romance

Semana oitenta

Os lançamentos da semana são:

Agonia da noite (Os subterrâneos da liberdade, vol. 2), de Jorge Amado
No segundo volume da trilogia, Jorge Amado retrata ficcionalmente um momento sombrio da história brasileira: o endurecimento do Estado Novo, quando havia um temor real de que o país se alinhasse com as potências fascistas europeias e se tornasse uma ditadura totalitária.

Vento sul, de Vilma Arêas
Vento sul reúne vinte contos de leitura fácil, sentido cristalino e efeito impactante. Eles estão organizados em quatro blocos: “Matrizes”, “Contracanto”, “Planos paralelos” e “Garoa, sai dos meus olhos”. Neles se articulam histórias fundadoras, lembranças de personagens e vivências, vinhetas poéticas, aqui e ali uma quase parábola. Em todas as histórias: a perda — e sua outra face: a persistência da memória.

Dia de pinguim, de Valeri Gorbachev (Tradução de Érico Assis)
Tartaruguinha gostou tanto da história que o pai leu sobre pinguins que acaba sonhando naquela noite que é um pinguim. Quando acorda, decide tornar o sonho realidade. Veste o paletó do avô e faz tudo que um pinguim faz: anda bamboleando e desliza de barriga no chão, brinca de passar o ovo e come bolachas em forma de peixe. É um verdadeiro dia de pinguim!

O segredo do licorne & O tesouro de Rackham, o terrível, de Hergé (Tradução de Eduardo Brandão)
Enquanto aguardam a chegada do filme As aventuras de Tintim, os fãs do herói dos quadrinhos já podem se deliciar com a edição especial dupla dos episódios que inspiraram a trama. Na história, levada ao cinema pelo diretor Steven Spielberg e pelo produtor Peter Jackson, não faltam piratas, navios, tesouros e grandes emoções. Sempre com o cachorro Milu ao seu lado e a ajuda dos detetives Dupond e Dupont, Tintim vai tentar descobrir o mistério que envolve as réplicas em miniatura do Licorne, o misterioso navio do cavaleiro de Hadoque.

Semana setenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Como mudar o mundo, de Eric Hobsbawm (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Nesta seleção de conferências, ensaios e artigos escritos ao longo de mais de cinco décadas, o consagrado historiador britânico oferece um panorama do legado intelectual de Karl Marx, bem como de sua repercussão na história dos séculos XIX e XX. Eric Hobsbawm, cujo refinado método de interpretação marxista transparece em títulos como Era dos extremos e Ecos da Marselhesa, analisa os trabalhos pioneiros do “socialismo científico”, com ênfase na necessidade de reavaliá-los segundo seu contexto de produção original, relativizando as formulações posteriores de seus fervorosos inimigos e apologistas. Num livro que explicita a influência decisiva do autor de O capital sobre sua própria visão da história, Hobsbawm reconhece na atual crise sistêmica das finanças globalizadas uma confirmação quase profética da crítica de Marx às contradições insolúveis do capitalismo.

A maldição da pedra, de Cornelia Funke (Tradução de Sonali Bertuol)
Jacob Reckless descobriu um mundo mágico, escondido atrás de um espelho do escritório do pai, um lugar em que fadas, bruxas, unicórnios e tritões convivem com seres humanos e no qual os aspectos mais sombrios dos contos de fadas se tornam realidade. É lá que Jacob vai passar a maior parte do tempo, longe do seu irmão mais novo, Will. Muitos anos depois, Will descobre a passagem e segue o irmão. Mas lá, no Mundo do Espelho, acaba sendo atingido por uma maldição: aos poucos se transformará em uma criatura terrível, com pele de jade. Nessa terra cheia de perigos, Jacob finalmente percebe o quanto o irmão caçula significa para ele, e vai precisar usar toda a sua esperteza, coragem e espírito de aventura para reverter o feitiço, antes que seja tarde demais.

