richard graham

Semana cento e setenta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Nu, de botas, de Antonio Prata
Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram, primeiro no Estadão, enre 2003 e 2009, e agora na Folha de S.Paulo, jornal em que escreve semanalmente desde 2010. Cronista de grande destaque de sua geração e um dos maiores do país, Prata é criador de bordões que já fazem parte do léxico popular – tais como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de um de seus textos mais célebres -, bem como de passagens hilariantes da novela global Avenida Brasil, cuja equipe de colabores ele integrou. Com este livro, Prata tira do baú mais uma coleção de achados memoráveis – pronto para figurar nas antologias da literatura brasileira ou na próxima conversa de bar.

Bridget Jones: Louca pelo garoto, de Helen Fielding (Tradução de Julia Romeu, Ana Ban e Renato Prelorentzou)
“O que fazer quando a festa de sessenta anos da sua amiga será no mesmo dia do aniversário de trinta do seu namorado? É errado mentir a idade em sites de relacionamento? O Dalai-Lama escreve os próprios tuítes ou será que ele tem um assistente? Dormir com alguém depois de dois encontros e seis semanas trocando mensagens de texto é o mesmo que se casar depois de dois encontros e seis meses de troca de cartas nos tempos de Jane Austen?” – Às voltas com esses e outros dilemas modernos, Bridget Jones encara neste novo e aguardado romance os desafios de ser mãe solteira, adaptar-se ao mundo digital e redescobrir sua sexualidade numa fase que algumas pessoas chamam, de forma grosseira e ultrapassada, de “meia-idade”. Bridget Jones está de volta!

Alimentar a cidade, de Richard Graham (Tradução de Berilo Vargas)
A partir de uma perspectiva instigante e inovadora – a história do abastecimento da cidade – o brasilianista Richard Graham analisa, com um misto de erudição e verve narrativa, um momento crucial e de profundas mudanças em Salvador e na colônia. Alimentar a cidade não trata exatamente de comida, nem é uma história da alimentação. Antes, revela as relações na sociedade colonial com base no comércio da comida. Graham parte daí para mostrar como brancos e negros, homens livres, escravos e libertos, “brasileiros”, africanos e portugueses interagiam uns com os outros, e em quais termos. Com descrições vívidas da cidade e de seus habitantes – as roupas, o interior das casas, os bens comerciados -, este livro é uma viagem às articulações mais essenciais, e portanto reveladoras, dessa sociedade atlântica.

O cerne da matéria, de Rogério Rosenfeld
Com quase trinta quilômetros de circunferência e instalado a uma profundidade de aproximadamente cem metros, o acelerador de partículas LHC é uma das grandes expressões do engenho humano, comparável em escopo apenas à exploração especial e ao mapeamento do genoma. Concebido para aumentar nosso entendimento acerca da estrutura da matéria e do cosmos, recentemente o LHC foi palco de uma das maiores descobertas científicas de nosso tempo, ao provar a existência do bóson de Higgs – partícula que explicaria a origem da massa de todas as partículas elementares. Em O cerne da matéria, o físico brasileiro Rogério Rosenfeld retraça o caminho que levou à construção do acelerador. Do ponto de vista privilegiado de quem trabalhou no LHC, Rosenfeld desvenda a longa batalha política que culminou na gigantesca estrutura. Mais que isso, oferece um rico panorama histórico dos avanços científicos atrelados ao acelerador, inserindo a descoberta do bóson de Higgs numa narrativa esclarecedora e empolgante sobre as fronteiras da ciência e os homens que ousaram desafiá-las.

Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer (Tradução de José Francisco Botelho)
Publicado a primeira vez em 1475, Contos da Cantuária é uma das pedras fundamentais da literatura do Ocidente, uma coleção magistral de histórias de cavalaria, alegorias morais e farsa desbragada. Escritas pelo britânico Geoffrey Chaucer, as histórias ajudaram – assim como Dante e Cervantes fizeram em suas respectivas culturas literárias – a sedimentar a literatura de todo um país. Tudo começa a partir de um certame entre peregrinos acerca das melhores histórias de cavalaria e romances. Rico e diverso, o livro descortina – com crueza e lirismo, graça e deboche – o universo social e cultural da Inglaterra em plena Idade Média. Anedotas, ciclos cavalheirescos, escatologia, ensinamentos edificantes e muita caricatura surgem nas histórias desses peregrinos que rumam em direção à Cantuária, onde pretendem visitar o túmulo de São Thomas Becket. Vertido para o português com maestria, mas sem deixar de lado o humor e a diversão, o livro tem tudo para cativar leitores de todas as idades.