sérgio buarque de holanda

80 anos de Raízes do Brasil

Na última segunda-feira, dia 8 de agosto, aconteceu em São Paulo o lançamento da edição crítica de Raízes do Brasil, que comemora dos 80 anos de publicação da obra de Sérgio Buarque de Holanda e também os 30 anos da Companhia das Letras. No Teatro Eva Herz na Livraria Cultura, os organizadores Lilia Moritz Schwarcz (USP, Princeton e autora de Brasil: uma biografia) e Pedro Meira Monteiro (Princeton) conversaram com  Mauricio Acunã (doutorando USP, Princeton) e Marcelo Diego (doutorando Princeton), responsáveis pelo estabelecimento de texto e notas desta nova edição.

Por meio de notas e variantes, a nova edição de Raízes do Brasil mostra que, entre a primeira edição e as seguintes, durante mais de três décadas, Sérgio Buarque de Holanda fez alterações importantes no texto, revisitando hipóteses e mudando, às vezes radicalmente, os argumentos e o tom. O livro acompanha posfácios de nove especialistas que trazem leituras originais deste que é, para jogar com as palavras de Antonio Candido, um “clássico” que se constrói pouco a pouco.

No vídeo, confira o encontro completo que discutiu a importância de Raízes do Brasil.

Semana trezentos e nove

Companhia das Letras

Atlas de nuvens, de David Mitchell (tradução de Paulo Henriques Britto)
Neste que é um dos romances mais importantes da atualidade, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor pelo quebra-cabeça nabokoviano e o talento para a especulação filosófica e científica na linha de Umberto Eco, Haruki Murakami e Philip K. Dick. Conduzindo o leitor por seis histórias que se conectam no tempo e no espaço — do século XIX no Pacífico ao futuro pós-apocalíptico e tribal no Havaí —, Mitchell criou um jogo de bonecas russas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade.

Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna
Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa. Uma das grandes escritoras brasileiras da atualidade, Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

Raízes do Brasil — Edição crítica — 80 anos, de Sérgio Buarque de Holanda (organizado por Pedro Meira Monteiro e Lilia Moritz Schwarcz)
Raízes do Brasil é uma das obras fundadoras do pensamento sobre a sociedade brasileira. No método de análise e estilo da escrita, na sensibilidade para a escolha dos temas e erudição exposta de forma concisa, revela-se o historiador da cultura e ensaísta crítico com talentos de grande escritor. Esta edição, que comemora os oitenta anos de publicação da obra, traz uma verdadeira arqueologia de sua produção. Por meio de notas e variantes, mostra que, entre a primeira edição e as seguintes, durante mais de três décadas, o autor fez alterações importantes no texto, revisitando hipóteses e mudando, às vezes radicalmente, os argumentos e o tom. Posfácios de nove especialistas trazem leituras originais deste que é, para jogar com as palavras de Antonio Candido, um “clássico” que se constrói pouco a pouco.

K. – Relato de uma busca, de B. Kucinski
Em 1974, a irmã de Bernardo Kucinski, professora de Química na Universidade de São Paulo, é presa pelos militares ao lado do marido e desaparece sem deixar rastros. O pai dela, dono de uma loja no Bom Retiro e judeu imigrante que na juventude fora preso por suas atividades políticas, inicia então uma busca incansável pela filha e depara com a muralha de silêncio em torno do desaparecimento dos presos políticos. K. narra a história dessa busca. Lançado originalmente em 2011 pela editora Expressão Popular, em 2013 ganhou nova edição pela Cosac Naify, e finalmente, em 2016, chegou à Companhia das Letras. Ao longo desses anos, K. se firmou como um clássico contemporâneo da literatura brasileira.

