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Quando nasceu São Paulo

Por Roberto Pompeu de Toledo

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“Fundação de São Paulo”, de Antônio Parreiras, 1913.

São Paulo faz 462 anos hoje. Ou seriam 463? Ou 456? Pouca gente sabe que dá para escolher a data da fundação da cidade segundo a preferência do freguês. De acordo com a versão vitoriosa, a cidade foi fundada no dia 25 de janeiro de 1554. Nesse dia, doze ou treze jesuítas rezaram uma missa que deu por inaugurado, num platô cercado pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú, um colégio a que deram o nome de São Paulo, e com o qual pretendiam catequizar os índios da região.

Pouco menos de um ano antes, em abril de 1553, o governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, em visita de inspeção à capitania de São Vicente, concedera “foral de vila” à povoação chamada de Santo André da Borda do Campo, situada na região em que, terminada a subida da serra do Mar, abre-se um extenso planalto descampado. Tratava-se de um povoado que reunia um punhado de portugueses — náufragos e degradados —, suas mulheres índias e filhos mamelucos, ao redor de uma capela dedicada a Santo André, erguida três anos antes pelo primeiro jesuíta a chegar por estas bandas, o padre Leonardo Nunes. (Não confundir com a atual Santo André, fundada no século XIX, em local próximo, mas não o mesmo.)

As duas situações são bem diferentes, quase opostas. Ao receber o foral de vila, Santo André foi reconhecida oficialmente pela autoridade competente como município. Como tal, pôde constituir uma Câmara dos Vereadores e erguer um pelourinho, símbolo da justiça praticada pelas autoridades locais. Já no platô entre o Tamanduateí e o Anhangabaú fundou-se um colégio, não mais que isso. Nenhum dos presentes imaginou que estivesse fundando uma cidade. Pelo contrário, segundo a utopia formulada pelo principal dos jesuítas, o padre Manuel da Nóbrega, o objetivo era manter os índios catequizados o mais longe possível dos portugueses e suas instituições, de forma a se constituírem em cristãos perfeitos, filhos exclusivos da pureza e da bondade, incontaminados pelas perversões dos europeus.

Ambos os empreendimentos fracassaram. Três anos depois, os índios reunidos em torno do colégio dos jesuítas já se haviam dispersado. Cansaram da vida estranha e regrada que os padres tentavam lhes impor. Os padres, de sua parte, não demoraram a se dar conta de quão inútil era tentar inculcar em tais discípulos conceitos como os de pecado, de monoteísmo e de monogamia. Na vila de Santo André, ao mesmo tempo, reinava a insegurança e a escassez. O local era vítima de constantes ataques de índios e, para piorar as coisas, não contava com água suficiente para as necessidades humanas. Descoroçoados, os moradores ameaçavam abandoná-lo.

Configurava-se um panorama em que, de um lado, tinha-se um povoado situado em lugar inadequado, à míngua de água e de proteção; de outro, tinha-se um colégio desativado e uma população reduzida a uns poucos padres remanescentes, num platô em boa situação para vislumbrar inimigos à distância e combatê-los, e ainda por cima bem abastecido de água. Que fazer? A resposta era óbvia: transferir a população de Santo André para a colina em que ficava o colégio de São Paulo.

Foi o que passaram a reivindicar os habitantes de Santo André. E foi com o que concordou outro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, quando, em 1560, encontrava-se por sua vez em visita de inspeção à capitania. Santo André mudou-se com armas e bagagens para junto do colégio de São Paulo. Quer dizer: levou consigo o foral de vila, a Câmara dos Vereadores e o Pelourinho. São Paulo nunca teve um foral de vila. Oficialmente, foi considerada uma continuação de Santo André. Atas da Câmara de quando a vila ainda se situava em Santo André até hoje são guardadas no Arquivo Histórico Municipal Washington Luís.

Está aí por que o freguês pode escolher a data de sua preferência. Pode considerar que São Paulo foi fundada em 1553, ano da elevação do povoado de Santo André à categoria de vila; em 1554, ano da criação do colégio dos jesuítas; ou em 1560, ano em que a população de Santo André se transferiu para o que é hoje o centro histórico de São Paulo, iniciando a efetiva vida do local.

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Roberto Pompeu de Toledo nasceu em São Paulo. Desde 1991 assina uma coluna na revista Veja. Trabalhou no Jornal da Tarde, no Jornal da República, na revista Isto É e no Jornal do Brasil. É autor de reportagens sobre política, cultura e história e publicou pela Editora Objetiva A capital da solidão A capital da vertigem, livros que contam a história de São Paulo.

