sérgio sant’anna

10 livros nacionais lançados (até agora) em 2016

Na nossa última lista, apresentamos alguns lançamentos estrangeiros do Grupo Companhia das Letras que saíram até o último mês. Agora chegou a vez de conhecer alguns dos nossos lançamentos nacionais para não deixar nenhum livro de fora da sua lista de futuras leituras. Saiba mais sobre as melhores ficções e não ficções brasileiras publicadas até agora em 2016!

1) Outros cantos, de Maria Valéria Rezende

outroscantos

No final de 2015, Maria Valéria Rezende ganhou o prêmio Jabuti por Quarenta dias. Logo depois, no comecinho de 2016, mais um livro da escritora que vive em João Pessoa foi lançado pela Alfaguara. Em Outros cantos, ela apresenta uma narrativa comovente sobre passado e futuro. Numa travessia de ônibus pela noite, Maria, uma mulher que dedicou sua vida à educação de base, entrelaça passado e presente para recompor uma longa jornada que nem mesmo a distância do tempo pode romper. Em uma escrita fluida, conhecemos personagens cativantes de diversos lugares do mundo e memórias que desfiam uma série de impossíveis amores, dos quais Maria guarda lembranças escondidas numa “caixinha dos patuás posta em sossego lá no fundo do baú”.

2) Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas

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Quem é Isabel Moustakas? A pergunta ficou na cabeça dos leitores quando o livro Esta terra selvagem foi lançado em março. Em seu livro de estreia, a autora usa a cidade de São Paulo como cenário de um thriller sangrento repleto de crimes de ódio. João é um repórter policial de um grande jornal paulistano, sem muita sorte na vida pessoal e profissional. Mas sua vida muda quando uma jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais — um boliviano e uma descendente de italianos -, e que depois fora abusada das piores maneiras, lhe faz um relato de cada detalhe perturbador do que havia presenciado. Ao final do depoimento, a garota tira a própria vida diante dos olhos dele. A partir deste terrível episódio, o repórter irá seguir pistas que o levarão a um suposto grupo racista que vem cometendo atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que considera impuras.

3) A vida invisível de Eurídice Gusmãode Martha Batalha

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Nossas mães, tias e avós são facilmente reconhecíveis neste romance de Martha Batalha. Nos anos 1940, Guida Gusmão desaparece da casa dos pais sem deixar notícias, enquanto sua irmã Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. Mas nenhuma das duas parece feliz em suas escolhas. A trajetória das irmãs Gusmão em muito se assemelha com a de inúmeras mulheres nascidas no Rio de Janeiro no começo do século XX e criadas apenas para serem boas esposas. São mulheres invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a própria vida. Capaz de falar de temas como violência, marginalização e injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias.

4) Quadrinhos dos anos 10, de André Dahmer

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As tirinhas de André Dahmer são uma das melhores representações dos anos em que vivemos: os anos 2010. Quadrinhos dos anos 10, lançado em maio pela Quadrinhos na Cia.,  tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna. O humor dessas páginas nasce da mesma angústia que sentimos diante das complicações contemporâneas que o autor tenta destrinchar — a política brasileira, a tecnologia, as relações pessoais. Mas as tiras não são pesadas e duras: pelo contrário, são tão engraçadas quanto os absurdos do dia a dia.

5) Histórias naturais, de Marcílio França Castro

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Marcílio França Castro participou da Flip deste ano, dividindo a mesa que levou o nome de seu livro com o mexicano Alvaro Enrigue. Exibindo um fantástico domínio técnico, um olhar original sobre as relações humanas e um ponto de vista singular para tratar a matéria imaginativa, o autor se debruça sobre as estranhezas que compõem a vida cotidiana neste volume de contos. A partir de situações aparentemente corriqueiras, um mundo de extravagâncias absorve o leitor, fazendo-o desconfiar das armadilhas que construímos para nós mesmos e para os outros.

6) Minhas duas meninas, de Teté Ribeiro

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A jornalista Teté Ribeiro tentou engravidar durante quase uma década, e estava quase desistindo da maternidade biológica quando resolveu tentar uma última vez por meio de uma barriga de aluguel na Índia. E deu certo: Teté agora é mãe de gêmeas. Minhas duas meninas é o relato dos detalhes que marcaram essa experiência — a relação com a mãe indiana, o dia a dia logo após o nascimento, todas as particularidades da clínica e os dilemas pelas quais passa uma mãe que não carregou suas filhas na própria barriga. Em parte livro de memórias, em parte retrato de geração, mas também reportagem exemplar, Minhas duas meninas é uma radiografia dos dilemas da mulher contemporânea.