A nervura do real II, de Marilena Chaui
Marilena Chaui, intelectual pública e uma das grandes filósofas de sua geração, completa agora o percurso iniciado com o estudo da ideia espinosana de imanência, obra que causou grande repercussão e debate quando publicada, em 1999. Hoje, filósofos, psicanalistas e neurobiologistas voltam-se para a filosofia de Espinosa para redescobrir um pensamento que enfrentou de modo certeiro questões retomadas no presente. Neste segundo volume, Chaui lida com a questão da liberdade em Espinosa — tema que nos interpela talvez mais que qualquer outro em sua filosofia — e procura demonstrar que a necessidade incondicionada da potência infinita da Natureza, da qual somos uma expressão, é a condição da liberdade humana.

Companhia de Mesa

Comida de verdade, de Yotam Ottolenghi (tradução de Isabella Pacheco)
A mais nova e aguardada obra do chef londrino Yotam Ottolenghi, cujos livros já venderam mais de meio milhão de cópias. Chegou a hora de os acompanhamentos virarem o prato principal: os vegetais receberam novos temperos e técnicas e se transformaram no centro das atenções. São mais de 150 pratos com deliciosos vegetais, de saladas a sobremesas. Comida de verdade apresenta, através de fotografias magníficas, os pratos que irão inspirar e revolucionar sua cozinha.

 Objetiva

Hotel Florida, de Amanda Vaill (tradução de Ivo Korytowski)
A Guerra Civil Espanhola contada a partir das vidas de Ernest Hemingway, Martha Gellhorn, Robert Capa, Gerda Taro, Arturo Barea e Ilsa Kulcsar. Madri, 1936. Em uma cidade devastada pela guerra civil, seis pessoas se encontram e têm suas vidas transformadas. Ernest Hemingway precisa de material para um novo romance; Martha Gelhorn está em busca de amor e novas experiências. Robert Capa e Gerda Taro capturam a história e inventam o fotojornalismo moderno. E os secretários de imprensa Arturo Barea e Ilsa Kulcsar lutam pela verdade. Hotel Florida traça os destinos desses três casais num momento crítico da história, que revelou o melhor e o pior daqueles que se viram envolvidos nele. Uma reconstrução baseada em cartas, diários, documentos oficiais, filmes, biografias e notícias da época. Uma história impactante escrita com maestria.

Peça-me o que quiser e eu te darei, de Megan Maxwell (tradução de Monique D’Orazio)
A volta de Peça-me o que quiser, a série erótica mais sensual e envolvente dos últimos tempos. Os anos se passaram. Judith Flores e Eric Zimmerman vivem em uma bela casa em Munique com os três filhos. E continuam tão apaixonados quanto no dia em que se conheceram. O alemão e a espanhola enfrentam juntos os desafios de criar um adolescente e de manter o desejo aceso no casamento. Apesar disso, tudo parece ir bem, até o dia em que uma mulher do passado de Eric reaparece e coloca à prova todas as certezas de Jud. Já os melhores amigos do casal, Mel e Björn, estão mais felizes do que nunca. E o advogado sonha com o dia em que a ex-tenente do Exército americano deixará de ser tão teimosa e aceitará se casar com ele. Unidos pela amizade e pelo sexo, os dois casais enfrentarão juntos as armadilhas que o destino coloca em seus caminhos. Será que o amor verdadeiro é mesmo capaz de vencer tudo?

Penguin-Companhia

Sátiras e outras subversões , de Lima Barreto (organizador Felipe Botelho Corrêa)
Durante décadas após sua morte, os estudiosos especularam sobre uma enorme quantidade de textos que poderiam ser atribuídos a Lima Barreto. Mas foi um pesquisador brasileiro radicado na Inglaterra que conseguiu elucidar o mistério — e comprovar a copiosa produção do grande autor de Recordações do escrivão Isaías Caminha. Todos os 164 textos que compõem a edição são inéditos em livro, e foram originalmente publicados em periódicos. Esta coletânea é a revelação de uma parte da obra de Lima Barreto completamente desconhecida por mais de um século. Embora as razões para tal sejam várias, a que mais pesou certamente foi o fato de o autor ter utilizado pseudônimos em revistas até o fim de sua carreira, em 1922.

