sigmund freud

Semana trezentos e vinte

Companhia das Letras

Freud (1901-1905) Teoria da sexualidade, “O caso Dora” e outros textos, de Sigmund Freud (tradução de Paulo César de Souza)
Este sexto volume das obras completas de Freud traz textos fundamentais para o entendimento da psicanálise, como “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” que recorre a sexólogos contemporâneos do psicanalista e às observações feitas a partir de seus pacientes para enfatizar a centralidade do sexo na vida humana. Tratando das aberrações sexuais, da sexualidade infantil e adulta, Freud amplia e reformula o conceito de sexualidade. Outro grande texto deste volume é “O caso Dora”, primeiro dos cinco casos clínicos mais importantes de Freud. Interpretando dois sonhos de “Dora”, ele procura desvendar seus sintomas histéricos e sua correlação com a recusa do sexo.

Alfaguara

O marechal de costas, de José Luiz Passos
Operando no limite entre fato e ficção, O marechal de costas traça um retrato sem paralelos da história do país. Por trás de um olhar imóvel e de um silêncio desconcertante, o marechal Floriano definiu o período mais turbulento da nossa República. Mas o marechal de ferro oculta o sonhador casado com a própria irmã e obcecado por Napoleão Bonaparte. Nascido em Alagoas, Floriano é a figura de maior importância política nos primeiros anos da República. Nas páginas deste romance, passado e presente se intercalam de forma espantosa. Acompanhamos não só um Floriano Peixoto humano e o nascimento da República, como os acontecimentos turbulentos do presente, por meio de uma antiga cozinheira que segue, de perto, as manifestações de 2013 e seus desdobramentos políticos. Um livro poderoso sobre a construção de nossa nação.

A vista particular, de Ricardo Lísias
A improvável parceria entre um artista plástico recluso e um traficante dará início a uma das jornadas mais absurdas e cômicas da literatura brasileira. José de Arariboia é um artista relativamente bem-sucedido. Sua série de quadros sobre o Rio de Janeiro fez algum sucesso, e ele está prestes a montar sua primeira exposição individual. Mas tudo muda quando ele é visto subindo a favela do Pavão-Pavãozinho. Ninguém sabe o que acontece por lá. Na volta, uma inesperada performance deixa as pessoas em delírio. O que poderia ter sido uma catástrofe se transforma em sensação. Filmado pelos pedestres, o acontecimento se torna um fenômeno na internet, e Arariboia arma uma parceria com Biribó, o traficante do morro, que está disposto a ajudar o artista em uma nova e ousada ideia. Mescla de sátira feroz e crítica social, A vista particular é um livro que leva ao limite — e nos faz questionar — os absurdos do cotidiano.

Objetiva

Rio em shamas, de Anderson França (Dinho)
Com mais de 40 mil inscritos em sua página do Facebook, Anderson França destila humor em suas crônicas sobre o subúrbio do Rio de Janeiro. É o Rio de Janeiro, mas poderia ser a periferia de São Paulo, ou a região metropolitana do Recife, até mesmo o subúrbio de uma cidade de médio porte. Com textos repletos de humor e ironia, Rio em shamas traz um olhar diferente sobre a cidade, seus moradores e a relação entre diversas camadas sociais. Com linguagem e estilo singulares, Anderson França é capaz de fazer o leitor gargalhar, pensar e se emocionar com seus textos cheios de força. A crônica, o mais brasileiro dos gêneros literários, sempre conversou com o cotidiano e a irreverência. Neste livro, Dinho traz o gênero para a era da internet: tão compartilhável quanto um post do Facebook, engraçado como uma piada de Whatsapp e tão ágil quanto um tweet.

Seguinte

Chapeuzinho esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial, organizado por Ethel Johnston Phelps e ilustrações de Bárbara Malagoli
Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. O livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais – e indispensável para qualquer estante.

