romance

Semana quarenta

Os lançamentos da semana são:

Suor, de Jorge Amado
Um casarão do Pelourinho transformado em cortiço, com suas dezenas de moradores pobres e marginalizados, é o ambiente de Suor, publicado em 1934, quando Jorge Amado tinha 22 anos. De modo cru, mas com sua característica prosa envolvente e calorosa — sempre atenta à musicalidade da fala popular —, Jorge narra um cotidiano de miséria, falta de higiene e ausência de perspectivas. Nos quartos precários do cortiço, homens e mulheres convivem com ratos e baratas e dão vazão às pulsões mais básicas.

A cultura-mundo — Resposta a uma sociedade desorientada, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy (Tradução de Maria Lúcia Machado)
Que cultura caracteriza o mundo hoje? De que forma ela se relaciona com os principais eixos de nossa época: capitalismo globalizado, individualismo, consumismo, internet? Num ensaio iluminador, Gilles Lipovetsky e Jean Serroy explicam a gênese e os impasses desse novo e complexo sistema de valores.

Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín, de Teresa Veiga
Quem lê este livro tem a impressão de estar diante da narrativa dos feitos de homens que, por motivos diversos, são merecedores de alguma notoriedade. No entanto, aos poucos, e com a naturalidade inerente a todo grande narrador, os acontecimentos tomam rumos inesperados, e o foco da lente precisa de Teresa Veiga (uma das principais autoras da atualidade em Portugal) se ajusta sobre as mulheres que são o verdadeiro motor a impulsionar seus contos.

A ninfa inconstante, de Guillermo Cabrera Infante (Tradução de Eduardo Brandão)
Estela ainda não tem dezesseis anos nem entende o palavrório do crítico de cinema que por ela caiu de amores. Ele é bem mais velho, e tem uma esposa que cansou de esperá-lo acordada. Mas essa não é outra história de amor em que um intelectual maduro se deslumbra pela beleza de uma adolescente ingênua. Porque Estela é tudo, menos inocente. Romance inédito do cubano exilado Guillermo Cabrera Infante, A ninfa inconstante mostra todas as facetas do estilo do autor: os jogos de palavras que tanto fascinavam esse infatigável explorador da linguagem, as suas referências cinematográficas e literárias, o gosto pelas expressões populares e o sentido de humor único que povoa suas páginas.

Jerusalém — Uma cidade, três religiões, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Como que saída da pena de Borges ou de Calvino, Jerusalém guarda muito de fantástico e imaginário em seus muros milenares. Mas a cidade toma contornos e significados próprios aos olhos de cada uma das três principais religiões do Ocidente: o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Num livro que abarca desde os primeiros vestígios de povoamento na região até os nossos dias, Karen Armstrong narra toda a história de ocupações e intolerância — mas muitas vezes também de convivência pacífica — que forjou o destino da Cidade Santa, e mostra como a aura mítica que Jerusalém adquire para judeus, cristãos e muçulmanos desafia a busca de uma solução meramente racional para os conflitos que até hoje marcam a região.

Jake Cake e a professora lobisomem, de Michael Broad (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Jake Cake é um menino que, além de ter nome de comida, gosta de escrever sobre as coisas que acontecem com ele, ou melhor, sobre as aventuras em que se mete. Ele também faz alguns desenhos — da mãe e sua cara de brava, da professora de matemática transformada em lobisomem, da babá-monstro estraçalhando todos os móveis da sala, da múmia que encontrou vagando por um museu, entre outras doideiras. Claro que os adultos costumam não acreditar nas histórias do menino, mas ele garante que tudo realmente aconteceu. Este é o primeiro volume de uma coleção de diários do Jake Cake, cada um com três episódios. Neles, as crianças vão se divertir ao conhecer as aventuras e confusões do Jake, narradas e ilustradas pelo próprio trapalhão por trás delas.

