romance

Semana cinquenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

Liberdade, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaksman)
Um estudante idealista e meio nerd, uma jogadora de basquete com carreira promissora e um roqueiro rebelde metido a poeta se conhecem no fim dos anos 1970, na Universidade de Minnesota. Duas décadas depois, a crise do casamento de Walter e Patty Berglund ameaça estilhaçar sua imagem arquetípica de família liberal de classe média, ao mesmo tempo que Richard Katz se torna um espectro promíscuo e solitário que deseja apenas fugir da própria fama. No despertar do novo milênio, eles têm a impressão de já terem vivido tudo. Mas é somente agora, numa época em que a liberdade lhes parece tão onipresente quanto fugidia, que as coisas começam realmente a se complicar. Poderoso painel da vida contemporânea, povoado por personagens tão reconhecíveis quanto surpreendentes, Liberdade reatesta a posição de Jonathan Franzen como um dos grandes autores americanos da atualidade. Veja o vídeo do editor, André Conti, falando sobre o livro:

As correções, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaskman; Nova edição econômica)
Alfred Lambert é um engenheiro ferroviário aposentado, teimoso e cheio de manias agravadas pelo mal de Parkinson recentemente diagnosticado. Enid Lambert é uma dona de casa comum, às vezes mesquinha, às vezes frívola. O casal, na faixa dos setenta anos, leva um cotidiano de torturas mútuas numa pequena cidade do Meio-Oeste americano. Gary, Chip e Denise, os três filhos, mudaram-se para metrópoles da costa Leste a fim de tentar a sorte e deixar para trás a mediocridade da vida em família. Jonathan Franzen, uma das principais vozes da ficção americana, conta uma saga contemporânea a um só tempo trágica e cômica, que vai de Nova York até a Lituânia, e expõe dramas pessoais, crises conjugais, a sedução irresistível do dinheiro e os conflitos religiosos e culturais que separam duas gerações.

Estrela amarela, de Jennifer Roy (Tradução de Ernani Ssó)
Em setembro de 1939 os alemães invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Pouco tempo depois, trataram de isolar os judeus em guetos, como o de Lodz, onde, entre 233 mil pessoas, havia uma menina de quatro anos chamada Sylvia — uma entre as doze crianças desse gueto que sobreviveram ao Holocausto. Em Estrela amarela, a própria Sylvia, tia da autora, fala sobre esses seis anos de luta pela sobrevivência, compartilhando as dúvidas, os medos e as pequenas alegrias de uma criança judia em meio ao nazismo.

Essencial Franz Kafka, tradução e organização de Modesto Carone
Apesar de seu estado fragmentário, o espólio literário de Kafka — publicado na maior parte em edições póstumas, graças à generosa traição de Max Brod, que se recusou a destruí-lo conforme a vontade do amigo — é considerado um dos monumentos artísticos mais importantes do século XX. O Essencial Kafka reúne momentos antológicos do autor de O processo, incluindo contos, fábulas e a novela A metamorfose, na íntegra, além de 109 aforismos. Modesto Carone é responsável pela introdução e pelos comentários, além de assinar a tradução, feita a partir dos originais em alemão, o que permitem que os textos sejam lidos (ou relidos) com fidelidade ao estilo labiríntico da prosa kafkiana.

O livro de Praga, de Sérgio Sant’Anna
Os sete contos de que compõem o sexto volume da coleção Amores Expressos narram a viagem improvável do escritor Antônio Fernandes à capital tcheca. Ele está interessado em arte: sua atenção se volta para a pintura de Andy Warhol, a música da pianista Béatrice Kromnstadt, as esculturas da ponte Carlos, a peça teatral em que a Alice de Carroll contracena com sua sombra, o texto de Kafka tatuado num corpo feminino… Suas aventuras insistem na ideia de que transcendência, arte e sexo convergem em morte.