Fontanar

João de Deus, um médium no coração do Brasil, de Maria Helena P.T. Machado
Nos últimos anos João de Deus foi catapultado ao papel de celebridade. Homem carente de educação formal, oriundo do interior de Goiás, seu nome é conhecido hoje por pessoas dos mais diversos países, que o consideram o maior curador vivo da atualidade. Calcula-se que o médium brasileiro atenda, por meio da sua “corrente da cura” e de cirurgias espirituais, pelo menos 1500 pessoas por dia na Casa Dom Inácio de Loyola, localizada na pequena cidade de Abadiânia. Personalidades internacionais como Oprah Winfrey, Shirley McLaine, Marina Abramovic e Wayne Dwyer – campeão mundial de vendas de livros de autoajuda – visitaram o médium e se mostraram publicamente impressionados por seu trabalho. Políticos brasileiros do alto escalão frequentam a Casa. Não faltam testemunhas para falar das curas mais extraordinárias realizadas por João de Deus. Única pessoa até hoje a receber o consentimento de João de Deus para escrever um livro, Maria Helena P. T. Machado parte de seu encontro pessoal com ele para procurar entender tamanho fenômeno. Por meio de entrevistas com os voluntários da Casa, pessoas próximas ao médium e uma pesquisa extensa e profunda sobre a diversidade religiosa no Brasil, ela apresenta um material exclusivo e impressionante sobre o líder espiritual que fascina pessoas de todas as partes do planeta.

Reimpressões

Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez
Diário de um ano ruim, de J. M. Coetzee
Like a rolling stone, de Greil Marcus
O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago
Poemas escolhidos, de Elizabeth Bishop
Viva a língua brasileira!, de Sérgio Rodrigues
Cadê o meu penico?, de Mij Kelly
Histórias de antigamente, de Patricia Auerbach
O menino que chovia, de Cláudio Thebas
Cozinha confidencial, de Anthony Bourdain
O valor do amanhã, de Eduardo Giannetti
After 1, de Anna Todd
O acordo, de Elle Kennedy
O erro, de Elle Kennedy
Grandes esperanças, de Charles Dickens
O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud
Maus, de Art Spiegelman
Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz
Felizes para sempre, de Kiera Cass
Laços de sangue, de Richelle Mead

Semana duzentos e oitenta e oito

Mais um dia magnífico no mar, Geoff Dyer (Tradução Pedro Maia Soares)
Dyer relata aqui a experiência de passar duas semanas num porta-aviões norte-americano. Em 45 pequenos capítulos, escritos no estilo elegante e divertido que o tornou célebre, Dyer descreve cada aspecto da vida num navio de guerra – os marinheiros encarregados de administrar freezers gigantescos de comida processada, a academia de ginástica repleta de oficiais obcecados por musculação, o bloco prisional ocioso, que transforma os vigias em verdadeiros cativos obrigados a supervisionar celas vazias. É um cotidiano completamente oposto aos hábitos do autor. Alto, magro, incapaz de andar no convés sem se curvar, é também, em suas próprias palavras, um ranzinza cheio de restrições alimentares, com aversão a motores, ruído e combustível, e disposto a infernizar a tripulação até conseguir uma cabine privativa – luxo impensável a bordo de um porta-aviões. Ainda assim, seu relato é leve e generoso, cheio de curiosidade e respeito pelo trabalho incansável dos tripulantes: consertar aviões, lançá-los ao céu e recebê-los quando voltam da missão. Um inglês típico frente a um mundo profundamente americano, com suas constantes incitações ao sucesso e à superação, Dyer registra com brilho o cotidiano no navio. O porta-aviões é a representação de uma sociedade em que disciplina, conformidade, dedicação e otimismo se transmutam em formas de identidade.

Penguin

O homem dos lobos, Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza)
No início do século XX, Sigmund Freud revolucionou o estudo das ciências humanas ao publicar ensaios sobre o inconsciente e a sexualidade. Embora suas teorias tenham sofrido grande resistência da sociedade e em especial da classe médica, foram muito disseminadas, alterando radicalmente a percepção do indivíduo sobre o mundo e sobre si mesmo. O homem dos lobos, como ficou conhecido um dos mais instigantes casos clínicos de Freud, conta a história de um garoto amável que se torna, sem razão aparente, irritadiço e amedrontado. E dá ao leitor o privilégio de ver o pai da psicanálise destrinchar as memórias mais remotas de seu paciente, repletas de nuances e contradições, até chegar a um diagnóstico.

