randall munroe

12 livros para o Dia do Orgulho Nerd

Hoje comemoramos o Dia do Orgulho Nerd! A data foi escolhida para o homenagear o dia da première de Star Wars IV e o famoso Dia da Toalha (uma homenagem a Douglas Adams, autor da série O guia do mochileiro das galáxias). Para celebrar o dia dos fãs da cultura nerd/geek, selecionamos algumas leituras que todo nerd vai amar. Confira!

1. Star Wars — Estrelas perdidas, de Claudia Grey

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Claro que a nossa primeira indicação só podia ser Star Wars! Ciena Ree e Thane Kyrell se conheceram na infância e cresceram com o mesmo sonho: pilotar as naves do Império, cujo poder sobre a galáxia aumentava a cada dia. Durante a adolescência, sua amizade aos poucos se transforma em algo mais, porém suas diferenças políticas afastam seus caminhos: Thane se junta à Aliança Rebelde e Ciena permanece leal ao imperador. Agora em lados opostos da guerra, será que eles vão conseguir ficar juntos? Star Wars — Estrelas perdidas acompanha  os principais acontecimentos da série desde o surgimento da Rebelião até a queda do Império sob o ponto de vista dessas duas personagens, trazendo, ainda, eventos inéditos que se passam depois do episódio VI, O retorno de Jedi, e pistas sobre o episódio VII, O despertar da Força, que estreou nos cinemas no ano passado. Se você acha pouco, também indicamos os demais livros de Star Wars publicados pela Seguinte.

2. Doctor Who — Cidade da morte, de Douglas Adams e James Goss

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Além de ter criado todo o universo da série O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams também escreveu o roteiro de alguns episódios da série Doctor Who, no ar há mais de 50 anos. Um deles foi transformado em livro por James Goss em Doctor Who — Cidade da morte, publicado no Brasil pela Suma de Letras. O episódio mais assistido de toda a série narra um dia de folga do Doutor em Paris. Mas, enquanto ele e Romana almoçam em um dos charmosos cafés da cidade, o tempo parece saltar, deslizando alguns segundos para trás. Intrigado, o Doutor não demora a identificar uma rachadura no espaço-tempo. Em outro canto da capital francesa, o conde Scarlioni patrocina perigosas — e caríssimas — experiências com o tempo. Para isso, decide roubar a Mona Lisa e revendê-la. Um plano ousado, ainda mais quando os Senhores do Tempo descobrem que ele tem não apenas uma, mas sete Mona Lisas escondidas no porão: e todas são verdadeiras.Com a ajuda do detetive Duggan, especialista em esmurrar pessoas, o Doutor e sua companion precisam deter os planos do elegante e misterioso conde Scarlioni — e das onze versões dele! —, para que a humanidade tenha chance de sobreviver. A Suma de Letras também publicou a adaptação de outro roteiro de Douglas Adams que nunca chegou a ir para a TV, Doctor Who – Shada

3. Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley

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Cultuada série em quadrinhos do canadense Bryan Lee O’Malley, Scott Pilgrim contra o mundo utiliza muitas referências a games, mangás, filmes de kung fu e música para contar a saga do jovem Scott Pilgrim na luta contra os ex-namorados malvados de sua nova namorada, Ramona Flowers. Aos vinte e poucos anos, esse canadense levemente excêntrico divide os dias entre o ócio do desemprego voluntário e os ensaios de sua banda de rock, a improvável Sex Bob-Omb. O namoro casto com uma garota mais nova acaba quando ele conhece a americana Ramona, por quem se apaixona perdidamente. Mas junto com ela vem o seu passado, e para viver esse amor, Scott vai ter que derrotar a Liga dos Ex-Namorados do Mal. Cada um dos sete ex-namorados desafiará o herói para uma luta, enquanto ele ainda tenta contornar relacionamentos passados, o vibrante mundo do rock’n’roll canadense e a falta de mobília em sua casa. Scott Pilgrim contra o mundo foi publicado no Brasil pela Quadrinhos na Cia. em três volumes.

4. E se?de Randall Munroe

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O que aconteceria se você rebatesse uma bola de beisebol a 90% da velocidade da luz? Qual a velocidade máxima permitida para passar de carro por uma lombada sem morrer? Se os robôs causassem o apocalipse, quanto tempo a humanidade duraria? Essas são algumas das perguntas que Randall Munroe, responde em E se?. Unindo ciência, lógica e muito humor, o autor procura responder as pergunta hipotéticas e absurdas enviadas pelos seus leitores. Randall é o criador das famosas tirinhas do xkcd, quadrinhos que filosofam sobre a vida com muitas referências à ciência.

