rafael coutinho

Lançamento de Cachalote em São Paulo

No sábado aconteceu o lançamento de Cachalote em São Paulo, na Loja Cachalote. Os dois autores, Daniel Galera e Rafael Coutinho, estavam lá para falar com os leitores e dar autógrafos.

O lançamento começou com os dois autores assinando autógrafos dentro da loja. Mas a alta procura, o calor e as leis antitabagismo fizeram com que logo cedo a mesa fosse transferida para a calçada.

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Semana seis

Os lançamentos desta semana foram:

Israel em abril, de Erico Verissimo (Posfácio de Bernardo Kuckinski)
No último dos quatro livros de viagem que escreveu, Erico Verissimo se indaga sobre as raízes, a história e o destino dos judeus e do judaísmo. Para ele, a fundação do Estado de Israel teria sido o início de uma era de paz para a humanidade.

O Pavilhão Dourado, de Yukio Mishima (Tradução de Shintaro Hayashi)
Durante a Segunda Guerra, em Quioto, um jovem assistente de sacerdote frequenta o templo do Pavilhão Dourado, ambiente antes cultuado por seu pai como o lugar mais belo do mundo. Ali o adolescente inseguro e introspectivo encontra refúgio para suas aflições, mas acaba por descobrir que a beleza absoluta pode ser tão opressiva e enlouquecedora quanto qualquer imperfeição.

O acidente, de Ismail Kadaré (Tradução de Bernardo Joffily)
Intriga amorosa e intriga política se misturam no novo romance de Ismail Kadaré. Um simples acidente deflagra a trama: um táxi sai da pista que segue para o aeroporto de Viena e cai num barranco. O casal de passageiros morre na hora. Seria um casal comum, não fosse ele um colaborador do Conselho da Europa, especialista em assuntos balcânicos. Isso bastou para que os serviços secretos da Sérvia e da Albânia decidissem investigar o caso.

Alfred e Emily, de Doris Lessing (Tradução de Heloisa Jahn e Beth Vieira)
Neste livro corajoso, a ganhadora do prêmio Nobel explora a vida de seus pais e tenta compreender não somente quem eles foram, mas que influência tiveram na sua formação. Divido em duas partes, ela primeiro imagina a vida que os pais poderiam ter levado caso a Primeira Guerra não os tivesse afetado de forma trágica, para depois revelar como foram suas existências reais numa colônia inglesa no sul da África.

As bruxas de Eastwick, de John Updike (Tradução de Fernanda Abreu)
Publicada em 1984 e adaptada para o cinema em 1987, a obra é uma sátira à bruxaria, que, transplantada do cenário sombrio da Nova Inglaterra do século XVII, ressurge numa ensolarada cidade contemporânea e serve de ponto de partida para tratar de temas como o desespero pela chegada da meia-idade, a atmosfera asfixiante das cidadezinhas provincianas e os costumes da classe média americana.

Ninguém se mexe, de Denis Johnson (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Com numerosas referências aos clássicos de Dashiel Hammet, Raymond Chandler e outros mestres do gênero, Ninguém se mexe mostra a fuga de Jimmy Luntz, um jogador inveterado, fumante compulsivo e integrante de um grupo coral que deve dinheiro a um bandido. No caminho ele cruza com Anita Desilvera, uma mulher ardente e alcoólatra, descendente de índios, que acaba de se divorciar do marido que a envolveu em um trambique de US$ 2,3 milhões.

Diplomacia suja, de Craig Murray (Tradução de Berilo Vargas)
Craig Murray foi embaixador britânico no Uzbequistão entre 2002 e 2005. Ao chegar no país, com a missão de fortalecer as relações comerciais entre aquela ex-república soviética e a Grã-Bretanha, depara-se com um regime abusivo responsável por diversos escândalos que seus colegas e chefes teimavam em ignorar. Em meio a perseguição política e muita diplomacia suja, Murray fala também de sua conturbada vida pessoal e da paixão por uma stripper de Tashkent, improvável aliada deste ativista acidental que jogou fora uma carreira brilhante para dedicar-se a uma causa que ninguém ousara defender.

A pré-história passo a passo, de Colette Swinnen (Ilustrações de Loïc Méhée; Tradução de Hildegard Feist)
Neste guia prático e ao mesmo tempo detalhado, as crianças aprendem sobre a história remota da Terra e do homem, e sobre um sem-número de termos e questões como arqueologia, geologia, estratigrafia, paleontologia, etnologia, glaciações, fósseis, darwinismo, a ocupação do planeta pelo Homo sapiens e o domínio do fogo, o homem de Neanderthal, os utensílios de pedra, o desenvolvimento da linguagem, a vida de nômade, a caça, a pesca, as vestimentas, as pinturas rupestres, a morte na pré-história… e, finalmente, sobre o movimento que encerrou esse período da nossa história. Ilustrações divertidas e um teste com respostas de múltipla escolha completam esse passo a passo, uma excelente introdução a um dos temas mais fundamentais da história e da ciência.

Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho
Um astro decadente do cinema chinês incriminado pelo suposto suicídio de um colega, um escultor endurecido pela dedicação à sua arte e um playboy mimado que é expulso de casa procuram encontrar sentido nos acontecimentos drásticos ou misteriosos que abalam o curso de suas vidas. Um vendedor de uma loja de ferragens e uma linda e frágil garota tentam não ser destruídos por aquilo que os une, enquanto um escritor deprimido e sua ex-mulher mantêm-se unidos por aquilo que os separou. Um dos quadrinhos mais aguardados do ano, Cachalote é lançado após quase dois anos de trabalho, e terá eventos de lançamento em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Você também pode ver seis páginas da história aqui.

Promoção Cachalote no twitter

Todos que retwittarem até as 17h desta quinta-feira a mensagem “A @cialetras está lançando #cachalote. RT toda esta frase até quinta e concorra a um kit. http://migre.me/RgX4” concorrem a um kit de Cachalote, composto de pôster, camiseta e um exemplar da HQ. Veja abaixo o pôster e a camiseta:

O lançamento de Cachalote acontece este sábado em São Paulo, e dias 29 de junho e 1º de julho no Rio de Janeiro e Porto Alegre, respectivamente. Você pode ver um preview de seis páginas do quadrinho aqui.

Cachalote: a parte do ator chinês

Depois de anos de trabalho e alguns meses de atraso, a HQ de Rafael Coutinho e Daniel Galera, Cachalote, está finalizada e deve chegar às livrarias do país a partir do dia 24. Para celebrar, publicamos aqui um trecho inédito da história em quadrinhos brasileira mais aguardada do ano:

Leia também no Segundo Caderno do jornal O Globo a matéria sobre a produção de Cachalote e de outros títulos de quadrinhos nacionais da Companhia das Letras.

Salão de Beleza

Por Erico Assis

Rafael Coutinho trabalhando em Cachalote no Salão de Beleza.

Tem um vira-lata embaixo da mesa de desenho. Se não me engano, vi outro andando pela casa. Esse, embaixo da prancheta, está placidamente deitado sobre almofadas velhas. Parece que o canto dele é ali mesmo, ao lado de skates.

Ele observa, com olhar triste de vira-lata, o dono da mesa de desenho, no momento checando os e-mails em outra mesa. Na parede atrás do computador, juntam-se algumas dezenas de pinturas em acrílico. Na parede ao lado, mais ainda – a maioria delas com mais de 1 metro de largura. No chão, ainda mais telas, fileiras delas encostadas na parede.

Rafael Coutinho, nessa tarde, já havia desenhado sua quota diária e tinha outras coisas na cabeça. Sua exposição individual na galeria Choque Cultural havia aberto na semana anterior, com grandes quadros figurativos cujo destaque é o crop ousado.

No seu estúdio, também há uma coleção desorganizada de livros e quadrinhos ao lado da mesa de desenho, e originais de seu pai, pequenos, em uma parede. No caso, o pai é Laerte, quadrinista também e respeitado por quem entende. Os quadrinhos com originais de outros artistas seguem pelas paredes e levam para fora da sala. Lá tem mais Laerte, um Angeli, Fábio Moon, Gabriel Bá e outros.

Agora é o outro habitante da casa, Rafael Grampá, que está me mostrando um dos quadros: uma página de jornal amarelada e desgastada do Little Nemo (1905-1914) de Winsor McCay. Na seu próprio estúdio, colado ao de Coutinho, a estante tem ainda mais influências: Jeff Smith, Frank Miller, Geoff Darrow, Paul Pope, Jamie Hewlett.

Na mesa de desenho de Grampá, uma cena de ação que envolve um aquário despedaçado. Grampá deu detalhes e expressões próprias a cada peixinho. Estatuetas de Rufo e Sangrecco, os personagens de Mesmo Delivery, seu primeiro trabalho, ficam sobre a escrivaninha. Ao lado deles, um troféu do Eisner Awards e dois HQ Mix. Aqui só um há quadro na parede: um pôster de Lourenço Mutarelli.

Há mais um habitante na casa: Fabio Cobiaco.* Seu estúdio é o que deve ter sido uma sala de jantar. Não há divisórias, e você obrigatoriamente passa por ele quando vai à cozinha ou ao banheiro. Em compensação, acaba sendo o maior estúdio da casa. Cobiaco é mais na sua; naquela tarde, é o único que está compenetrado na prancheta.

Não há nada demais na casa da Pompeia, bairro paulistano, se você não souber que Rafael Coutinho está desenhando Cachalote, a graphic novel escrita por Daniel Galera, a HQ nacional mais comentada antes do lançamento; que Rafael Grampá prepara Furry Water and the Sons of the Insurrection, co-escrita por Daniel Pellizzari, tão aguardada quanto sequência de blockbuster, tanto no Brasil quanto nos EUA; e que Fabio Cobiaco está igualmente ocupado com V.I.S.H.N.U., roteiro de Eric Archer e Ronaldo Bressane, outro lançamento para este ano.

Se esse pontinho na Pompeia não é um planeta importante na constelação dos quadrinhos contemporâneos, nada mais é.

* Após a visita do colunista, Fabio Cobiaco mudou-se do estúdio.

* * * * *

Erico Assis Lê quadrinhos há 25 anos, escreve sobre quadrinhos há 12 anos e traduz quadrinhos há 3 anos. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley
Em breve terá um garçoniere para guardar a coleção, pois sua esposa não admite mais uma página de gibi em casa. http://www.ericoassis.com.br/
Erico contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.

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