romance gráfico

Semana cinquenta e três

A divina comédia, de Seymour Chwast (Tradução de Alexandre Boide)
Nesta versão em quadrinhos de Seymour Chwast para o poema épico de Dante Alighieri, o autor e seu guia Virgílio usam chapéu de feltro e vagam pelos domínios de um Inferno, um Purgatório e um Paraíso em estilo noir. No caminho eles deparam com inúmeros pecadores e santos — muitos deles são pessoas reais às quais Dante designa uma punição horrível — e ficam frente a frente com Deus e Lúcifer. Chwast cria uma fantasia visual a cada página. Suas ilustrações criativas resgatam a complexidade delirante desse clássico do cânone ocidental.

História do cerco de Lisboa, de José Saramago
Um ato gratuito, sem explicações aparentes, compele o revisor Raimundo Silva a inserir um termo que falsifica a “verdade” histórica. Essa fraude que se impõe àquele fiel respeitador de textos alheios é a origem da fascinante fabulação que Saramago sobrepõe à história do cerco de Lisboa. A nova história do cerco é a crônica do amor tardio do revisor falsário por Mara Sara, que se espelha, oito séculos depois, no amor primevo do soldado Mogeuime por Ouroana, aos pés da cidade prestes a cair. Assim, a Lisboa de Saramago também se refaz nas ruas da cidadela moura e no arraial português, e o que surge desse amálgama é a um só tempo um thriller e um retrato histórico, como só a mais acabada literatura é capaz de fazer.

O museu da inocência, de Orhan Pamuk (Tradução de Sergio Flaksman)
Kemal, homem nos seus trinta anos, descendente de uma família rica e tradicional, está prestes a se casar com Sibel, mulher inteligente e refinada. Na Turquia dos anos 1970, eles representam um casal moderno, que se arrisca a fazer sexo antes do casamento. A vida de Kemal, de fato, parece completa em todos os aspectos — financeiro, familiar e amoroso. No entanto, ao reencontrar-se com Füsun, uma prima distante de dezoito anos que trabalha como vendedora em uma boutique, toda a sua estabilidade colapsa. Ele passa a ter encontros sexuais frequentes com a jovem bela e esbelta, embora não considere romper o noivado com Sibel, a esposa perfeita aos olhos da sociedade turca. A partir dessa história de desilusão, obsessão amorosa e embate entre Ocidente e Oriente, tradição e modernidade, Orhan Pamuk desenha um panorama social e cultural da Turquia.

Na casa do Leo — Os dinossauros, de Philip Ardagh (Ilustrações de Mike Gordon; Tradução de Érico Assis)
Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, costumam aparecer visitas extraordinárias. Desta vez, ele vai receber nada menos que os terríveis — alguns nem tanto assim — dinossauros. Acompanhado de Naftalina, seu cachorro de estimação, e Jarbas, o prestativo zelador da casa, Leo vai descobrir, por exemplo, qual é o maior dinossauro de todos os tempos; que alguns dinossauros tinham penas, mas não podiam voar; e o que provocou a extinção desses animais. Em formato de história em quadrinhos, o livro tem linguagem acessível a leitores iniciantes, além de estar dividido em capítulos curtos, como convém a crianças que estão começando a aprender sobre ciências. Um glossário, ao final, complementa o volume com a explicação de alguns termos específicos sobre o assunto.

Grécia antiga, de Stewart Ross (Ilustrações de Inklink e Richard Bonson; Tradução de Augusto Calil)
No século V a.C., a Grécia foi assolada por intensas batalhas travadas entre Atenas e Esparta. Atenas era a mais poderosa e rica cidade da região, e as outras cidades, lideradas por Esparta, tentaram derrubá-la por anos a fio. Tendo como pano de fundo essa rivalidade, o livro conta, em quadrinhos, a história de Cinésias, o mais importante atleta de Atenas, em quem toda a cidade confia para disputar a principal prova dos Jogos Olímpicos que vão se realizar em 416 a.C.
No decorrer da leitura, o leitor vai descobrindo os cenários nos quais se desenrola a história, bem como o dia a dia da sociedade da época — desde roupas e alimentos até a crença em deuses e deusas de temperamento explosivo —, através de textos e ilustrações bastante detalhadas. Vai conhecer, por exemplo, como viviam os guerreiros espartanos, os navios usados pelos atenienses no comércio marítimo, o cuidado dos atenienses com a saúde do corpo e da mente.

Semana quarenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Alex no país dos números, de Alex Bellos (Tradução de Claudio Carina e Berilo Vargas)
Os números têm fascinado a humanidade desde sua descoberta. Representados de diferentes modos pelas civilizações ao longo dos séculos, esses signos e suas relações se tornaram o fundamento do raciocínio abstrato, bem como de todas as atividades humanas em que é necessário contar. Os traços e marcas que permitiam aos primeiros pastores e agricultores o controle sobre a produção de seus rebanhos e plantações se transformaram na base conceitual da atual revolução tecnológica. Nas páginas desta surpreendente viagem pelo país da matemática, tal como a Alice de Lewis Carroll, Alex Bellos conduz o leitor por entre uma multidão de seres inusitados. Em meio a números com poderes maravilhosos, números que se atraem e se repelem, números que representam a plenitude da divindade e números repetidos que desafiam o acaso dos dados, o autor demonstra que a matemática é uma ciência tão importante quanto divertida. Alex Bellos, que fala português, vem ao Brasil para o lançamento do livro. Haverá bate-papo em São Paulo e Rio de Janeiro, com oficina de cubo mágico.