Chão de meninos, de Zélia Gattai
Entre viagens a países longínquos e sentimentos ambíguos diante da política e da realidade, pequenas histórias do dia a dia e amigos que não param de lhe trazer surpresas, Zélia Gattai continua sua trajetória de narradora sábia e serena neste livro de memórias delicado. Lançado no ano em que Jorge Amado completou oitenta anos de idade, Chão de meninos retoma os temas que guiaram Zélia Gattai em sua travessia do mundo. Em primeiro lugar, a paixão por Jorge. Depois, a fé, às vezes vacilante, mas sempre forte, no socialismo. E, por fim, o amor incondicional pelos amigos, a aposta, sem receio, nos outros.

As variações Bradshaw, de Rachel Cusk (Tradução de Fernanda Abreu)
Com quase quarenta anos e pais de uma filha de oito, Thomas Bradshaw e sua mulher, Tonie, têm uma vida estável nos arredores de Londres. No entanto, quando Tonie é chamada a trocar as aulas de literatura em tempo parcial pelo cargo de chefe do departamento de inglês na universidade, abandona a zona de conforto do trabalho entremeado à vida doméstica e avança com curiosidade por seu novo universo solidamente regulado. Movido por curiosidade simetricamente oposta, Thomas abdica de seu próprio emprego e assume o antigo lugar de Tonie, cuidando dos afazeres domésticos e estudando piano, à procura de resposta para a pergunta: “O que é a arte?”. Composto de cenas fragmentárias, esse romance apresenta um sutil panorama social por meio de consciências singulares.

Vida de um homem: Francisco de Assis, de Chiara Frugoni (Tradução de Federico Carotti)
O grande traço distintivo de Francisco de Assis foi saber responder com uma religiosidade ativa e generosa às trevas terrenas. Ele falava mais de perto a homens e mulheres às voltas com novos problemas e práticas, que não se deixavam guiar apenas pelo temor a um Deus punitivo. De modo simples, preciso e delicado, a historiadora medievalista Chiara Frugoni investiga a vida do homem (e santo) que forjou o conceito de individualidade e, para muitos, antecipou os valores do Renascimento.

Semana cinquenta e três

A divina comédia, de Seymour Chwast (Tradução de Alexandre Boide)
Nesta versão em quadrinhos de Seymour Chwast para o poema épico de Dante Alighieri, o autor e seu guia Virgílio usam chapéu de feltro e vagam pelos domínios de um Inferno, um Purgatório e um Paraíso em estilo noir. No caminho eles deparam com inúmeros pecadores e santos — muitos deles são pessoas reais às quais Dante designa uma punição horrível — e ficam frente a frente com Deus e Lúcifer. Chwast cria uma fantasia visual a cada página. Suas ilustrações criativas resgatam a complexidade delirante desse clássico do cânone ocidental.

História do cerco de Lisboa, de José Saramago
Um ato gratuito, sem explicações aparentes, compele o revisor Raimundo Silva a inserir um termo que falsifica a “verdade” histórica. Essa fraude que se impõe àquele fiel respeitador de textos alheios é a origem da fascinante fabulação que Saramago sobrepõe à história do cerco de Lisboa. A nova história do cerco é a crônica do amor tardio do revisor falsário por Mara Sara, que se espelha, oito séculos depois, no amor primevo do soldado Mogeuime por Ouroana, aos pés da cidade prestes a cair. Assim, a Lisboa de Saramago também se refaz nas ruas da cidadela moura e no arraial português, e o que surge desse amálgama é a um só tempo um thriller e um retrato histórico, como só a mais acabada literatura é capaz de fazer.

O museu da inocência, de Orhan Pamuk (Tradução de Sergio Flaksman)
Kemal, homem nos seus trinta anos, descendente de uma família rica e tradicional, está prestes a se casar com Sibel, mulher inteligente e refinada. Na Turquia dos anos 1970, eles representam um casal moderno, que se arrisca a fazer sexo antes do casamento. A vida de Kemal, de fato, parece completa em todos os aspectos — financeiro, familiar e amoroso. No entanto, ao reencontrar-se com Füsun, uma prima distante de dezoito anos que trabalha como vendedora em uma boutique, toda a sua estabilidade colapsa. Ele passa a ter encontros sexuais frequentes com a jovem bela e esbelta, embora não considere romper o noivado com Sibel, a esposa perfeita aos olhos da sociedade turca. A partir dessa história de desilusão, obsessão amorosa e embate entre Ocidente e Oriente, tradição e modernidade, Orhan Pamuk desenha um panorama social e cultural da Turquia.

