saul bellow

Semana duzentos e sessenta e seis

Te vendo um cachorro, Juan Pablo Villalobos (Tradução de Sérgio Molina)
Te vendo um cachorro trata de uma mãe e de um vendedor de tacos obcecados por cães. Ela para aplacar a solidão; ele para lucrar um pouco mais com o seu negócio. É também a história de um garoto que herdou, não se sabe se por destino ou talento, a taqueria do tio e, com ela, a técnica de preparar tacos à base de filés caninos… Mas é possível que o cerne desse romance seja mesmo ironizar os desejos sexuais, a velhice, a vida adulta, a juventude, a literatura, os religiosos, os críticos, os leitores e o México.

A conexão Bellarosa – 4 novelas, Saul Bellow (Tradução de Caetano Waldrigues Galindo e Rogério Galindo)
As quatro novelas deste volume, escritas na fase final da vida do autor – Um furto, A conexão Bellarosa, Uma afinidade verdadeira e Ravelstein -, são o testemunho do talento e da vitalidade do maior renovador do romance americano depois de William Faulkner. Com temas como a perseguição ao próprio passado, as tragédias do século XX, o adultério e a comédia da vida intelectual, as histórias são tão divertidas e leves quanto melancólicas e intrincadas. Um triunfo.

Alfaguara

A orgia perpétua – Flaubert e Madame Bovary, Mario Vargas Ll0sa (Tradução de José Rubens Siqueira)
Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Vargas Llosa não fala apenas “por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar”, fala também das circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar “a palavra justa” em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. A orgia perpétua é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

A linha azul, Ingrid Betancourt (Tradução de Julia da Rosa Simões)
Buenos Aires, década de 1970. Julia, uma jovem que tem o misterioso dom de prever o futuro, se apaixona por Theo – um ativista político idealista. O caso de amor faz com que Julia se una à luta contra a ditadura argentina, marcando profundamente a trajetória de ambos. Mais tarde, grávida de poucos meses, Julia e Theo são capturados pelos militares. Após um período de torturas inimagináveis, eles conseguem. Somente anos depois, refugiados nos Estados Unidos, terão a chance de se reencontrar. Contudo, o casal nunca mais será o mesmo.

Um homem chamado Ove, Frederik Backman (Tradução de Paulo Chagas de Souza)
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda. Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo. Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.

O elefante e a porquinha: Posso brincar também, Mo Willems (Tradução Nina Lua)
Em Posso brincar também?, o Elefante e a Porquinha estão brincando de jogar e pegar a bola quando aparece uma nova amiga para participar do jogo: a cobrinha. Mas cobras não tem braços e eles não sabem como dizer isso a ela. Será que conseguirão encontrar um jeito de incluí-la na brincadeira?

Suma de Letras

O risco, Rachel Van Dyken (Tradução de Flora Pinheiro)
Beth nunca fez nada de arriscado. De inconsequente. De divertido. Isso é, até acordar em um quarto de hotel ao lado de Jace, um senador sexy, que ela reencontrou em uma festa de casamento na noite anterior. O problema é que sua última lembrança da noite é estar na cama, abraçada a uma caixa de biscoitos, chorando copiosamente. E Jace também não se recorda de muito mais. Outro problema? Eles foram fotografados entrando juntos no hotel, e agora a mídia está em polvorosa, especulando quem é a misteriosa acompanhante do senador. Uma amiga? Uma antiga namorada? Uma… prostituta?

 

 

 

 

 

Em tradução (Saul Bellow)

Por Caetano Galindo

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Sai este mês o volume com as quatro novelas tardias do grande Saul Bellow. Imperdível, claro, pra quem quer conhecer a melhor literatura americana produzida no século 20. Bellow, afinal, é daqueles autores que pairam acima de gostos, opiniões e tendências. E esses textos fazem muito para definir os rumos da sua literatura madura, onde ele investia num ritmo narrativo curioso, entre o relato oral e a elaborada trama literária, gerando, por lenta acumulação de detalhes e por complexas idas e vindas temporais, um resíduo final de uma densidade incrível.

De minha parte, o livro traz ainda duas marcas fortes, e duas coisas “atípicas” no mundo da tradução literária (ainda que longe de serem inéditas, vá lá).

A primeira delas é que eu traduzi pela primeira vez as duas novelas que me cabem onze anos atrás, quando outra editora, por indicação do grande Cristovão Tezza, aceitou entregar esse trabalho nas mãos de um tradutor praticamente virgem.