 

Os melhores livros de 2015

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Já é tradição fazermos um balanço no blog dos melhores livros do ano que passou. Reunimos neste post diversas listas de importantes veículos da imprensa nacional que escolheram os destaques de 2015. Se você perdeu algum lançamento e procura uma boa história para ler agora em 2016, conheça os livros do Grupo Companhia das Letras que mais se destacaram no último ano.

Entre o mundo e eu

Em Entre o mundo e eu, Ta-Nehisi Coates relembra seus momentos da infância em Baltimore e sobre como as tensões raciais sempre estiveram presentes em um Estados Unidos que se recusa a acordar do sonho americano. Na lista de melhores livros de: O GloboRisca Faca.

Dois irmãos

O grande e trágico épico de Milton Hatoum adaptado por dois dos mais extraordinários quadrinistas da atualidade, Fábio Moon e Gabriel Bá, entrou na lista de melhores HQs do ano do site Risca Faca.

Jeito de matar lagartas

Vencedor do Prêmio APCA na categoria contos/crônicas, o livro de Antonio Carlos Viana narra histórias do cotidiano aparentemente banais, mas que tocam em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A capital da vertigem

No segundo livro de Roberto Pompeu de Toledo sobre a cidade de São Paulo, o jornalista faz um panorama monumental da capital, sobre como surge uma cidade que deixa a condição de vila e se impregna com a fuligem das chaminés, o vapor das fábricas e a fumaça dos automóveis.Na lista de melhores livros do Risca Faca.

Submissão

Em Submissão, Michel Houellebecq faz uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade, e foi também um dos livros mais comentados de 2015. Na lista de melhores livros de: Estado de S. Paulo, El País BrasilJornal Opção e Veja

A noite do meu bem

A noite do meu bem, novo livro de Ruy Castro, mergulha na vida noturna da capital carioca nos anos 1940, 50 e 60 para contar a história do samba-canção, e entrou na lista de melhores livros do jornal O Globo.

A ilha da infância

Terceiro livro da série Minha Luta, de Karl Ove Knausgård, este volume narra a infância do autor em uma pequena ilha da Noruega. A ilha da infância está na lista de melhores livros do ano do Risca Faca.

Ainda estou aqui

Após 35 anos do lançamento de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva volta a falar sobre a história de sua família durante a ditadura militar em Ainda estou aqui. Concentrando o relato também em sua mãe, Eunice, o livro entrou na lista de melhores livros de O Globo.

A queda do céu

Davi Kopenawa, grande xamã e porta-voz dos Yanomami, e o antropólogo francês Bruce Albert oferecem neste livro um relato excepcional sobre a realidade indígena, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

O livro das semelhanças

O livro das semelhanças desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensível de uma das vozes mais originais da poesia brasileira: Ana Martins Marques. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco

Revival

Revival, publicado no Brasil pela Suma de Letras, é uma história eletrizante de Stephen King sobre vício, fanatismo e o que existe do outro lado da vida. Está na lista de melhores livros da revista Veja.

O amor das sombras

Os contos de Ronaldo Correia de Brito em O amor nas sombras falam de traição, repressão, segredos e linhagens assombradas por uma herança de violência. A cada conto, a cada personagem, ele revela algo novo, sempre buscando um caminho distinto. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A zona de interesse

A zona de interesse, de Martin Amis se passa em Auschwitz em 1942, e cada um dos vários narradores do livro testemunha o horror inominável  do campo de concentração a sua maneira. Na lista de melhores livros da Veja.

Brasil: Uma biografia

Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling tratam o país como um personagem em Brasil: Uma biografia, livro com texto acessível que propõe uma nova e pouco convencional história do Brasil. Na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Diários da presidência

Durante seus dois mandatos como presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso manteve o hábito quase semanal de registrar, num gravador, o dia a dia do poder. O primeiro volume de Diários da presidência, que traz a transcrição dos dois primeiros anos de FHC como presidente, entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

Escuta

Com Escuta, Eucanaã Ferraz mais uma vez avança em sua escrita e confere vigor a toda a poesia brasileira. É o que levou o livro a figurar na lista de melhores do ano do Suplemento Pernambuco.

Assim começa o mal

Tendo como título um verso da tragédia shakespeariana Hamlet, o novo romance de Javier Marías apresenta um olhar arrebatador e inesquecível sobre o desejo e o rancor tendo como cenário a Madri pós-ditadura franquista nos anos 1980. Na lista de melhores livros de: Suplemento Pernambuco e Jornal Opção.