Objetiva

Quando os fatos mudam, Tony Judt (Tradução de Claudio Figueiredo)
Editado e apresentado pela viúva de Tony Judt, a historiadora Jennifer Homans, Quando os fatos mudam reúne importantes ensaios escritos ao longo da carreira de Judt de modo a compor uma crônica tanto da evolução de seu pensamento como da notável coerência de seu intenso engajamento e entusiasmo intelectual. Seja ao abordar a pobreza acadêmica da nova história social, a obstinada cegueira da memória coletiva francesa sobre o que aconteceu aos judeus do país na Segunda Guerra Mundial ou o desafio moral enfrentado por Israel em face à questão palestina, a grandeza da obra de Tony Judt reside na combinação de franqueza, brilho intelectual e clareza ética.

Companhia das Letrinhas

Vou crescer assim mesmo, Carlos Drummond de Andrade
Todo mundo foi criança um dia. Mas nem todo mundo fez desse tempo poesia, como Carlos Drummond de Andrade. Nos poemas reunidos neste livro, Drummond fala sobre a infância de um jeito que só os artistas sabem fazer – e é impossível não se identificar. Quem é que nunca levou uma bronca do pai, comeu jabuticabas do pé, ouviu a pergunta “o que você vai ser quando crescer”? Este livro faz parte da coleção Lembrete, que procura despertar o gosto pela leitura com o melhor da literatura brasileira, em seleções pensadas para o público entre 9 e 13 anos.

Suma de Letras

Mr. Mercedes, Stephen King (Tradução de Regiane Winarski)
Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado.

Paralela

A cadeia da sereia, Sue Monk Kidd (Tradução de Thereza Christina Rocque Motta)
Na abadia de santa Senara, batizada com o nome de uma santa celta que fora sereia antes de ser convertida, existe uma cadeira encantada. Reza a lenda que quem tomar assento e fizer um pedido a santa Senara será ouvido. Quando Jessie Sullivan precisa retornar à ilha para cuidar de sua mãe, deixando o marido, Hugh, para trás, é forçada a encarar uma série de dúvidas sobre o seu casamento. Apesar do amor cordial que sente pelo companheiro, ela se vê atraída por um monge, o irmão Thomas, que está prestes a fazer seus votos solenes. Em meio ao mistério que envolve os poderes da “santa pecadora”, Jessie luta contra os desejos que parecem tomar conta de sua vida. Ao ser tocada pela liberdade que a Ilha inspira, seria Jessie capaz de deixar de lado a responsabilidade e o conforto do lar que criou ao lado de Hugh? Uma história comovente sobre espiritualidade e as escolhas que precisamos fazer.

 

 

 

Semana duzentos e oitenta e seis

Depois a louca sou eu, Tati Bernardi
Neste volume autobiográfico, porém, é como se a tampa da cabeça de Tati Bernardi fosse desatarraxada para que os fãs bisbilhotassem à vontade lá dentro. Revela-se que a vertigem alucinatória de sua prosa é produto tanto de fibrilação estilística quanto do estado natural do psiquismo da autora. Seu avô já tinha “a coisa”, como sua avó dizia. Medo de ir, ela resume — ataques de pânico, fobia a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, festa, a lugar fechado, a Ano-Novo. Sentir-se uma criança em carne viva. E então a maravilha do primeiro comprimido de Rivotril, “chuva fina que caiu sobre uma horta de manjericão fresco”. Perto do desfecho do livro, quando já não há antidepressivo nem terapeuta que dê conta, a literatura aparece como medicina das almas, capaz de remediar o escritor autêntico e o leitor sincero. Pois, numa constatação inquietante mas tranquilizadora, “ninguém está bem”.

A espiral da morte, Claudio Angelo
Um dos mais respeitados jornalistas de ciência do Brasil, Claudio Angelo passou os últimos quinze anos acompanhando o debate em torno das mudanças climáticas. Para desvendar o quebra-cabeça do aquecimento global, o autor passou os últimos anos viajando por todo o planeta e conversando com dezenas de cientistas, políticos, ambientalistas e nativos das áreas afetadas. Leu inúmeros trabalhos acadêmicos e esteve em conferências que tentaram buscar um acordo político para mitigar o problema, finalmente selado em 2015 em Paris. Perseguindo obstinadamente todas as hipóteses, o autor tem três perguntas que norteiam seu trabalho: por que o gelo dos polos está derretendo?; isso está sendo causado ou acelerado pelo homem?; e, por fim, que impactos podemos esperar nas próximas décadas, se falharmos em atacar o problema na escala necessária? Atrás dessas respostas, Claudio Angelo irá conversar com caçadores de ursos-polares, analisar o gelo ancestral da Antártida, viajar num barco do Greenpeace, estudar a florescente agricultura da Groenlândia e testemunhar a redução assustadora das geleiras do Ártico. Por fim, faz uma eletrizante reconstituição do incêndio que destruiu a estação antártica brasileira Comandante Ferraz, ao mesmo tempo que mostra a importância das pesquisas polares para o Brasil entender melhor seu novo clima e adaptar-se ao que vem por aí.