Semana duzentos e trinta e um

lancamentos2312

Meus tempos de ansiedade, de Scott Stossel (Tradução de Donaldson M. Garschagen e Renata Guerra)
A partir de sua própria vivência da ansiedade, o editor da revista Atlantic investiga essa doença que, se não existia como categoria diagnóstica 35 anos atrás, hoje é o mais comum distúrbio mental oficialmente classificado. Embora seja generalizado, o mal permanece uma incógnita, muitas vezes mal compreendido. Trata-se, afinal, de um estado espiritual, um distúrbio neuroquímico, um trauma psicológico? Entre o relato íntimo e a exposição de argumentos de autoridade, o autor nos oferece uma história de todas essas perspectivas, da médica à filosófica, das mais remotas às contemporâneas. Stossel revela ainda as várias formas de tratar a ansiedade e administrar seus efeitos incapacitantes. Eliminá-la, como mostra o autor, seria impossível, e talvez até prejudicial: afinal, o que seria do homem sem inquietações?

Sobre a ira/Sobre a tranquilidade da alma, de Sêneca (Tradução de José Eduardo S. Lohner)
Escritos na metade do século I d.C., em formato epistolar, os dois diálogos contidos neste volume foram provavelmente as únicas obras latinas dedicadas a expor uma terapêutica para a superação da ira e para o alcance de um estado de perene serenidade. Ambos exemplificam a concepção que Sêneca — preceptor de Nero e um dos maiores filósofos da Antiguidade romana — tinha da filosofia: uma disciplina prática, destinada não só a elevar a qualidade ética da vida humana, mas sobretudo a promover um processo de ascese espiritual, conforme a perspectiva afirmada pela doutrina estoica.

Graça infinitade David Foster Wallace (Tradução de Caetano Galindo)
Os Estados Unidos e o Canadá já não existem: eles foram substituídos pela poderosa Onan, a Organização de Nações Norte-Americanas. Uma enorme porção do continente se tornou um depósito de lixo tóxico. Separatistas quebequenses praticam atos terroristas e a contagem dos anos foi vendida às grandes corporações. Em Graça infinita seguimos os passos dos irmãos Incandenza — membros da família mais disfuncional da literatura contemporânea —, conforme tentam dar conta do legado do patriarca James Incandenza, um cientista de óptica que se tornou cineasta e cometeu suicídio depois de produzir um misterioso filme que, pela alta voltagem de entretenimento, levava seus espectadores à morte. Enquanto organizações governamentais e terroristas querem usar o filme como arma de guerra, os Incandenza vão se embrenhar numa cômica e filosófica busca pelo sentido da vida. Graça infinita dobra todas as regras da ficção sem jamais sacrificar seu próprio valor de entretenimento. É uma exuberante e original investigação do que nos torna humanos — e um desses raros livros que renovam a ideia do que um romance pode ser.

Luís Carlos Prestes — Um revolucionário entre dois mundosde Daniel Aarão Reis
Neste livro, que já nasce como a principal referência biográfica sobre Prestes, Aarão Reis acompanha os passos do líder comunista com ênfase em sua incansável atuação política, marcada pela ferrenha coerência ideológica e numerosos sacrifícios pessoais. De modesto oficial de um batalhão do Exército no interior gaúcho a chefe da mais extensa marcha guerrilheira da história mundial, de cabeça da rebelião comunista de 1935 a preso político, militante clandestino e exilado na União Soviética, de presidente histórico do PCB a líder condenado ao ostracismo por um partido que tentava se adaptar ao jogo político da democracia representativa, Reis traça um perfil biográfico de fôlego que é ao mesmo tempo uma história do marxismo e das lutas sociais no Brasil do século XX. O autor assinala como a história do Partido Comunista Brasileiro, o antigo Partidão, frequentemente se confunde com a biografia de Prestes, propondo um novo olhar sobre o homem-lenda que ainda hoje, mais de vinte anos depois de sua morte, continua inspirando paixões e ressentimentos.

