roberto bolaño

Links da semana

Aqui na Companhia nós estamos às voltas com os últimos preparativos para o lançamento do selo Penguin-Companhia das Letras. Acima você vê as provas finais dos quatro primeiros títulos.

Ontem foi o Dia do Rock e, para comemorar, o Meia Palavra e o Mundo Livro fizeram listas de recomendações só com livros sobre o tema.

Ainda falando sobre música, o autor da série Scott Pilgrim, Bryan Lee O’Malley, comenta em seu blog as músicas que entraram para a trilha sonora da adaptação cinematográfica do quadrinho. Para quem está ansioso pelo filme, um featurette foi lançado, com algumas sequências inéditas e comentários de atores e do diretor. O filme tem lançamento previsto para outubro no Brasil, e a editora lançará o segundo volume em setembro.

O curso Publishing Management – O Negócio do Livro da Fundação Getulio Vargas (FGV), que já está em sua terceira turma no Rio de Janeiro, será oferecido em São Paulo, em parceria com a Associação Academia Internacional de Cinema (AAIC). As matrículas estão abertas para turma que se inicia em 21 de agosto de 2010.

A revista Veja está organizando um concurso de resenhas. Basta enviar uma resenha de um dos seis livros escolhidos pela publicação. Serão quatro premiados, que receberão um e-reader Kindle. Sérgio Rodrigues, do Todoprosa, dá dicas de como escrever uma boa resenha.

Os e-readers, aliás, parecem estar prestes a invadir o mercado brasileiro. Pelo menos duas empresas brasileiras pretendem lançar seus leitores digitais nos próximos meses. E, enquanto se discute a utilidade do iPad no meio acadêmico, os escritores já encontraram nos aparelhos da Apple diversas ferramentas úteis para seu trabalho.

Mas nem todos estão satisfeitos com o crescimento da leitura digital: Ricardo Kotscho, autor de Do golpe ao Planalto, lamenta o fim da versão impressa do Jornal do Brasil, onde trabalhou por muitos anos.

A Casa do Saber está oferecendo 75% de desconto em seus cursos de quatro aulas, e Eduardo Brandão, tradutor dos livros de Roberto Bolaño, deu uma entrevista à Folha falando sobre seu trabalho.

Ao mesmo tempo que a polêmica sobre uma suposta continuação da Trilogia Millennium se desenrola, fãs de diversos países começam a visitar a Suécia em busca dos locais mencionados nos livros.

O blog iCult Generation resenhou a graphic novel Maus, de Art Spiegelman. A Julianna, do Caleidoscópicas, falou sobre A revolução dos bichos, e o Rafael, do Metempsicose, leu Verão, de J.M. Coetzee.

O grupo Improv Everywhere recriou uma cena de Star Wars dentro de um vagão do metrô de Nova York, um sobrevivente do holocausto dançou I will survive com a filha e os netos em marcos históricos do nazismo para comemorar sua sorte, e o Shakesperean Insulter oferece opções peculiares de xingamentos, inspirados ou retirados diretamente dos textos do bardo inglês.

A Mari, do Todos os livros do mundo, postou uma resenha de Achei que meu pai fosse Deus, o Pedro mantém um blog onde disseca vários aspectos da série As aventuras de Tintim, enquanto um jornalista americano pondera sobre a quantidade de artistas brasileiros trabalhando em gibis americanos.

E, por fim, a Companhia comprou os direitos de publicação de Medium raw: a bloody valentine to the world of food and the people who cook, continuação de Cozinha confidencial, e a revista Slate fez uma entrevista com o autor, o chef e apresentador Anthony Bourdain.