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai

Hannah, de 14 anos, é portadora de uma doença congênita e está perdida. No cenário de destruição da Europa após a Segunda Guerra Mundial, ela encontra Marius, um homem que guarda seus próprios segredos e parte com a menina em busca de seu pai. O livro de Gonçalo M. Tavares está na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Assim foi Auschwitz

Primo Levi e Leonardo De Benedetti, logo após o fim da Segunda Guerra, são encarregados de elaborar um relatório detalhado sobre as abomináveis condições de saúde dos campos de concentração. O relato está em Assim foi Auschwitz, que entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

Imagens da capital da vertigem

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A capital da vertigem, obra de fôlego do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, cobre o período entre 1900 e 1954, quando São Paulo se torna a principal cidade brasileira, passa por um profundo processo de industrialização e ultrapassa o Rio de Janeiro em tamanho, número de habitantes e geração de riquezas. A capital paulista passa também a ditar o modelo cultural que iria predominar no século XX: o modernismo.

O livro descreve as mudanças urbanas de São Paulo, o surgimento das grandes avenidas (Paulista, São João), dos parques e jardins a exemplo de cidades modernas, como Paris (o ajardinamento do Vale do Anhangabaú), e os primeiros arranha-céus (Edifício Sampaio Moreira, de 1924, Edifício Martinelli, de 1929, as primeiras casas modernistas de Warchavchik, de 1930). São Paulo se torna, de fato, uma cidade cosmopolita.

Separamos alguns trechos do livro sobre as mudanças da paisagem urbana da maior cidade da América do Sul e imagens raras em vídeos ao longo dessas cinco décadas para você ver São Paulo de um jeito diferente.

São Paulo de 1900 a 1910.

São Paulo na década de 1920.

Cenas da cidade de São Paulo no ano de 1943 mostram o Vale do Anhangabaú, Avenida 9 de Julho, Biblioteca Mário de Andrade, Estádio do Pacaembu, Avenida Brasil, Fábrica da Pirelli, entre outros.

São Paulo na década de 1940.

Edifício Martinelli, que leva o nome de seu idealizador, o imigrante da Toscana Giuseppe Martinelli.

“Martinelli contratou o arquiteto húngaro William Fillinger para fazer os primeiros esboços. Neles já apareciam as quatro reentrâncias, dando ideia de quatro corpos distintos, que seriam a marca registrada do edifício. A construção começou em 1924. Os cálculos da estrutura de concreto armado eram feitos com a meta de se levantar de catorze a eventualmente dezoito andares. Martinelli queria tudo do bom e do melhor. O cimento, que só dois anos depois começaria a ser produzido no Brasil, era importado da Suécia. (…) A inauguração foi em 1929. O prédio abrigou um hotel — o São Bento —, um cinema — o Rosário — e salões para eventos — o salão Verde e o Mourisco. Tudo ‘de luxo’.”

Edifício Banespa – inspiração no Empire State Building

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“Em fevereiro de 1946 o novo prédio do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) ainda estava a um ano e quatro meses da inauguração oficial, mas já se destacava na paisagem, no centro da praça Antônio Prado e a cavaleiro da avenida São João. A coroar seu porte esguio, os últimos andares se estreitavam uns sobre os outros, num estilo bolo de noiva que imitava o Empire State Building, símbolo supremo de Nova York e mais famoso arranha-céu do mundo. Nunca São Paulo expressara tão explicitamente a aspiração de ser Nova York. Era uma época em que a capital do delírio delirava de autocelebração. Era ‘a cidade que mais cresce no mundo’, além de ‘o maior centro industrial da América do Sul’, como apregoavam os letreiros nos bondes, ou ainda “o maior centro industrial da América Latina.”

Arquitetura modernista de Gregori Ilitch Warchavchik (vídeo com registro raro de Mário de Andrade recuperado pela Biblioteca da FAU/USP).

“Warchavchik fugiu do país natal convulsionado pela guerra civil em 1918; (…) em 1923, aos 27 anos de idade, embarcou para o Brasil. (…) Em 1927, Warchavichik casou-se com Mina Klabin, filha do industrial Maurício Klabin, de origem lituana. (…) No mesmo ano, em terreno destacado da vasta gleba possuída pelo sogro na Vila Mariana, ele poria pela primeira vez em prática suas ideias com a construção, na rua Santa Cruz, para própria residência, daquela que passaria para a história como a primeira casa modernista do Brasil. Toda branca, em formas rigorosamente geométricas e sem resquício de recursos decorativos, a casa da rua Santa Cruz, inaugurada em 1928, causou na mentalidade vigente espanto semelhante aos quadros de Anita Malfatti ou aos poemas da Pauliceia desvairada.”

