roberto bolaño

Semana sessenta e um

Os lançamentos da semana são:

Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash (Tradução de Pedro Maia Soares)
Timothy Garton Ash dedica-se há décadas a uma atividade híbrida entre jornalismo e historiografia: escrever a “história do presente”. Ele vai ao lugar onde as coisas estão acontecendo, entrevista pessoas nas ruas, discute com políticos, intelectuais e militantes. E essas reportagens são complementadas com a pesquisa e a reflexão que faz nas universidades de Oxford e Stanford, onde leciona. Neste livro estão reunidos artigos sobre a primeira década do século XXI, que tratam, por exemplo, das relações entre islamismo e terror, temática que o autor aborda com uma visão liberal equilibrada, sempre preocupada com a tolerância e o respeito pela diversidade. Com esse mesmo olhar, ele acompanha de perto a situação em países como Ucrânia, Belarus, Sérvia e Macedônia, bem como Birmânia, Brasil, Egito e Irã.

O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (Posfácio de Anita Leocadia Prestes)
Jorge Amado decidiu escrever a biografia de Prestes em 1941, como forma de pressionar pela libertação do líder revolucionário, preso desde 1936. Viajou então ao Uruguai e à Argentina, onde Prestes havia se exilado anos antes. O autor narra os momentos mais dramáticos da trajetória de Prestes: a épica coluna que atravessou o Brasil entre 1924-27, o exílio, a tentativa frustrada de levante contra Getúlio Vargas em 1935, a prisão na solitária, a entrega de Olga Benário — grávida de Anita Leocadia, que escreve o posfácio desta edição — ao governo nazista, a campanha internacional de Leocadia, mãe de Prestes, pela libertação do filho e de Olga, e pela guarda da filhinha do casal.

Monsieur Pain, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Paris, 1938. Enquanto a maioria dos franceses ainda lutava com os fantasmas da Primeira Guerra, pairava no ar uma tensão causada pela ascensão de regimes fascistas na Europa. Neste peculiar período, a capital francesa era habitada por poetas e romancistas vanguardistas, artistas selvagens e curandeiros nada convencionais: os mesmeristas. Discípulo dessa terapia heterodoxa, o obscuro protagonista do livro tem a missão ingrata de curar um poeta com ataques crônicos de soluço. Monsieur Pain, um dos primeiros romances escritos por Bolaño, é uma peça rara em sua obra: um livro atmosférico, repleto de temas caros à literatura de gênero, como o ocultismo, a busca detetivesca e a confusão entre sonho e realidade. Enquanto Pain se deixa levar pelo mistério, as fronteiras entre o que é real e o que é imaginação se dissolvem.

Borges oral & Sete noites, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Em Borges oral (1979) e Sete noites (1980) se acham escritas palavras que brotaram da boca de um narrador cego, que falava como um sábio sibilino e irônico a auditórios do mundo todo. Sempre modesto, mas sem deixar de aludir a modelos gloriosos — Sócrates, Pitágoras, Cristo, Buda — e a outros mais próximos, como Macedonio Fernández, Borges (1899-1986) apresentava-se, na última etapa de sua vida, como um grande mestre da oralidade. A princípio tímido e reservado, a ponto de se ocultar em meio à plateia e pedir a um amigo para ler a conferência que redigira, com os anos e a progressiva cegueira, o escritor argentino tornou-se um narrador oral, como se quisesse dissolver-se na tradição épica dos narradores anônimos. Embora aparentemente abstratos e intelectuais, os temas de suas conferências são tratados num recorte concreto, a que servem exemplos precisos, sempre manipulados com perfeição pelo refinado contador de casos, que não perde uma deixa para uma frase de humor e se orienta em meio às dificuldades do assunto pela força da memória e da imaginação.