Semana setenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Seu genoma por mil dólares, de Kevin Davies (Tradução de Ivo Korytowski)
Câncer, diabetes, mal de Alzheimer, esclerosa múltipla, problemas cardíacos diversos: algumas das doenças mais mortíferas podem estar com os dias contados. O vertiginoso desenvolvimento das técnicas de decodificação do DNA já permite que muitas pessoas conheçam sua predisposição a vários males evitáveis. Ao mesmo tempo, pesquisas farmacêuticas imbricadas com o progresso da genética têm originado medicamentos altamente específicos e eficientes, que tornam a cura dessas doenças algo real. Da bilionária decodificação do primeiro genoma humano até os atuais serviços de análise cromossômica por correspondência, Seu genoma por mil dólares discute as principais questões tecnológicas e culturais ocasionadas pela revolução genética.

Omeros, de Derek Walcott (Tradução de Paulo Vizioli)
Poeta mulato das Antilhas, prêmio Nobel de literatura de 1992, Derek Walcott escreveu um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes do século XX. Com um desenho circular, que enfeixa tanto o mundo atemporal dos heróis gregos como o dia a dia de uma aldeia de pescadores do Caribe, Omeros (grego moderno para Homero) é, antes de tudo, uma história viva do oceano, dos povos e idiomas que por ele ressoam. Das raízes mediterrâneas aos grandes autores da língua inglesa, passando pelo patois crioulo das Antilhas e os sons africanos que pulsam até hoje nas margens do Caribe, este é um canto universal, que funde de modo magnífico o encontro de raças, línguas e culturas que se deu nas praias americanas.

Steve Jobs, de Walter Isaacson (Tradução de Berilo Vargas, Denise Bottmann e Pedro Maia Soares)
A vida de Steve Jobs tem o fascínio dos grandes folhetins: entregue para adoção ao nascer, imerso na contracultura dos anos 70 – com direito à maconha, LSD, vegetarianismo radical e peregrinação à Índia em busca de iluminação – milionário aos 25 anos, expulso de sua própria empresa aos 30 anos, retorna triunfalmente 12 anos depois. Essa biografia escrita a seu pedido, no momento em que lutava contra o câncer, é mais um exemplo dos paradoxos de Steve Jobs, conhecido por sua obsessão pelo controle de tudo: ele deixou claro que em nenhum momento interferiria em sua execução, nem exigiria ler o manuscrito antes da publicação. Como resume o próprio autor, “este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade intensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram 6 indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. É uma história tão instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação, caráter, liderança e valores”.

Travessias difíceis, de Simon Schama (Tradução de Denise Bottmann)
A travessia do oceano Atlântico nos porões dos navios negreiros foi uma das mais sombrias experiências de migração na história humana. Neste livro, Simon Schama trata da luta dos abolicionistas para encerrar o infame tráfico negreiro transatlântico e de suas relações com a história da colonização de Serra Leoa — a terra prometida dos ex-cativos, onde não havia escravidão. Articulando episódios fundadores do movimento antiescravista inglês ao papel desempenhado pela escravidão negra na Guerra de Independência dos EUA, Schama oferece uma envolvente narrativa sobre a luta dos africanos e de seus descendentes pela liberdade nos dois lados do Atlântico.

As esganadas, de Jô Soares
Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e… gordas. Sua arma: irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades. Com o hilariante e engenhoso As esganadas, Jô Soares está de volta ao seu gênero de predileção: o romance histórico policial. Veja um vídeo com Jô lendo um trecho do livro.

Antônio Vieira, jesuíta do rei, de Ronaldo Vainfas
Educado no colégio jesuítico de Salvador, fluente em tupi ainda na juventude e testemunha da invasão holandesa da Bahia, na maturidade Vieira foi um missionário incansável entre as tribos bravias do Maranhã e do Pará; já septuagenário, após uma longa temporada na Europa, recolheu-se a uma modesta casa religiosa na capital baiana, onde organizou a maior parte de seus escritos para publicação. Tais fatos já seriam mais que suficientes, segundo o historiador Ronaldo Vainfas, para justificar a inclusão de Vieira na coleção Perfis Brasileiros. Contudo, mesmo quando ausente do Brasil, o religioso exerceu vasta influência sobre os destinos da principal colônia portuguesa. Antônio Vieira, jesuíta do rei oferece um abrangente panorama biográfico dessa figura capital da literatura e da história da lusofonia.