Os combates de Aquiles, de Mano Gentil (Tradução de Álvaro Lorencini)
Neste livro, a história de Aquiles, um dos mais famosos e trágicos heróis de todos os tempos, é narrada em forma de romance. Guerreiro exemplar, de coragem e força inigualáveis, Aquiles tem também um senso sutil de honra e justiça. No entanto, quando é ferido, pode se tornar selvagem e sanguinário, contrariando as leis da civilização e dos deuses. Como nos outros volumes da coleção, para que se possa compreender melhor a tragédia e seu alcance, um apêndice contextualiza o mito — sua origem, as várias interpretações que recebeu e algumas de suas representações nas artes — e um glossário explica termos destacados no texto.

Semana trinta e nove

Os lançamentos desta semana são:

O campo e a cidade, de Raymond Williams (Tradução de Paulo Henriques Britto)
O campo e a cidade é considerado a obra-prima de Raymond Williams, um dos mais finos e respeitados críticos literários ingleses do século XX. O autor oferece leituras detalhadas de poemas bucólicos e antibucólicos, comparando-os com o desenvolvimento efetivo da sociedade rural inglesa, e examina as reações aos centros urbanos a partir dos séculos XVI e XVII, as mudanças decisivas ocorridas na Londres do século XVIII e a nova literatura urbana dos séculos XIX e XX.

O caderno de Liliana, de Livia Garcia-Roza (Ilustrações de Taline Schubach)
Liliana não entende por que a mãe, que foi internada, não vai mais voltar para casa. Como não pode visitá-la, a menina se põe a escrever. Contar sua rotina — as visitas da avó, os irmãos bagunceiros, o batizado da boneca preferida… — é uma forma de continuar conversando com a mãe. Palavra atrás de palavra, com leveza e sabedoria que só as crianças têm, Liliana vai aprender a dizer o que sente e a descobrir como dar sentido a sua tristeza, a suas alegrias e a sua maneira de ver o mundo.

Ordinário, de Rafael Sica
Ordinário é uma coletânea da série de tiras de mesmo nome, publicada por Rafael Sica em seu blog desde 2009. Essas tiras, em preto e branco e sem falas, retratam a vida na metrópole, marcada por sentimentos intensos como solidão, tristeza, medo e horror, sempre com um humor ácido e um toque de surrealismo. Nesse universo bastante particular — e facilmente reconhecível — criado por Sica, de um modo quase tragicômico questiona-se a vida urbana e o comportamento do homem contemporâneo. O resultado seria algo próximo de Macanudo, se fosse escrito por alguém como Tim Burton. Haverá lançamentos com sessão de autógrafos em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.

Semana trinta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O triunfo da música, de Tim Blanning (Tradução de Ivo Kotytovski)
O que um concerto de Franz Liszt, uma improvisação de John Coltrane e uma turnê de Paul McCartney possuem em comum? Transitando livremente entre fronteiras estéticas, geográficas e temporais, o especialista em história cultural Tim Blanning analisa os fatores históricos que tornaram a música a mais bem-sucedida e influente forma artística da atualidade. Professor da Universidade de Cambridge, o autor amalgama os mais variados estilos — ópera e rock’n’roll, jazz e música sinfônica — numa fascinante história dos instrumentos, gêneros e práticas de escuta e execução.

Em defesa de Deus, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Numa prosa ao mesmo tempo erudita e fluente, Em defesa de Deus resgata os fundamentos históricos e filosóficos das religiões abraâmicas. Judaísmo, cristianismo e islamismo são apresentados em suas principais diferenças e semelhanças. O livro percorre a labiríntica história da fé para apresentar os conceitos fundadores da ideia revolucionária de uma divindade única, atemporal e criadora dos homens e do Universo. Karen Armstrong demonstra como ethos social dos povos monoteístas foi construído em torno do enigma da figura de Deus.