O anexo: a incrível história do garoto que amava Anne Frank, de Sharon Dogar (Tradução de Luiz A. de Araújo)
O diário de Anne Frank, um dos textos mais célebres do século XX, lido por jovens e adultos do mundo inteiro, só foi publicado graças ao pai da menina, o único sobrevivente dentre as 8 pessoas que passaram 2 anos escondidas no anexo de uma casa em Amsterdam, durante a perseguição aos judeus organizada pelos nazistas. Neste romance, a inglesa Sharon Dogar se baseia no diário mundialmente conhecido para imaginar como teria sido conviver de perto com Anne Frank e até se apaixonar por ela. É através dos outros de outro adolescente que acompanhamos a sensação clautrofóbica de morar no esconderijo, a revolta por não poder lutar contra o inimigo e as aflições de se viver numa época tão sombria.

Macbeth, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)
Macbeth, general do exército escocês, é um defensor leal do rei e de sua pátria. Mas, ao voltar de uma batalha, depara com três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei. A previsão desperta as ambições mais secretas de Macbeth: impelido pela esposa, ele assassina o rei e é proclamado o novo regente. E este é só o primeiro de uma série de crimes que irá cometer. Bruxas, um fantasma e um punhal espectral… prepare-se para muita aventura, nesta que se tornou uma das mais famosas peças de Shakespeare. Além da adaptação em prosa da peça, o livro traz um prefácio da autora e pesquisadora brasileira Marta de Senna e dois posfácios: um sobre a questão do mal em Macbeth e outro sobre a dificuldade enfrentada pelos escritores da época de Shakespeare em encontrar papel para escrever.

Os detetives congelados

Por Juliana Vettore

Minneapolis Police Detectives, 1903

Em novembro do ano passado comecei a participar do clube de leitura da Companhia. A iniciativa de criar esses clubes, dentro e fora da editora, surgiu depois do estágio que o Luiz fez na Penguin em NY, após a parceria Penguin-Companhia das Letras ter sido fechada – lá nos EUA, os “reading groups” são muito comuns, acontecem em quase todas as livrarias e em boa parte das universidades.

Aqui, o projeto tomou corpo no final de 2010 e, desde então, é coordenado pela Janine Durand e pelo Pedro Schwarcz. Os resultados não deixam de nos impressionar: em seis meses, foram criados treze clubes em cinco cidades do país (Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo).  A partir de maio, com grupos em Campinas e Porto Alegre, serão dezesseis.

Confesso que no começo tive certo preconceito em relação ao formato: falar sobre livros com pessoas do trabalho em um intervalo da rotina me parecia esquisito, nem trabalho, nem lazer.  Eu pensava — e, aqui, espero que meus colegas de clube não me entendam mal — “não sei se me interessa saber de um por um se tal livro agradou ou não e os seus porquês”. Temia que, por ser uma conversa informal, as pessoas desatassem a falar da trama e das personagens com intimidade reservada a assuntos pessoais. Em algum momento, imaginei, vai surgir aquele  julgamento “ela [personagem adúltera] não gostava do marido, por isso aconteceu o que aconteceu, tava na cara desde o começo que ela não prestava”.

No entanto, nas nossas reuniões, mediadas pela Vanessa Ferrari, temos conseguido fugir do tom personalista. Escolhemos trechos para serem lidos em voz alta e defendemos pequenas teses sobre temas tratados no livro. O Outros quartos, outras surpresas, de Daniyal Mueenuddin, rendeu ótima discussão sobre a situação da mulher em alguns países do oriente, e As viagens de Gulliver, que, a princípio, teve uma leitura pouco entusiasmada de grande parte do grupo, acabou por render uma aula do Matinas Suzuki Jr. sobre a importância dos escritos do Jonathan Swift na Inglaterra do século XVIII, sua linguagem e conteúdo radicais para a época. Todos podem sugerir títulos e, ao final de cada encontro, fazemos uma votação para eleger a próxima leitura — nos reunimos uma vez por mês, sempre às sextas-feiras.