7) Os visitantes, de B. Kucinski

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Imagine que você é um autor que escreveu um livro sobre a busca de um pai por sua filha desaparecida durante a ditadura militar. Após o livro ser publicado, lido e criticado, personagens dessa história começam a aparecer à sua porta apontando erros na história, reclamando de como foram retratadas. É esse o enredo de Os visitantes, de Bernardo Kucinski. Personagens de seu romance anterior, K.: Relato de uma busca, ressurgem em sua vida para tirar satisfações sobre como a história foi contada.

8) A Bíblia do Chede Miguel Sanches Neto

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Em meio a escândalos na política brasileira, A Bíblia do Che é um romance que conversa muito com o que estamos vivenciando agora. Morando em Curitiba, o professor recluso Carlos Eduardo é contratado para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito durante uma passagem pelo Brasil. Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador financeiro que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.

9) O conto zero e outras histórias, de Sérgio Sant’Anna

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Um dos maiores contistas do Brasil, Sérgio Sant’Anna lançou em julho mais uma coletânea de textos. Neste que é um de seus trabalhos mais pessoais, Sant’Anna combina lembrança e imaginação para recriar viagens, impressões e momentos únicos que se perderam no tempo. Se é a memória que conduz essas histórias, a força está na maneira como a ficção refaz o passado. Lembranças de uma viagem com o irmão, do primeiro cigarro, de mulheres que cruzaram sua vida, tudo isso serve de pretexto para que Sérgio Sant’Anna atravesse com o leitor um caleidoscópio de estilos e vozes tão belo, complexo e múltiplo quanto sua obra.

10) Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna

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E para terminar, temos o lançamento de uma de nossas maiores autoras brasileiras: Elvira Vigna. Como se estivéssemos em palimpsesto de puta chegou às livrarias no mês passado, e narra o encontro de dois estranhos num verão do Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa. Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

Sentiu falta de algum lançamento? Então conte aqui nos comentários. E fique de olho, ainda em 2016 teremos mais grandes lançamentos da nossa literatura. :)

Semana duzentos e dezoito

O pintassilgo, de Donna Tartt (Trad. de Sara Grünhagen)
Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte. Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração. O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

Bellini e o labirinto, Tony Bellotto
Remo Bellini está de volta. O áspero (e ocasionalmente sensível) investigador que é fã de blues, de mulheres e de uma boa dose de ação ainda mora sozinho num apartamento na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Algumas manias também permanecem, como almoçar todos os dias no Luar de Agosto, boteco próximo de sua casa. Seu novo caso, no entanto, não tem nada de comum. Após receber um telefonema de Marlon, integrante da famosíssima dupla sertaneja Marlon e Brandão, terá de sair de sua conhecida São Paulo e viajar a Goiânia, onde se verá embrenhado num universo de música country, césio-137, intriga e pelo menos uma dama fatal. Contratado para negociar com os sequestradores do milionário Brandãozinho, Bellini se verá em meio a uma espiral de traições e desconfianças que o fará suspeitar de sua própria sanidade.

O homem-mulher, de Sérgio Sant’Anna
A obra de Sérgio Sant’Anna é de difícil classificação. Transgressor contumaz, ele vem desde a década de 1960 testando os limites da prosa, dos gêneros – e da própria ideia de literatura. Seus romances, contos, poemas, novelas e peças de teatro romperam tradições e derrubaram barreiras entre alta e baixa cultura, entre popular e erudito, numa linguagem descarnada tão reconhecível quanto escorregadia, que influenciou inúmeras gerações de escritores. Apesar da explícita vocação experimental, Sant’Anna sempre foi também autor de prosa acolhedora, cujo interesse parece residir não em alienar o leitor, mas, ao contrário, em incluí-lo nos intricados e deliciosos jogos literários que concebe. Os contos de O homem-mulher configuram a expressão máxima dessa ideia. É o caso da história em que o protagonista se apaixona pela vendedora de lencinhos que junta dinheiro para o tratamento de câncer do marido. Em meio à alta carga erótica da trama, o conto também se revela delicado como os produtos da garota. Ou, então, do magistral e imediatamente antológico “Eles dois”, que narra, com força cinematográfica, a história de um casal morando num casarão nos anos 1970. Capaz de surpreender até seus leitores mais antigos, O homem-mulher é também uma perfeita porta de entrada para a obra rica, vasta e memorável de Sérgio Sant’Anna.

