romance

Semana oitenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Os gêmeos (Crônicas de Salicanda – Volume 1), de Pauline Alphen (Tradução Dorothée de Bruchard)
Na floresta de Salicanda vivem os gêmeos Jad e Claris, que na noite em que completam três luadas perdem a mãe e passam a apresentar alguns poderes estranhos. Estamos no século XXIII, em um mundo de práticas quase medievais: o escambo impera e não há o menos sinal da tecnologia que conhecemos nos dias de hoje. Os irmãos não conhecem a história da humanidade, assim como não sabem por que a mãe desapareceu, e estão em busca de respostas.

O último suspiro do mouro, de Salman Rushdie (Tradução Paulo Henriques Britto)
Em 1988, o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte por ter escrito um livro que desagradou aos fundamentalistas islâmicos. A resposta do autor foi este romance: uma defesa contundente das virtudes do pluralismo e da tolerância, em oposição às pretensas verdades únicas e excludentes. O protagonista da história é o “Mouro” Zogoiby – filho único de uma família abastada da boemia artística de Bombaim –, que se encontra num momento de crise profunda. Sua mãe, uma pintora famosa, ama a beleza, mas o Mouro é feio e tem uma mão deformada. Ele se apaixona por uma mulher casada e ambos acabam sendo expulsos de casa, levando a um pacto suicida que não funciona como o esperado. O Mouro decide aceitar seu destino e mergulha numa vida depravada em Bombaim.

A educação de uma criança sob o Protetorado Britânico, de Chinua Achebe (Tradução Isa Mara Lando)
“Onde quer que haja Alguma Coisa, Alguma Outra Coisa virá ficar a seu lado”. Formulado pela tradição imemorial da cultura igbo, o provérbio citado pelo nigeriano Chinua Achebe nesta coletânea de ensaios poderia resumir sua própria visão de mundo como romancista e pensador. Instantâneos autobiográficos e bastidores da criação literária, bem como reflexões históricas e culturais, dialogam de modo fecundo com as opiniões do autor de O mundo se despedaça acerca da tumultuada política de seu país, mostrando que realidade e ficção são faces complementares da experiência. Achebe, um dos escritores mais importantes da literatura contemporânea, analisa as conseqüências funestas do colonialismo sem jamais dispensar a lucidez, o bom humor e a ironia.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Livro-chave para a interpretação da obra de Lima Barreto, Clara dos Anjos narra as desventuras de uma adolescente pobre e mulata seduzida por um malandro branco. Os subúrbios do Rio de Janeiro no início dos anos 1920, desempenham papel central num enredo de conexões históricas e sociológicas que, na habilidosa construção da narrativa, converte o triste fim da protagonista numa crítica feroz da alegada “democracia racial” brasileira. A edição traz textos elucidativos de Beatriz Resende, Lúcia Miguel Pereira e Sérgio Buarque de Holanda, e notas elaboradas por Lilia Moritz Schwarcz e Pedro Galdino.

Diário de Oaxaca, Oliver Sacks (Tradução Laura Teixeira Motta)
Como são e o que fazem cientistas quando se vêem longe de seus laboratórios e perto do habitat de seus objetos de pesquisa? O que explica seu entusiasmo quase juvenil pela descoberta de um novo espécime? Ao narrar sua experiência junto a um grupo de aficionados por samambaias que se desloca de Nova York a Oaxaca, no sul do México, para ver as pteridófitas mais raras do mundo, Oliver Sacks nos mostra como o romantismo é inerente à ciência e homenageia os grandes pioneiros da biologia, como Alexander on Hulbold e Charles Darwin, cujos relatos célebres de expedições são até hoje lidos com entusiasmo.

A águia que não queria voar, de James Aggrey e Wolf Erlbruch (Tradução Sergio Tellaroli)
A águia, rainha das aves, é símbolo de nobreza e poder. Já a galinha não teve a mesma sorte. E que, na imaginação das pessoas, ser águia significa encarar o sol de frente e alçar grandes voos. Ao passo que ser galinha…Bom, além de mal sair do chão, elas têm de se contentar com os grãozinhos de milho que recebem. Majestade e submissão se encontram nesta bela história da águia que, criada como galinha, se recusa a voar. Escrita para os povos africanos — que, dominados pelos europeus, deixaram de acreditar na riqueza da sua cultura e na capacidade de tomar o seu destino nas próprias mãos –, esta fábula nos lembra que, mesmo adormecida, a grandeza humana não se deixa extinguir nem mesmo pela mais severa opressão.