Na casa do Leo — Os dinossauros, de Philip Ardagh (Ilustrações de Mike Gordon; Tradução de Érico Assis)
Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, costumam aparecer visitas extraordinárias. Desta vez, ele vai receber nada menos que os terríveis — alguns nem tanto assim — dinossauros. Acompanhado de Naftalina, seu cachorro de estimação, e Jarbas, o prestativo zelador da casa, Leo vai descobrir, por exemplo, qual é o maior dinossauro de todos os tempos; que alguns dinossauros tinham penas, mas não podiam voar; e o que provocou a extinção desses animais. Em formato de história em quadrinhos, o livro tem linguagem acessível a leitores iniciantes, além de estar dividido em capítulos curtos, como convém a crianças que estão começando a aprender sobre ciências. Um glossário, ao final, complementa o volume com a explicação de alguns termos específicos sobre o assunto.

Grécia antiga, de Stewart Ross (Ilustrações de Inklink e Richard Bonson; Tradução de Augusto Calil)
No século V a.C., a Grécia foi assolada por intensas batalhas travadas entre Atenas e Esparta. Atenas era a mais poderosa e rica cidade da região, e as outras cidades, lideradas por Esparta, tentaram derrubá-la por anos a fio. Tendo como pano de fundo essa rivalidade, o livro conta, em quadrinhos, a história de Cinésias, o mais importante atleta de Atenas, em quem toda a cidade confia para disputar a principal prova dos Jogos Olímpicos que vão se realizar em 416 a.C.
No decorrer da leitura, o leitor vai descobrindo os cenários nos quais se desenrola a história, bem como o dia a dia da sociedade da época — desde roupas e alimentos até a crença em deuses e deusas de temperamento explosivo —, através de textos e ilustrações bastante detalhadas. Vai conhecer, por exemplo, como viviam os guerreiros espartanos, os navios usados pelos atenienses no comércio marítimo, o cuidado dos atenienses com a saúde do corpo e da mente.

Semana cinquenta e um

Os lançamentos da semana são:

Ilustrado, de Miguel Syjuco (Tradução de Fernanda Abreu)
Crispin Salvador, escritor filipino de fama internacional, porém ignorado pela crítica de seu próprio país, aparece morto em Nova York sob circunstâncias obscuras. Com ele some o manuscrito do livro que iria incomodar muita gente e mudar de vez sua reputação. Seu jovem discípulo, um escritor filipino mais jovem e também no exílio, resolve investigar o caso e juntar as peças da biografia de Salvador, cuja trajetória tem inúmeros pontos em comum com a sua. Ilustrado é um romance inteligente, engraçado e habilmente construído, que transita com desenvoltura por vários tipos de registro para explorar as verdades ocultas que assombram qualquer família, e compor uma sátira vívida e multifacetada da cultura e da sociedade filipinas das últimas décadas. Vencedor do Man Asian Literary Prize, foi comparado Roberto Bolaño, Haruki Murakami e David Mitchell.

Tudo o que tenho levo comigo, de Herta Müller (Tradução de Carola Saavedra)
Romênia. Fim da Segunda Guerra Mundial. Leo Auberg, de origem alemã, tem dezessete anos, mora com os pais e os avós, estuda, e nas horas vagas vivencia seus primeiros e fortuitos encontros com outros homens, num país em que o homossexualismo é crime. Inesperadamente, porém, Leo é obrigado a pagar por outro crime. Stálin decreta a deportação das minorias étnicas alemãs para campos de trabalhos forçados, sob a acusação de terem colaborado com Hitler. Do dia para a noite, Leo é retirado de sua vida e encerrado num mundo de horror, desumanidade, torturas, fome e morte. Resta a ele apegar-se às palavras. Às palavras que dão sentido ao que não tem sentido algum. E que servem como âncora, profecia, salvação. Leo se apega, entre outras coisas, às palavras da avó, que ao vê-lo fazer a mala e se despedir, diz: “Eu sei que você vai voltar”. É preciso esperar o retorno. E que, finalmente, a guerra acabe.