A marca humana, de Philip Roth
Coleman Silk, professor de letras clássicas numa universidade da Nova Inglaterra, aos setenta anos se vê obrigado a pedir exoneração e a se afastar do meio acadêmico. O motivo é uma acusação de racismo. Coleman empregou uma palavra de duplo sentido ao se referir a alunos que não compareciam às aulas. Mas o mesmo professor que antes revolucionara a faculdade e se fizera admirar pela audácia guardou um segredo por cinco décadas. Nem a esposa nem os filhos conheceram sua verdadeira origem racial, pois aos vinte anos, ao entrar na marinha, Coleman Silk descobriu que ela não era evidente e que podia manobrá-la. A marca humana, entretanto, não se apaga. Ao lado de Pastoral americanaCasei com um comunista, este romance compõe a grande trilogia de Philip Roth sobre a vida na América do pós-guerra – um painel impressionante em que indivíduos de grande vigor moral e intelectual são assolados por forças históricas fora de controle.

Editora Paralela

1 página de cada vez, de Adam J. Kurtz (Trad. de Giu Alonso)
“Pense em alguma coisa que deixa você inseguro e escreva o que é em letras enormes. Use o espaço todo! Olhe bem para o que você escreveu. Agora vire a página.” No seu primeiro livro, o artista gráfico americano Adam J. Kurtz usa provocações divertidas como esta para fazer o leitor refletir sobre sua vida ao mesmo tempo em que testa a própria criatividade. Como o título diz, cada página traz uma brincadeira diferente. Pode ser uma pergunta, uma sugestão de desenho ou um pedido para que você crie uma lista de músicas para seu amor verdadeiro ou das melhores fatias de pizza que comeu na vida. O autor também pede para o leitor colar objetos inusitados nas páginas do livro e compartilhar nas redes sociais algumas das anotações feitas nele. Uma maneira espirituosa e lúdica de buscar o autoconhecimento.

Entrevista com Ana Miranda

Na última entrevista que publicamos aqui no blog, André Sant’Anna conversou com seu pai, Sérgio Sant’Anna. Para continuar o projeto, Sérgio escolheu entrevistar a escritora Ana Miranda.

Ana Miranda nasceu em Fortaleza, em 1951. Morou em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Hoje vive no Ceará. Estreou como romancista em 1989, com Boca do Inferno (prêmio Jabuti de revelação). De lá para cá escreveu diversos romances, entre eles Desmundo (1996), Amrik (1997) e Dias & Dias (2002, prêmio Jabuti de romance e prêmio da Academia Brasileira de Letras). Foi escritora visitante em universidades como Stanford e Yale, nos Estados Unidos, e representou o Brasil perante a União Latina, em Roma. Sua obra nasce de uma relação pessoal com a história literária brasileira, e trabalha pela preservação do nosso tesouro linguístico.

Leia abaixo a entrevista feita por Sérgio Sant’Anna. A próxima trará o autor escolhido por Ana: o poeta Francisco Alvim.

SS: Querida Ana. Você ter ido morar de novo no Ceará tem a ver com seus romances ligados ao Brasil e à terra ou é justamente o contrário: você, morando num lugarejo de praia, acaba escrevendo sobre a grande cidade (rs)?
AM: Sérgio, querido, é uma alegria conversar com você, ainda que de longe. Aqui eu convivo tanto com a aldeia na praia como com a cidade grande — Fortaleza fica bem perto. Mas você tem razão (e sensibilidade), sou mesmo uma alma das distâncias, tanto no espaço como no tempo. Estou sempre distante de minha realidade e buscando distância de mim mesma, se é que isso é possível. Não escrevo sobre mim, como dizia o Guimarães Rosa. No Outro é que encontro inspiração. E mesmo me entranhando de toda uma cultura peculiar à terra, continuo vivendo a distância literária. O que ando escrevendo por aqui tem mais relação com minhas leituras e com minha imaginação do que com a realidade que me cerca, como sempre. É um processo interior. Busco experimentar outras vivências, outras falas, outros comportamentos literários, é o meu jeito de ser. Fiquei muito marcada pela minha primeira experiência no romance, abri uma porta, por ali entrei, e estou vagando nessa espécie de labirinto. No entanto, sinto que a cultura deste estado onde nasci tem me preenchido alguns vazios; e num processo natural, em que se plantam sementes de conhecimento e vida, as coisas vão germinando e florescendo em palavras, temas, modos de se comportar como narrador. Não sou a mesma que escrevia no Rio olhando a paisagem exuberante, verde, montanhosa e úmida, entre emanações africanas, francesas, portuguesas, árabes, nesta atmosfera extrovertida e maliciosa, explosiva, sensual e descompromissada que caracteriza o Rio. Aqui tudo é mais seco, indígena, casto, luminoso, rude e espraiado.