5. Sete breves lições de físicade Carlo Rovelli

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Não só de cultura pop vive o nerd, claro. E se você tem alguma dúvida sobre aquela teoria da física ou quer entender melhor como funciona nosso universo, Sete breves lições de física é a escolha certo. Neste pequeno livro, o físico italiano Carlo Rovelli explica em sete breves lições as principais teorias da física moderna, como a teoria geral da relatividade de Einstein, a mecânica quântica, as partículas elementares e os buracos negros. O livro foi best-seller na Itália, com mais de 300 mil exemplares vendidos.

6. Bom de briga, de Paul Pope

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Esse é para a turma dos super-heróis. Os monstros tomaram a cidade de Arcopolis, sequestrando as crianças para seu submundo nefasto e instaurando um reinado de terror. Apenas um homem pode salvar Arcopolis: o vigilante Haggard West, um misto de cientista e super-herói que patrulha as ruas da cidade. Infelizmente, Haggard West está morto. A cidade está desesperada, mas os deuses reagem à altura, enviando o garoto Bom de Briga para salvar o dia e derrotar os monstros. O semideus, que tem apenas doze anos e está tão surpreso quanto a população de Arcopolis, precisará se aliar à filha de Haggard West enquanto descobre seus próprios poderes e se prepara para a batalha final. Bom de Briga, de Paul Pope, apresenta ao fã dos quadrinhos um novo e eletrizante herói.

7. O cerne da matéria, de Rogério Rosenfeld

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Em O cerne da matéria, o físico brasileiro Rogério Rosenfeld retraça todo o caminho que levou à construção do Large Hadron Collider. Do ponto de vista privilegiado de quem trabalhou como pesquisador no próprio CERN, na Suíça, utilizando dados do LHC para seus estudos, Rosenfeld desvenda a longa batalha política que culminou no maior acelerador de partículas do mundo. Mais que isso, oferece um rico panorama histórico dos avanços científicos atrelados ao LHC, inserindo a descoberta do bóson de Higgs numa narrativa esclarecedora e empolgante sobre as fronteiras da ciência e sobre os homens que ousaram desafiá-las.

8. Jonathan Strange & Mr. Norrell, de Susanna Clarke

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Jonathan Strange & Mr. Norrell é uma mistura de ficção com fatos históricos que levou dez anos para ser escrito, baseado em uma extensa pesquisa da autora sobre a história da magia inglesa. Em 1806, a maioria da população britânica acreditava que a magia estava perdida há muito tempo — até que o sábio Mr. Norrell revela seus poderes, tornando-se célebre e influente. Ele abandona a reclusão e parte para Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte e coloca em prática seu plano de controlar todo o conhecimento mágico do país. Tudo corre bem até que Jonathan Strange, um jovem nobre e impetuoso, descobre que também possui talentos mágicos. Ele é recebido por Norrell como seu discípulo, mas logo os dois começam a se desentender… e essa rixa pode colocar em risco toda a Inglaterra. Jonathan Strange & Mr. Norrell ganhou o Hugo Award, um dos prêmios mais importantes no gênero fantástico, foi indicado ao Man Booker Prize e ganhou uma adaptação para a TV pela BBC.

9. As sete maiores descobertas científicas da história, de David Eliot Brody e Arnold R. Brody

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Este livro é a aula de ciências que todos gostariam de ter na escola. As revolucionárias leis de Newton, a estrutura do átomo, os princípios da relatividade, a evolução das espécies, os mistérios do Big Bang e da formação do universo, a molécula do DNA e a linguagem da genética: transformando o saber especializado em informação para leigos, os irmãos Brody explicam aqui as mais extraordinárias descobertas científicas e suas relações com o avanço tecnológico vertiginoso dos tempos.

10. Próxima parada: Marte, de Mary Roach

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Próxima parada: Marte é um livro para quem ainda sonha em ser astronauta. A exploração do espaço é, de certa forma, uma exploração dos limites humanos e do que, de fato, significa ser humano. De que luxos podemos abrir mão? Por quanto tempo? O que acontece com nosso corpo se ficarmos sem andar por um ano? Nem ter relações sexuais? Para responder a essas perguntas, as agências espaciais criam todo tipo de testes e simulações surpreendentemente bizarras. Com seu humor irônico e sua curiosidade insaciável, Mary Roach nos guia em uma viagem investigativa, provando — sem margem para dúvidas — que é possível ir ao espaço sem sair da Terra.

11. Cósmico, de Frank Cottrell Boyce

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Liam sempre sentiu como se estivesse dividido entre dois mundos. Principalmente porque ele é um garoto de doze anos que parece ter mais ou menos trinta. Às vezes isso não é tão ruim, como quando o diretor da escola nova acha que ele é um professor ou quando ele consegue convencer um vendedor a deixá-lo fazer um test drive num Porsche sem apresentar a carteira de motorista. Mas na maior parte do tempo é muito frustrante ser uma criança presa num mundo adulto. Então Liam decide agitar um pouco a situação e participar do concurso que vai eleger o melhor pai de todos os tempos — concorrendo como pai, claro. O prêmio é o direito de estar no primeiro foguete que vai levar pessoas comuns para o espaço, em um voo especial para um grupo de crianças e um adulto responsável — no caso, Liam. Não demora muito para que ele e seus novos amigos fiquem presos entre dois mundos novamente — só que dessa vez a 380 mil quilômetros de casa.

