scott pilgrim

Semana quarenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa, de Marilena Chaui
Os oito ensaios reunidos neste livro foram escritos originalmente para conferências e artigos, e neles Marilena Chaui aborda os temas principais da ética de Espinosa, cuja obra ela estuda desde a época do doutorado. Como é característico das outras obras da autora, sua enorme capacidade de síntese e sua escrita clara são fundamentais para oferecer um vasto painel da história da filosofia, aproximando o leitor comum dos conceitos intrincados do sistema filosófico e oferecendo instrumentos valiosos para pensar a sociedade contemporânea.

Scott Pilgrim contra o mundo — vol. 3, Bryan Lee O’Malley (Tradução de Érico Assis)
Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Entretanto, algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Videogames, música indie, amores adolescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras – que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.

A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo, de Angela Carter (Tradução de Luciano Viera Machado)
Nesta edição, a Penguin-Companhia selecionou alguns dos mais célebres (e assustadores) contos de fadas compilados por Angela Carter, num breve painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos. Há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e caçadores que salvam o dia no último momento. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.

Declaração de independência — Uma história global, de David Armitage (Tradução de Angela Pessoa)
Hoje cultuada nos Estados Unidos pelos direitos individuais que assegura, a Declaração teve por razão primeira uma demanda cuja originalidade é hoje pouco lembrada: a independência desvinculada de outro poder soberano. Embora não seja o primeiro documento a questionar a autoridade de um território sobre outro, a Declaração forjou o conceito de Estado, em oposição ao de império, e assim serviu de fundamento e inspiração para dezenas de documentos similares. No livro, David Armitage, professor de história na Universidade Harvard, analisa esse documento fundador dos EUA, e seu papel como modelo e inspiração para a emancipação de comunidades políticas ao redor do mundo.

Para conhecer melhor os tabus e as proibições, de Patrick Banon (Ilustrações de Sabine Allard; Tradução de Eduardo Brandão)
“Não ponha a mão no fogo! Não enfie o dedo na tomada!” Desde bem cedo, nossa vida é cercada de proibições. Em Para conhecer melhor os tabus e as proibições, Patrick Banon investiga a origem dessas regras, procurando desvendar os medos ancestrais dos homens — ligados principalmente às forças naturais e sobrenaturais — e analisar os sistemas criados para enfrentar esses medos desde os primórdios da história humana. Dessa forma, ele sugere que as ligações existentes entre os tabus e o pensamento dos antigos clãs permitem compreender melhor as leis e as proibições que regem nossa vida. O que Banon nos mostra é que todos os tabus têm um denominador comum: pretendem proteger o fraco contra o forte e permitir uma vida social tranquila. Para ele, um mundo sem tabus seria um mundo desumano.

Contradança, de Roger Mello
Alguns de nossos grandes ilustradores têm se revelado escritores de mão-cheia. Não é de estranhar: quem conta histórias com o traço está igualmente sensibilizado com a narrativa através de palavras. Roger Mello é um grande exemplo. Indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, ele agora lança um de seus livros mais ousados e inventivos. Em um diálogo que mais parece sonho, a filha de um vidraceiro conversa com um macaco que é quase o seu reflexo. Em poucas palavras, os dois falam sobre medo e coragem, e sobre os infinitos reflexos que nossa imagem pode gerar e sobre os outros tantos que podemos enxergar de nós mesmos e dos outros.

Promoção Scott Pilgrim – resultado

Fizemos o sorteio entre os participantes da promoção Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3, e os números escolhidos pelo random.org foram:

Portanto, Danilo Leonardi e Fernando Henrique Lana de Oliveira receberão um kit com 1 exemplar de Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3, 1 DVD do filme e 1 CD com a trilha sonora oficial.

Marco Rigobelli e Felipe Fonseca receberão um kit com 1 Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3 e 1 CD com trilha sonora oficial do filme.

Parabéns aos ganhadores, e obrigado a todos que participaram. Não se esqueçam que o volume final de Scott Pilgrim contra o mundo chega às livrarias amanhã!

Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3

O 3º e último volume de Scott Pilgrim contra o mundo chega às livrarias dia 15! Para comemorar que a série agora está completa, gostaríamos de presentear aqueles que apoiaram a série de um jeito especial até agora: os blogueiros.
Se você já escreveu sobre Scott Pilgrim (os livros ou o filme) no seu blog, adicione o link do post em questão no formulário abaixo. Se você ainda não escreveu, corra e escreva até o fim da promoção!
Serão quatro vencedores, escolhidos através de sorteio: os dois primeiros sorteados ganharão um kit com 1 exemplar de Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3, 1 DVD do filme e 1 CD com a trilha sonora oficial. Outros dois sorteados ganharão um kit com 1 Scott Pilgrim contra o mundo – vol. 3 e 1 CD com trilha sonora oficial do filme.
Aceitaremos inscrições até 13 de abril, às 23h59, e anunciaremos os vencedores aqui no blog dia 14. Boa sorte a todos!

(Atenção, para participar é preciso cadastrar o link do seu post no formulário abaixo, não nos comentários! O sorteio será feito pelo random.org, com o número que cada um recebeu no formulário.)

Identidades secretas

Por Erico Assis


(Foto por Rico Ramirez)

Subitamente ele puxou a manga da camisa para mostrar a tatuagem. Não lembro como que a conversa chegou a gibi, pois eu estava na minha identidade Clark-Kêntica de professor universitário. Ele era um professor visitante, que mencionou algo remotamente ligado a gibis. Engatei “então você também é chegado em quadrinhos?” e ele puxou a manga da camisa.

No antebraço, perto do cotovelo: “Wolverine”, na tipografia clássica do gibi.

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Às vezes tenho essa impressão de que ser leitor de quadrinhos é como fazer parte da Maçonaria: um aperto de mão especial, um padrão arcano na assinatura ou uma tatuagem é senha para dois, ahm, “irmãos” se reconhecerem. Certamente era assim antes dos filmes tornarem cool ler gibi. Hoje é fácil encontrar correligionários na livraria, por conta da seção de HQ. Mas puxar o assunto “o que você achou do último Batman do Morrison?” com um desconhecido ainda é risco de suicídio social.

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Estou escrevendo isso nos intervalos dos feed alerts da San Diego Comic Con, maior congregação geek do mundo ocidental. Quando começou, há quarenta anos, ia-se lá para trocar edições antigas ou conversar sobre gibi sem que os outros tivessem que mostrar a tatuagem para você saber que estava em ambiente seguro.

Hoje, HQ tem espaço cada vez mais reduzido no evento – Hollywood e outras indústrias de entretenimento descobriram que há uma relação recíproca entre o arregalar de olhos dos presentes e as vendas de produtos geek como filmes, bonecos, seriados de TV e games. O mercado encontrou uma serventia para nosso mundinho: somos tubo de ensaio. É nosso superpoder.

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No início da semana que terminou com a Comic Con, saiu na América do Norte o sexto e último volume de Scott Pilgrim. A sessão de autógrafos do primeiro volume, de 2004, tinha gerado uma fila de 50 amigos de Bryan Lee O’Malley na The Beguiling, comic shop de Toronto (onde O’Malley foi atendente). Duas mil pessoas lotaram a rua em frente à loja, esperando a abertura das caixas do volume 6 à meia-noite da terça-feira. O lançamento à moda Harry Potter se repetiu em algumas lojas dos EUA e do Canadá. Na Beguiling, O’Malley ficou autografando até as 3 da manhã.

“Ouvi pessoas dizerem que Scott Pilgrim é o único gibi que já leram, então com sorte podemos achar outros gibis que elas possam gostar. Você já assistiu Kung Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer)? No final, ele transforma todo o mundo em Shaolin. Eu gostaria de usar esse pouquinho de influência para fazer mais gente se interessar por quadrinhos. Quero todo mundo lendo ou fazendo quadrinhos”, diz O’Malley numa entrevista. É outra característica das nossas identidades secretas: estamos sempre buscando gente com quem conversar sobre os gibis.

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Esse discurso, aliás, foi forte nos anos 90, principalmente nos EUA: todo leitor de HQ deve responsabilizar-se por converter não-leitores. Senão, o mercado vai afundar. A estratégia nunca deu muito certo. Geeks não costumam ter uma cara confiável para recomendar bons hábitos, e vão continuar invisíveis se tentarem lhe dizer que gibis são legais.

A internet deu impulso à “imprensa fã” (da qual faço parte), responsável por difundir cada migalha de informação liberada pelas editoras. A assessoria da Companhia das Letras, aliás, confirma que os leitores da linha Quadrinhos na Cia., comparada a outras linhas, são os que mais replicam informações sobre os lançamentos.