SS: Qual dos seus livros a deixou mais realizada?
AM: Gosto de pensar na minha obra reunindo apenas os romances, e dentre eles, os que exprimem uma experimentação linguística narrada em voz feminina. São o Desmundo, Amrik, Dias & Dias, Yuxin e Semíramis (meu próximo livro). Sei que estou sendo injusta com meus primeiros romances e demais livros, e ingrata para com o meu primeiro romance, o Boca do Inferno, que me deu tudo o que tenho em matéria literária — com ele aprendi tudo o que sei sobre escrever livros, ele existe em cada um dos seus posteriores. Mas é a verdade, sinto o quinteto como expressão mais pura de minha alma. Se pudesse voltar no tempo, publicaria apenas esses, mesmo sabendo que poderia ser uma escritora obscura, talvez até inédita, pois foi Boca do Inferno que me deu notoriedade. Mas faz parte de mim essa movimentação desesperada, essa submissão às ordens interiores, essa versatilidade como uma sentença. Não há como escapar. Sei que o tempo é que depura a obra literária formando o todo, os livros compõem a obra como num bordado feito pelo avesso. Nada disso está em minhas mãos. Com tudo isso, jamais me sinto realizada, mas sempre insatisfeita, em busca de algo, querendo melhorar, ir adiante de mim mesma. Apesar de ser uma pessoa calma, há dentro de mim uma inquietação. Vivo num contínuo processo de mudanças interiores.

SS: Você tem sido nômade no Brasil. Qual lugar lhe agradou mais?
AM: A acreditar no que dizem, que a infância é nossa mãe e nossa pátria, os meus lugares são o Ceará, onde vivi até os cinco anos, o Rio, até os sete, e Brasília, até a adolescência. Sou louca pelo Rio, onde vivi uns quarenta anos, não há cidade mais bela e acolhedora no mundo, é verdadeiramente cosmopolita, de uma riqueza cultural fabulosa, gente extraordinária. Tenho paixão por Brasília com toda sua beleza espacial, sua flora e fauna, as pessoas que ali conheci e conheço, os crepúsculos, a arquitetura, a liberdade que eu tinha, a sensação de força construtiva que a cidade proporcionava. E amo o Ceará, a meiguice que transborda, a fraternidade que os cearenses me dedicam, a sensação de pertencer a ele. Aqui moro na casa em que sempre sonhei morar, rústica e ampla, com uma vista de mares, coqueirais, dunas, rio, telhadinhos de barro, o silêncio e a brisa; tenho uma cozinha grande, com cortininhas debaixo da pia, um varandão cheio de plantas, jardins floridos e pomar, tudo que eu mesma fiz. Não fiz a casa para mim, mas para os meus netinhos. Meu escritório é aberto para a paisagem, e ver a lua nascer do mar é uma viagem astronômica pelo universo. Aqui encontro as mesmas paisagens de minha primeira infância. Também não posso deixar de mencionar São Paulo, onde morei poucos anos, e já adulta, mas muito me ensinou. Cada lugar tem seu encanto e fascínio. Também tem seus problemas, mas a pergunta é sobre o lado agradável.

SS: Pretende continuar morando na praia no Ceará, ou não faz projetos, deixa o barco correr para ver onde atraca?
AM: Não é que eu faça projetos, mas inconscientemente eles vão se formando, creio que a partir de necessidades íntimas e literárias. Eu observo os sintomas. Vou me mudando primeiro interiormente, aos poucos a necessidade de me mudar é tão imperiosa que não consigo mais controlá-la. Como se eu precisasse viver muitas vidas, muitas realidades e idades que não são em ordem cronológica. Como se eu precisasse renascer.