12. A guerra dos mundos, de H. G. Wells

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A nova edição com tradução revisada, extras e ilustrações de A guerra dos mundos, de H. G. Wells, ainda não chegou às lojas, mas não podemos deixar de indicar este clássico da ficção científica! Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles — responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 —, que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells. O livro será lançado no dia 3 de junho, mas você já pode reservar o seu na pré-venda.

Vários livros nerds e geeks publicados pelo grupo Companhia das Letras estão em promoção. Consulte a lista e conheça novos títulos! :)

 

Perguntas bizarras (e preocupantes) de E se?

Quando criou o site “What if?”, o objetivo de Randall Munroe era responder com base científica — e muito humor — as perguntas hipotéticas e loucas enviadas por seus leitores. Porém, algumas delas são tão bizarras que deixaram o autor com o pé atrás na hora de responder, e a sua reação ao lê-las já basta como resposta. “Perguntas bizarras (e preocupantes) que chegam ao E se?” é uma das sessões mais divertidas do livro de Randall Munroe que chega ao Brasil em novembro. Já lançado nos EUA, E se? está na lista dos livros mais vendidos da Amazon e do New York Times. Leia abaixo algumas dessas perguntas.

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P. Seria possível deixar os dentes em temperatura tão baixa que eles se estilhaçariam ao tomar uma xícara de café quente? — Shelby Hebert

P. Quantas casas são incendiadas por ano nos Estados Unidos? Qual seria a forma mais simples de aumentar esse número em quantia significativa (pelo menos 15%, digamos)? — Chandler Wakefield

 

P. É possível chorar tanto a ponto de você se desidratar? — Karl Wildermuth

 

P. A que velocidade um ser humano teria que correr para ser cortado ao meio, na altura do umbigo, por um arame de cortar queijo? — Jon Merrill

P. Se uma planta carnívora comesse uma pessoa, quanto tempo levaria para a pessoa ser totalmente sugada e absorvida?— Jonathan Wang

P. Tornados de fogo são possíveis? — Seth Wishman

 

Fazendo coisas

Por André Conti


Esteve no Brasil o físico teórico e escritor Brian Greene. Ele veio falar no Fronteiras do Pensamento, onde apresentou a conferência “Em busca de uma teoria unificada”. Durante uma hora e meia, Greene tentou explicar o que ele faz como físico teórico, quer dizer, o que significa trabalhar concretamente, suar a camisa mesmo, na resolução das Grandes Perguntas: o que é o universo e o que há para além dele. Ele descreveu lindamente o funcionamento das coisas muito pequenas numa proporção assim: se um átomo tivesse o tamanho do universo inteiro, os fenômenos que ele estava mostrando teriam o tamanho de um lápis. Greene usou a imagem de um mar revolto para demonstrar esse mundo subatômico, com o movimento aleatório das ondas (em dez ou onze dimensões) sendo responsável pela existência de coisas diferentes: elétrons, prótons, eu e você. Alguém da plateia mandou um bilhete perguntando como é que se explicava a consciência humana em meio a tanta aleatoriedade. Ele respondeu que não era neurocientista e que entendia tanto de cérebros quanto nós; isso posto, caso o universo realmente funcione como ele imagina na menor escala possível, o provável é que a consciência seja apenas uma sensação decorrente do funcionamento desses fenômenos subatômicos. O que sentimos como a passagem do tempo, a força da gravidade, o estado da matéria e, sobretudo, a consciência de ser alguém, não passaria de um efeito colateral das engrenagens do universo.

Isso diz o sujeito que vive de forçar a própria consciência a abstrair o funcionamento do cosmos, para depois obrigar a mesma consciência a dar um sentido matemático àquilo tudo, ou seja, a usar uma segunda abstração, no caso as equações matemáticas, para tornar concreta a primeira abstração. Mas o barato é que ele faz isso no duro, como atividade do dia a dia: o processo deve ser precedido por acordar cedo, tomar banho, beber café, abrir a janela para ver se está frio.