Monções e Capítulos de expansão paulistade Sérgio Buarque de Holanda
Monções, volume publicado originalmente em 1945, trata das expedições portuguesas ao interior da Colônia por rios do Sudeste e do Centro-Oeste. Aqui, com grande talento narrativo e habilidade ímpar de compreensão histórica, o autor reconstitui o processo de adaptação dos portugueses ao território americano de forma original, a partir de descrições palpáveis da áspera empreitada colonial. Em sua quarta edição, o livro é publicado ao lado de coletânea de organização inédita,Capítulos de expansão paulista — cujo título (inspirado em Capistrano de Abreu) dá continuidade à série dos escritos inacabados do historiador paulista, tais como Capítulos de literatura colonial e Capítulos de história do Império. Esta reúne “fragmentos” do projeto idealizado por Buarque de Holanda de reescrever e ampliar Monções com novas informações que recolhera ao longo de pesquisas feitas em Cuiabá e Lisboa, e portanto lhe serve de complemento perfeito.

Quadrinhos na Cia.

O estrangeiro — Baseado na obra de Albert Camusde Jacques Ferrandez (Tradução de Carol Bensimon)
Conterrâneo de Camus, Ferrandez é considerado um especialista incontestável na Argélia colonial, tendo vivido por muitos anos na mesma rua que o autor. No dia em que sua mãe morre, Meursault acaba adormecendo no ônibus que o transporta de Argel ao asilo onde ela vivia. Mais tarde, durante o funeral, ele bebe o café oferecido pelo zelador do asilo, tem vontade de fumar e fica perturbado com a luz violenta das lâmpadas elétricas. É sob a influência aguda do sol argelino que o cega e queima que esse trabalhador calmo e reservado cometerá um ato irreparável. Camus apresenta um homem inapreensível, sem ambições ou desejos, que é levado a cometer um crime e que assiste, indiferente, a seu próprio julgamento. A história de Meursault fascinou milhões de leitores pelo mundo ao oferecer uma reflexão contundente sobre o absurdo da condição humana e questionar a máquina impiedosa da justiça social. Passados mais de setenta anos de sua publicação, O estrangeiro está mais atual do que nunca.

Companhia das Letrinhas

Noel Rosa — Uma grande conversa entre Noel e São Pedro num botequim lá do céude Luciana Sandroni e Maria Clara Barbosa, ilustrações de Gustavo Duarte
Noel Rosa está entre os maiores nomes da música brasileira. Conhecido como o “Poeta da Vila”, nasceu no Rio de Janeiro bem no momento em que o samba despontava e passava a agradar às mais diversas classes sociais. Nesta biografia ficcionalizada, ele está no céu e, a partir de uma sugestão do amigo são Pedro, resolve contar a incrível história da sua vida com suas próprias palavras. Ao final do texto, além de um glossário que aprofunda tópicos importantes sobre a música da época, estão disponíveis as partituras de doze canções de Noel, com sugestões de arranjo para três vozes.

Seguinte

A ascensão das trevasde Morgan Rhodes (Tradução de Flávia Souto Maior)
No terceiro volume da série A Queda dos Reinos, todos acreditam estar perto de encontrar a Tétrade, quatro cristais mágicos perdidos, capazes de conferir poderes indescritíveis a quem os reunir. Gaius acredita que está no caminho certo e que Lucia, sua filha adotiva, será a chave para localizar e despertar os cristais. Mas o destino é instável quando a magia está em jogo… Um período de trevas se abate sobre Mítica, e nesses tempos sombrios Jonas, Cleo, Magnus e Lucia precisam descobrir o quanto antes em quem podem confiar.