Andos e desandos do mercado, a tal outra editora nunca chegou a publicar as tais novelas. Morreu o projeto.

Ano passado, quando o grande Leandro Sarmatz me convidou a entrar na viagem deste volume, eu pensei “uia! posso dar uma olhada naquelas traduções antigas antes de trabalhar”: doce ilusão.

Caro leitor, cara leitora…

Não queira se confrontar com as tuas traduções de dez anos atrás, ainda mais quando dez anos atrás elas eram tuas primeiras traduções.

Resultado: sentei de novo com o original e refiz as traduções do começo ao fim, permanentemente percebendo o quanto eu mudei de opiniões sobre a tradução literária e o quanto, especialmente, eu fui passando a NÃO ter tantas opiniões. O quanto a gente vai ficando maleável na tradução na mesma medida em que as vértebras L4 e L5 vão ficando mais travadas…

O outro detalhe é que, como esse projeto vinha encaixado entre vários outros (eu ando meio que traduzindo bonecas russas, abrindo espaço num trabalho pra fazer outro etc.), eu não poderia cumprir os prazos com o mínimo de decência sem dividir a tarefa.

E aí entra o brodinho. O grande Rogerio, o segredo mais bem guardado da família. O tradutor de verdade entre os irmãos WG.

Eu em geral, como todo mundo, prefiro responder sozinho (e plenamente) pelos meus textos. Já tive, é verdade, experiências bem felizes em traduções “a dois”, seja partindo o original (como no caso das letras de Lou Reed, com o grande vizinho Christian Schwartz), seja efetivamente discutindo a tradução sílaba a sílaba, gerando um texto que eu nem sei mais de quem é (como na tradução que fiz com o mestre Luís Bueno do Doutor Fausto de Christopher Marlowe, ainda inédita). Mas, no geral, a tradução literária continua sendo, e deve mesmo ser, um trabalho solo.

Mas trabalhar com o meu irmão foi um prazer incrível.

Primeiro por me permitir entrar no barco Bellow com a confiança de cumprir prazos e entregar um texto de nível bom. Segundo, por poder ver o nível do trabalho do rapaz.

Deixa eu explicar: ele é meu irmão MAIS NOVO!

Por mais que eu saiba há muitos anos que ele é foda, é sempre um prazer perceber o quanto ele é melhor que eu.

Na revisão conjunta que fizemos das novelas (duas dele e duas minhas), pra poder regularizar eventuais desvios de estilo e de escolha etc., só pude perceber que não tinha o que acrescentar. O texto estava pronto e, na minha modesta opinião, muito bom.

As pessoas que nos conhecem aqui (colegas dele no jornal que acabam sendo meus alunos, ex-alunos meus que vão trabalhar com ele) se divertem com o quanto as nossas vozes (e tiques e manias e vocabulários) são parecidas. A gente até se divertia enganando quem ligava lá pra casa.

Agora, essa similaridade de “vozes” tem um teste maior, a serviço de um projeto de que eu me orgulho muito, a serviço de um grande escritor que definiu boa parte da literatura do seu idioma nesse século que se passou desde que ele nasceu.

E que, de quebra, definiu a minha entrada na tradução literária e moldou, agora, essa colaboração com o Rogerio.

Que venham outras.

* * * * *

Caetano W. Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já traduziu livros de James Joyce, David Foster Wallace e Thomas Pynchon, entre outros. Ele colabora para o Blog da Companhia com uma coluna mensal sobre tradução.
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Semana cento e sessenta e três

Os lançamentos desta semana são:

Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida
Leonardo, protagonista destas Memórias, nada tem em comum com os heróis românticos de sua época. Filho de “uma pisadela e de um beliscão” em um flerte em alto-mar, desde cedo abraça o ócio como único modo possível de vida, inaugurando, segundo Antonio Candido, uma nova modalidade de narrativa, a do romance-malandro. Publicado pela primeira vez há mais de 150 anos, como folhetim no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, a história de Leonardo chega ao leitor moderno com um vigor narrativo impressionante. Nas palavras de Ruy Castro, que assina o inspirador prefácio desta edição e alça Memórias à categoria de obra-prima da nossa literatura, o romance é um “milagre” e “uma façanha literária”, sem a qual “não teríamos ouvido falar — na literatura, na crônica, na música popular — de Machado de Assis, João do Rio, Lima Barreto, Carmen Miranda, Noel Rosa, Millôr Fernandes, Carlos Heitor Cony, Chico Buarque, Ivan Lessa e tantos outros discípulos, confessos ou inconscientes, de Manuel Antônio de Almeida”.