* * *

Mexi num computador pela primeira vez num museu de história natural, numa viagem com a família. O museu estava celebrando o Mês do Morcego, e uma das atrações era uma sala em que, usando os últimos recursos tecnológicos da época, tentava-se simular diversas habilidades dos morcegos. A ideia era mostrar que, mesmo comparados à tecnologia de ponta da época, os morcegos eram animais sofisticadíssimos, cujos sistemas de voo, detecção etc. ainda estavam à frente de nós. Na prática, eram totens de som que reproduziam as frequências captadas por morcegos, um pequeno biossonar que imitava o sistema de colisão dos morcegos, uma membrana peluda com textura horrenda que imitava a asa de um morcego. E havia também uns três computadores, todos travados no mesmo jogo de soletrar, em que você colocava à prova seus novos conhecimentos sobre morcegos. Foi uma experiência indescritível, o computador fazendo coisas. Você batia numa tecla e a letra aparecia no monitor, você completava a palavra e vinha um efeito dissolve e um morcego colorido. Ele tocava sons, mudava de tela, tinha um placar com a pontuação dos visitantes. Era melhor do que todo e qualquer morcego do planeta Terra.

* * *

Ninguém inventou o computador. Para Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs e que lança agora Os inovadores: uma biografia da revolução digital, a ideia de uma máquina que resolve problemas variados surgiu no século XIX e chegou a seu estado atual pela colaboração de centenas de pessoas ao longo das décadas. Isso não é dizer o óbvio: a tecnologia avança, cada inovação dá um passo além da anterior etc. A tese de Isaacson é que a própria natureza do computador é indissociável desse processo altamente colaborativo. O computador é uma máquina aberta e de possibilidades tão vastas porque cada inovador queria fazer coisas diferentes com ele, fosse solucionar um impasse técnico, criar um produto novo, humilhar rivais, distribuir fanzines. Ou ainda: a inovação tecnológica não nasce de um lampejo no vácuo, há sempre uma demanda que eventualmente é alcançada pela ciência de seu tempo; daí inúmeros inventos similares, criados por pessoas que não se conheciam, terem surgido nas mesmas épocas no mundo (pergunte a um italiano quem inventou o telefone, pergunte a um brasileiro quem inventou o avião).

Os personagens do livro são engenheiros, inventores excêntricos, homens de negócios, nerds solitários. Essas vidas são narradas num fôlego só, se entrelaçam, há brigas, disputas judiciais e lances dramáticos — para quem gosta do assunto, é um thriller sem assassinos, mas com placas de circuito, cabos, soldas e relés. De saída, as personalidades deles parecem diametralmente opostas a de cientistas como Brian Greene: enquanto uns criam modelos abstratos para entender as coisas, eles buscam modelos concretos para resolver as coisas. Todavia, empresas como a Bell Laboratories e a Texas Instruments investiram caminhões de dinheiro em pesquisa pura, em gente que se ocupava também de ter ideias sem aplicação concreta e imediata. Na verdade, são dois mundos que se alimentam: as pesquisas de Greene podem exigir novos aparelhos para serem provadas; quem banca esses aparelhos espera usar seus componentes e ideias em outros aparelhos, desta vez de uso comercial. Ou ainda: um avanço prático na computação feito por um eremita do Vale do Silício pode dar a Greene a ferramenta de que ele precisa para provar alguma ideia. Sem esse ecossistema de teóricos, investidores e engenheiros, ainda estaríamos inventando o ábaco.

* * *

Saiu há duas semanas o disco novo do Shellac, banda maravilhosa de Chicago encabeçada pelo engenheiro de som Steve Albini. Ele foi produtor de centenas de discos, entre eles “In Utero”, do Nirvana e “Surfer Rosa”, dos Pixies, além de ter trabalhado com Breeders, The Jesus Lizard, Helmet, Dirty Three e outras tantas bandas sem as quais o universo estudado pelo Brian Greene seria mais silencioso e menos interessante. Como engenheiro, ele tem métodos rigorosos e intransigentes de trabalho, e costuma criar discos com pouquíssima interferência de produção, que tendem a soar como se a banda estivesse gravando ao vivo. Todavia, como esta carta espetacular que ele mandou aos integrantes do Nirvana quando queria produzir o “In Utero” mostra, ele é acima de tudo um técnico, ou seja, não se trata de impor seus gostos pessoais a um processo criativo que pertence aos artistas.

Mas ele também é músico, teve bandas fabulosas como Flour e Big Black, e mantém o Shellac desde 1992, embora os lançamentos e os shows sejam bissextos. O que importa é o seguinte: Shellac parece tudo menos uma banda de engenheiro, e decididamente não soa como os discos que ele produz. Para quem vive de trabalhar nas coisas que os outros fizeram (oi), é um respiro ouvir algo tão original partindo de alguém que, segundo suas próprias contas, produziu 1500 discos (“Alguns ótimos, alguns bons, alguns horríveis, a maioria ali no meio”). Sendo Editor com Vaidades Artísticas, ver que é possível fazer coisas suas com a mesma energia que trabalhamos nas coisas feitas pelos outros é animador.