13 incidentes suspeitos, de Lemony Snicket (Tradução de André Czarnobai)
A peculiar cidade de Manchado-pelo-Mar é palco de muitos eventos estranhos e é lá que o jovem Lemony Snicket — famoso solucionador de mistérios — tenta resolver seu primeiro grande caso, relatado em detalhes na série Só Perguntas Erradas. Mas os mistérios se sucedem, e o detetive mirim agora terá de descobrir por que quadros caem sozinhos das paredes, quem roubaria um tritão amarantino, como é possível que um fantasma passeie pelo cais à meia-noite e quem faz parte da famigerada Gangue do Tijolão, entre vários outros enigmas. Lemony Snicket precisará juntar pistas e interrogar testemunhas para desvendar cada caso. Os leitores se tornam membros da organização secreta de Snicket e também participam da investigação: o desafio será resolver os casos antes de ler as soluções, reveladas no final do livro.

Semana noventa e sete

Os lançamentos da semana são:

O chefão dos chefões, de Vito Bruschini (Tradução de Federico Carotti)
Este livro se inscreve na melhor tradição dos romances de máfia, abrangendo um período que vai de 1919 a 1943, Vito Bruschini traça um painel da história e das tensões sociais que prepararam o surgimento da Cosa Nostra. A figura do príncipe Ferdinando Licata está no centro da trama, que começa num vilarejo da Sicília e se desloca para as ruas de Nova York. Conhecido como U Patri, “O Pai”, Licata é um grande latifundiário da região, temido e respeitado por todos. Ameaçado pela ascensão dos fascistas na Itália, ele se vê forçado a ir para os Estados Unidos, onde dará início a uma das organizações criminosas mais conhecidas do mundo. Personagens fictícios e gente real, como o famoso Lucky Luciano, são trabalhados habilmente nesta trama de intrigas em que não faltam os ingredientes indispensáveis ao gênero — suspense, violência, paixões e revelações inesperadas.

HHhH, de Laurent Binet (Tradução de Paulo Neves)
Himmlers Hirn heibt Heydrich: O cérebr0 de Himmler se chama Heydrich. Por si só, a sentença corrente entre os membros da SS permite vislumbrar os horrores vividos pela extinta Tchecoslováquia durante a ocupação nazista. Nomeado pelo Fürer o “protetor” da Boêmia-Morávia (atual República Tcheca), Reinhardt Heydrich — exímio violinista, devotado pai de família e implacável chefe da Gestapo — recebeu a tarefa de administrar com mão de ferro o território incorporado ao III Reich.  Ele logo se tornou um misto de vice-rei e ditador, com absoluto poder de vida e de morte sobre todos os tchecos. Prisões em massa, torturas e execuções sumárias passaram a integrar o cotidiano dos habitantes da capital, que apelidaram seu novo senhor de “o carrasco de Praga”. Neste livro híbrido de romance e relato histórico, premiado com o GOncourt de 2010, Laurent Binet reconstitui a trajetória dos heróis que organizaram o atentado fatal contra Heydrich em plena luz do dia numa rua de Praga, em maio de 1942.

Livro de receitas para mulheres tristes, Héctor Abad (Tradução de Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni)
Qual a receita do amor feliz? E da solidão feliz? Existe remédio para a culpa, para o medo da velhice, para a angústia sem nome? Como lidar com os desejos de grávida, com os desejos proibidos, com a falta de desejo? Há uma fórmula para recuperar o brilho no olhar e as cores do rosto? Héctor Abad dá aqui respostas insólitas, comoventes e divertidas para essas e muitas outras questões sobre os grandes males existenciais e as minúsculas mazelas cotidianas. Fala diretamente à mulher, cochichando como um bom irmão ou amigo do peito, mas convida o homem a ouvir por trás da porta. Tudo em textos breves e inclassificáveis, que ora se aparentam com receitas de cozinha, ora com conselhos sentimentais e simpatias, ora com o aforismo filosófico, o tratado de costumes…Um saboroso pot-pourri temperado com nonsense e poesia, com fortes poderes de consolação.