Alta fidelidade, de Nick Hornby (Trad. Christian Schwartz)
“Me pego preocupado, de novo, quanto àquele negócio da música pop, se gosto dela porque sou infeliz, ou se sou infeliz porque gosto dela.” Rob não tem como saber. Desde garoto consome toneladas de música, coleciona vinis raros, grava fitas temáticas e se apaixona por garotas que, no mínimo, tenham a decência de não gostar do Sting. É por isso que aos 35, depois que a namorada, Laura, vai embora de casa, ele não sabe o que dói mais: ouvir as letras chorosas de todas aquelas músicas que deram algum significado a tantos momentos de sua vida ou lembrar do tempo em que elas não o deixavam assim infeliz. Num processo de revisão incessante e obsessivo — qual o top five dos piores foras de todos os tempos? e as quatro piores coisas que se pode fazer a um namorado sem ele saber? —, Rob vai buscar uma reconciliação com a vida, com as ambições que um dia teve para sua combalida loja de discos e, quem sabe, com a própria Laura. Repleto de um impagável humor autodepreciativo que faz de Rob um personagem ainda mais carismático, Alta fidelidade se tornou rapidamente um clássico pop — um encontro do romance de formação com a comédia romântica, tudo isso acompanhado de uma trilha sonora da melhor qualidade.

Febre de bola, de Nick Hornby (Trad. Christian Schwartz)
Acompanhar o futebol é um prazer para a maioria das pessoas, mas quando esse interesse vai além do entretenimento e leva um homem a atrelar seus fracassos e conquistar pessoais ao desempenho de um time, a paixão muda de nome e se torna algo próximo do amor louco — ou de um vício incontrolável. É como tendência incurável à obsessão e ao desterro que Nick Hornby descreve sua relação com o Arsenal, time que a maioria dos torcedores ingleses ama odiar. Fiel ao impopular clube desde os onze anos, o escritor se apresenta neste livro de memórias como alguém que relega a literatura, o diploma de Cambridge e até a família ao banco de reservas, à espera de uma brecha no calendário de jogos para entrar em campo. Nesta coleção de pequenos ensaios repletos de afeto, confissões e uma memória milimétrica — capaz de recriar lances inteiros de uma vida encarada como metáfora do futebol —, Hornby revela a dimensão humana das multidões que lotam os estádios dispostas a passar noventa minutos de sofrimento em nome da alegria improvável de um gol.

O legado de Humboldt, de Saul Bellow (Trad. Rubens Figueiredo)
“Poeta, pensador, bebedor problemático, ingestor de pílulas, homem de gênio, maníaco-depressivo, maquinador requintado, história de sucesso, no passado escreveu poemas de grande argúcia e beleza.” Esse é Von Humboldt Fleisher, o exuberante autor de Baladas de Arlequim, livro que fez Charlie Citrine cruzar o país em busca de uma carreira na literatura. Mas a vida de Humboldt foi um fracasso, e ele morreu no esquecimento e sem amigos, tendo rompido até mesmo com seu mais dedicado pupilo. Agora é a vida de Citrine, depois de atingir fama e fortuna no sucesso de um personagem inspirado em Humboldt, que parece descarrilhar como a de seu antigo mentor. Às turras com a lei, mulheres e um mafioso que destruiu sua Mercedes a pauladas, Charlie recebe do amigo um presente além do túmulo, um legado que poderá colocar sua vida no eixo de uma vez ou terminar por enterrá-la, como tudo a sua volta parece indicar. (Romance vencedor do prêmio Pulitzer)

Degelo, de Ilija Trojanow (Trad. Kristina Michahelles)
São muitas as maneiras de entender o apelido que Zeno Hintermeier, um estudioso de geleiras obcecado pelo aquecimento global, ganhou de seus colegas de trabalho — “Mr. Iceberger”. Solitário, frio, à deriva, Zeno está cada vez mais instransigente com os homens, de maneira geral, e mais especificamente com os turistas que leva à Antártida, como coordenador da expedição do navio cruzeiro Ms Hansen. Depois do derretimento completo da geleira que pesquisava nos Alpes, ele não tolera mais os comportamentos de agressão ao meio ambiente. As anotações ácidas do cientista, que caminha para a loucura à medida que viaja mais ao sul, tecem a trama deste romance de Ilija Trojanow, uma das vozes mais notáveis da literatura alemã contemporânea. Em meio a atrapalhações dos viajantes, uma intervenção artística em pleno continente gelado e uma comunicação difícil por rádio, Mr. Iceberger planeja um último grito de desespero.