Mas foram os filmes que conseguiram levantar o mercado, em quase todo o mundo. Mesmo assim, ainda são poucos os casos em que o interesse despertado por uma adaptação cinematográfica de HQ transborda para algo além da própria HQ adaptada.

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O’Malley não quer um mundo onde todos sejam dedicados leitores de HQ e convirjam anualmente à San Diego Comic Con. Quer apenas que você possa conversar com um desconhecido sobre o último Batman do Morrison assim como fala do filme da Angelina Jolie ou do disco do Gorillaz. Onde leitor de gibi não precise ser identidade secreta.

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A propósito, minha tatuagem é da Morte (a irmã do Sandman).

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Erico Assis lê quadrinhos há 25 anos, escreve sobre quadrinhos há 12 anos e traduz quadrinhos há 3 anos. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley.
Em breve terá um garçoniere para guardar a coleção, pois sua esposa não admite mais uma página de gibi em casa. http://www.ericoassis.com.br/
Erico contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.

Links da semana

Aqui na Companhia nós estamos às voltas com os últimos preparativos para o lançamento do selo Penguin-Companhia das Letras. Acima você vê as provas finais dos quatro primeiros títulos.

Ontem foi o Dia do Rock e, para comemorar, o Meia Palavra e o Mundo Livro fizeram listas de recomendações só com livros sobre o tema.

Ainda falando sobre música, o autor da série Scott Pilgrim, Bryan Lee O’Malley, comenta em seu blog as músicas que entraram para a trilha sonora da adaptação cinematográfica do quadrinho. Para quem está ansioso pelo filme, um featurette foi lançado, com algumas sequências inéditas e comentários de atores e do diretor. O filme tem lançamento previsto para outubro no Brasil, e a editora lançará o segundo volume em setembro.

O curso Publishing Management – O Negócio do Livro da Fundação Getulio Vargas (FGV), que já está em sua terceira turma no Rio de Janeiro, será oferecido em São Paulo, em parceria com a Associação Academia Internacional de Cinema (AAIC). As matrículas estão abertas para turma que se inicia em 21 de agosto de 2010.

A revista Veja está organizando um concurso de resenhas. Basta enviar uma resenha de um dos seis livros escolhidos pela publicação. Serão quatro premiados, que receberão um e-reader Kindle. Sérgio Rodrigues, do Todoprosa, dá dicas de como escrever uma boa resenha.

Os e-readers, aliás, parecem estar prestes a invadir o mercado brasileiro. Pelo menos duas empresas brasileiras pretendem lançar seus leitores digitais nos próximos meses. E, enquanto se discute a utilidade do iPad no meio acadêmico, os escritores já encontraram nos aparelhos da Apple diversas ferramentas úteis para seu trabalho.

Mas nem todos estão satisfeitos com o crescimento da leitura digital: Ricardo Kotscho, autor de Do golpe ao Planalto, lamenta o fim da versão impressa do Jornal do Brasil, onde trabalhou por muitos anos.

A Casa do Saber está oferecendo 75% de desconto em seus cursos de quatro aulas, e Eduardo Brandão, tradutor dos livros de Roberto Bolaño, deu uma entrevista à Folha falando sobre seu trabalho.

Ao mesmo tempo que a polêmica sobre uma suposta continuação da Trilogia Millennium se desenrola, fãs de diversos países começam a visitar a Suécia em busca dos locais mencionados nos livros.

O blog iCult Generation resenhou a graphic novel Maus, de Art Spiegelman. A Julianna, do Caleidoscópicas, falou sobre A revolução dos bichos, e o Rafael, do Metempsicose, leu Verão, de J.M. Coetzee.

O grupo Improv Everywhere recriou uma cena de Star Wars dentro de um vagão do metrô de Nova York, um sobrevivente do holocausto dançou I will survive com a filha e os netos em marcos históricos do nazismo para comemorar sua sorte, e o Shakesperean Insulter oferece opções peculiares de xingamentos, inspirados ou retirados diretamente dos textos do bardo inglês.

A Mari, do Todos os livros do mundo, postou uma resenha de Achei que meu pai fosse Deus, o Pedro mantém um blog onde disseca vários aspectos da série As aventuras de Tintim, enquanto um jornalista americano pondera sobre a quantidade de artistas brasileiros trabalhando em gibis americanos.

E, por fim, a Companhia comprou os direitos de publicação de Medium raw: a bloody valentine to the world of food and the people who cook, continuação de Cozinha confidencial, e a revista Slate fez uma entrevista com o autor, o chef e apresentador Anthony Bourdain.

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