Essencial Padre Antônio Vieira (Organização e introdução de Alfredo Bosi)
Embora o mundo monárquico, escravista e radicalmente dogmático de Vieira já tenha há muito desaparecido, sua extensa obra continua a iluminar a história e a literatura da lusofonia. Jesuíta, político e pregador, confessor de reis e profeta do Quinto Império, autor de centenas de sermões e de uma riquíssima correspondência, Vieira foi um homem de múltiplos interesses, unificados por sua fé inquebrantável e pela crença nos altos destinos de Portugal. Essencial Padre Antônio Vieira é uma generosa amostra de sua eloquente produção literária, incluindo alguns de seus melhores sermões, cartas e textos proféticos, além de uma esclarecedora introdução de Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras, e de excertos de A chave dos profetas.

A paixão de A., de Alessandro Baricco (Tradução de Roberta Barni)
Turim, anos 1970. Quatro adolescentes de 16, 17 anos, levam uma vida de classe média, pacata e sem sobressaltos. Todos são católicos, tocam numa banda de paróquia e fazem trabalho voluntário em um hospital da cidade. É quando aparece Andre, jovem rica, fascinante, desinibida, que reduz a pó a estabilidade do grupo de amigos. Seduzidos pela beleza da garota e pelo mundo completamente diferente no qual ela se move, os quatro amigos aos poucos vão se abrindo para experiências antes impensáveis, o que colocará em xeque suas convicções mais arraigadas, a começar pela fé. Tudo se precipita de modo muito veloz e, a partir de certo ponto, cada um deles seguirá seu rumo — um caminho necessariamente solitário e doloroso, mas também cheio de prazer.

E o cérebro criou o homem, de António R. Damásio (Tradução de Laura Motta)
O que é a consciência? Onde ela fica? Como se desenvolveu ao longo do processo evolutivo e que vantagens traz à sobrevivência? A ciência vem avançando na busca por essas respostas, que este livro apresenta numa discussão rica e instigante. Mas que não se espere uma resposta final. “A tarefa de compreender como o cérebro produz a mente consciente continua incompleta. O mistério da consciência ainda é mistério, apesar de termos conseguido penetrar um pouquinho em seus segredos”, diz o autor. Uma coisa é certa: sem a consciência em seu desenvolvimento máximo, a humana, não haveria ciência nem arte. E não haveria a possibilidade de buscar desvendar essa consciência. Neurocientista português radicado nos EUA, Damásio é um dos pensadores mais influentes do mundo no que diz respeito à investigação da mente.

Budapeste, de Chico Buarque
Nova edição do terceiro romance de Chico Buarque, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de 2003. José Costa é um ghostwriter: ele escreve anonimamente, por encomenda, monografias escolares, cartas de amor, autobiografias romanceadas e até best-sellers involuntários. A versátil picaretagem mistura-se, na trama, com o seu enfeitiçamento pela língua húngara, após uma escala forçada de seu avião em Budapeste. A língua ininteligível invade-lhe os sonhos e o toma como uma idéia fixa, levando-o a criar uma tresloucada vida paralela em Budapeste. Casado aqui com uma apresentadora de telejornais, envolve-se lá com uma professora de húngaro. O que o leva, na verdade, a se afundar num estranhamento permanente, entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas…

A casa dos náufragos, de Guillermo Rosales (Tradução de Eduardo Brandão)
Internado pela família em uma instituição psiquiátrica em Miami, o escritor William Figueras, um cubano exilado, mergulha em um processo de desumanização gradual, apenas adiado pelo amor por uma mulher e o sonho de voltar a escrever. Massacrado pela doença mental e emparedado entre o ressentimento por Cuba e a marginalidade a que é relegado na “América livre”, Figueras naufraga sem esperança de encontrar, seja no passado ou no presente, um porto seguro. Escrito em evidente paralelismo com a experiência vivida no exílio pelo jornalista e escritor cubano Guillermo Rosales, este romance é considerado um marco da literatura hispano-americana do século XX.