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Randall Munroe era um jovem prodígio da NASA. Ele trabalhava no departamento de robótica, o que em termos de fazer coisas é mais do que eu posso imaginar. Munroe abandonou a NASA para se dedicar ao XKCD, uma tirinha de internet que o tornou uma das mais célebres personalidades da rede. O mesmo tipo de criatividade que movia os engenheiros da revolução digital não foi suficiente a ele: mais do que colocar robôs em Marte, ele queria colocar seus personagens de palitinhos no monitor das pessoas. Batendo o olho assim, me parece inconcebível, mas é quase óbvio — ser um entre as dezenas de cientistas que ajudaram o robô Curiosity a mexer um bracinho para a direita ou ser a única pessoa capaz de fazer isso aqui:

As tirinhas costumam tratar de ciência, computação etc., de modo que os fãs volta e meia mandavam perguntas ao Munroe (que outro ex-funcionário da NASA você conhece?). Como bons leitores do XKCD, eles queriam saber de que altura é preciso jogar um bife para que ele chegue no chão ao ponto. Ou se é possível saltar de um avião com um tanque de gás hélio e encher bexigas o suficiente para não morrer na queda (parece que sim). Ou em que ano o número de perfis de pessoas mortas no Facebook vai ultrapassar o de pessoas vivas. Ou ainda o que aconteceria se a Terra parasse de girar e a atmosfera mantivesse a velocidade. Para dar conta, ele criou o blog What If?, em que investiga essas hipóteses com rigor científico, bonecos de palitinhos e senso de humor de físico de partículas. Agora ele fez um livro baseado no blog, E se? Respostas científicas para perguntas absurdas, que o Érico Assis traduziu e que a Cia. publica no início de novembro. Acabou de sair lá fora e está, merecidamente, em todas as listas: é dos livros mais engraçados e maníacos que já passaram aqui na editora. É também uma proposta curiosa. Esse é o sujeito que seria capaz de fazer coisas realmente impactantes na linha de frente do conhecimento científico, mas ele se dedica a responder, com a mesma seriedade, às únicas hipóteses mais improváveis do que mandar um robô para Marte.

Durante os últimos meses, trabalhei nos dois livros com a Lucila, a Erika, a Marina e a Adriane (gratidão eterna). Foi bom editá-los em paralelo, você começa a ver ligações entre tudo, a achar que a pessoa calculando um salto impossível de um avião está tentando, por caminhos outros, o mesmo que o engenheiro que grava um disco ou o físico que olha uma parede igual a nossa e vê dez dimensões. Isso de fazer coisas. Um mundo de gente fazendo coisas para que os outros possam fazer mais coisas, o que for.

* * * * *

André Conti é editor da Companhia das Letras.

Água Sumida

Por Randall Munroe (tradução de Érico Assis)


E se você tentasse rebater uma bola de beisebol arremessada a 90% da velocidade da luz? Quanto tempo será que um submarino nuclear duraria em órbita? E o que aconteceria com a Terra se o Sol se desligasse de repente?

E se? é um guia para curiosos em tempos de internet. No site What If?, Randall Munroe, mais conhecido pelas tirinhas do XKCD, dá respostas científicas, e bem humoradas, para as perguntas hipotéticas mais absurdas enviadas pelos seus leitores como estas acima, ou ainda quão grande seria o depósito do Google se todos os seus dados estivessem gravados em cartões perfurados, pergunta que Randall respondeu em sua apresentação no TED.

As melhores perguntas estão agora reunidas em livro, lançado há poucas semanas nos EUA e que já está na lista dos mais vendidos da Amazon e do New York Times. E se? chega nas livrarias brasileiras no dia 7 de novembro.

Leia abaixo mais uma pergunta do site What If? traduzida por Érico Assis especialmente para o blog.

* * *

O que aconteceria se todas as extensões de água da Terra sumissem por mágica? — Joanna Xu

Como sempre costuma acontecer nessas perguntas, todo mundo ia morrer.

Os primeiros a notar seriam os que estivessem nadando ou em barcos, por motivos óbvios.

Planeta à vista!

Para evitar situações tipo copo meio vazio, vamos supor que a água é substituída por ar.

Geralmente as pessoas nadam em águas relativamente rasas, de forma que a maioria ia sobreviver à queda até o fundo. Talvez quebrassem um ou outro osso¹. Por outro lado, quem está em alto mar teria encrenca.

Quem está em águas rasas chegaria ao leito mais rápido, já que não teria muito o que cair. No primeiro segundo, uma grande parcela dos barcos em lagos, rios e portos iria se espatifar no chão e a maior parte das pessoas a bordo sairia viva.

— Tudo Ok?
(Tentei navegar em terra. Não aprendi nada com o menino aquele do Zephyr.)

Barcos em oceano aberto teriam mais tempo de queda. Ao longo dos cinco segundos seguintes, haveria uma onda de estrondos das embarcações atingindo a plataforma continental progressivamente mais distante dos continentes. Estes barcos iriam ficar em pedacinhos e a queda mataria todos a bordo.

