Beijo Adolescente, aquela época onde só entende o mundo quem tem a sua idade. A juventude contagia até a narrativa, que tem mais a ver com um tumblr ou editorial de moda — talvez o quadrinho mais apropriado para o ritmo de 2011.

Para conter este ritmo, O Beijo Adolescente tem 40x24cm, como aqueles altos cardápios de lanchonete. Promessas de Amor a Desconhecidos Enquanto Espero o Fim do Mundo vol. 2, de Pedro Franz, tem tamanho mais contido, mas as páginas vêm soltas num envelope. O leitor fica à vontade para montar a ordem de leitura que lhe aprouver.

Murilo Martins resume em Love Hurts o boy-meets-girl-boy-loses-girl em gráficos indispensáveis à parede do quarto dos corações partidos. Ele adora(va) R.E.M., idolatra Chris Ware e revela nos cantos de página a ditadura da namorada-editora-hauptmann Alessandra. Outras referências — Herculóides, Peanuts e Deus — encontram-se nas memórias do protagonista de “Viagem ao Centro dos 2.000 Eus”, na Primeira Edição de Odyr, que se prepara para enfrentar o maior vilão da história: Julio Verne.

Ryot revela os paradoxos da vida, da carreira, dos videogames, de Monet e de Jaspion nas Ryotiras. Os Birds de Gustavo Duarte enfrentam a própria Morte, obcecada por decapitação. O herói de Neeb, de Eduardo Medeiros, enfrenta robôs gigantes num planeta-prisão. Em EP, de Dalts e Magentaking, um duelo de guitarras mexe com roqueiros, públicos, estruturas e forças arcanas. De repente, os acordes mandam tudo pelos ares. Até os próprios quadros, que se espalham pela página.

Cynthia B., tanto na Golden Shower n. 2 quando em Bananas, fala para mulheres que já estão muito além das desilusões românticas e da liberação sexual. “A maior noite de sexo-furada na minha vida foi infinitamente melhor do que a melhor noite no Facebook”, conta, depois de revelar o tesão pelo irmão da amiga e citar Leila Diniz.

E Pedro Cobiaco, discípulo tanto do pai quanto de Rafael Grampá, desenha nervoso os serial killers que sofrem lavagem cerebral do governo num futuro onde todos têm que andar dentro de Bolhas. A história envolve tensão suada no bar, nas ruas, na mansão do ricaço de dedo médio erguido para a cidade. Pedro tem 15 anos.

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Desde que Robert Crumb saiu com o carrinho de bebê para distribuir a Zap Comix, a tradição do quadrinista que sofre, pensa, escreve, desenha, sofre, edita, fecha arquivo, manda pra gráfica e vende de mão em mão nunca foi mais forte e brasileira. Todos os quadrinhos acima — só uma amostra do que se encontrava no 7º FIQ, em Belo Horizonte  — foram feitos desta forma. A mesma mão criativa era a que via o troco e desenhava o autógrafo.

A discussão da utilidade da editora sempre surge quando se vê a quantidade, qualidade e variedade destes independentes. É uma discussão longa. Cinco dos autores acima, por exemplo, já publicaram ou publicarão pela editora deste blog, mas não deixam de publicar independentemente. As editoras, claro, não publicam tudo que um autor quer, nem exatamente da forma que um autor quer. Por outro lado, fazem revisão, preparação, diagramação, negociação com gráfica, divulgação na imprensa, distribuição, controle das vendas, logística de reimpressão e dão adiantamento, entre outras benesses — idealmente deixando para o autor só o criar e o sofrer.

Para complicar mais o debate, Um Outro Pastoreio e Achados e Perdidos são quadrinhos com toda apresentação e apuro gráfico de uma publicação de editora (e maior ousadia: muito bons) cuja edição foi financiada por crowdsourcing. Achados, por exemplo, foi financiado por mais de 500 pessoas que leram o primeiro capítulo na internet e pagaram antecipado para ver o resto.

A única certeza quanto aos independentes é que eles renovam o cenário. As editoras fazem reuniões, conferências, feiras, artigos e pesquisas para moldar o catálogo ao que sua ideia de público quer, enquanto os indies explodem loucos nas suas taras e vontades (até o limite do bolso dos amigos/familiares/cônjuges e do regateio com a gráfica), construindo leitores no charme e na ousadia. Leitores que as editoras posteriormente sem dúvida vão aproveitar.

Se essa simbiose continuar gerando quadrinhos como os da lista acima, tanto melhor não só para autores e editoras — mas também para quem lê.

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Todos os nomes dos livros e revistas acima são links. Se gostou da descrição, clique, conheça mais e compre direto do autor. Não esqueça de pedir o autógrafo, pois nada se compara a autógrafo de quadrinista.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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