Testamento geométrico

Por Tony Bellotto

Livro pendurado em varal, assim como no experimento de Amalfitano ou no Unhappy Readymade de Duchamp. (Foto por uair01)

Não sei vocês, mas ando há algum tempo carregando meu 2666 pra tudo quanto é lado. O volume é pesado como um paralelepípedo, e falo apenas de sua forma — como dizer — externa. Por dentro, é claro, o livro pesa mais que as pontes Estaiada e a Rio-Niterói juntas. Sei que a obra de Bolaño vem sendo comentada e fruida por muitos ultimamente e não cabe a mim tecer críticas, loas ou digressões que sejam sobre o vasto romance. Como um leitor intuitivo e um tanto superficial, desprovido de repertório técnico e acadêmico, me limito a considerações práticas e, por que não, úteis aos que se arriscam pela sua leitura (imperdível, diga-se de passagem).

Por exemplo, não recomendo a leitura de 2666 em sushi-bares. Caso esteja sozinho, e tenha a ótima ideia de jantar no balcão de seu japonês predileto acompanhado de um livro, opte por uma edição de bolso ou algo menos substancial. Seu jantar pode ser comprometido pelo mau-humor do cliente ao lado, inconformado com aquele livrão a disputar espaço com polvos, nabos e atuns, além, claro, do desprazer de ver as tão cuidadosamente diagramadas páginas da edição brasileira manchadas de shoyu. As manchas de chá verde não são tão marcantes, fica aqui a dica.

Outro perigo, ler 2666 antes de dormir, deitado na cama. Não preciso explicar como adquiri um galo na testa e um pequeno corte no supercílio esquerdo. Por outro lado, a presença constante de 2666 pode proporcionar encontros mágicos e papos interessantíssimos, como a da senhora que encontrei outro dia num voo da ponte aérea, que, ao me ver com o Bolañaço nos braços, interpelou-me sem maiores delongas: “Em que parte você está?”. “Na Parte de Fate”, respondi. “Muito boa”, ela disse. “Estou com alguma dificuldade para concluir a Parte dos crimes”, prosseguiu, “mas achei a Parte de Amalfitano ma-ra-vi-lho-sa. Que homem louco, mas profundamente humano e apaixonante!”. Concordo com ela, a Celina, artista plástica, viúva de um aviador, dona de uma pousada em Itaipava e a caminho de São Paulo para a formatura de uma das netas no curso de medicina da USP.

Passadas algumas semanas desse encontro, como direi, bolañesco, também me deparo com alguma dificuldade para atravessar a Parte dos crimes, não sei se pela aridez do tema ou pelo excesso de subtramas e personagens. Talvez seja por puro prazer: diminuo o ritmo para melhor saborear as passagens que me remetem a um de meus autores prediletos, James Ellroy. Sei que cada um há de reconhecer alguém, ou um autor especial, nas inúmeras possibilidades e vias alternativas oferecidas pelo texto de Bolaño, mas tenho certeza de que ao final da leitura muitos farão (ou já fizeram) com o 2666 o que Amalfitano, inspirado por Marcel Duchamp, fez com O testamento geométrico, do escritor galego Rafael Dieste: pendurar o livro num varal. Aviso: embora eu ainda não tenha terminado a leitura, já ensaiei pendurá-lo no varal. Não é fácil, o livro é muito pesado, como se sabe. Resta sempre a possibilidade de atirá-lo à lareira acesa, como faz em momentos de reflexão o detetive catalão Pepe Carvalho, a quem a visão dos livros queimando produz um estranho efeito calmante. O que não posso aceitar é que um livro tão vibrante quanto o 2666 acabe seus dias repousando em silêncio em minha estante — como um velho gordo e aposentado — ainda que acompanhado, na letra B, de pesos pesados como Ballard, Block, Borges, Bowles, Bukowski, Burgess e Burroughs.

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Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu próximo livro, No buraco, será lançado pela Companhia das Letras em outubro.

As 2666 histórias viscerais de Roberto Bolaño

Por Pedro Jabur

Roberto Bolaño não é um só. Seus livros também não. Suas 2666 histórias se desdobram dentro de outras histórias, e estas, dentro de outras. Sempre inacabadas. Como num jogo de amarelinha ― mais selvagem e infindável do que aquele inventado por Cortázar ―, nós, leitores, como se estivéssemos escondidos no banheiro da Faculdade de Filosofia e Letras, passamos os dias lendo-as, famintos e apavorados, submetidos a uma agonia sem fim de personagens, que aparecem e desaparecem.