Na casa do Leo — O corpo humano, de Philip Ardagh (Tradução Érico Assis)
Entre (não precisa bater!) e descubra: que os bebês têm mais ossos que um adulto; que os nossos ouvidos, além de responsáveis pela audição, promovem também o equilíbrio do corpo; por que o nosso pulmão esquerdo é menos que o direito. Uma casa repleta de curiosidades e diversão!

Beto e Bia em De Mentirinha, de Geoffrey Hayes (Tradução Érico Assis)
Beto adora brincar de pirata valente, mas é difícil viver suas aventuras com Bia, sua irmã menos, sempre atrás dele. Ela quer brincar junto, mas é pequena demais e não entende nada! Beto precisa dar um jeito de fugir dela. Quando ele finalmente consegue se livrar da irmã, descobre que brincar sozinho não é tão divertido.

O peixe e a passarinha, de Blandina Franco e José Carlos Lollo
Em um rio cercado de árvores viviam um certo peixe, que passava horas admirando o desenho das nuvens, e uma certa passarinha, que adorava observar a paisagem refletida na água. Quando um dia os dois resolvem comer a mesma minhoca na mesma hora dão início a uma longa amizade, que acaba se transformando em amor. Dos autores de Quem soltou o Pum?, uma história de um amor improvável mas não impossível.

Semana oitenta e cinco

Os lançamentos da semana são:

Estrada escura, de Dennis Lehane (Tradução de Fernanda Abreu)
Em 1998, o detetive Patrick Kenzie, de Boston, encontrou a menina Amanda McCready, então com quatro anos, e a arrancou do casal que a criava com segurança e afeto para devolvê-la à sua mãe biológica, uma mulher viciada em drogas e álcool. Doze anos depois, a precoce adolescente Amanda sumiu de novo, e Kenzie tem a chance de se redimir. Sua missão não será fácil. Em seu caminho, o detetive e sua parceira — e agora esposa — Angela Gennaro deparam com a máfia russa e com um sórdido emaranhado de crimes que incluem tráfico de bebês, falsificação de documentos e o roubo de uma relíquia histórica.

A ponte invisível, de Julie Orringer (Tradução de Rubens Figueiredo)
O ano é 1937, e as vidas de Andras e Tibor Lévi estão prestes a ser radicalmente transformadas. Os jovens irmãos judeus, que já haviam emigrado do interior húngaro para trabalhar na capital Budapeste, têm diante de si um futuro promissor. Andras está de mudança para Paris, onde estudará na École Spéciale d’Architecture. Tibor pretende se matricular na faculdade de medicina de Modena, na Itália, assim que reunir o dinheiro necessário. Nascidos numa pequena cidade do leste da Hungria, Andras e Tibor nunca saíram do país e mal conseguem conter o entusiasmo. Contudo, a Europa que os aguarda — tensionada pela barbárie nazista e assolada pelo ódio antissemita — não é um lugar adequado para o otimismo.

Infiel, de Ayaan Hirsi Ali (Nova edição econômica; Tradução de Luiz A. de Araújo)
Em 2004, Ayaan Hirsi Ali foi ameaçada de morte por participar do filme Submissão, sob a situação da mulher muçulmana. No ano seguinte, a revista Time a incluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo. E assim essa jovem exilada somali, eleita deputada do parlamento holandês e conhecida por sua luta pelos direitos da mulher muçulmana e críticas ao fundamentalismo islâmico, tornou-se famosa mundialmente. Como foi possível para uma mulher nascida em um dos países mais miseráveis e dilacerados da África chegar a essa notoriedade no Ocidente? Em Infiel, sua autobiografia precoce, Ayaan, aos 37 anos, narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. Um relato de superação e crença profunda nos valores ocidentais iluministas da liberdade, igualdade e democracia liberal.

A gênese da sociedade do espetáculo, de Christophe Charle (Tradução de Hildegard Feist)
A partir da década de 1860, o universo do teatro — o principal entretenimento das cidades europeias à época — foi ampliado consideravelmente. De um lado, há o aumento do número de salas e a criação de novos gêneros populares, e, de outro, a invenção da luz elétrica e o desenvolvimento das ferrovias, que possibilitaram a realização de espetáculos cada vez mais luxuosos para públicos crecentes. Nas grandes capitais essas transformações deram ensejo à formação de um conjunto diferenciado de profissões teatrais, composto da multidão de artistas, autores, técnicos e diretores envolvidos nas encenações. O historiador francês Christophe Charle investiga as origens sociais, a formação profissional e o desempenho econômico das pessoas responsáveis por tal boom teatral. O panorama sociológico delineado, além de iluminar aspectos obscuros da vida cultural europeia no século XIX, permite compreender os fundamentos históricos do império midiático que dominaria todo o planeta no século seguinte.