Gumercindo e a galinha garoupa, de Joaquim de Almeida (Ilustrações de Laurabeatriz)
Quando encontrou uma galinha no meio da rua, em plena noite de sexta-feira 13, Gumercindo não imaginava que aquele seria o início de uma amizade que incluiria um desafio entre repentistas, uma maldição e uma viagem pelo sertão até o oceano. E tudo isso embalado pelos versos improvisados na levada do repente…

Papéis avulsos, de Machado de Assis
Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis (1839-1908) após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores (inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”), este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição dispõe os contos de acordo com a data original de publicação, indicada por Machado na primeira edição do livro (1882).

Crônica de uma namorada, de Zélia Gattai
Este livro acompanha as dores e descobertas da menina Geane, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.

Juca e os anões amarelos, de Jostein Gaarder (Tradução de Luiz Antônio de Araújo; Ilustrações de Jean-Claude R. Alphen)
Ao voltar da escola, Juca descobre que está completamente só: não há ninguém em casa, nem na rua, em lugar nenhum. Há apenas um anão amarelo que lança sem parar um dado, repete frases estranhas e está por trás de um plano para ocupar o nosso planeta. E o menino é o único que pode salvar a humanidade do “perigo amarelo”. Uma história cheia de mistérios e surpresas contada pelo consagrado autor norueguês e ilustrada pelo franco-brasileiro Jean-Claude R. Alphen.

Semana trinta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Meu tipo de garota, de Buddhadeva Bose (Tradução de Isa Mara Lando)
Obrigados a passar uma noite de inverno na sala de espera de uma estação, quatro homens matam o tempo contando histórias de amor que viveram ou testemunharam. Por meio dessas histórias, que podem ser lidas quase como contos autônomos, o escritor bengali Buddhadeva Bose revela de modo sutil as relações culturais, raciais e religiosas na Índia da primeira metade do século XX. Poucos autores conseguem entrelaçar de modo tão fluente e aparentemente espontâneo a observação das emoções humanas e a descrição da vida social.

Américo – O homem que deu seu nome ao continente, de Felipe Fernández-Armesto (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Américo Vespúcio (1454-1512), protagonista dos descobrimentos dos séculos XV e XVI, é também um dos mais complexos e enigmáticos personagens dessa história. A despeito da magnitude de suas realizações como cosmógrafo e navegador — exagerada, segundo alguns, por um sagaz instinto de autopromoção —, os documentos de sua trajetória são surpreendentemente escassos. Com grande fluência literária e boas doses de humor, Américo explica como o domínio dos preceitos retóricos dos mestres da Antiguidade, um interesse profundo pela magia e um notável senso de oportunidade contribuíram para que Vespúcio superasse entre seus contemporâneos a fama do rival pioneiro, o genovês Cristóvão Colombo, e entrasse para a posteridade como o topônimo do Novo Mundo.

Em risco, de Patricia Cornwell (Tradução de Rafael Mantovani)
Neste romance policial, a genial criadora de Kay Scarpetta nos apresenta a um novo detetive, Win Garano. Ele é designado para reabrir e resolver casos arquivados usando novas tecnologias de investigação, e recebe a tarefa quase impossível de resolver um assassinato que ocorreu há vinte anos. A tarefa logo se revela mais difícil do que parece. Pistas falsas apontam para uma trama de interesses que envolvem bandidos e policiais. Com a ajuda da agente Sykes, uma de suas várias admiradoras, e amparado por visões premonitórias de uma avó cartomante, Garano precisa lidar com a delicada situação pessoal de sua chefe, que também parece conhecer e esconder fatos essenciais à investigação.