Três sombras, de Cyril Pedrosa (Tradução de Carol Bensimon)
Joachim e seus pais — Louis e Lise — vivem distantes do resto do mundo. A vida é tranquila e cheia de pequenos prazes na casinha rodeada por colinas. Mas um dia três sombras surgem no horizonte, montadas em cavalos, com capas negras e os rostos cobertos por capuzes. Sua presença silenciosa aos poucos se torna onipresente, aterrorizando a família e levando Louis à terrível conclusão de que as três entidades estão ali para buscar Joachim. Então Louis recusa-se a aceitar as engrenagens do Destino, e parte com o filho em uma viagem febril e desesperada. Nessa jornada quase alegórica, retratada com o traço preciso de Cyril Pedrosa — que ora revela a inocência de um olhar, ora ameaça à espreita —, pai e filho atravessarão lugares inóspitos povoados por seres trapaceiros e imorais, enquanto tentam, de todas as maneiras possíveis, escapar do encontro com a morte.

O jantar fatal e outros mistérios médicos, de Jonathan Edlow (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
No ritmo das séries televisivas de grande sucesso ER e House, e inspirado nos contos de sir Arthur Conan Doyle protagonizados por Sherlock Holmes, o professor de medicina em Harvard e renomado especialista em emergências neurológicas Jonathan Edlow conta quinze histórias de mistérios médicos que — por sua complexidade ou rara ocorrência — desafiam os melhores “detetives”. Entre doenças esquecidas nos antigos compêndios de medicina que subitamente se manifestam no coração dos Estados Unidos e supostos chás medicinais que na verdade são tóxicos, o dr. Edlow ainda nos apresenta, em linguagem clara e acessível, a história das moléstias diagnosticadas, e as aventuras da descoberta dos mais diversos males e patógenos.

Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie (Tradução de Melina R. de Moura)
Salman Rushdie é um equilibrista habituado à corda bamba entre dois mundos que parecem mais distantes entre si no tempo que no espaço — o Oriente e o Ocidente. Tem, portanto, um olhar privilegiado sobre cada um deles, o que lhe permite enxergar detalhes que escapariam a um observador convencional. Nos nove contos deste livros, o escritor indiano observa essas duas culturas com olhos afiados e irônicos, montando um caleidoscópio de situações que atravessam séculos e continentes. De Hamlet a Isabel de Castela, de Colombo ao dr. Spock, passando por assaltantes anônimos, espiões e proletários, indivíduos invariavelmente fora do lugar dão a estas páginas colorido e vitalidade raros na literatura — e são a prova definitiva de que não há fronteiras para a fabulação de Rushdie.

Mosca Espanhola, de Will Ferguson (Tradução de Celso Mauro Paciornik)
Jack McGreary é um jovem que vive na minúscula, pobre e pacata cidade de Paradise Flats. Quando dois novos golpistas chegam ao local e começam a agir, Jack é o único que reconhece o truque, mas, em vez de entregá-los, termina por ajudá-los. Encantado com a promessa de uma vida de aventuras com os profissionais do engodo Virgil Ray e srta. Rose, espécie de Bonnie e Clyde sem armas, Jack decide deixar sua antiga vida para trás e partir com eles. Juntos, os três aplicam golpes por todo o país, dos mais simples aos mais sofisticados, com um único lema: não é crime se dão o dinheiro para você. Jack é rapidamente absorvido por essa vida de dinheiro, bebida e jazz, e, usando seu talento nato, planeja o maior golpe de todos: a Mosca Espanhola.

Pompeia, de Richard Platt (Ilustrações de Manuela Cappon; Tradução de Érico Assis)
Era uma vez um modesto casebre no sul da Itália. Por volta de 750 a.C., ele se transforma em uma fazenda que, com o passar do tempo, vai sendo engolida por uma cidade vibrante que cresce ao seu redor — Pompeia. Aos poucos, surgem cada vez mais sinais de que o modo de vida romano tornou-se dominante por lá. Até as forças da natureza rebelam-se: o abalo de um terremoto é apenas o prenúncio de algo ainda mais devastador… Essa é a emocionante história narrada neste livro. Ao acompanhar o dia a dia de uma casa em Pompeia, de séc. VIII a.C. aos dias de hoje, você conhece não só uma parte da história do antigo Império Romano, como também as pessoas que lá viveram e trabalharam, e entende suas crenças e hábitos. Acompanhe em detalhes o crescimento dessa fascinante cidade por meio de desenhos detalhados e textos explicativos.

O livro dos monstros!, de Fran Parnell (Ilustrações de Sophie Fatus; Tradução de Heloisa Jahn)
O que você faria se de repente encontrasse um monstro? Tentaria se esconder? Fugiria? Ou será que diria “oi” na maior calma? Pois nestas histórias você vai ficar frente a frente com vários deles: um abominável homem das neves, um ogro emplumado, um monstro aquático faminto e outros seres de dar medo. E vai acabar descobrindo que eles são cheios de truques e também que nem todos são tão terríveis assim — alguns só precisam de um pouco de compreensão. Inspirado em histórias populares do mundo inteiro, das montanhas do Nepal às planícies da América do Norte, este livro vai fazê-lo passar pela emoção de encontrar algumas criaturas pavorosas — e gostar da experiência!

O rato me contou…, de Marie Sellier (Ilustrações de Catherine Louis; Carimbos e caligrafia chinesa de Wang Fei; Tradução de Eduardo Brandão)
Um dia, no início do mundo, o Grande Imperador do Céu convidou todos os animais a visitá-lo no topo da montanha de Jade. Doze animais compareceram — e acabaram se tornando os doze signos do horóscopo chinês. O que realmente aconteceu naquele dia? O rato, que estava presente, é que vai contar essa história. Ao final do volume, tabelas trazem os anos correspondentes a cada um dos signos chineses.