SS: Você se sente atraída pela temática feminina, ou não importa o sexo dos personagens?
AM: Não importa o sexo dos personagens, mas a narradora em voz feminina na primeira pessoa me atrai muito mais, embora torne a coisa que já é difícil ainda mais difícil, porque são vozes em outro tempo, às vezes longínquo, é quase um trabalho de psicografia como escrita dos espíritos. Mediunidade literária. Mas não acho que a atração seja causada pela visão feminina de mundo, a primeira pessoa narrando inclui um trabalho de dicção, de criação de uma fala, que me seduz. A cada livro preciso criar uma nova voz, uma nova dicção, isso combina com o meu temperamento. O narrador na terceira pessoa, no meu caso, me parece sempre o mesmo, é a minha voz onisciente. O caso dos personagens é outro. Cada um deles tem uma voz. Mas em todos eles sinto a presença da minha pessoa, que é feminina, contendo, no entanto, a sua versão masculina, ainda que em fantasia. E sobre temática feminina, não acredito nisso plenamente, talvez seja uma forma de manter a mulher falando de uma vida enclausurada, que já não existe mais. Seria o amor uma temática feminina? Ou o ciúme? Mas vemos Goethe e Shakespeare celebrando magistralmente os temas. Seria o casamento um tema feminino? O tricô? A gestação de um filho, o parto? A prostituição? Que bom escritor não seria capaz de abordar o tema? Todas essas rotulações não passam de uma necessidade humana de organizar o mundo para seu estudo, mas o mundo não é feito de compartimentos vedados. Tudo se interpenetra.

SS: Você pode revelar o que está escrevendo agora, ou é daquelas que guardam segredo?
AM: …

SS: Estou curioso para saber se essa longa estadia na praia — com algumas viagens ao exterior — está te influenciando de alguma forma.
AM: Há uma influência direta nas crônicas que escrevo para o jornal daqui de Fortaleza. A crônica tem uma conexão imediata com o cotidiano. O tema que me foi proposto é a memória da cidade, mas há textos que aparecem repletos de passarinhos, jangadas e coqueiros, que vejo da minha mesa de trabalho, carnaúbas das estradas, dunas e ventos, almofadas de bilro, quintais e cajueiros, sons e, mais que tudo, o sentimento do lugar. O contato com a natureza, ainda que inconstante, tem um poder de transformação na nossa atmosfera interior. Creio que é o mesmo que dominava José de Alencar quando escreveu Iracema. Ele passava temporadas na floresta da Tijuca, e recém-casado, apaixonado. Iracema tem uma atmosfera que não existe em O guarani, que se expressa melhor no efeito que cria. Não há em Iracema nenhuma casa. É perpassado pelo sentimento de natureza de que falava Thoureau, em Walden, uma espécie de ilusão contagiada pelo bucolismo mas também pela violência natural, pela hostilidade, o lado pantanoso, ameaçador, escuro da natureza. O livro que acabo de entregar à editora, Semíramis, um perfil de mulher ao modo de Alencar, sente essa influência, não exatamente da natureza, mas da questão do provincianismo, relacionado ao cosmopolitismo. Portanto, a sua primeira pergunta foi no coração da coisa em si.

* * * * *

Trecho de Yuxin:

kene, bordado

A pata da onça e aqui olho de periquito… bordar, bordar… Xumani está demorando tanto, quando ele voltar, amanhã, não vou contar nada, se eu contar, Xumani ciumento vai querer flechar as almas, matar as almas, quem pode as almas matar? bordar bordar… hutu, hutu, hutu, hutu… aprendi o bordado kene em dia de lua nova… bordar… bordar… achei aquele couro de cobra atrás do tear, minha avó me levou mata dentro para eu saudar Yube e aprender o bordado kene, minha avó ensinou as cantigas, aregrate mariasonte, mariasonte bonitito… ela sabia essas cantigas, a avó da avó sabia, a avó da avó da avó, minha mãe sabe… bonitito bonitito yare… titiri titiri titiri titiri we… hutu, hutu, hutu, hutu… vi uma luz, minha avó pingou bawe nos meus olhos para eu enxergar mais claro… tecendo e cantando em dia de lua nova, assim aprendi kene, chamando a força do bawe, a primeira mulher que aprendeu a bordar foi Siriane, no tempo da mãe da mãe da mãe da mãe, foi Siriane quem nos ensinou primeiro o bordado, mas o marido de Siriane a matou titiri titiri titiri titiri we… hutu, hutu, hutu, hutu… será se ele matou Siriane de ciúmes? ela viu as almas? ela saía sozinha? titiri titiri titiri titiri we… bre bre bre bre… foi no tempo da mãe da mãe da mãe da mãe… Xumani vai me matar? por ciúme dos pretendentes espíritos, para que fui ao brejo? mas eu estava com tanta fome… bordar bordar… tem espinho de planta, tem algodoeiro, tem flor de algodoeiro, um para ali, um para acolá, cada um de um lado, assim, puxa, acocha o ponto, todo tipo de bordado kreõ kreõ kreõ kreõ… o que mais? tem as borboletas deitadas de asas abertas, assim, aqui asa de borboleta, aquele bordado ali é borboleta deitada… titiri titiri titiri titiri we… hutu, hutu, hutu, hutu… Xumani há de voltar, ele sempre voltou, sempre foi e sempre voltou, mas desta vez está demorando tanto, e se as almas o mataram? kreõ kreõ kreõ kreõ… bre bre bre bre… tudo são as almas, elas mandam em tudo, fazem tudo o que acontece, as almas mandam em nós, mandam em tudo as almas.
(continue lendo)