Lulu: um livro sobre ser pequenininho, de Camilla Reid (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz; Ilustrações de Ailie Busby)
A Lulu tem um gato chamado Aroldo e uma coelha muito bonitinha, a Coelhalda. Vai com a mãe ao supermercado, depois ao parquinho e faz bagunça em casa com seus dois melhores amigos, a Bia e o Teo. Espiando embaixo das abas, as crianças são apresentadas aos pais da Lulu, à sua casa e a seus brinquedos favoritos. Acompanham um dia na vida da personagem, a ajudam a encontrar a Coelhalda, a contar as pombas, e adivinham qual é a janela do quarto da menininha, entre outras brincadeiras. Com linguagem atenta ao universo das crianças pequenas, as histórias da Lulu são sucesso entre o público de um a quatro anos.

Fotografando Verger, de Angela Lühning (Ilustrações de Maria Eugênia)
Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma família com boa situação social e econômica. Contudo, a vida confortável e os costumes da sociedade europeia de seu tempo não lhe satisfaziam. Aos 30 anos, aprendeu a fotografar com um de seus amigos artistas, e fez desse o seu principal ofício. Por meio da fotografia, despediu-se de forma definitiva do mundo que lhe era familiar, e partiu em busca de novas experiências, viajando por quase todo o planeta. Nessas viagens, Verger procurava captar a identidade de cada lugar visitado, registrando em suas fotos sobretudo pessoas, em situações cotidianas e da maneira mais espontânea: em seus afazeres domésticos, no trabalho, nas horas de lazer. Na década de 1940, Pierre chegou a Salvador, cidade que desejava conhecer desde que lera Jubiabá, de Jorge Amado, ainda na França. E foi na capital baiana que ele se estabeleceu até o fim de sua vida, dedicando-se às imagens e aos estudos da cultura africana. Em 1988, na casa onde morava, criou uma fundação destinada a preservar e divulgar sua obra, bem como destacar a importância das culturas africanas e afro-brasileiras.

Semana setenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Livro do desassossego, de Fernando Pessoa (edição revista e ampliada)
O narrador principal das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros em Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões sobre a paixão, a moral, o conhecimento. Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos e descarta outros que só depois da digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos — a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.

Os cantos perdidos da Odisseia: um romance, de Zachary Mason (Tradução de Rubens Figueiredo)
Odisseu está sempre voltando a Ítaca, por mais que os deuses retardem seu regresso à terra natal. Aqui, porém, os acontecimentos escapam a seu controle, e o herói da Guerra de Troia já não se comporta como um guerreiro mítico. Este é um Odisseu de carne e osso, abandonado pelos deuses, que faz a corte a Helena, dá vida a um duplo de Aquiles, enfrenta a ira do ciclope Polifemo e o canto das sereias. E enfim retorna a Ítaca para reencontrar uma Penélope envelhecida e cansada de esperá-lo. Zachary Mason cria 44 cantos para uma história fundadora, reinventado-a a partir de episódios inusitados e explorando as possibilidades imaginativas da literatura.

Poemas, de Wisława Szymborska (Tradução de Regina Przybycien)
Este livro da maior poeta polonesa viva, ganhadora do Nobel e inédita no Brasil, inaugura, ao lado de Omeros, a reedição da coleção de poesia traduzida da Companhia das Letras, com novas capas e projeto gráfico. Aos 88 anos, Wisława Szymborska vive desde menina em Cracóvia, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Seus poemas, contudo, viajam pelo mundo. Não são tantos: sua obra inteira consiste em cerca de 250 poemas cuja função, como declarou a poeta no discurso de Oslo, é perguntar, buscar o sentido das coisas. Com sua poesia indagadora, Szymborska foi chamada “poeta filosófica”, ou “poeta da consciência do ser”. No Brasil, teve poemas esparsos publicados em jornais e revistas ao longo dos anos, mas esta edição, com seleção, introdução e tradução de Regina Przybycien, é a primeira oportunidade que tem o leitor brasileiro de lê-la em português. A coletânea de 44 poemas é uma belíssima apresentação à obra dessa importante poeta contemporânea.