Passados os primeiros seis ou sete segundos, teríamos uma leve calmaria no ritmo de destruição naval. As plataformas continentais têm depressões abruptas, e a maioria dos barcos em mares profundos levaria um tempo a mais na queda.

O Titanic afundou mais ou menos três quilômetros de água. Depois de sumir da superfície, as duas metades do navio levaram entre 5 e 15 minutos para chegar ao fundo². Sem o oceano, ele chegaria ao fundo em aproximadamente 30 segundos, com velocidade de cruzeiro³.

Ao fim do primeiro minuto, praticamente todo navio grande já estaria no fundo do ex-mar. O último barco a chegar ao fundo provavelmente seria um veleiro pequeno cruzando uma fossa oceânica no momento em que a água sumiu. Graças ao peso e/ou arrasto baixo das velas, uma destas embarcações poderia levar minutos para chegar ao fundo.


— Aqui não diz nada sobre como ajustar as velas para um vento que vem debaixo do barco.
(
E nem que cachorro não pode jogar basquete.)

No caso de um hidravião flutuando em alto mar, pode-se imaginar que ele sairia ileso conforme a sorte e a agilidade do piloto. O avião começaria a cair, mas ao ganhar velocidade tenderia a planar. Passado o choque inicial, o piloto teria um tempo razoável para ligar o motor. Graças, em parte, ao ar mais denso, é possível que um hidravião conseguiria aterrissar com sucesso numa porção lisa do leito marinho. Se conseguisse ligar o motor, o piloto também poderia tentar voar até uma costa e achar uma pista de pouso.

Peixes, baleias e golfinhos, além de quase toda a vida marinha, morreriam de imediato. Os mais próximos do fundo ficariam sufocados ou ressecados, enquanto os mais próximos da superfície em águas fundas teriam o mesmo destino dos barcos.


— Pela terceira vez?
(Sério? Deve ser a terceira vez.)

E aí começa a parte mais bizarra.

Sem a evaporação dos lagos e dos oceanos para alimentar o ciclo da água, não haveria mais chuva. Sem água para beber, pessoas e a maioria dos animais iriam desidratar e morrer em questão de dias. Em semanas, a flora começaria a definhar devido à atmosfera cada vez mais seca. Em questão de meses, começaria a extinção das grandes florestas4.

É inevitável que grandes quantidades de vegetação morta e seca levem a incêndios; em poucos anos, a maioria das florestas do planeta estaria calcinada. Florestas armazenam grandes quantidades de CO2, e esta queima poderia praticamente duplicar a quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera, acelerando o aquecimento global.

No geral, a conjuntura da Joanna levaria à extinção acelerada de tudo que é vivo. Mas aí fica pior.


Pior? Pior pra quem?
— Bom, a areia e os ossos…
(Por que as perguntas nunca são “e se eu assistisse um filme muito bom” ou “e se eu adotasse um cachorrinho”?)

Sem o ciclo da água para fazer a erosão das rochas, o sistema de retroalimentação carbonato-silicato que funciona como termostato de longo prazo para estabilizar o clima5 iria se desativar. Sem esta retroalimentação, o CO2 vulcânico ir se acumular na atmosfera, o que a longo prazo levaria a temperaturas abrasadoras, uma coisa parecida com a que aconteceu em Vênus6.

De qualquer forma, perdemos os oceanos. Com o Sol mais quente, em algum momento a água começa a ir embora devido à evaporação e de uma forma ou de outra o planeta vai secar e aquecer. Contudo, a perda dos oceanos nunca nos pareceu algo preocupante, já que está a um bilhão de anos de acontecer. Os oceanos estarão aqui muito depois da nossa espécie sumir.


— ISSA!
(O mar vai viver mais do que eu!)

A não ser que a Joanna estrague tudo.

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Por outro lado, quem nada em pedreiras e lagos glaciais teria grandes chances de uma queda letal, mesmo a poucos metros da margem.

2 Quando a proa do Titanic chegou ao leito marinho, ela estava quase que exatamente na mesma velocidade de quando atingiu o iceberg, três horas antes. (Isto não é mera coincidência.)

3 Embora nunca se tenha largado um cruzeiro de grande altitude [falta referência], a velocidade terminal de um cruzeiro à superfície provavelmente fique um pouco abaixo da velocidade do som. Como o ar nas bacias oceânicas estaria comprimido, a velocidade terminal dos navios próximos ao fundo seria menor do que à superfície. A compressão também significa que, para substituir a água de forma mágica, você precisaria de mais ar do que se tem de volume apenas no oceano, já que precisaria de um perfil de densidade variável. Em outras palavras, seu feitiço de substituir a água ia exigir uma cacetada de cálculo.

Qualquer magia suficientemente avançada é indistinguível de tecnologia.