E quando se está quase adormecendo, Arturo Belano, o autor dessa longa história de um livro só, nos desperta com um programa de TV, onde uma mulher obesa é humilhada pelo seu marido e sua amante. Como detetives (selvagens), seguimos o aparelho ligado, que não nos levará a nenhum tipo de solução definitiva. É, na verdade, uma prova de resistência de histórias.

Em Bolaño, não há descanso. Somos convocados a todo instante. Infra-histórias: antes de Oscar Fate encontrar Rosa Amalfitano na platéia da luta de boxe, alguém some com o protetor bucal do pugilista em nocaute. Alguém liga para isso? Quem mais estava lá? Existe um culpado? Ulisses? Nuria? Lalo Cura? Carlos Wieder? Há uma série infindável de possibilidades, pois acompanhamos parte, sempre uma parte, momentânea e por isso inacabada, de suas histórias e culpas. Não são encontros, somente esbarrões.

Seguimos pistas, sempre provisórias. Existe um lixão em Santa Tereza chamado El Chile. Não estariam lá todos esses personagens perdidos e todos esses livros misteriosos que ninguém conhece? Lemos, lemos sem parar Roberto Bolaño para tentar chegar nesse lugar, aonde não se chega. Como uma usina de histórias, espécie de repositório inconsciente e visceral do escritor, El Chile, porém, não cessa nunca de inventá-las e nos convidar para segui-las.

Por isso, exaustos, quando se termina 2666, o melhor é colocá-lo também em prova, dependurado num varal de roupas.

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Pedro Jabur foi o primeiro colocado do Concurso Bolañomania, e por isso sua resenha está publicada aqui no blog. Parabéns, Pedro!

Vencedores do Concurso Bolañomania

As melhores resenhas foram escolhidas! Os cinco ganhadores da sacola exclusiva com um exemplar de 2666 são:

  • Eder Alex – “Mentirarias sob a névoa da verdade”
  • Leonardo Petersen Lamha – “O noturno de Bolaño”
  • Pedro Jabur – “As 2666 histórias viscerais de Bolaño”
  • Tiago Santos Lima – “A parte dos leitores”
  • Vinícius de Melo Justo – “Amuleto, um hieróglifo”

O primeiro colocado foi Pedro Jabur, e portanto sua resenha será publicada aqui no blog amanhã.

Parabéns aos vencedores, entraremos em contato com vocês por e-mail! E obrigada a todos que participaram!

Dia B é dia de Roberto Bolaño

Ainda comemorando o lançamento da obra definitiva de Roberto Bolaño, 2666, a Companhia das Letras promove, no dia 12 de junho, o Dia B.

Se você tem acompanhado nossas redes e ficou curioso para saber o que é o Dia B, aí vai:

Somente no dia 12 de junho, também conhecido como dia dos namorados, todos os livros de Roberto Bolaño publicados pela Companhia das Letras estarão à venda com 25% de desconto nas seguintes livrarias:

  • FNAC (Morumbi, Pinheiros, Paulista, Barra)
  • Livraria Cultura (Conjunto Nacional, Shopping Villa-Lobos, Market Place Shopping Center, Bourbon Shopping São Paulo, Villa Daslu, Shopping Center Iguatemi Campinas, Bourbon Shopping Country Porto Alegre, Paço Alfândega Recife, Casapark Shopping Center Guará, Shopping Center Iguatemi Brasília)
  • Martins Fontes (Paulista)
  • Travessa (Ipanema, Leblon, Barra, 7 de setembro)
  • Livraria da Vila (Fradique, Cidade Jardim, Lorena, Moema, Itaim)

Além do desconto, você também ganha um brinde. Isso é Dia B!