Entrevista com Sérgio Sant’Anna

Após ter respondido as questões enviadas por Bernardo Carvalho, perguntamos a André Sant’Anna quem ele gostaria de entrevistar. A resposta veio rápido: “meu pai, tenho mesmo umas perguntas pra fazer pra ele”.

Sérgio Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro, em 1941. Iniciou sua carreira de escritor em 1969, com os contos de O sobrevivente, livro que o levou a participar do International Writing Program da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Teve obras traduzidas para o alemão e o italiano e adaptadas para o cinema. Recebeu quatro vezes o prêmio Jabuti, a mais recente pelos contos de O voo da madrugada (2003), que recebeu também o prêmio APCA e o segundo lugar no prêmio Portugal Telecom de literatura. Seu livro mais recente é Páginas sem glória, lançado em 2012 pela Companhia das Letras.

Leia abaixo a entrevista feita por André Sant’Anna. A próxima trará a escritora escolhida por Sérgio, Ana Miranda.

AS: O que mudou para melhor e para pior entre o “jovem contista mineiro” e o “escritor consagrado, premiado, autor de XX (quantos são?) livros”?
SS: O que mudou para melhor no escritor atual foi um pouco mais de técnica, sem abdicar da invenção. O que mudou para pior foi sentir que já gastei um bom pedaço do meu estoque literário. E também uma certa irresponsabillidade que perdi, de livros como Confissões de RalfoSimulacros. Já o mais sério e pior dos meus livros foi o primeiro: O sobrevivente.

AS: Se você não fosse escritor, há alguma outra arte a qual você se dedicaria? Por quê?
SS: Eu me dedicaria às artes plásticas se tivesse talento para elas. A razão principal para isso é que as artes plásticas são (ou pelo menos foram) as mais revolucionárias das artes. Mas aí penso em Joyce e vejo que minha colocação foi precipitada. Aliás já falei (não sei se repetindo alguém) na literatura cubista de Joyce.

AS: De tudo o que já publicou, há algo que você hoje eliminaria de sua obra? O que e por quê?
SS: Eu eliminaria alguns contos, como quase todos os de O sobrevivente e, por exemplo, em grande parte, Adeus, incluído em Breve história do espírito.

AS: De onde vêm as opiniões críticas sobre seu trabalho que realmente interessam a você?
SS: As opiniões críticas que me interessaram, desde o princípio, foram do poeta Affonso Ávila. Também fico feliz quando Flora Sussekind escreve alguma coisa boa a meu respeito. E a sua opinião, André, sempre me interessou muito, pelo que existe de novo e corajoso no seu trabalho e suas ideias.

AS: Você gosta de escrever?
SS: Minha relação com a literatura é de amor e ódio.

AS: O que a literatura trouxe de melhor em sua vida? E de pior?
SS: O que a literatura trouxe de melhor em minha vida foi o reconhecimento de pessoas cujas ideias e  sensibilidades me interessaram, como, por exemplo, o Osman Lins, logo que comecei a escrever.

AS: Quais são suas principais fontes de ideias para as coisas que escreve?
SS: As ideias vêm de toda parte, mas muito da música, teatro e artes plásticas de vanguarda, mesmo que o meu trabalho vá sair completamente diferente de suas fontes de inspiração. Mas o futebol, por exemplo, tenho certeza que inspirou trabalhos bem inspirados meus.

AS: Dos livros que leu, quais foram os mais importantes em sua vida? E os que mais influenciaram a sua literatura?
SS: Li muitos livros e não me sinto em condições de responder a essas perguntas. Mas leituras recentíssimas foram importantíssimas em minha vida: César Aira e Evando Nascimento. Isso na prosa, pois na poesia a obra dos concretistas me marcou, incluindo aí o neoconcreto Affonso Ávila. O que mais influenciou minha literatura, para não dizer minha própria fruição artística, não foi um livro mas um “retard en verre”: “La marié mise a nu par ses célibataires même.”