4 Árvores tolerantes à seca sobreviveriam anos, mas as outras não.

5 O CO2 é emitido na atmosfera pelos vulcões (embora atualmente seja emitido dez vezes mais rápido pelas pessoas.) Quando a água flui sobre certas rochas, reações químicas sugam o CO2 do ar e acabam enterrando-o em sedimentos no leito marinho. Com menos CO2, o planeta fica mais frio. Com o planeta mais frio, tem-se menos evaporação, o que leva a menos erosão, o que diminui o ritmo de remoção do CO2. Este ciclo de feedbacks que opera em escalas temporais bem maiores do que a mudança climática por ação humana provavelmente seja o que manteve a temperatura da Terra relativamente estável nos últimos bilhões de anos (uma Terra bola de neve a menos ou a mais), embora o Sol tenha ficado mais quente.

6 O interessante é que, por conta da cor mais suave de Vênus (e, por conseguinte, maior reflexo), ele só absorve metade da radiação solar que a Terra, apesar de ficar consideravelmente mais próximo do Sol. A camada densa de CO2 na sua atmosfera é o que conserva seu calor.

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Randall Munroe nasceu nos Estados Unidos em 1984. Depois de estudar física na Christopher Newport University, ele foi contratado pela NASA para construir robôs. Em 2006, ele abandonou o emprego para se dedicar exclusivamente ao XKCD, um dos sites mais populares da internet. Ele mora em Massachussetts.

 

Caixa de Sapato Bilionária

Por Érico Assis


E se…? foi, sem dúvida, uma das maiores surpresas que já recebi como proposta de tradução. E depois ainda teve surpresa em cima de surpresa.

Na hora em que André Conti me mandou o PDF do livro, eu não tive noção do que era — apesar de já estar com o original na minha lista de pré-compras. As pré-vendas, aliás, foram o que fizeram o livro sair a foguete aqui e no resto do mundo. Já tinham massas de gente pré-comprando o original no início deste ano, apesar do lançamento em setembro nos EUA.

Quem conhece um pouco de quadrinho deveria ficar exultante. Randall Munroe já era mini-celebridade, merecidamente, por conta da xkcd. Embora eu não seja seguidor devoto, fico embasbacado com os experimentos dele (escrevi sobre aqui e aqui) e acompanhei o What If? nos primeiros dias. Aí, nos dias em que eu estava fechando a tradução, meu pai me perguntou se eu tinha assistido um vídeo do TED no qual o palestrante fala do que aconteceria se alguém rebatesse uma bola de beisebol arremessada à velocidade da luz. Se meu pai pergunta sobre o Randall Munroe, tem alguma coisa acontecendo.

O lançamento do livro nos EUA foi há poucos dias. Neste momento, ele está na lista de livros mais vendidos da Amazon e do New York Times. E Se…? Respostas científicas para perguntas absurdas sai em outubro pela Companhia das Letras. Procure a capinha verde e compre. Sim, só em outubro, desculpe.

Texto publicado originalmente em A Pilha.

Leia abaixo mais uma pergunta do site What If? traduzida por Érico Assis.

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Qual seria a maneira mais cara de encher uma caixa de sapatos tamanho 42 (por ex., com cartões MicroSD de 64 GB carregados com música digital comprada?)? – Rick Lewis

Uma caixa de sapatos cheia de coisas valiosas bateria nos US$ 2 bilhões. O mais incrível é que isto vale para diversas possibilidades de conteúdo.


Mais o valor da caixa.

Cartões MicroSD são uma boa ideia. As músicas do iTunes custam mais ou menos US$ 1 cada, e cartões MicroSD têm capacidade aproximada de 420 terabytes por litro. Uma caixa de sapatos masculinos tamanho 42 tem uns 10 a 15 litros, dependendo da marca e do tipo de sapato, de forma que você consegue armazenar 1,5 bilhões de músicas de 4 MB (mais ou menos um dólar cada). (Isso dá umas 20 vezes o número de músicas que se encontra hoje na loja da iTunes, então você vai ter que comprar algumas músicas mais de uma vez.)

Softwares caros, como o Adobe®©TM Photoshop®©TM CS®TM 5TM têm uma proporção custo/megabyte um pouquinho maior, já que ele é vendido a centenas de dólares e ocupa centenas de megabytes. Ou ocupava, até que a Adobe mudou para a nuvem.

Quando se entra em preço de software, dá para puxar o “custo” das coisas que entram na caixa de sapato o quanto você quiser a partir de aquisições in-app infinitas. E embora o personagem que você vá montar no RPG provavelmente represente o gasto de tanto dinheiro, vai ser difícil lhe dizer de cara séria que seu personagem não vale um trilhão de dólares.

