relato

Semana sessenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Causas nada naturais, de P.D. James (Tradução de Fernanda Abreu)
Depois de solucionar um caso difícil, Adam Dalgliesh, inspetor da Scotland Yard, tira férias e vai buscar um pouco de sossego na casa de sua tia, que vive na pequena comunidade de Monksmere Head, em Suffolk, leste da Inglaterra. Ele também precisa decidir se irá se casar com a namorada. Mas logo na manhã de chegada a paz é interrompida: Dalgliesh recebe a notícia de que um romancista policial foi encontrado morto, com as mãos decepadas, em um barco abandonado a poucas milhas dali. Apesar de a autópsia indicar morte por causas naturais, uma herança polpuda e um manuscrito de autoria duvidosa indicam que houve algo a mais. Mesmo não sendo responsável pelo caso, Dalgliesh se vê impelido a desvendá-lo. Afinal, a solução de um crime que envolve um grupo de literatos vaidosos e ressentidos pede a acuidade de um policial que também é poeta.

Microcosmos, de Claudio Magris (Tradução de Roberta Barni)
Claudio Magris, um dos maiores escritores italianos contemporâneos, volta a percorrer os lugares e temas centrais de sua obra. Danúbio e Microcosmos guardam muitas semelhanças, mas, se o primeiro se estendia das nascentes à foz do grande rio europeu, explorando personagens e acontecimentos históricos da Mitteleuropa, o segundo se retrai para a cidade natal do escritor, Trieste, e seu entorno. Magris circula pelos cafés e ruas de sua cidade, visita regiões da fronteira italiana que até recentemente tinham pertencido à ex-Iugoslávia, encontra escritores locais, familiares, figuras anônimas. O resultado é uma sucessão de fragmentos descritivos que não se deixam compor numa narrativa mais ampla, como ocorrera em Danúbio. Microcosmos se mostra apenas como quadros desgarrados da memória sentimental do autor, que olha e registra o que vê.

O silêncio do túmulo, de Arnaldur Indridason (Tradução de Álvaro Hattnher)
Neste premiado romance policial nórdico (mesma região que nos trouxe Stieg Larsson e Henning Mankell), um esqueleto, provavelmente datado da 2ª Guerra, é encontrado por acaso em um canteiro de obras próximo a Reykjavík, Islândia. Enquanto os ossos são removidos por um grupo de arqueólogos, cabe ao inspetor Erlendur e a seus assistentes remexer nas velhas histórias da região, que envolvem violência doméstica, um suicídio duvidoso e a presença de uma base aliada durante a guerra. Paralelamente à investigação, Erlendur precisa lidar com sua filha viciada em drogas, com quem mantém uma relação distante, mas que acabou de entrar em coma. Nessa narrativa concisa e potente, a memória é o grande fio condutor.

Histórias e versos das estações do ano, de vários autores e ilustradores (Tradução de Eduardo Brandão)
As quatro historinhas e os 24 poemas e quadrinhas reunidos neste livro, escritos e ilustrados por diversos artistas, tratam das estações do ano e das principais festas e datas especiais: Natal, Páscoa, o início das férias… A concisão, o tema familiar e os versos e diálogos fáceis de acompanhar fazem com que mesmo as crianças que ainda não sabem ler possam apreciar a leitura dos textos em voz alta. Como nos outros volumes da coleção, a capa dura é produzida com um tipo de acabamento que a torna “fofinha”, fazendo com que fique ainda mais atrativa para os pequenos leitores. Na mesma série já foram publicados os títulos de sucesso: Historinhas de contar, Histórias para todos os dias, Rima pra cá, rima pra lá e Histórias, quadrinhas e canções com bichos.

A lentidão, de Milan Kundera (Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Maria Luiza Newlands da Silveira)
Nesta que é sua primeira narrativa escrita em francês, Milan Kundera, autor de A insustentável leveza do ser, volta a investigar os limites do romance, mesclando ficção e especulação metafísica, a exemplo de mestres da Ilustração como Voltaire e Diderot. Integrando diversos personagens em planos múltiplos — o próprio autor e sua mulher, um entomólogo tcheco, os personagens de uma novela libertina do século XVIII, o “dançarino” —, Kundera propõe uma discussão a um tempo profunda e prazerosa sobre a dificuldade de apreensão do real ante a velocidade da vida moderna, a memória e o esquecimento, o clima frenético de hoje e uma época em se podia retardar o movimento em favor da fruição.