A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris
Numa trama que une passado e presente em cidades como Nova York, São Paulo e Paris, Carlo Antonini se vê às voltas com duas mulheres misteriosas e fascinantes. Aparências enganosas, pistas deixadas para confundir, verdades construídas pelos mecanismos frágeis e subjetivos da memória, tudo se soma para tornar ainda mais complexa uma investigação que une elementos da psicanálise à ação dos melhores thrillers. Colunista da Folha de S. Paulo e autor de O conto do amor, Contardo Calligaris fará uma turnê de lançamento que começa amanhã, em São Paulo.

Ponto ômega, de Don DeLillo (Tradução de Paulo Henriques Britto)
Jim Finley é autor de uma única obra, um documentário que pouca gente viu. Seu novo projeto é um filme sobre a guerra. Entretanto, em vez de registrar cenas de combate, ele pretende fazer apenas uma entrevista. Para isso, procura Richard Elster, acadêmico e ex-funcionário do governo americano, que passou dois anos trabalhando no Pentágono, durante a Guerra do Iraque. A princípio, ele resiste a falar sobre a experiência. Mas depois convida Jim a passar uma temporada em uma casa no deserto. Na paisagem árida do Oeste americano, o jovem cineasta e o intelectual da guerra experimentam a lentidão da passagem do tempo. Ali, estão próximos do ponto ômega, em que a consciência caminha para um estágio essencial. Neste romance sobre as ambivalências da representação e os limites do humano, um evento indecifrável, porém, vem abalar a paz desse refúgio espiritual e desafiar as próprias convicções sobre arte e realidade, controle e acaso, guerra e paz.

Hamlet, de Andrew Mattews (Tradução de Érico Assis; Ilustrações de Tony Ross)
“Ser ou não ser? Eis a questão”: quem não conhece essa frase, uma das mais célebres de todos os tempos? Pois foi justamente desta tragédia que ela foi retirada. Aqui é Hamlet quem conta a sua história. Quando ouve o fantasma do pai dizer que foi assassinado pelo próprio irmão, Hamlet passa a ser atormentado pela dúvida: o fantasma do velho rei diz a verdade ou seria um demônio tentando fazê-lo cometer uma loucura? O jovem príncipe vai buscar desesperadamente a verdade. Nesta edição de, além de ter um primeiro contato agradável com o universo dos clássicos universais, as crianças poderão ler um prefácio de Flavio de Souza sobre os atrativos desta tragédia e dois posfácios: um sobre o tema da vingança na peça e outro sobre Richard Burbage, o ator mais famoso e requisitado no teatro de Londres nos tempos da rainha Elizabeth. Da mesma coleção, a Companhia das Letrinhas publicou Romeu e Julieta e Muito barulho por nada.

Do contrato social, de Jean-Jacques Rousseau (Tradução de Eduardo Brandão)
“O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado. O que se crê amo dos outros não deixa de ser mais escravo que eles. Como essa mudança se deu? Não sei. O que a pôde tornar legítima?” Este é o famoso enunciado que abre Do contrato social, tratado político escrito pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau e publicado pela primeira vez em 1762. Polêmico e controverso, o livro suscitou um debate que dura até os dias de hoje e que atravessa muitos campos do conhecimento humano. Rejeitando a ideia de que qualquer um tem o direito natural de exercer autoridade sobre o outro, Rousseau defende um pacto, o “contrato social”, que deveria vigorar entre todos os cidadãos de um Estado e que serviria de fonte para o poder soberano. Aos olhos de Rousseau, é a sociedade que degenera o homem, ele próprio um animal com pendor para o bem. Esta edição inclui prefácio do cientista político Maurice Cranston, em que ele examina as ideias políticas e históricas que influenciaram Rousseau.

Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo, de Jean Starobinski (Tradução de Maria Lucia Machado)
Neste livro já clássico, Jean Starobinski — a exemplo dos grandes humanistas — esquadrinha com o olhar do filósofo, do ensaísta, do médico, do músico e do crítico literário a obra de Jean-Jacques Rousseau. Delicadamente, dedica a mesma atenção à evidência e às sombras do espírito, interroga o sentido dos gestos começados e interrompidos, investiga a amarga reflexão de Rousseau ao ter de afrontar a perda de um mundo regido pela transparência e ser condenado a viver em um mundo mediado pela propriedade e pelas instituições. Apoiando suas análises na sensibilidade do artista e na razão do filósofo e cientista, Starobinski segue um duplo movimento, que alguns críticos chamam de “dialética das aparências”: interroga o mundo visível, denunciando as aparências enganosas, mas ao mesmo tempo dá a essas aparências um sentido novo.

Semana cinquenta

Os lançamentos da semana são:

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Mundana e vaidosa, amante dos esportes, do cinema, da música e da dança, fumante e adepta do nudismo, Eva Braun incorporava pouco o ideal de mulher nacional-socialista. Talvez por causa dessa pecha de futilidade e inconsequência que sempre roundou a figura da namorada do Führer, as historiografia tenha ressaltado persistentemente a insignificância de Eva, sua posição à margem das decisões que levaram aos piores crimes do século XX. Tentando mudar esse estado de coisas — e, por meio da vida íntima, ajudar na compreensão histórica do Terceiro Reich —, a historiadora Heike B. Görtemaker fez extensa pesquisa, da qual emergem não só os anos de formação da biografada, sua família e meio social, como uma inédita história social da bizarra corte nacional-socialista, em especial no refúgio alpino do ditador, o Berghof, no qual Eva reinava como clara soberana entre as poucas figuras medíocres a quem era permitido o convívio com Hitler. Aliando rigor acadêmico e fluência literária, Eva Braun oferece um panorama vívido desse mundo assustador em que a normalidade cotidiana convivia com um ideário genocida.

Brooklyn, de Colm Tóibín (Tradução de Rubens Figueiredo)
No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

Nunca vai embora, de Chico Mattoso
Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Para Renato, o romance com Camila foi providencial, pois varreu para debaixo do tapete boa parte de suas agruras emocionais. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.
Em ritmo vertiginoso, Nunca vai embora é o relato de uma paixão obsessiva, que encontra eco nas idiossincrasias de um país que também parece viver à deriva, flutuando em algum lugar entre a nostalgia e a esperança. Combinando humor e melancolia, este é um livro sobre a busca de um jovem por amor, sexo e, talvez principalmente, algum sentido para um mundo que não admite se deixar controlar.
[Haverá sessão de autógrafos em São Paulo dia 3 de maio.]

Borges — Uma vida, de Edwin Williamson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Esta é a primeira biografia que abrange toda a vida e a obra de um dos maiores escritores de todos os tempos. Com base em fontes anteriormente desconhecidas ou fora do alcance dos pesquisadores, revela o lado humano de Jorge Luis Borges: suas relações com uma família complexa e com os muitos amigos (e inimigos), as dificuldades de relacionamento com as mulheres e as profundas raízes argentinas desse escritor cosmopolita. Professor de literatura espanholoa em Oxford, Edwin Williamson traça com maestria a evolução das ideias políticas de Borges, desde as inclinações esquerdistas da juventude, a defesa do nacionalismo cultural e a postura claramento antifacista que o levou a se posicionar contra Perón, até o controvertido apoio às ditaduras militares da década de 1970 e o pacifismo de seus últimos anos. Williamson estabelece também correlações inéditas e surpreendentes entre a vida e a obra de Borges, numa tentativa ousada de compreender a vida através da obra e de dar uma explicação psicológica para os enigmáticos textos do maior escritor argentino do século XX.