Depois de um “lobby” feito pelo Pedro S., e com o meu apoio, o escolhido para o encontro de hoje é o Putas assassinas , do chileno Roberto Bolaño. A figura do poeta é bem recorrente nos contos reunidos nesse volume e, por isso, aproveitei para trazer o livro de poesia do Bolaño, Los Perros Romanticos, ainda não publicado no Brasil.

Poucos sabem, mas o renomado autor de Os detetives selvagens e 2666 foi poeta antes de prosador. Os detetives, presentes no título do romance que deu projeção internacional ao escritor, já aparecem em Los Perros Romanticos, numa série de quatro poemas sequenciados. Selecionei um, “Los detetives helados”, para encerrar essa crônica. Espero que os leitores do blog e meus colegas do grupo de leitura gostem.

Soñe com detectives helados, detectives latinoamericanos
que intentaban mantener los ojos abiertos
en medio del sueño.

Soñe com crímenes horribles
y com tipos cuidadosos
que procuraban no pisar los charcos de sangre
y al mismo tiempo abarcar com una sola mirada
el escenario del crimen.

Soñe com detectives perdidos
en el espejo convexo de los Arnolfini:
nuestra época, nuestras perspectivas,
nuestros modelos del Espanto.

[Para inscrever-se em um dos clubes de leitura, escreva para clubedeleitura@penguincompanhia.com.br]

* * * * *

Juliana Vettore é jornalista e trabalha no departamento de divulgação da Companhia das Letras desde 2007.

Semana trinta e seis

Os lançamentos desta semana foram:

Pipistrelo das mil cores, de Zélia Gattai (Ilustrações de Pedro Rafael)
Se você tem medo de dragão é porque não conhece o Pipistrelo. Ele tem tamanho de gigante, sim, mas come frutas, é bonzinho que só ele e, o mais incrível, tem asas de seda que mudam de cor. Como Pipistrelo não tem voz, se expressa pela cor das asas. Ele nasceu no Pantanal e vive lá, no meio de uma clareira, num lago azul. Mas nenhuma história sobrevive sem um vilão. No caso do coitado do Pipistrelo, são três caçadores que vêm lhe tirar sossego. Eles o levam da floresta, e o pobrezinho acaba num zoológico, todo roxo de tristeza. No entanto, onde tem vilão, tem herói. Leia a história do Pipistrelo e conheça seus defensores!

O Terceiro Reich, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Udo Berger, um escritor fracassado e campeão de jogos de estratégia, volta ao pequeno balneário em que passava as férias na infância e acaba submerso num sombrio drama psicológico. Escrito em 1989, este romance publicado postumamente já apresenta, em ebulição, as características literárias e as obsessões que fariam do autor um fenômeno de crítica e público com obras seminais como Detetives selvagens e 2666.

O mais sensacional guia intergaláctico do espaço — por Ideias-Brilhantes, de Carole Stott (Ilustrações de Ralph Lazar e Lisa Swerling; Tradução de Augusto Pacheco Calil)
Neste livro, além de conhecer um pouco mais sobre o Universo e sua história, o leitor irá descobrir muitos outros mistérios — de que são feitos as estrelas e os planetas, os requisitos para se tornar um astronauta, os veículos de exploração do espaço… E, para acompanhá-lo nessa instrutiva viagem, os Ideias-Brilhantes, pessoas pequenininhas de grandes ideias, passeiam pelas páginas ensinando e fazendo comentários curiosos.

Traduzindo Bolaño

Por Eduardo Brandão

Cleve-van construction-tower-babel
A construção da Torre de Babel, pintura em óleo por Hendrick van Cleve.

O tradutor, de certo modo, é um profissional das sombras. Não que se envolva nelas para, sorrateiramente, na primeira oportunidade, cravar um punhal traiçoeiro nas costas do autor, e de quebra ferir o coitado do leitor. Mas porque seu lugar, vamos dizer, funcional é à sombra do autor: é nesse que a luz incide, e deve incidir. É dele a obra. É ele o criador. É o nome dele que aparece na capa e na lombada. O do tradutor, geralmente, apenas na página de rosto, quando muito um editor mais generoso o põe na quarta capa.