Avenida São João – A Cinelândia paulistana e os cinemas palácios

“A São João já vinha cevando a condição de ‘Cinelândia paulistana’ desde a década anterior. Foi quando surgiram na avenida os primeiros “cinemas palácios” — salas amplas, suntuosas, de exuberantes fachadas. O primeiro dessa linhagem foi o Broadway (inaugurado em 1934), de fachada art déco e cúpula de vidro. (…) O segundo foi o Art Ufa (1936), administrado pela poderosa produtora cinematográfica Universum Film que ostentava no nome, e especializado em filmes alemães. (…) E o terceiro dos cinemas palácios foi o Metro (1938), de arquitetura igual à que a Metro-Goldwyn-Mayer impunha a seus exibidores ao redor do mundo. Na década de 1940 o investimento nos cinemas duplicou. Em 1943 surgiu o Ipiranga, na avenida do mesmo nome, mas juntinho à São João, quase na esquina. (…) Dois anos depois o Marabá lhe veio fazer companhia, do outro lado da rua. Havia ainda o Bandeirantes, no largo do Paissandu, o Ritz, na própria São João, o Ópera, na rua Dom José de Barros. E no fim da década de 1940 já estava em construção aquele que viria para arrasar — o Marrocos, na Líbero Badaró.”

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vertigemA CAPITAL DA VERTIGEM
Sinopse: Após reconstituir em A capital da solidão a história de São Paulo das origens a 1900, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em A capital da vertigem sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem: vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística.

Lançamento:

São Paulo — Terça-feira, 30 de junho, às 19h, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Rua Maranhão, 88).

Roberto Pompeu de Toledo também é um dos convidados da FLIP 2015. Ele divide a mesa “São Paulo! comoção de minha vida…” com Carlos Augusto Calil no dia 3 de julho, às 12h. Os ingressos estão à venda.

Prepare-se para a Flip

Hoje tivemos a coletiva da Festa Literária Internacional de Paraty, que anunciou os convidados de sua 13ª edição. Em 2015, a Flip vai acontecer entre os dias 1º e 5 de julho e tem como autor homenageado Mário de Andrade. A Companhia das Letras e a Objetiva têm diversos autores entre os convidados deste ano. Conheça!

Colm Tóibín

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Um dos principais nomes da ficção estrangeira, o irlandês Colm Tóibín ganhou o Costa Book Award e o Los Angeles Times Book Prize, entre diversos outros prêmios. É autor de seis livros, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras: A luz do farol (2004), O mestre (2005), Mães e filhos (2008), Brooklyn (2011) — que ganhou uma adaptação para os cinemas — e O testamento de Maria (2013). Seu romance mais recente, Nora Webster, está nas listas de melhores livros de 2014 dos principais jornais e revistas literárias, e chega em junho às livrarias brasileiras. O autor vive em Dublin e em Nova York.

Mesa Encontro com Colm Tóibín — Quinta-feira, 2 de julho, às 19h30.

Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro em 1961. É autor de, entre outros, Martelo (1997), Desassombro (2002) — vencedor do prêmio Alphonsus Guimarães, da Biblioteca Nacional, de melhor livro de poesia de 2002 — e Cinemateca (2008). É professor de literatura brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, além de autor, também foi organizador de livros como Letra só (2003) e O mundo não é chato (2005), de Caetano Veloso. É coordenador editorial da Coleção Vinicius de Moraes. Seu livro de poemas mais recente, Escuta, foi lançado março deste ano. Na Flip, Eucanaã vai participar da mesa “A Cidade e o Território”, um diálogo entre arquitetura e literatura brasileira com Antonio Risério.

Mesa “A cidade e o território” — Quinta-feira, 2 de julho, às 10h.

Ngũgĩ wa Thiong’o

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Ngũgĩ wa Thiong’o é um escritor queniano. A sua obra inclui novelas, peças teatrais, contos e ensaios, da crítica social à literatura infantil. Um grão de trigo, publicado originalmente em 1967, será lançado no Brasil pela Alfaguara em junho e trata do difícil processo de independência do Quênia. O autor participa da mesa com Richard Flanagan sobre literatura no Hemisfério Sul.