A viúva grávida, de Martin Amis (Tradução de Rubens Figueiredo)
Três estudantes da Universidade de Londres passam férias de verão num castelo da tórrida Campania italiana. O ano é 1970. Lily namora Keith Nearing, estudante de literatura inglesa e aspirante a poeta. Às vésperas de completar 21 anos, entretanto, Keith só tem olhos para a bela Scheherazade, para suas medidas exuberantes e seus inocentes banhos de sol à beira da piscina. À maneira de uma divertida e apimentada comédia de costumes, o novo romance de Amis nos situa, de início, entre uma galeria variada de personagens que tateiam por um mundo em transformação radical. Mas trinta longos anos são necessários até que o verão de 1970 alcance um Keith Nearing já cinquentenário. E sobre cada um deles paira uma sombra trágica: Violet. Ousado e controvertido, A viúva grávida é um acerto de contas com a revolução sexual e com o mundo que ela gestou, mas é também um tributo pungente à irmã de Amis, Sally, morta em 1999 aos 46 anos de idade.

Semana quarenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Alex no país dos números, de Alex Bellos (Tradução de Claudio Carina e Berilo Vargas)
Os números têm fascinado a humanidade desde sua descoberta. Representados de diferentes modos pelas civilizações ao longo dos séculos, esses signos e suas relações se tornaram o fundamento do raciocínio abstrato, bem como de todas as atividades humanas em que é necessário contar. Os traços e marcas que permitiam aos primeiros pastores e agricultores o controle sobre a produção de seus rebanhos e plantações se transformaram na base conceitual da atual revolução tecnológica. Nas páginas desta surpreendente viagem pelo país da matemática, tal como a Alice de Lewis Carroll, Alex Bellos conduz o leitor por entre uma multidão de seres inusitados. Em meio a números com poderes maravilhosos, números que se atraem e se repelem, números que representam a plenitude da divindade e números repetidos que desafiam o acaso dos dados, o autor demonstra que a matemática é uma ciência tão importante quanto divertida. Alex Bellos, que fala português, vem ao Brasil para o lançamento do livro. Haverá bate-papo em São Paulo e Rio de Janeiro, com oficina de cubo mágico.

Três sombras, de Cyril Pedrosa (Tradução de Carol Bensimon)
Joachim e seus pais — Louis e Lise — vivem distantes do resto do mundo. A vida é tranquila e cheia de pequenos prazes na casinha rodeada por colinas. Mas um dia três sombras surgem no horizonte, montadas em cavalos, com capas negras e os rostos cobertos por capuzes. Sua presença silenciosa aos poucos se torna onipresente, aterrorizando a família e levando Louis à terrível conclusão de que as três entidades estão ali para buscar Joachim. Então Louis recusa-se a aceitar as engrenagens do Destino, e parte com o filho em uma viagem febril e desesperada. Nessa jornada quase alegórica, retratada com o traço preciso de Cyril Pedrosa — que ora revela a inocência de um olhar, ora ameaça à espreita —, pai e filho atravessarão lugares inóspitos povoados por seres trapaceiros e imorais, enquanto tentam, de todas as maneiras possíveis, escapar do encontro com a morte.

O jantar fatal e outros mistérios médicos, de Jonathan Edlow (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
No ritmo das séries televisivas de grande sucesso ER e House, e inspirado nos contos de sir Arthur Conan Doyle protagonizados por Sherlock Holmes, o professor de medicina em Harvard e renomado especialista em emergências neurológicas Jonathan Edlow conta quinze histórias de mistérios médicos que — por sua complexidade ou rara ocorrência — desafiam os melhores “detetives”. Entre doenças esquecidas nos antigos compêndios de medicina que subitamente se manifestam no coração dos Estados Unidos e supostos chás medicinais que na verdade são tóxicos, o dr. Edlow ainda nos apresenta, em linguagem clara e acessível, a história das moléstias diagnosticadas, e as aventuras da descoberta dos mais diversos males e patógenos.

Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie (Tradução de Melina R. de Moura)
Salman Rushdie é um equilibrista habituado à corda bamba entre dois mundos que parecem mais distantes entre si no tempo que no espaço — o Oriente e o Ocidente. Tem, portanto, um olhar privilegiado sobre cada um deles, o que lhe permite enxergar detalhes que escapariam a um observador convencional. Nos nove contos deste livros, o escritor indiano observa essas duas culturas com olhos afiados e irônicos, montando um caleidoscópio de situações que atravessam séculos e continentes. De Hamlet a Isabel de Castela, de Colombo ao dr. Spock, passando por assaltantes anônimos, espiões e proletários, indivíduos invariavelmente fora do lugar dão a estas páginas colorido e vitalidade raros na literatura — e são a prova definitiva de que não há fronteiras para a fabulação de Rushdie.

Mosca Espanhola, de Will Ferguson (Tradução de Celso Mauro Paciornik)
Jack McGreary é um jovem que vive na minúscula, pobre e pacata cidade de Paradise Flats. Quando dois novos golpistas chegam ao local e começam a agir, Jack é o único que reconhece o truque, mas, em vez de entregá-los, termina por ajudá-los. Encantado com a promessa de uma vida de aventuras com os profissionais do engodo Virgil Ray e srta. Rose, espécie de Bonnie e Clyde sem armas, Jack decide deixar sua antiga vida para trás e partir com eles. Juntos, os três aplicam golpes por todo o país, dos mais simples aos mais sofisticados, com um único lema: não é crime se dão o dinheiro para você. Jack é rapidamente absorvido por essa vida de dinheiro, bebida e jazz, e, usando seu talento nato, planeja o maior golpe de todos: a Mosca Espanhola.

Pompeia, de Richard Platt (Ilustrações de Manuela Cappon; Tradução de Érico Assis)
Era uma vez um modesto casebre no sul da Itália. Por volta de 750 a.C., ele se transforma em uma fazenda que, com o passar do tempo, vai sendo engolida por uma cidade vibrante que cresce ao seu redor — Pompeia. Aos poucos, surgem cada vez mais sinais de que o modo de vida romano tornou-se dominante por lá. Até as forças da natureza rebelam-se: o abalo de um terremoto é apenas o prenúncio de algo ainda mais devastador… Essa é a emocionante história narrada neste livro. Ao acompanhar o dia a dia de uma casa em Pompeia, de séc. VIII a.C. aos dias de hoje, você conhece não só uma parte da história do antigo Império Romano, como também as pessoas que lá viveram e trabalharam, e entende suas crenças e hábitos. Acompanhe em detalhes o crescimento dessa fascinante cidade por meio de desenhos detalhados e textos explicativos.

O livro dos monstros!, de Fran Parnell (Ilustrações de Sophie Fatus; Tradução de Heloisa Jahn)
O que você faria se de repente encontrasse um monstro? Tentaria se esconder? Fugiria? Ou será que diria “oi” na maior calma? Pois nestas histórias você vai ficar frente a frente com vários deles: um abominável homem das neves, um ogro emplumado, um monstro aquático faminto e outros seres de dar medo. E vai acabar descobrindo que eles são cheios de truques e também que nem todos são tão terríveis assim — alguns só precisam de um pouco de compreensão. Inspirado em histórias populares do mundo inteiro, das montanhas do Nepal às planícies da América do Norte, este livro vai fazê-lo passar pela emoção de encontrar algumas criaturas pavorosas — e gostar da experiência!

O rato me contou…, de Marie Sellier (Ilustrações de Catherine Louis; Carimbos e caligrafia chinesa de Wang Fei; Tradução de Eduardo Brandão)
Um dia, no início do mundo, o Grande Imperador do Céu convidou todos os animais a visitá-lo no topo da montanha de Jade. Doze animais compareceram — e acabaram se tornando os doze signos do horóscopo chinês. O que realmente aconteceu naquele dia? O rato, que estava presente, é que vai contar essa história. Ao final do volume, tabelas trazem os anos correspondentes a cada um dos signos chineses.