A vida está em outro lugar, de Milan Kundera (Tradução de Denise Rangé Barreto)
Jaromil cresce na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas. Para o júbilo de sua mãe, manifesta já na infância o dom de criar rimas. O menino pouco conhecerá o pai, que é preso pela Gestapo e morre num campo de concentração. Assim, é a mãe quem vai cuidar para que seja um grande poeta. O jovem, porém, se entusiasma com a revolução e põe sua arte a serviço da sociedade socialista. Para o desespero da mãe, ele não faz mais versos rimados. Agora redige palavras de ordem. O poeta quer ser livre e pertencer a algo maior, e ele não está sozinho. A seu lado estão Rimbaud, Lermontov, a poesia da afirmação, da embriaguez. Mas Jaromil nunca será verdadeiramente livre, pois o universo que o gestou não lhe permitirá emancipar-se de suas amarras.

Semana oitenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

As coisas: uma história dos anos sessenta, de Georges Perec (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Primeiro livro de Perec, As coisas mostra um casal parisiense de vinte e poucos anos dividido entre aspirações intelectuais e o chamado incontrolável da sociedade de consumo. Perec declarou que sua ambição foi expor “tudo o que pode ser dito a propósito da fascinação que exercem sobre nós os objetos”. Jérôme e Sylvie são “psicossociólogos”, emprego que na verdade não constitui uma profissão, mas que emerge com promessas de ascensão rápida na esteira do nascimento das agências de publicidade. Aplicando questionários de estudos motivacionais, atividade que lhes deixa tempo para débeis veleidades intelectuais e para a vida boêmia, no fundo os dois jovens apenas hesitam diante do inevitável: um cargo dentro de uma grande agência, passaporte para um apartamento mais amplo e para as mercadorias ostentadas nas vitrines e nas revistas.

Dez mil guitarras, de Catherine Clément (Tradução de Eduardo Brandão)
Um brâmane morre em Bengala, na Índia, e nasce de novo, como rinoceronte, na África. Para seu azar, sofre uma dupla reencarnação, levando para a nova vida sua antiga consciência, encerrada agora naquele animal portentoso. Quando já havia se acostumado a sua rotina de mergulhos na lama, é capturado e levado a Portugal para ser o bibelô de d. Sebastião, num reino prestes a deixar para trás seus dias de glória. Com a alma e o corpo aprisionados, nada resta ao misto de brâmane e bada senão narrar tudo o que presencia e ouve falar, iniciando uma jornada que o levará a uma nova transformação, a outros países e a um insólito contato com a intimidade do filósofo René Descartes em seus momentos finais na corte da rainha Catarina da Suécia. Misto de romance histórico e narrativa fantástica, o novo romance de Catherine Clément nos transporta com humor e magia aos tumultos políticos da Europa de fins do século XVI e meados do XVII.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana oitenta e um

Os lançamentos da semana são:

O espetáculo mais triste da Terra, de Mauro Ventura
Com base num minucioso trabalho de campo e de pesquisa, Mauro Ventura traz à tona um drama sem precedentes na história do Brasil: o incêndio no Gran Circo Norte-Americano, que tem entre seus heróis médicos, escoteiros, religiosos e até uma elefanta, que salvou dezenas de espectadores ao abrir um rasgo na lona.

Reparação, de Ian McEwan (Nova edição econômica; Tradução de Paulo Henriques Britto)
Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.

14 contos, de Kenzaburo Oe (Tradução de Leiko Gotoda)
Estes contos brilhantes e provocadores revelam a trajetória literária de um dos maiores escritores japoneses vivos, ganhador do prêmio Nobel de 1994. Escritos entre 1957 e 1990, eles refletem não apenas a evolução da escrita do autor, mas também os seus temas recorrentes. Kenzaburo Oe foi construindo aos poucos um universo tipicamente japonês, habitado por personagens que jamais poderiam ser ocidentais. Inéditos em português e traduzidos direto do japonês.

