richard dawkins

Semana duzentos e cinquenta e um

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O fim do terceiro Reich, de Ian Kershaw (tradução de Jairo Arco e Flexa)
Como se explica a sobrevida do Estado nazista quando estava evidente que não havia chance de vitória? Por que o Exército alemão concordou em lutar se o abismo era certo? Por que a sociedade alemã permaneceu fiel ao regime a ponto de tolerar o extermínio dos poucos que se insurgiam contra a luta inútil? Em O fim do terceiro Reich, Ian Kershaw — autor da monumental biografia de Hitler — se lança à resolução dessas perguntas armado de conhecimento inigualável da Alemanha nazista. Fugindo de explicações fáceis, procura demonstrar que a autoridade carismática do Führer, a ambição de sua “corte” e a perseverança das Forças Armadas são os ingredientes principais dessa autoaniquilação sem par na história ocidental.

Fome de saber — a formação de um cientista, de Richard Dawkins (tradução de Érico Assis)
Filho de pais naturalistas e de uma família de cientistas consumados, Richard Dawkins estava fadado a levar a biologia nos genes. Mas que influências moldaram seu desenvolvimento intelectual? E quem o inspirou a tornar-se o cientista pioneiro e a autoridade intelectual cuja fama (ou infâmia, para alguns) alcança todo o planeta? Em Fome de saber, Dawkins traça um panorama colorido e encorpado de seus primeiros anos de vida. A autorreflexão sincera e as anedotas espirituosas são intercaladas com reminiscências da família, dos amigos, da literatura, da poesia e da música. Finalmente podemos compreender as influências que moldaram o intelectual que buscou explicar nossas origens.

Obras completas volume 8 — O delírio e os sonhos na Gradiva, análise da fobia de um garoto de cinco anos e outros textos, de Sigmund Freud (tradução de Paulo César de Souza)
O primeiro ensaio deste volume trata da novela Gradiva, do alemão Wilhelm Jensen. Ao analisar o delírio de um jovem arqueólogo que se apaixona por uma moça retratada numa antiga escultura romana, Freud faz o primeiro estudo psicanalítico de uma obra literária. O segundo ensaio conta a história do “pequeno Hans”, um saudável garoto de cinco anos que repentinamente passa a ter fobia de cavalos. A partir do relato que o pai faz de conversas com o menino, Freud compreende os complexos por trás da fobia e obtém a cura do paciente. O volume inclui também “Caráter e erotismo anal”, “Atos obsessivos e práticas religiosas”, “O escritor e a fantasia” e “O esclarecimento sexual das crianças”, entre outros.

Sombras na Place des Vosges, de Georges Simenon (tradução de André Telles)
Raymond Couchet, dono de uma grande rede de farmácias, é assassinado em seu escritório na Place des Vosges, endereço nobre de Paris. Uma grande soma em dinheiro foi roubada. No mesmo prédio onde ocorreu o crime, moram Edgar e Juliette Martin, a primeira mulher de Couchet. É por ali que o comissário Maigret resolve começar suas investigações. Não longe do local, no Hotel Pigalle, vivem, sem se conhecer, Nine Moinard, amante da vítima, e Roger Couchet, filho do primeiro casamento de Raymond. Problemático, Roger logo desperta as suspeitas de Maigret. Mas, de repente, comete suicídio. Ele sabia o que estava por trás da morte do pai.

Quando a máscara cai —  a verdadeira história do homem que fingiu ser um Rockfeller, de Walter Kirn (tradução de Sergio Tellaroli)
Walter Kirn conheceu por acaso o homem que se apresentou como Clark Rockefeller, herdeiro de uma das famílias mais poderosas dos Estados Unidos. Era um sujeito esquisito, mas nada que causasse desconfiança. Depois de quinze anos de amizade, porém, o escritor ficou devastado ao descobrir que seu amigo milionário não passava de um farsante, acusado de assassinato, sequestro e outros crimes. Combinando memórias, jornalismo investigativo e análise cultural, este livro tem o brilhantismo literário que encontramos em A sangue frio, de Truman Capote. Kirn expõe as camadas complexas da ilusão e da corrupção, das ambições e do autoengano que estão por trás de um grande impostor.

Paralela

Samba, de Delphine Coulin (tradução de Julia da Rosa Simões)
Depois de uma árdua jornada que começou no Mali, o imigrante africano Samba desceu do ônibus e se viu, enfim, livre pela primeira vez. Olhou em volta e lá estava ele: Paris, França. Ao caminhar pelas construções antigas, estava radiante. Seus pés estavam cansados e seus sapatos cheios de buracos, mas o céu estava claro, as paredes refletiam luz, e tudo parecia brilhar só para ele. Dez anos depois, seu encantamento com a cidade-luz só havia aumentado. Mesmo atrás das grades, mesmo algemado, ele ainda amava a França. Só lhe faltava pensar em um jeito de permanecer — e sobreviver — como um clandestino naquele país.