— Meus compatriotas: gostaria de anunciar um aumento repentino de US$ 2 trilhões na nossa dívida interna. Mudando totalmente de assunto, vejam só quantas espadas meu personagem tem!
(Na real bateu no teto de 2.147.483.648 espadas, mas gastei o outro trilhão porque fiquei torcendo que revisassem o sistema.)

Por isso, vamos pensar em objetos de verdade.

Tem o ouro, que é óbvio. Treze litros de ouro valem hoje mais ou menos US$ 10 milhões. Platina é um pouco mais cara e dá US$ 13 milhões/caixa de sapatos¹. Seria 10 vezes o valor de uma caixa de sapatos cheia de notas de US$ 100. Por outro lado, uma caixa de sapatos cheia de ouro teria o peso de um potrinho.

Existem metais mais caros. Um grama de plutônio puro, por exemplo, custaria uns US$ 5 mil. Melhor ainda: plutônio é mais denso que ouro, então daria para você colocar quase 300 quilos de plutônio numa caixa de sapato.

Antes de você gastar US$ 3 bilhões em plutônio, observe o seguinte: a massa crítica do plutônio fica por volta dos 10 quilos. Então, embora dê para colocar 300 quilos numa caixa de sapato, você só ia conseguir fazer isso bem rapidinho.


Ou seja, provavelmente você não vai achar comprador. Ou, se você se dispor a encher a caixa de sapatos em horário e local combinados, é PROVÁVEL que encontre comprador.

Diamantes de alta qualidade são caros, mas é difícil ter noção do preço exato porque essa indústria toda nasceu de um veio porque o mercado de pedras preciosas é complicado. Tem um site que diz que um diamante impecável de 600 mg (3 quilates) vale mais de US$ 300 mil. Então, uma caixa de sapatos cheia de diamantes perfeitos valeria até US$ 20 bilhões. Só que eu acho mais razoável falar em US$ 1 ou 2 bilhões.

— Hmm. Qual seria a forma mais eficiente de acomodar diamantes com lapidação estilo brilhante e tamanho uniforme?
— Te vejo daqui a 12 horas.
(Quase não resisti a pesquisar problemas+empacotamento+insolúveis no Google.)

Tem muitas drogas ilegais cujo peso vale mais que ouro. O preço da cocaína varia bastante, mas em muitos mercados fica na faixa dos US$ 100/grama². Ouro, atualmente, vale metade disso. Contudo, a cocaína é muito menos densa que o ouro³, então uma caixa de sapatos cheia de cocaína valeria menos que uma cheia de ouro.

Cocaína não é a droga mais cara segundo o critério do peso. O LSD — provavelmente a substância de consumo mais amplo que é vendida ao consumidor às microgramas — custa mais ou menos mil vezes mais que cocaína, considerando o peso. Uma caixa de sapatos cheia de LSD puro valeria uns US$ 2,5 bilhões.

Algumas drogas de farmácia podem sair tão caras quanto o LSD. A dose única de brentuximab vedotina (Adcetris) pode chegar a US$ 13.500, o que — para o paciente médio — eleva o valor da caixa de sapatos à mesma faixa dos US$ 2 bilhões de LSD, plutônio e cartões MicroSD. Existem outras drogas ainda mais caras.

Mas, obviamente, você pode colocar sapatos na caixa de sapatos.


Doido. (Ah, acho que se você não usar os sapatos quando estiverem dentro da caixa, aí tudo bem.)

Os sapatos que Judy Garland usou em O Mágico de Oz foram leiloados a US$ 666 mil e — diferente de tudo que consideramos acima — em algum momento já deve ter estado dentro de uma caixa de sapatos.

Se você quer mesmo encher uma caixa de sapatos com uma quantidade de dinheiro arbitrariamente descomunal, é só pedir ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para fazer uma moeda de platina de um trilhão de dólares.

Mas se você se dispõe a apoiar-se na autoridade legal do nosso sistema monetário para incutir valores em qualquer objeto inanimado…

Em inglês existem umas discordâncias sobre a grafia “check” ou “cheque”. Mas todo mundo concorda que o melhor vai ser quando a gente abolir essa palavra de vez.

… é só você fazer um cheque.

* * *

1 – Que infelizmente ainda não é uma unidade do SI.

2 – Meu histórico de pesquisa depois de investigar preços de drogas provavelmente me botaria na lista de suspeitos de tudo que é governo, se eu já não estivesse nelas por todas as outras coisas que pesquisei para o E Se…?.

3 – Mas peraí: qual é a densidade da cocaína? Como sempre, os fóruns de discussão do Straight Dope já realizaram esta investigação; neste thread, eles consultaram o CRC Handbook of Chemistry and Physics e o Merck Index, depois desistiram e resolveram que deve ser por volta de 1 kg/L, como é o caso da maioria das substâncias orgânicas. Descobriram, por outro lado, ponto de ebulição e a solubilidade da cocaína em azeite.

* * * * *

Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu RetalhosHabibi, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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