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Trecho de “Páginas sem glória”, do livro de mesmo nome:

Beleza pura também tem função? A arte deve ser aplicada? A esfera é a mais perfeita das formas? O gol bonito junta o útil ao agradável? (Já o gol de pênalti costuma ser apenas útil, a não ser quando o cobrador joga o goleiro para um lado e a bola de mansinho no outro canto, às vezes na trave ou para fora.) Mas útil exatamente para quê? Ganhar ou perder faz diferença diante da morte? Quem se recorda de que o time do Fluminense foi campeão em 1951 e 1959, a não ser aqueles coroas de bermudas nas arquibancadas, ou cadeiras, que são capazes de desfiar os times campeões do goleiro ao ponta‑esquerda (Castilho, Jair Marinho, Pinheiro e Altair…) mas não se recordam de onde deixaram estacionado o carro nos arredores do Maracanã? O passado existe? Perguntas são mais sábias do que respostas? Tudo isso a propósito do Zé Augusto, o Conde, com o qual ninguém se daria o trabalho de gastar algumas páginas, a não ser este cronista do supérfluo e passageiro, do arabesco, quase, como um passe lateral rolado com efeito pelo mero efeito, só captado pelas câmeras do jornal cinematográfico, que nem existe mais, assim como o ponta‑esquerda fixo. Mas Garrincha fazia as duas coisas, poderão retrucar: o drible desmoralizador para o prazer da arquibancada e o passe na medida para ganhar o jogo. Garrincha morreu mal, mas entrou na história. Já o Zé Augusto não se sabe nem se morreu.

Adianta alguma coisa “sair da vida para entrar na história”? Ou terá Getúlio Vargas, o autor da frase, só que na primeira pessoa, fruído a eternidade de um momento pleno em seu último lance político perfeito e irretocável? Deu Getúlio sua famosa risadinha diante dos problemas que deixava para os adversários, antes de disparar o tiro no coração, coisa de profissional? Fumou seu inseparável charuto enquanto arquitetava?

Semana cento e vinte

Os lançamentos desta semana são:

Freud: uma biografia em quadrinhos, de Corinne Maier e Anne Simon (Trad. Sandra M. Stroparo)
Mais de setenta anos após sua morte, o inventor da psicanálise continua a exercer grande influência em inúmeras áreas do conhecimento. Medicina, ciência da informação, crítica literária e sociologia são apenas algumas das disciplinas em que as descobertas do austríaco Sigmund Freud (1856-1939) sobre a psique humana permanecem fomentando investigações.
Por meio do estudo atento de nossos sonhos, desejos e fobias, Freud revelou novas dimensões do ser. Como o próprio autor de A interpretação dos sonhos certa vez afirmou, toda a sua obra é uma tentativa de “libertar a humanidade”
da opressão e da culpa. Este livro, realizado em parceria pela dupla francesa Corinne Maier (texto) e Anne Simon (ilustrações), mostra os principais momentos da fascinante biografia de Freud num registro leve e bem-humorado.

Totem e Tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos, de Sigmund Freud (Trad.Paulo César de Souza)
O volume 11 das Obras completas de Sigmund Freud traz um de seus textos mais conhecidos: “Totem e tabu”, acompanhado por “Contribuição à história do movimento psicanalítico” e outros textos. “Totem e tabu” foi a primeira aplicação da psicanálise a questões de psicologia social. A “Contribuição à história do movimento psicanalítico” descreve o desenvolvimento inicial da psicanálise e foi escrita com intenção polêmica, depois que dois dos principais discípulos de Freud, Alfred Adler e C. G. Jung, divergiram do mestre. “O interesse da psicanálise” procura sintetizar tudo o que na nova disciplina podia ser de interesse para a psicologia e para as outras ciências – entre essas, a linguística, a filosofia, a biologia, a antropologia, a história, a sociologia e a estética. “Sobre a fausse reconnaissance no trabalho psicanalítico” explica o fenômeno de o paciente afirmar já ter dito algo, quando na realidade não o fez. Por fim, o ensaio sobre o Moisés de Michelangelo oferece uma nova descrição e interpretação da célebre estátua do gênio renascentista.