Semana noventa e três

Os lançamentos da semana são:

Vozes, Arnaldur Indridason (Tradução de  Álvaro Hattnher)
O porteiro de um luxuoso hotel de Reykjavík é encontrado morto em circunstâncias no mínimo estranhas: na cama manchada de sangue, Gudlaugur está com um traje de Papai Noel e um preservativo que parece conter traços de saliva. Ao chegar ao local do crime, o inspetor Erlendur, avesso às festividades de fim de ano em razão de um trauma de infância, decide ficar hospedado no hotel até o fim das investigações. Quem era, afinal, Gudlaugur, funcionário antigo do hotel mas que ninguém parecia de fato conhecer? Alguém frequentava o seu quarto? Para manter a reputação do lugar, ou preservar seus próprios interesses, os funcionários não dizem tudo o que sabem. Mas, entre as visitas da filha e as velhas lembranças que o aterrorizam, Erlendur embrenha-se aos poucos na misteriosa vida da vítima. Tendo como pano de fundo a atmosfera claustrofóbica do inverno islandês, Arnaldur Indridason cria um duro retrato do país, bem distante dos sonhos de Natal, onde intrincadas e violentas relações familiares se escondem sob as vozes do passado.

Preto no branco, Thomas E. Skidmore (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em Preto e branco, Thomas E. Skidmore, decano entre os “brasilianistas”, examina como as elites intelectuais brasileiras enxergavam a sociedade multirracial do país nas últimas décadas do Império e nas primeiras da República. Com base nos escritos e discursos de uma grande gama de cientistas, políticos e romancistas, o livro revela que a intelligentsia local, influenciada por padrões e formas europeus, procurou acomodar as teorias racistas então em voga – que consideravam o negro inferior e condenavam a mestiçagem – à situação local. A solução original encontrada foi o “branqueamento” da sociedade, por meio da imigração européia. Skidmore mostra, no entanto, como as idéias deterministas foram gradualmente cedendo lugar a novas perspectiva, que davam ênfase aos aspectos positivos da miscigenação, e acabaram por produzir um consenso sobre a existência de uma “democracia racial” no país, tese que gerou uma percepção distorcida do racismo brasileiro. O livro é prefaciado por Lilia Moritz Schwarcz.

Segundos fora, Martín Kohan (Tradução de Heloisa Jahn)
De um lado, o embate mítico entre os boxeadores Jack Dempsey, campeão mundial, e Luis Angel Firpo, conhecido como El Toro Salvaje de lãs Pampas. De outro, a paresentação da primeira sinfonia de Gustav Mahler no Teatro Colón, em BuenosAires, regida por Richard Strauss. Setembro de 1923 foi abalado por esses dois eventos, que décadas mais tarde concorrem para ser a matéria principal da edição comemorativa do cinqüentenário do jornal de uma cidadezinha na Patagônia. A disputa é travada por dois colegas jornalistas: enquanto Ledesma defende Mahler e a cultura erudita, Verani aposta na popularidade da luta que aconteceu em Nova York e foi transmitida pelo rádio, abalando o moral da nação Argentina. À margem desse debate, surge a notícia de um assassinato (ou terá sido suicídio?) naquela mesma época – um mistério não solucionado que será o ponto de interseção entre as esferas erudita e popular, que, à primeira vista, pareciam incompatíveis.

A magia da realidade, Richard Dawkins (Tradução de Laura Teixeira Motta; Ilustrações de Dave McKean)
De que são feitas as coisas? Por que existe noite e dia, inverno e verão? O que é o Sol? Quando e como tudo começou? Existe vida fora da Terra? A resposta para essas e muitas outras perguntas que fazemos sobre o planeta e o universo pode ser encontrada neste livro divertido e surpreendente sobre os cientistas e suas descobertas. Escrito pelo best-seller mundial Richard Dawkins e com ilustrações do renomado Dave McKean, A magia da realidade contrapõe antigos mitos em que muitos ainda acreditam a verdades científicas por vezes desconhecidas para mostrar que a realidade é bem mais impressionante que qualquer invenção.

O acendedor de sonhos, Dorothée Piatek e Gwendal Blondelle (Tradução de Eduardo Brandão)
Num tempo em que a noite tinha se tornado eterna, em que não existiam nbem plantas, nem mesmo água, um acendedor de sonhos trabalhava sem parar, tentando trazer um pouco de luz à Terra. Ele era tão grande que tinha que se curvar para não encostar no céu! Um dia, ele recebe um pedido especial: ajudar uma criança a regar uma flor feita de sol. Juntos em busca da água, os dois vão aprender que a Terra é um bem muito precioso que todos precisamos preservar.