Você talvez ache esquisito que, num mundo em que os holofotes parecem ser tudo, alguém opte por ficar à sombra. “Este cara — a esta altura você já percebeu que sou tradutor — deve morrer de medo de se expor!” Mas a gente se expõe sim. O que o tradutor leva de pancada você não imagina. Os italianos, com aquele seu veneno renascentista de que usaram e abusaram nas lutas pelo poder, pródigos nele foram os Bórgias, chegaram a cunhar um dito peçonhento: traduttori, traditori — tradutores, traidores. O autor comete uma passagem infeliz? O tradutor respira fundo e a reproduz: não cabe a ele corrigir o autor (salvo com o consentimento deste, se vivo: correção psicografada não vale). O leitor percebe a falha e não hesita: “este tradutor é um traidor!” Natural, depois de tantos séculos e tanta gente dizendo isso… Deve ter até quem ache que só existimos para atraiçoar o autor.

Mas não é essa nossa razão de ser, você sabe. Modéstia à parte: à sombra e tomando água fresca, o tradutor cumpre uma função imprescindível, a comunicação entre povos de fala diferente. A certa altura da Educação sentimental, Flaubert aponta que há homens que têm como missão servir de intermediários; você os atravessa como uma ponte, diz ele, e segue em frente. O tradutor é uma ponte assim, que leva o autor estrangeiro a seu leitor e vice-versa.

Voltando ao jogo de luzes e sombras. Faz uns anos, circulava com certa desenvoltura a ideia de que tradução é recriação, o que tornava de certo modo o tradutor um coautor. Isso pode ser verdade na poesia, onde o poeta que verte outro poeta cria um novo poema, de que o original é a matéria-prima. Para citar um pernambucano, é só ler as traduções do Bandeira. CQD.

Mas na prosa essa ideia é incabível, salvo em casos excepcionais. Nela, a tradução perfeita seria a que replicasse tal qual o texto original, criando como que um clone deste na língua do tradutor, feito aquela simpática ovelhinha, como se chamava mesmo, Dolly? Meta inalcançável, claro. Nessa impossibilidade, o tradutor, fixando sempre essa estrela guia, trata de se manter fiel a seu autor, à letra do seu texto, ao seu estilo.

Isso do estilo é uma questão muito séria. Outro dia mesmo foi levantada pelo Paulo Bezerra, esplêndido tradutor de Dostoiévski. Numa entrevista mostrava ele como as traduções antigas deformaram sua escrita: nossos tradutores verteram de segunda mão, geralmente das péssimas (isso o Bezerra não disse, digo eu) traduções francesas do XIX começo do XX, que edulcoravam a linguagem rude do russo genial. Bezerra a restitui, essa rudeza, como aliás as novas traduções que vêm sendo feitas na França. Às vezes, um autor de estilo enrolado, que o tradutor tem de respeitar, provoca novas lambadas no tradutor: “Eta tradução enrolada!” Nem passa pela cabeça do leitor que é uma característica do autor.

O tradutor, ao escrever sua tradução, se esforça por se anular como escritor. Pronto, lá vem você outra vez: “Não disse que este cara tem um problema? Acha o máximo se anular!” Acho mesmo, mas isso só mostra que o tradutor é um ser perfeito, além de sábio e inspirado. Não é pretensão minha, não, quem diz assim é uma máxima taoísta, e com taoísta não se discute, que eles sabem das coisas. Olhe só: “O homem perfeito não tem eu [o tradutor se anula], o homem inspirado não tem obra [ela é do autor], o homem sábio não deixa nome [quem deixa é o autor]”. Viu?