Quincas Borbade Machado de Assis
Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899), Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. É uma das mais interpretadas pelos mais diversos críticos: trata-se de um dos mais penetrantes estudos desumanização escritos em língua portuguesa. Narrado com o ceticismo e a ironia implacável tão presentes na obra machadiana, o romance conta a história do provinciano Rubião ― herdeiro do filósofo Quincas Borba ― em meio a um triângulo amoroso que o leva à ruína moral e financeira. Esta edição de Quincas Borba, além de mais uma centena de notas explicativas, traz uma extensa e abrangente introdução do britânico John Gledson, estudioso da obra machadiana e tradutor de Dom Casmurro para o inglês.

De olho em Mário de Andrade, de André Botelho
A trajetória de Mário de Andrade está profundamente ligada à moderna cultura brasileira. Líder do movimento modernista, Mário participou da Semana de 22, em São Paulo, escreveu obras importantes, como Macunaíma, e, acima de tudo, viveu intensamente o espírito modernista nas mais diversas esferas. Nas artes, procurou promover o diálogo criativo entre formas populares e eruditas; a partir da música, estudou e refletiu sobre as mais variadas manifestações artísticas; como intelectual e homem público, experimentou e praticou a tão almejada renovação cultural. O sociólogo André Botelho apresenta esse grande personagem, chamando atenção para a atualidade do legado intelectual de Mário de Andrade, que, ao fim e ao cabo, tornou o Brasil mais familiar aos brasileiros. Um poeta, romancista, professor e leitor inverterado, que um dia se definiu dizendo: “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinquenta”.

Páginas sem glória, de Sérgio Sant’Anna (assista ao booktrailer)
Trinca de ases na mesa. Três ficções de um consumado mestre das formas breves, que volta a confirmar sua única fórmula: nunca se repetir ― sem trair suas obsessões de cabeceira. Nestas páginas retornam muitos dos elementos que identificam e magnetizam a prosa de Sérgio Sant’Anna: o jogo voyeurístico de espelhos e simulacros, a subjetividade fraturada, o clima de violência sexual, de pulsões obscuras. São, porém, mobilizados por novo impulso, representados por outros ângulos e com tonalidades diversas. A rodada é aberta com o naipe da ficção radical,num conto em que a crítica da narrativa toma o lugar da própria e desdobra em cascatas de vozes e sentidos, tendo no âmago a angústia do amor mal correspondido e a impotência da vontade. Na cartada seguinte, certo enviesado neorrealismo hardcore se apresenta na voz de um mendigo messiânico, com fome de operar milagres. E fechando a mão, o trunfo maior desta jogada: uma pequena obra-prima de ficção memorialista no ambiente do futebol, mas que transcende esse campo com uma tragicomédia de subúrbio para a qual Nelson Rodrigues tiraria o chapéu.

Joseph Anton, de Salman Rushdie (Trad. Donaldson M. Garschagen)
“Ah, não se preocupe muito, Khomeini sentencia o presidente dos Estados Unidos à morte toda sexta-feira.” Carregado de humor sardônico, o consolo ouvido de um correspondente estrangeiro logo após a decretação de sua sentença de morte naturalmente se revelaria sem fundamento para Salman Rushdie. Ao longo de mais de uma década, diversos grupos terroristas islâmicos perseguiram o autor de Os versos satânicos com determinação implacável. Rushdie foi proibido pelas autoridades indianas de pisar o solo do seu próprio país, sob o pretexto de prevenir distúrbios religiosos. As companhias aéreas de quase todo o mundopassaram a recusar a transportá-lo. Muitas editoras suspenderam ou adiantaram a publicação de seus livros. Até 2002, quatro anos após a revogação formal da fatwa, ele teve de sobreviver entre diversos esconderijos, além de assumir o pseudônimo de Joseph Anton, título desta corajosa autobiografia que reconstitui o período em que Rushdie precisou viver escondido, sob a proteção de policiais armados, e lutar pela liberdade de expressão.

Editora Seguinte

A seleção, de Kiera Cass (Trad. Cristian Clemente)
Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria apenas ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção  só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista sas Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma…

Editora Paralela

21/12, de Dustin Thomason (Trad. Marcelo Barbão)
Em Los Angeles, nem todo mundo acreditava que o mundo acabaria em 21 de dezembro de 2012: luzes vermelhas e verdes decoravam cada canto da cidade para as festas de fim de ano. Mas quando uma doença altamente transmissível começa a se espalhar pela humanidade deixando as pessoas insones ― e descobre-se que seu surgimento está intrinsicamente ligado ao aparecimento de um antigo manuscrito maia ―, até os mais céticos começam a temer o fim do mundo.

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