Isso também passará, Milena Busquets (Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)
Um dia, um poderoso imperador convoca os sábios do reino e pede uma frase que sirva a todas as situações possíveis. Depois de meses de deliberação, os sábios aparecem com uma proposta: “Isso também vai passar”. Quando Blanca era pequena, sua mãe contou essa história para ajudá-la a superar a morte do pai, e acrescentou: “A dor e o pesar passam, assim como a euforia e a felicidade”. Agora, com a morte da mãe, Blanca fala da dor da perda neste romance que começa e termina em um cemitério. Diante da ausência, restam as memórias de tudo o que a narradora viveu ao lado de quem a trouxe à vida, e o desejo de reafirmar a existência por meio do sexo, do convívio com as amigas, dos filhos e dos homens do passado. Tudo isso no transcurso de um verão em Cadaqués, com suas paisagens indômitas e sua intensa luz mediterrânea. Milena Busquets parte de seu âmago e combina profundidade e leveza para nos falar de temas universais: a dor, o amor, o medo, o desejo, a tristeza, o riso, a desolação e a beleza de uma paisagem em que se entrevê a mãe falecida passeando junto ao mar, porque aqueles que amamos não desaparecem de um dia para o outro.

Obras Completas Vol. 02 – Estudos sobre a histeria (1893-1895), Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza e Laura Barreto)
No final do século XIX as neuroses que se manifestavam por meio de somatizações, alucinações e angústias eram chamadas de “histerias”. Para estudar esse fenômeno, Freud escreveu junto com o médico Breuer os Estudos sobre a histeria – obra essencial para a compreensão da psicanálise. Relatando os casos de cinco pacientes – entre elas a célebre Anna O. -, eles argumentam que os histéricos sofrem por haverem sufocado a memória dos eventos que originaram a doença. É preciso, então, trazer à luz esses traumas, inicialmente por meio da hipnose. Mas, como isso não funciona com alguns pacientes, Freud passa a recorrer à associação livre, tornando seu método ainda mais complexo.

Penguin-Companhia

Macunaíma, Mário de Andrade
Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1928. O livro foi um acontecimento. Debochado e intensamente brasileiro – ainda que muito pouco ou nada nacionalista -, este romance é ainda hoje um dos textos fundamentais do nosso Modernismo. E continua a influenciar as mais diversas manifestações artísticas. Nascido nas profundezas da Amazônia, o herói de Mário de Andrade é cheio de contradições – assim como o país que lhe serve de berço. É adoravelmente mentiroso, safado, preguiçoso e boca-suja. Suas peripécias vêm embaladas numa linguagem rapsódica e inventiva, um marco das pesquisas de seu autor em torno de uma identidade linguística brasileira.

Alfaguara

Essa menina, Tina Correia
Durante muito tempo, ninguém soube o verdadeiro nome de Esperança. Para todos, ela era Essa Menina. Decidida a reunir num livro as memórias de sua infância, ela desperta a criança curiosa que vivia a escutar a conversa dos adultos. Ao descrever as festas, as comidas e as brincadeiras no quintal, revela ao leitor, ainda que sob a perspectiva infantil, os anseios, fragilidades e sonhos dos que estavam à sua volta. Os grandes eventos políticos dos anos 1930 a 1960 são o pano de fundo dessas dramáticas e emocionantes histórias. Ora testemunha, ora protagonista, é a menina de olhos grandes e curiosos quem nos conduz por essa narrativa quase mítica, ambientada no interior do Nordeste.