Bom, tudo isto vem à baila por causa de um autor que traduzo desde sua primeira obra publicada aqui (Noturno do Chile, em 2004): Roberto Bolaño. Só não verti uma, Estrela distante, que ficou aos cuidados do Bernardo Ajzenberg. Os refletores já tinham se acendido sobre Os detetives selvagens, a segunda a sair no Brasil, a qual demonstrava ser Bolaño um marco da literatura hispano-americana contemporânea. Este ano focaram-no a plena luz com o lançamento de 2666, que o confirma como um dos mais importantes autores do século XXI e que teve uma formidável repercussão, aqui e no mundo todo. Foi tanta luz, que até o tradutor saiu da sombra. (Fico imaginando como deve se sentir o bacurau quando o farol do carro bate em seus olhos.)

E tome telefonema e e-mails indagando sobre o mister de tradutor, sobre minhas traduções do Bolaño, sobre ele, sua obra, até artigo me pedem, como você está vendo.

Bem, já disse o que penso sobre meu ofício, como procuro exercê-lo e como é portanto o trabalho (prazer imenso) de traduzir Bolaño. Agora vou fazer que nem o bacurau: voar de volta pra sombra, vai que o carro me atropela…

* * * * *

Eduardo Brandão traduz principalmente do francês e do espanhol, com predileção pelas literaturas espanhola e hispano-americana contemporâneas. Veja aqui as obras que ele traduziu pela Companhia das Letras.

[Este texto foi publicado originalmente no Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco.]

Sem nocaute

Nem Bolaño nem Roth. O primeiro embate da série Encontros Impossíveis, na noite de terça, promovido pela Companhia das Letras e pela Livraria da Vila, terminou empatado por pontos. As torcidas de cada um receberam as camisetas “Eu sou Bolaño” ou “Eu sou Phillip Roth” e, aparentemente — depois de muitas risadas, aplausos e discordâncias —, o resultado não frustrou nenhuma das duas. A turma de Roth foi defendida pela escritora, poeta e professora Noemi Jaffe, e a turma de Bolaño, pelo escritor, editor e designer gráfico Joca Reiners Terron.

O debate começou com jabs bem aplicados de Roth (Noemi) contra o que ela chamou de “estilo estiloso” do chileno Roberto Bolaño e sobre o risco de ele virar um escritor “da moda”. Bolaño (Joca) revidou com punchs contra o que caracterizou de “realismo psicológico” de Phillip Roth, criticando também a descrição de algumas cenas de sexo nos livros do escritor americano. Neste ponto do debate, o juiz (o escritor e jornalista Ronaldo Bressane) interferiu alegando que não seriam permitidos “golpes baixos”.

Noemi defendeu-se alegando que o que interessa mesmo em Roth são suas obsessões que se repetem em todos os livros (a mãe, a morte e o sexo) e que ele não glamouriza o fracasso: seus fracassados são fracassados verdadeiros, inclusive quando fazem sexo.

Joca não baixou a guarda e esquivou-se dizendo que os eventuais excessos estilísticos de Bolaño vêm da sua relação com a poesia (Bolaño considerava-se antes de tudo um poeta). Disse também que o escritor chileno é importante porque projeta para o mundo um novo momento da literatura latino-americana, até então internacionalmente marcada pelo realismo mágico de Gabriel García Márquez. Bolaño seria o grande representante da geração que foi obrigada a viver no exílio por causa das ditaduras latino-americanas dos anos 1970 e 1980, uma “geração sem lugar e sem rosto”.

Noemi Jaffe contou como conseguiu uma das raras entrevistas com Roth (escreveu a seu agente dizendo que “era filha de mãe judia e viveu no Bom Retiro”, um aspecto comum aos temas rothianos) e de como ele foi extremamente duro com ela durante a entrevista. Joca Terron contou que descobriu Bolaño nas páginas do jornal espanhol El País, e que ele mesmo, Joca, foi a “primeira pessoa que falou para mim sobre a existência de Roberto Bolaño”.

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