A cartuxa de Parma, de Stendhal (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Escrito em inacreditáveis 53 dias, no final de 1838, narra as descenturas de Fabrice del Dongo, um jovem vibrante, idealista e imaturo que decide se unir ao exército de Napoleão Bonaparte. O notável tratamento dado por Stendhal à batalha de Waterloo, por onde o protagonista vagueira sem saber que está no meio de um acontecimento importante, entusiasmou nomes como Tolstói (que assume a influência do romance sobre o seu Guerra e paz), Ernest Hemingway e conterrâneo Honoré de Balzac. Esta edição inclui introdução do jornalista literário britânico John Sturrock, que contextualiza o romance na conturbada biografia de Marie-Henri Beyle, verdadeiro nome do autor francês.

O homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda
O crítico, historiador e sociólogo paulista Sérgio Buarque de Holanda é um dos maiores intelectuais brasileiros no século XX. Autor de obras capitais, alguns de seus conceitos se tornaram modelos clássicos de interpretação de nossa história. Entre eles se destaca o do “homem cordial”, presente em Raízes do Brasil (1936), seu primeiro livro. Aqui o autor investiga as origens de uma forma de sociabilidade brasileira, mais afeita aos contatos informais e à negação das esferas públicas de convívio. Crítico, ele mostra como a “cordialidade” leva a uma relação problemática entre instâncias públicas e privadas. Este volume reúne, além de “O homem cordial”, outros momentos altos da produção intelectual de Sérgio Buarque de Holanda: “O poder pessoal” (da coleção História geral da civilização brasileira), “Experiência e fantasia” (de Visão do Paraíso, “Poesia e crítica” (de O espírito e a letra) e a”Botica da natureza” (de Caminhos e fronteiras). O conjunto é uma excelente introdução ao pensamento do autor, ou a oportunidade de voltar a esses textos fundamentais, que aliam o rigor metodológico do grande historiador e crítico à fluência narrativa do metre da língua.

Semana três

Toda sexta-feira nós colocamos no blog os livros lançados durante a semana, assim como os eventos literários e culturais que acontecerão na semana seguinte. Não se esqueçam do Concurso Bolañomania, que foi prorrogado até dia 6 de junho. Os cinco vencedores ganharão uma sacola comemorativa do lançamento de 2666 com um exemplar do livro, e a melhor resenha também será publicada aqui no blog.

Os lançamentos desta semana foram:

Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda
Publicado pela primeira vez em 1959, Visão do Paraíso inaugurou o ensaísmo sobre o imaginário do colonizador ao estudar os mitos edênicos que acompanharam as narrativas dos descobrimentos e da colonização da América. A Companhia das Letras agora relança este título em edição revista e com imagens do acervo pessoal do autor.

Capítulos de história do Império, de Sérgio Buarque de Holanda
Com introdução e organização do historiador Fernando Novais e posfácio do historiador Evaldo Cabral de Mello, Capítulos de história do Império traz à luz um conjunto de textos inéditos sobre a história política do Império brasileiro.  Nas quatro partes que compõem o volume, o autor analisa a crise do Império brasileiro no final do século XIX, compreendendo-a como produto da falência do mecanismo de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.

Essa história está diferente ― Dez contos para canções de Chico Buarque, organização de Ronaldo Bressane
Dez autores de estilos diversos recriam em ficção o cancioneiro do compositor carioca Chico Buarque. O projeto, idealizado pela RT Features e patrocinado pela Caixa Econômica Federal, traz contos de Alan Pauls, André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Luis Fernando Verissimo, Mario Bellatin, Mia Couto, Rodrigo Fresán e Xico Sá. Leia trechos de alguns dos contos aqui. Haverá evento para lançamento do livro em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, confira as datas abaixo.

Os gatos, de T. S. Eliot (Edição bilíngüe; Ilustrações de Axel Scheffler; Tradução de Ivo Barroso)
Durante toda a década de 1930, T. S. Eliot deu de presente a seus afilhados e amigos uma série de poemas. Seus poemas infantis surpreenderam seus amigos pela graça e sensibilidade para com a psicologia felina, e em 1939 ele foi convencido a publicá-los. O que era para ser uma brincadeira acabou por se tornar um de seus trabalhos mais conhecidos: após sua morte, os poemas serviriam de base para o musical Cats.