Bom dia para nascer, de Otto Lara Resende
Em textos leves e cheios de estilo, o escritor comenta, discute e ilumina grandes momentos da história, mas
também aqueles eventos que quase passam desapercebidos em nosso cotidiano. Publicadas originalmente no início dos anos 1990, as crônicas de Otto converteram-se em um clássico instantâneo do gênero. Lirismo, comentário político, literatura e humor — nada escapa ao olhar agudo daquele que foi chamado por Paulo Francis de “o mais carioca dos mineiros e o mais mineiro dos cariocas”.

O Rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino, de Otto Lara Resende
Um dos maiores missivistas das nossas letras em cartas francas, doloridas, engraçadas e altamente literárias. Honesto e até impiedoso consigo mesmo, Otto Lara Resende enfileira cartas em que relata ao amigo Fernando Sabino seu cotidiano em lugares como Bruxelas e Lisboa. A insônia, a literatura, os amigos (como Vinicius de Moraes, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos) e as mudanças culturais no Brasil e na Europa aparecem na prosa encantatória e sempre inteligente desse carteador incurável.

O romancista ingênuo e o sentimental, de Orhan Pamuk (Tradução de Hildegard Feist)
Em ciclo de seis conferências ministradas em Harvard, Orhan Pamuk fala sobre seu gênero literário de predileção, o romance, e sobre a experiência de ser escritor em um país periférico.

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, adaptado por Stanislas Gros (Tradução de Carol Bensimon)
Em sua versão para os quadrinhos do clássico de Oscar Wilde, Stanislas Gros reconta com maestria a história do jovem narcisista que se dedica aos prazeres da vida, morais ou imorais, enquanto um retrato escondido em sua casa mostra sua decadência ao passar do tempo.

Mercado sombrio, de Misha Glenny (Tradução de Augusto Pacheco Calil, George Schlesinger e Luiz A. de Araújo)
A internet mudou a face do crime. Os novos ladrões e falsários têm conhecimentos avançados em engenharia eletrônica e programação, e podem lucrar milhões morando confortavelmente na casa dos pais. Misha Glenny narra aqui a história do crime organizado na internet e das primeiras comunidades eletrônicas do crime, grandes feiras digitais em que era possível adquirir e vender números de cartões de crédito e dados pessoais de usuários, além de uma série de outros serviços e programas escusos.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Tradução de Mário Laranjeira)
Madame Bovary, publicado pela primeira vez em 1856, ainda é uma história atual sobre desilusão, infidelidade e a busca da felicidade. Revolucionário em sua época, foi o primeiro romance a exprimir a extenuante busca de Gustave Flaubert pela perfeição. Além do prefácio de Lydia Davis, um dossiê recupera a importância de Flaubert em seu tempo, com destaque para um artigo de Charles Baudelaire, escrito em defesa do escritor, reconhecendo a beleza deste livro.

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Por volta de 1830, aos trinta e poucos anos de idade, Honoré de Balzac elegeu seu projeto de vida: escrever uma série de romances, novelas e contos que retratasse a sociedade de sua época em todos os seus aspectos. Publicado em três partes entre 1837 e 1843, Ilusões perdidas explora com maestria três aspectos fundamentais para compreender a sociedade francesa do século XIX: os jogos de poder e intriga das classes aristocráticas, o contraste entre a vida na capital e na província e o lado sujo — cínico e politiqueiro — da atividade jornalística.

Apontamentos de viagem, de Joaquim de Almeida Leite Moraes
Diário de viagem escrito no final do século XIX pelo político e jurista J. A. Leite Moraes, avô de Mário de Andrade, é considerado um marco do gênero no Brasil. Introdução de Antonio Candido.

Saúde em questão, de Francisco I. Bastos (Ilustrações de Mariana Newlands)
Dos átomos e moléculas mais elementares até as grandes estruturas econômicas e sociais, Saúde em questão explica em linguagem acessível as bases do funcionamento da vida humana e de sua incessante luta contra as doenças. Da mesma série de Biodiversidade em questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz.

Biodiversidade e renovação da vida, de Henrique Lins de Barros (Ilustrações de Mariana Newlands)
Volume de lançamento da série Em Questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, Biodiversidade apresenta a história da vida na Terra e sua atual degradação ambiental, propondo uma nova abordagem para a preservação dos ecossistemas ainda não destruídos — entendendo-a num sentido global, indissociável da cultura e da cidadania.

De olho em Zumbi dos Palmares, de Flávio dos Santos Gomes
Neste novo volume da coleção De Olho Em, Flávio Gomes elabora uma biografia de Zumbi dos Palmares a partir de ricas fontes documentais, discutindo a transformação do personagem em herói da resistência contra a escravidão e em símbolo da luta contra o preconceito racial.