Contos e lendas dos Jogos Olímpicos, de Gilles Massardier (Ilustrações de Nicolas Thers; Tradução de André Viana)
No fim do século XIX, o barão de Coubertin, um grande incentivador da prática de esportes nas escolas e admirador incondicional da Grécia, teve uma grande ideia: reviver os antigos Jogos Olímpicos. Assim, em 1986, foram realizadas as primeiras Olimpíadas da era moderna. Desde então, de quatro em quatro anos, homens e mulheres tentam romper os limites físicos da humanidade, de acordo com um dos lemas dos jogos: ser mais rápido, ir mais alto, impor mais força. Os contos deste livro trazem informações sobre a história dos jogos e dados biográficos de alguns atletas ainda pouco conhecidos, entremeados em narrativas de ficção. Alguns deles são cômicos; outros, emocionantes e outros ainda bastante inusitados. Em comum, falam de maneira variada sobre o universo dos esportes, para aqueles que não perdem uma boa história.

Cinco histórias de cinco continentes (Vários autores e ilustradores; Tradução de Heloisa Jahn)
Dizem que as histórias nos fazem viajar sem sair do lugar. Se elas falam de outras culturas, o passeio fica ainda mais interessante. Como numa espécie de volta ao mundo em 120 páginas, este livro apresenta histórias dos cinco continentes do planeta Terra: partindo da Rússia, as narrativas passam pela China, Austrália, Magreb e América do Norte. Um menino que engana a bruxa Baba Yaga com sua esperteza; uma princesinha muito voluntariosa que aprende a sua lição; um papagaio que, com seu sangue colorido, pinta os pássaros; uma lebre que acredita estar sendo perseguida mas acaba descobrindo que tem uma sombra; e uma cigarra que procura um pretendente para casar e acaba arranjando um partidão são os personagens que recheiam esta antologia ilustrada e saborosa.

Semana sessenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Nêmesis, de Philip Roth (Tradução de Jorio Dauster)
Aos 23 anos, Eugene “Bucky” Cantor, professor de educação física e inspetor de pátio de uma escola judaica de Newark, vive uma vida pacata, porém é atormentado pelo fato de não poder lutar na guerra ao lado de seus contemporâneos, em razão de sua miopia fortíssima. No verão de 1944, ele vê sua vida ruir depois que grande parte de seus alunos contrai poliomielite. Apavorado com a possibilidade de ficar paralítico, ele entra em um dilema cruel: fugir e escapar da pólio ou ficar e proteger as crianças? Philip Roth apresenta, em seu mais novo romance, a radiografia do sofrimento de um homem quando posto em contato direto com a morte.

Herzog, de Saul Bellow (Tradução de José Geraldo Couto)
Moses Herzog, um dos personagens mais fascinantes da literatura de Saul Bellow, é “um homem dividido, um labirinto de contradições”, como aponta Philip Roth na introdução deste livro. Na meia-idade, esse intelectual refinado e professor universitário sente seu juízo vacilar depois que sua mulher o troca por seu melhor amigo. Sua vida é uma sucessão de desastres pessoais, para os quais ele busca um sentido. Enquanto tenta avançar na redação de um ambicioso livro de filosofia e briga pela guarda da filha pequena, ele escreve cartas — que nunca envia — a amigos, inimigos, e personalidades vivas ou mortas, como Nietzsche e Eisenhower. Com irresistível humor e extrema habilidade literária, Bellow entremeia o relato objetivo dos fatos com os pensamentos do protagonista e os esboços de suas cartas imaginárias. Cria assim um de seus livros mais complexos e envolventes, considerado unanimemente um clássico da literatura contemporânea.

A arqueologia passo a passo, de Raphaël de Filippo (Ilustrações de Roland Garrigue; Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)
Quem são os hominídeos? Quais são as idades da pré-história? Como é o dia de trabalho em um sítio arqueológico? O passado está por toda parte, mas em geral não nos damos conta disso. Rastros da vida humana guardados embaixo da terra e no fundo dos mares são descobertos em todos os cantos do mundo, revelando aspectos importantes da vida dos homens de antigamente e das mudanças climáticas que modificaram o planeta. Do terreno ao laboratório, os arqueólogos trabalham para encontrar rastros do que foi abandonado mas não deve ser esquecido. Ao acompanhar o seu trabalho passo a passo, neste guia sobre a arqueologia, aprendemos sobre a história do nosso planeta e de todos que o ocuparam, e podemos olhar para o nosso futuro de uma maneira diferente.