Sociedade da neve, de Pablo Vierci (Tradução de Bernardo Ajzenberg)
Em outubro de 1972, um avião fretado da Força Aérea do Uruguai que rumava para o Chile se choca contra uma montanha nos Andes. Das 45 pessoas a bordo, 29 sobrevivem ao impacto. Dez dias depois do acidente, a primeira notícia que ouvem do mundo exterior por rádio é que as buscas pelo avião foram abandonadas. Entremeando as narrativas dos sobreviventes com o relato objetivo do autor, A sociedade da neve traz a verdadeira história de como dezesseis jovens conseguiram sobreviver durante 72 dias num dos ambientes mais inóspitos do planeta.

Os belos dias de minha juventude, de Ana Novac (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Escritas em 1944, quando a autora, aos quinze anos, foi prisioneira em Auschwitz e Plaszow, essas anotações carregam, além de um relato incisivo dos seis meses em que foi prisioneira, o feito de ser o único documento autobiográfico produzido em campos de concentração que foi preservado com o fim da guerra.

Lobinho, o detetive da floresta, de Ian Whybrow (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Heloisa Jahn)
No quarto volume das aventuras do Lobinho, o intrépido detetive Lobinho Binho precisa descobrir onde foram parar os animais que desapareceram de seus lares, enchendo as famílias de angústia.

O guerreiro solitário, de Henning Mankell (Tradução de George Schlesinger)
Neste novo romance policial do autor sueco Henning Mankell, é verão, e o inspetor Wallander se prepara para viajar com sua nova namorada, na esperança de que seu pai idoso e sua filha rebelde não o obriguem a cancelar seus planos. Mas será uma sequência de crimes brutais que atrapalhará sua “lua de mel”, mais uma vez o obrigando a mergulhar no trabalho.

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O Blog da Companhia indica os seguintes eventos até a semana que vem:

2º Festival Internacional de Leitura de Campinas
29 de maio a 6 de junho.
Em sua segunda edição, o Festival Internacional de Leitura de Campinas contará com a presença dos autores Angela Lago, Tatiana Belinky, Fabricio Corsaletti, Ricardo Azevedo e Fabrício Carpinejar. Para mais informações, acesse: http://www.filc.com.br/filc2010/
Local: CIS Guanabara e Largo do Rosário – Campinas, SP

8º Salão do livro do Piauí
Acontece de 31 de maio a 6 de junho o 8º Salão do livro do Piauí. Fazem parte da programação do evento palestras de Antonio Cícero, autor de Finalidades sem fim, e do angolano Ondjaki, escritor de Avódezanove e o segredo do soviético. Para mais informações, acesse: http://www.fundacaoquixote.org.br/
Local: Complexo da Praça Pedro II – Teresina, PI

Feira do livro de Canoas
De 2 a 20 de junho.
Em sua 26ª edição, a Feira do livro de Canoas promoverá encontros com os autores Charles Kieffer, Luiz Ruffato, Ricardo Azevedo e Michel Laub. Para mais informações, acesse: http://www.feiradolivrocanoas.blogspot.com
Local: Praça da Bandeira – Canoas, RS

12º Salão do livro da FNLIJ
De 09 a 19 de junho.
Ana Maria Machado, Daniel Kondo, Gilles Eduar, Graça Lima, Luciana Sandroni, Odilon Moraes, Roger Mello e Rosana Rios são os autores da Companhia das Letras que participarão da 12ª edição do Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens. No dia 11, o autor Roger Mello estará lá para autografar o livro Carvoeirinhos, às 14h. Para mais informações, acesse: http://www.fnlij.org.br/salao/
Local: Av. Barão de Tefé, 75 – Saúde – Rio de Janeiro / RJ