Mesa “Escrever ao sul” — Sexta-feira, 3 de julho, às 17h15.

Eduardo Giannetti

Eduardo Giannetti, filósofo.

Eduardo Giannetti nasceu em Belo Horizonte em 1957. É formado em economia e em ciências sociais pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge. Foi o vencedor do Prêmio Jabuti de 1994 na categoria Estudos Literários (Ensaio) com o livro Vícios privados, benefícios públicos?, e no Jabuti de 2006 ficou em segundo lugar na categoria Economia, Administração, Negócios e Direito com O valor do amanhã. Giannetti participa de uma conversa sobre a mente na mesa com o neurocientista Sidarta Ribeiro.

Mesa “As ilusões da mente” — Sexta-feira, 3 de julho, às 15h.

José Miguel Wisnik

Jose Miguel Wisnik1 - 2008 ©Adriana Vichi

Nasceu em São Vicente, São Paulo, em 1948. É professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo, além de pianista e compositor. Pela Companhia das Letras, publicou O som e o sentido — Uma outra história das músicas (1989) e Veneno remédio — O futebol e o Brasil (2008). Também selecionou e escreveu o prefácio do livro Poemas escolhidos de Gregório de Matos (2010). Em sua mesa, que encerra a Flip 2015, fará um retrato de Mário de Andrade, autor homenageado desta edição.

Conferência de encerramento — Domingo, 5 de julho, às 14h.

Rafael Campos Rocha

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Nascido em São Paulo, em 1970, Rafael Campos Rocha já trabalhou como produtor gráfico, desenhista de animação, professor de história da arte, cenógrafo, artista plástico, cartunista e ilustrador. Em 2012 lançou pela Quadrinhos na Cia. a sua primeira graphic novelDeus, essa gostosa, em que Deus assume a forma de uma mulher negra, proprietária de um sex-shop, ligada nos movimentos mais exóticos (e esotéricos) do assim chamado amor carnal. Vai participar da mesa com Riad Sattouf, ex-colaborador da Charlie Hebdo, sobre batalhas culturais nas HQs.

Mesa “Letras e imagens” — Sexta-feira, 3 de julho, às 10h30. 

Arnaldo Antunes

ANTUNES, Arnaldo

Músico, compositor, artista visual e poeta, Arnaldo Antunes nasceu em São Paulo em 1960 e foi integrante da banda Titãs até 1992. Entre projetos solo e com outros músicos, é um dos principais compositores brasileiros. Já tem 18 livros publicados, entre eles As coisas, que ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia em 1993. Em junho, lança pela Companhia das Letras Agora aqui ninguém precisa de si. Rock e poesia se unem na mesa com o autor e a estreante Karina Buhr.

Mesa “Desperdiçando verso” — Sábado, 4 de julho, às 21h30.

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo, São Paulo, 2015.

Roberto Pompeu de Toledo nasceu em São Paulo. Desde 1991 assina uma coluna na revista Veja. Trabalhou no Jornal da Tarde, no Jornal da República, na revista Isto É e no Jornal do Brasil. É autor de reportagens sobre política, cultura e história e autor dos livros A capital da solidãoA capital da vertigem, que chega em breve nas livrarias. Participa da mesa “Como era a cidade em que o Mário viveu?”.

Mesa “São Paulo! comoção de minha vida…” — Sexta-feira, 3 de julho, às 12h.

Reinaldo Moraes

REINALDO MORAES

Nasceu em São Paulo, em 1950. Estreou na literatura em 1981 com Tanto faz e depois publicou Abacaxi (1985) — reeditados em 2011 num volume único pelo selo Má Companhia. Passou dezessete anos sem publicar ficção, até lançar o romance juvenil A órbita dos caracóis (2003), os contos de Umidade (2005), a história infantil Barata! (2007) e o romance Pornopopéia (2009, Objetiva). Reinaldo Moraes vai participar da mesa Os Imoraes sobre literatura erótica e pornográfica.

Mesa “Os imoraes” — Sexta-feira, 3 de julho, às 21h30.

Confira a programação completa da Flip.

Companhia apresenta: A capital da vertigem

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O jornalista Roberto Pompeu de Toledo levou quatro anos para reconstituir em A capital da solidão a história de São Paulo das origens a 1900. Agora, após três anos de trabalho, ele lança A capital da vertigem, que conta a trajetória da cidade do início do século XX até 1954, quando ela completou quatrocentos anos, já na condição de maior metrópole do Brasil.