As garras do leopardo, de Chinua Achebe (Trad. Érico Assis; Ilustrações de Mary Grandpé)
No começo, todos os bichos eram amigos. Eles não tinham garras nem dentes afiados — nem mesmo o rei, o bondoso leopardo. A única exceção era o cachorro, que, com seus caninos pontudos, era motivo de gozação entre os animais. Certo dia, o cão, cheio de rancor, resolveu usar o que tinha de diferente para enfrentar o rei leopardo e se tornar o bicho mais poderoso da selva. E foi assim, a dentadas, que ele derrotou o grande líder, mandando-o para bem longe. Mas o leopardo logo retornaria. Dotado de um rugido ainda mais forte, de garras afiadas e dentes reluzentes, o antigo rei queria fazer justiça — e a partir daí a vida na selva nunca mais seria a mesma.

História de dois amores, de Carlos Drummond de Andrade (Ilustrações de Ziraldo)
Osbó era um elefante de bem com a vida. Ele estava tão ocupado pensando nas férias que tiraria para descansar de suas obrigações como chefe da manada que nem percebeu uma pulga — aliás, um pulgo — instalada atrás de sua orelha. É assim que começa esta história da amizade entre Pul, o pulgo, e Osbó, o elefante. Juntos, eles viajam, enfrentam guerras, riem e choram — até chegar aquele dia em que a convivência fica complicada. Vaidoso por ser amigo de um bicho importante, Pul passou a distribuir ordens por todos os lados e a ser malcriado à toa, inclusive com Osbó. Mas pra tudo existe uma solução. E, em muitos casos, essa solução é aquela coisa que todo mundo sente, que dizem que move até montanhas.

Editora Paralela

Os 500, de Matthew Quirk (Trad. Ana Ban)
Após uma infância e uma juventude complicadas, tudo que Mike Ford queria era uma vida honesta. Seguiu à risca a trajetória de um grande homem: se formou em direito em Harvard com as melhores notas e já era visto como a nova promessa do Grupo Davies — a mais poderosa empresa de consultoria de Washington. No entanto, quando já desfilava entre os mais importantes figurões dos EUA, Mike percebeu que sua nova vida talvez estivesse baseada em muito menos honestidade do que seu passado como jovem criminoso. Mas será que tudo que ele havia conquistado não seria suficiente para que aceitasse aquela situação?

Editora Seguinte

Três é demais, de Ali Cronin (Trad. Rita Sussekind)
Jack está perdidamente apaixonado. Ollie evita relacionamentos sérios. Donna não consegue arrumar um namorado. Mas e Cass? Todos acham que ela tem tudo que uma garota poderia desejar, mas a realidade está longe de ser perfeita. Seus amigos odeiam Adam, seu namorado. E seu melhor amigo está apaixonado por ela. Cass está dividida. Como ela irá escolher entre os dois? Acompanhe o emocionante último ano na escola de quatro garotas e três garotos.

Semana sessenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Nêmesis, de Philip Roth (Tradução de Jorio Dauster)
Aos 23 anos, Eugene “Bucky” Cantor, professor de educação física e inspetor de pátio de uma escola judaica de Newark, vive uma vida pacata, porém é atormentado pelo fato de não poder lutar na guerra ao lado de seus contemporâneos, em razão de sua miopia fortíssima. No verão de 1944, ele vê sua vida ruir depois que grande parte de seus alunos contrai poliomielite. Apavorado com a possibilidade de ficar paralítico, ele entra em um dilema cruel: fugir e escapar da pólio ou ficar e proteger as crianças? Philip Roth apresenta, em seu mais novo romance, a radiografia do sofrimento de um homem quando posto em contato direto com a morte.