Dez mais histórias de fantasmas, de Michael Cox (Tradução de Ricardo Gouveia; Ilustrações de Michael Tickner)
Neste livro, há dez das melhores histórias de abantesmas e espectros, algumas engraçadas, outras tristes e muitas realmente assustadoras, como “O escritor-fantasma”, de Arthur Conan Doyle, e “O Horla”, de Guy de Maupassant. Entre cada narrativa, seções de fatos interessantes explicam, por exemplo, por que algumas pessoas acabam virando fantasmas e outras não; dão dicas de como caçar fantasmas; mostram a diferença entre gremlins e espíritos malignos; e apresentam detalhes sobre as fantasmagóricas reuniões conhecidas como sessões espíritas. Da mesma coleção de Dez mais horripilantes contos de fadas, Dez mais lendas do rei Artur e Dez mais histórias de terror.

Muito barulho por nada, Andrew Matthews (Tradução Érico Assis; Ilustrações de Tony Ross)
Nesta adaptação em prosa de uma das mais famosas comédias de Shakespeare, dois casais estão às voltas com as confusões em que seus corações lhes metem: Cláudio ama Hero mas desiste de se casar com a moça por acreditar, erroneamente, que ela é infiel; Benedito e Beatriz precisam ser vítimas de uma complicada tramoia para perceber que estão perdidamente apaixonados um pelo outro. Felizmente, no final tudo fica bem. Esta edição ainda inclui um prefácio de Ernani Ssó e dois posfácios: um sobre a origem da história e como Shakespeare se apropriou dela; e outro que trata das dúvidas em torno da identidade do grande dramaturgo inglês. Na mesma coleção, de adaptações juvenis das peças de Shakespeare, foi publicado Romeu e Julieta.

Gelo nos trópicos, de CárcamO
A dinâmica entre as crianças nem sempre é permeada de sentimentos fraternos. Brigas quase sempre fazem parte das brincadeiras, e a competição, então, nem se fala. Artista premiado, CárcamO conta, apenas com o traço, a história de um pinguim que boia em um pedaço de gelo e, contra a própria vontade, acaba chegando a uma ilha tropical, onde vivem um jacaré, uma capivara e uma anta. Competindo pela atenção do forasteiro e também pelo pedaço de gelo, os três companheiros acabam tendo uma lição sobre o valor da amizade.

Semana trinta e seis

Os lançamentos desta semana foram:

Pipistrelo das mil cores, de Zélia Gattai (Ilustrações de Pedro Rafael)
Se você tem medo de dragão é porque não conhece o Pipistrelo. Ele tem tamanho de gigante, sim, mas come frutas, é bonzinho que só ele e, o mais incrível, tem asas de seda que mudam de cor. Como Pipistrelo não tem voz, se expressa pela cor das asas. Ele nasceu no Pantanal e vive lá, no meio de uma clareira, num lago azul. Mas nenhuma história sobrevive sem um vilão. No caso do coitado do Pipistrelo, são três caçadores que vêm lhe tirar sossego. Eles o levam da floresta, e o pobrezinho acaba num zoológico, todo roxo de tristeza. No entanto, onde tem vilão, tem herói. Leia a história do Pipistrelo e conheça seus defensores!

O Terceiro Reich, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Udo Berger, um escritor fracassado e campeão de jogos de estratégia, volta ao pequeno balneário em que passava as férias na infância e acaba submerso num sombrio drama psicológico. Escrito em 1989, este romance publicado postumamente já apresenta, em ebulição, as características literárias e as obsessões que fariam do autor um fenômeno de crítica e público com obras seminais como Detetives selvagens e 2666.

O mais sensacional guia intergaláctico do espaço — por Ideias-Brilhantes, de Carole Stott (Ilustrações de Ralph Lazar e Lisa Swerling; Tradução de Augusto Pacheco Calil)
Neste livro, além de conhecer um pouco mais sobre o Universo e sua história, o leitor irá descobrir muitos outros mistérios — de que são feitos as estrelas e os planetas, os requisitos para se tornar um astronauta, os veículos de exploração do espaço… E, para acompanhá-lo nessa instrutiva viagem, os Ideias-Brilhantes, pessoas pequenininhas de grandes ideias, passeiam pelas páginas ensinando e fazendo comentários curiosos.