Neste panorama abrangente de São Paulo, aparecem personagens como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Di Cavalcanti, Washington Luís, Cacilda Becker, Prestes Maia, Antônio Prado, Francisco Matarazzo, Getúlio Vargas e Jânio Quadros. Da Semana de Arte Moderna de 1922 à gripe espanhola, da Revolução de 1924 à chegada do futebol, nada escapa ao olhar minucioso e revelador de Pompeu. Para você conhecer mais sobre o livro que chega agora em maio nas livrarias, o editor da Objetiva Mauro Ventura fez cinco perguntas para Roberto Pompeu de Toledo. Leia a seguir.

Por que a São Paulo deste período foi batizada por você de a capital da vertigem?

Ao crescimento vertiginoso e às ambições vertiginosas, somavam-se as ideias vertiginosas na cabeça dos intelectuais e artistas modernistas que moldaram a cultura do período. É pouco? Então vai mais uma razão: a acelerada verticalização, que a destacava entre as cidades brasileiras como candidata a uma Nova York ou Chicago do sul, provocava vertigem no sentido próprio, o da sensação ao mesmo tempo inebriante e amedrontadora de galgar às alturas. Continua pouco? Então vai outra ainda: a empreitada desafiadora e algo delirante como construir o Monumento às Bandeiras (de Victor Brecheret), que, ao longo de décadas, somou a religiosa aplicação do artista ao rude empenho de extrair, transportar e moldar toneladas de pedra. Para mim, essa obra representa o estado de espírito da São Paulo do período tanto quanto os arcos de triunfo, que na Europa celebraram desde as glórias dos imperadores em Roma até as vitórias de Napoleão Bonaparte na França. Só numa capital da vertigem, que São Paulo foi só naquele período e depois nunca mais, se gastaria tanto trabalho, tempo e dinheiro numa obra sem utilidade prática. Imaginava-se (ingenuamente, hoje se sabe) que não havia limites ao progresso e que um futuro igual ao do mundo desenvolvido estava ao alcance da mão.

O que fez São Paulo deixar a condição de vila do início do século XX, quando começa o livro, para se tornar a maior cidade do país, quando se encerra a obra?

Na verdade, a arrancada começa nos capítulos finais do livro anterior, com o cultivo em larga escala, no interior paulista, do café, matéria-prima para a bebida que se tornara a mais apreciada nos centros mais avançados do mundo. São Paulo, que além de capital da província (depois estado) estava estrategicamente colocada entre a região produtora e o porto de exportação, em Santos, beneficiou-se dessa riqueza súbita para, de forma igualmente súbita, passar de modorrenta vila do interior a dinâmico centro de negócios e de serviços e, no passo seguinte, a centro industrial.

O que mais o surpreendeu nesse mergulho na São Paulo da primeira metade do século XX? Foram muitas as descobertas?

As maiores descobertas, como sempre, estão nos detalhes — um livro como Madame Pommery —, de Hilácio Tácito, que trata da vida nos bordéis, ou melhor, “pensões de moças”, no início do século XX (e como havia pensões de moças!), ou os textos de um cronista social dos anos 1940. São preciosas colaborações à colagem que pretendi fazer sobre a vida na cidade. Pesquisei muito nas coleções dos jornais, hoje disponíveis online. Daí surgem relatos muito vivos, como é próprio dos relatos feitos ao calor da hora — mais vivos do que aparecem nos livros de história —, de eventos como o surto de gripe espanhola em 1918 e a Revolução de 1924.

Apesar do grande volume de informações, este panorama monumental da história de São Paulo de 1900 a 1954 é narrado de forma fluente. Como você fez para fugir ao academicismo?

Acho que a primeira condição para fugir do academicismo é não ser acadêmico — e eu não sou. Não sou um historiador — não tenho formação para tal. Considero-me um narrador da história. Como escritor e como jornalista, narrar direito, de forma precisa, mas atraente ao leitor, sempre foi para mim preocupação central.

Apesar de ser um livro sobre a história de São Paulo, ele não atrai o interesse só dos paulistas em geral e dos paulistanos em particular. Ele interessa a qualquer tipo de leitor, tantos são os personagens e as situações de alcance nacional. Você procurou desde o início buscar um público amplo?

Para um jornalista, mirar num público amplo é uma obrigação. Não tive esse objetivo nem antes nem depois de iniciar o trabalho. O objetivo é permanente. O fato de o livro poder interessar a um público maior que o paulista e paulistano não é mérito meu, mas da história de São Paulo, que corre sempre em paralelo muito estreito com a história do Brasil.