Herzog, de Saul Bellow (Tradução de José Geraldo Couto)
Moses Herzog, um dos personagens mais fascinantes da literatura de Saul Bellow, é “um homem dividido, um labirinto de contradições”, como aponta Philip Roth na introdução deste livro. Na meia-idade, esse intelectual refinado e professor universitário sente seu juízo vacilar depois que sua mulher o troca por seu melhor amigo. Sua vida é uma sucessão de desastres pessoais, para os quais ele busca um sentido. Enquanto tenta avançar na redação de um ambicioso livro de filosofia e briga pela guarda da filha pequena, ele escreve cartas — que nunca envia — a amigos, inimigos, e personalidades vivas ou mortas, como Nietzsche e Eisenhower. Com irresistível humor e extrema habilidade literária, Bellow entremeia o relato objetivo dos fatos com os pensamentos do protagonista e os esboços de suas cartas imaginárias. Cria assim um de seus livros mais complexos e envolventes, considerado unanimemente um clássico da literatura contemporânea.

A arqueologia passo a passo, de Raphaël de Filippo (Ilustrações de Roland Garrigue; Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)
Quem são os hominídeos? Quais são as idades da pré-história? Como é o dia de trabalho em um sítio arqueológico? O passado está por toda parte, mas em geral não nos damos conta disso. Rastros da vida humana guardados embaixo da terra e no fundo dos mares são descobertos em todos os cantos do mundo, revelando aspectos importantes da vida dos homens de antigamente e das mudanças climáticas que modificaram o planeta. Do terreno ao laboratório, os arqueólogos trabalham para encontrar rastros do que foi abandonado mas não deve ser esquecido. Ao acompanhar o seu trabalho passo a passo, neste guia sobre a arqueologia, aprendemos sobre a história do nosso planeta e de todos que o ocuparam, e podemos olhar para o nosso futuro de uma maneira diferente.

Inventores e suas ideias brilhantes, de Mike Goldsmith (Ilustrações de Clive Goddard; Tradução de Antônio Xerxenesky)
A vida hoje em dia é infinitamente diferente daquela dos homens da pré-história, e isso graças a pessoas curiosas e engenhosas que gastaram muito tempo estudando e criando coisas: os inventores. Neste livro, conhecemos a história de 10 homens e suas invencionices: Arquimedes, as roldanas e as máquinas de guerra; Leonardo da Vinci e os submarinos; James Watt e os motores a vapor; George Stephenson, os trens e lampiões; Thomas Edson, a lâmpada e o toca-discos; Alexander Graham Bell e o telefone; os irmãos Wright e o avião; Guglielmo Marconi e as transmissões de rádio; John Logie Baird e a televisão em cores e em 3D.

Zuckerman acorrentado, de Philip Roth (Tradução de Alexandre Hubner)
O volume reúne os três romances e a novela que serve de epílogo à trilogia em que Philip Roth dá vida a uma de suas criações mais geniais: Nathan Zuckerman, um escritor que não é de levar desaforo para casa. E não são poucos os desaforos e despropósitos que desde o início de sua carreira ele é obrigado a ouvir. Justo ele, que sempre pretendeu ser um escritor sério, com preocupações morais elevadas, na linha de Thomas Mann. Porém, como Zuckerman sabe, seu forte é a comédia — e, em especial, as piadas de judeu. E o establishment judaico não o perdoa por isso. Nem seu pai, nem seu irmão caçula e, em certa medida, nem ele próprio.

Meus prêmios, de Thomas Bernhard (Tradução de Sergio Tellaroli)
Em obra póstuma publicada em 2009, o austríaco Thomas Bernhard, um dos maiores escritores em língua alemã do século XX, comenta com sua acidez característica e fina ironia os prêmios literários que recebeu. São nove relatos, três discursos e a carta em que o autor explica seu desligamento da ilustre Academia de Língua e Literatura de Darmstadt, a instituição que concede o cobiçado prêmio Büchner. Bernhard relata a rotina muitas vezes hilária da concessão e da outorga de prêmios literários, muitos dos quais o escritor foi receber em companhia da tia septuagenária.

Jakob, o mentiroso, de Jurek Becker (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Jakob, o mentiroso é tido como uma das obras-primas da literatura sobre o Holocausto. O narrador é um dos únicos sobreviventes que sabem a verdade sobre Jakob Heym, um homem que se tornou herói por acaso. E foi também o acaso que preservou a vida do narrador. O que fez Jakob, afinal? Mentiu: forjou notícias sobre a aproximação do Exército Vermelho, os possíveis redentores. Assim, Jakob suscita uma reviravolta surpreendente. Embora ele seja um mentiroso contrariado, sem dotes imaginativos, suas minguadas palavras são esperadas e ouvidas com avidez pelos judeus confinados. As palavras, arma impalpável, são como o pão que falta a essa gente esfaimada, e um grama delas, como diz Jakob, já lhe basta para fabricar uma tonelada de esperança.