10ª Feira Nacional do livro de Ribeirão Preto
De 10 a 20 de junho, das 9h às 22h.
Os autores Paulo Markun, Fabrício Carpinejar, Tony Belloto, Fabrício Corsaletti, Carola Saavedra, Moacyr Scliar, Zuenir Ventura, Daniel Galera e Rafael Coutinho participarão da décima edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Os encontros com os autores acontecerão nas Praças Carlos Gomes e XV de novembro e na Esplanada do Teatro Pedro II. Para mais informações, acesse: http://www.feiradolivroribeirao.com.br/

Contação de histórias do livro Por amor ao futebol!
Sábado, 05 de junho, às 15h.
Kiara Terra conta histórias de Por amor ao futebol!, de Pelé, ilustrado por Frank Morrison.
Local: Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073 – São Paulo, SP

Contação de histórias e oficina do livro Por amor ao futebol!
Sábado, 05 de junho, às 16h.
Márcia Brito conta histórias e faz oficina baseada no livro Por amor ao futebol!, de Pelé, ilustrado por Frank Morrison.
Local: Livraria da Vila – Shopping Cidade Jardim – Av. Magalhães de Castro, 12000 – São Paulo, SP

Lançamento do livro Essa história está diferente em RJ, SP e Brasília
A Caixa Cultural, a RT Features e a Companhia das Letras convidam para o lançamento do livro Essa história está diferente, com participação de André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Xico Sá e do organizador Ronaldo Bressane. Após a sessão de autógrafos, haverá um bate-papo com os autores.
Rio de Janeiro, segunda-feira, 7 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural – Avenida Almirante Barroso, nº 25
São Paulo, terça-feira, 8 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural São Paulo – Galeria Vitrine da Paulista – Av. Paulista, 2083 – Térreo – Conjunto Nacional
Brasília, quarta-feira, 9 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural – SBS Qd. 4 Lote 3/4

Davi Arrigucci Jr. participa do curso “Cidades por escrito” no Instituto Moreira Salles
Terça-feira, 08 de junho, às 19h.
Autor do livro O guardador de segredos, Davi Arrigucci Jr. fala sobre a Buenos Aires escrita por Borges em evento promovido pelo Instituto Moreira Salles. (Não há mais vagas disponíveis para esse evento)
Local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro, RJ

Exposição Beatriz Milhazes – gravuras
Até 29 de agosto.
Dezessete gravuras da artista plástica Beatriz Milhazes, cujas obras se vê nas novas capas das obras de Lygia Fagundes Telles, estarão expostas no Museu de Arte do Espírito Santo. Veja mais informações e um depoimento da artista no site da exposição.
Local: Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (Maes) – Av. Jerônimo Monteiro, 631 – Vitória, ES

Mostra “Cineastas e Imagens do Povo”
Até 6 de junho.
A mostra reúne documentários citados no livro homônimo de Jean-Claude Bernardet, a mais abrangente antologia da história do documentário brasileiro moderno. Além de resgatar a história do nosso cinema, o evento exibe algumas cópias novas, confeccionadas especialmente para a ocasião. A programação também conta com a realização de debates com a presença de realizadores e de um curso ministrado por especialistas, organizado com o apoio da Universidade de São Paulo. O público tem a oportunidade de assistir filmes que falam das grandes questões culturais, políticas e sociais vividas no país nas últimas quatro décadas. A maioria deles se encontrava inacessível às novas gerações até esta merecida homenagem ao trabalho de um dos maiores críticos de cinema ainda em atividade no Brasil.
Veja mais informações e a programação completa aqui.
Local: CCBB – R. Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo, SP

Exposição Ostengruppe: cartazes russos contemporâneos
Até 20 de junho.
O Instituto Tomie Ohtake traz cerca de 80 cartazes do Ostengruppe, grupo de designers russos com forte influência do futurismo e do construtivismo russo. Veja mais informações no site da exposição.
Local: Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros – São Paulo, SP