Inventores e suas ideias brilhantes, de Mike Goldsmith (Ilustrações de Clive Goddard; Tradução de Antônio Xerxenesky)
A vida hoje em dia é infinitamente diferente daquela dos homens da pré-história, e isso graças a pessoas curiosas e engenhosas que gastaram muito tempo estudando e criando coisas: os inventores. Neste livro, conhecemos a história de 10 homens e suas invencionices: Arquimedes, as roldanas e as máquinas de guerra; Leonardo da Vinci e os submarinos; James Watt e os motores a vapor; George Stephenson, os trens e lampiões; Thomas Edson, a lâmpada e o toca-discos; Alexander Graham Bell e o telefone; os irmãos Wright e o avião; Guglielmo Marconi e as transmissões de rádio; John Logie Baird e a televisão em cores e em 3D.

Zuckerman acorrentado, de Philip Roth (Tradução de Alexandre Hubner)
O volume reúne os três romances e a novela que serve de epílogo à trilogia em que Philip Roth dá vida a uma de suas criações mais geniais: Nathan Zuckerman, um escritor que não é de levar desaforo para casa. E não são poucos os desaforos e despropósitos que desde o início de sua carreira ele é obrigado a ouvir. Justo ele, que sempre pretendeu ser um escritor sério, com preocupações morais elevadas, na linha de Thomas Mann. Porém, como Zuckerman sabe, seu forte é a comédia — e, em especial, as piadas de judeu. E o establishment judaico não o perdoa por isso. Nem seu pai, nem seu irmão caçula e, em certa medida, nem ele próprio.

Meus prêmios, de Thomas Bernhard (Tradução de Sergio Tellaroli)
Em obra póstuma publicada em 2009, o austríaco Thomas Bernhard, um dos maiores escritores em língua alemã do século XX, comenta com sua acidez característica e fina ironia os prêmios literários que recebeu. São nove relatos, três discursos e a carta em que o autor explica seu desligamento da ilustre Academia de Língua e Literatura de Darmstadt, a instituição que concede o cobiçado prêmio Büchner. Bernhard relata a rotina muitas vezes hilária da concessão e da outorga de prêmios literários, muitos dos quais o escritor foi receber em companhia da tia septuagenária.

Jakob, o mentiroso, de Jurek Becker (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Jakob, o mentiroso é tido como uma das obras-primas da literatura sobre o Holocausto. O narrador é um dos únicos sobreviventes que sabem a verdade sobre Jakob Heym, um homem que se tornou herói por acaso. E foi também o acaso que preservou a vida do narrador. O que fez Jakob, afinal? Mentiu: forjou notícias sobre a aproximação do Exército Vermelho, os possíveis redentores. Assim, Jakob suscita uma reviravolta surpreendente. Embora ele seja um mentiroso contrariado, sem dotes imaginativos, suas minguadas palavras são esperadas e ouvidas com avidez pelos judeus confinados. As palavras, arma impalpável, são como o pão que falta a essa gente esfaimada, e um grama delas, como diz Jakob, já lhe basta para fabricar uma tonelada de esperança.

De olho em Lampião, de Isabel Lustosa
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1897-1938), foi o maior cangaceiro de todos os tempos. Iniciado no cangaço ainda adolescente, no começo da década de 1920 passou a liderar seu próprio bando, espalhando uma trilha de violência e terror por quase todo o Nordeste. A ousadia de suas ações, em que se destacava a selvageria no trato com inimigos — especialmente soldados e policiais —, tornou-o conhecido no país inteiro. Ao mesmo tempo, o companheiro de Maria Bonita adquiriu fama de Robin Hood sertanejo ao distribuir entre os pobres parte dos bens saqueados dos ricos. A pesquisadora Isabel Lustosa mostra como a vida de Lampião dividiu-se entre a crueldade e a justiça, a riqueza e a miséria, o poder e a paixão.