De olho em Lampião, de Isabel Lustosa
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1897-1938), foi o maior cangaceiro de todos os tempos. Iniciado no cangaço ainda adolescente, no começo da década de 1920 passou a liderar seu próprio bando, espalhando uma trilha de violência e terror por quase todo o Nordeste. A ousadia de suas ações, em que se destacava a selvageria no trato com inimigos — especialmente soldados e policiais —, tornou-o conhecido no país inteiro. Ao mesmo tempo, o companheiro de Maria Bonita adquiriu fama de Robin Hood sertanejo ao distribuir entre os pobres parte dos bens saqueados dos ricos. A pesquisadora Isabel Lustosa mostra como a vida de Lampião dividiu-se entre a crueldade e a justiça, a riqueza e a miséria, o poder e a paixão.

Semana sessenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Ao ponto, de Anthony Bourdain (Tradução de Celso Nogueira)
Quem gosta de programas de culinária já conhece o crítico ranzinza Anthony Bourdain. Com seu programa de tevê, ele roda o mundo atrás de bons pratos e das histórias de quem os prepara. Seja comendo carne apimentada num bar sujo em Chengdu ou descrevendo o menu quatro estrelas do chef Thomas Keller, o que importa a ele é o material humano que compõe esse rico universo da gastronomia. Claro que Bourdain não se furta a longas e saborosas descrições culinárias, com requintes de crueldade que ele mesmo admite. Mas os textos reunidos neste livro vão muito além de um bom jantar. Bourdain desanca medalhões da crítica gastronômica, examina a indústria de fast-food americana e revela os bastidores do reality-show Top Chef. (Leia o capítulo “Educação básica”)

A forma difícil, de Rodrigo Naves
Publicado originalmente em 1996, este livro tornou-se um clássico da crítica brasileira. Ao analisar a obra de artistas como Debret, Almeida Júnior, Guignard, Volpi, Amilcar de Castro e Mira Schendel, Rodrigo Naves não busca inseri-los em uma determinada linha ou esquema teórico artificial. Pelo contrário, o que ele aponta é a dificuldade de encontrar “nexos esclarecedores” entre essas obras, para depois investigar o que isso diz sobre nossa melhor produção. A forma difícil é um estudo original e indispensável sobre a arte feita no Brasil.

Terramarear — Peripécias de dois turistas culturais, de Ruy Castro e Heloisa Seixas
Ruy Castro e Heloisa Seixas são dois grandes viajantes. Nas últimas décadas, têm rodado o mundo, levados por vários motivos, inclusive profissionais. Mas eles não são meros turistas. Quando viajam, buscam sempre o espírito dos lugares — a cultura das ruas pelas quais passeiam e suas relações com a história, a arquitetura, a música, o cinema, a gastronomia. Com isso, descobrem os roteiros mais surpreendentes, em Nova York, Paris, Roma, Veneza, Madri, Barcelona, Sevilha, Havana, Moscou, Saint-Tropez, Rio — e que, agora, eles nos revelam em Terramarear. (Leia o capítulo “Flanando pelo dédalo de ruelas”)

Branca de neve, de Fabrice Tourrier (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Quem não conhece a princesa que nasceu com a pele tão clarinha que foi chamada de Branca de Neve? E a madrasta malvada que sempre queria saber quem era a mais bela do reino e por isso não deixava em paz seu espelho mágico? Nesta edição desse célebre conto de fadas, destinada aos pequenos leitores, materiais de diferentes texturas são usados nas ilustrações. Dessa forma, as crianças poderão tocar a palha da cabana dos sete anões, o tecido do manto da bruxa e a maçã envenenada e também se mirar no espelho mágico. No final do livro, uma dobradura ilustra o desfecho da história.

Cachinhos dourados, de Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Era uma vez uma mamãe ursa, um papai urso e um filhinho urso, que viviam em uma bela casa na floresta. Um dia, ao voltarem de um passeio, encontraram a casa toda revirada e uma menina de cabelos cacheados e amarelos feito ouro dormindo na cama do ursinho. Pena que, ao acordar, ela ficou assustada e fugiu. O pequeno urso nem pôde convidá-la a conhecer sua casa… Nas ilustrações desta edição, as crianças poderão tocar a pelagem dos ursos, o assento das cadeiras e o tecido dos lençóis. E também, ao puxar as setas, descobrir a Cachinhos Dourados dormindo e vê-la fugir para dentro da floresta.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.

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