Suma de Letras

A coroa escarlate, Cinda Williams Chima
Há mil anos, dois jovens amantes foram traídos – Alger Waterlow foi condenado à morte e Hanalea, rainha de Fells, a uma vida sem amor. Agora, mais uma vez, o reino de Fells está à beira de se desintegrar. Para a jovem rainha Raisa ana’Marianna, manter a paz é quase impossível. A tensão entre os magos e os clãs atingiu o limite. Os reinos vizinhos veem Fells como uma presa fácil, e a maior esperança de Raisa é unir seu povo contra um inimigo em comum – mas esse inimigo talvez seja o homem por quem está apaixonada. Emaranhado em uma complexa rede de mentiras e tênues alianças, o antigo dono de rua Han Alister agora é parte do Conselho dos Magos. Navegar pela mortal política dos sangues azuis nunca foi tão perigoso – e Han parece fazer inimigos por todos os lados. Sua única aliada é a rainha, e, apesar dos riscos, é impossível ignorar o que sente por ela. Então Han descobre um segredo guardado há séculos, algo poderoso o bastante para unir o povo de Fells. Mas será que ele sobreviverá por tempo suficiente para salvar o reino? Uma verdade mascarada há mil anos por uma terrível mentira vem à tona nesta emocionante conclusão da épica série de fantasia Os Sete Reinos.

Companhia das Letrinhas

Dr. de Soto, William Steig (Tradução de Eduardo Brandão)
O dr. De Soto trata dos dentes de bichos grandes e pequenos. Ele é tão bom que seus pacientes nunca sentem dor nenhuma. Mas, por ser um rato, se recusa a atender animais com um certo apetite por roedores, como gatos ou outros bichos perigosos. Porém, um dia, apareceu em seu consultório um raposo uivando de tanta dor. Como o bondoso dentista podia se recusar a tratá-lo? Por outro lado, como teria certeza de que não seria devorado depois que curasse seu feroz paciente? O dr. De Soto é esperto e descobrirá um jeito.

Semana duzentos e cinquenta e um

bgg
O fim do terceiro Reich, de Ian Kershaw (tradução de Jairo Arco e Flexa)
Como se explica a sobrevida do Estado nazista quando estava evidente que não havia chance de vitória? Por que o Exército alemão concordou em lutar se o abismo era certo? Por que a sociedade alemã permaneceu fiel ao regime a ponto de tolerar o extermínio dos poucos que se insurgiam contra a luta inútil? Em O fim do terceiro Reich, Ian Kershaw — autor da monumental biografia de Hitler — se lança à resolução dessas perguntas armado de conhecimento inigualável da Alemanha nazista. Fugindo de explicações fáceis, procura demonstrar que a autoridade carismática do Führer, a ambição de sua “corte” e a perseverança das Forças Armadas são os ingredientes principais dessa autoaniquilação sem par na história ocidental.

Fome de saber — a formação de um cientista, de Richard Dawkins (tradução de Érico Assis)
Filho de pais naturalistas e de uma família de cientistas consumados, Richard Dawkins estava fadado a levar a biologia nos genes. Mas que influências moldaram seu desenvolvimento intelectual? E quem o inspirou a tornar-se o cientista pioneiro e a autoridade intelectual cuja fama (ou infâmia, para alguns) alcança todo o planeta? Em Fome de saber, Dawkins traça um panorama colorido e encorpado de seus primeiros anos de vida. A autorreflexão sincera e as anedotas espirituosas são intercaladas com reminiscências da família, dos amigos, da literatura, da poesia e da música. Finalmente podemos compreender as influências que moldaram o intelectual que buscou explicar nossas origens.

Obras completas volume 8 — O delírio e os sonhos na Gradiva, análise da fobia de um garoto de cinco anos e outros textos, de Sigmund Freud (tradução de Paulo César de Souza)
O primeiro ensaio deste volume trata da novela Gradiva, do alemão Wilhelm Jensen. Ao analisar o delírio de um jovem arqueólogo que se apaixona por uma moça retratada numa antiga escultura romana, Freud faz o primeiro estudo psicanalítico de uma obra literária. O segundo ensaio conta a história do “pequeno Hans”, um saudável garoto de cinco anos que repentinamente passa a ter fobia de cavalos. A partir do relato que o pai faz de conversas com o menino, Freud compreende os complexos por trás da fobia e obtém a cura do paciente. O volume inclui também “Caráter e erotismo anal”, “Atos obsessivos e práticas religiosas”, “O escritor e a fantasia” e “O esclarecimento sexual das crianças”, entre outros.

Sombras na Place des Vosges, de Georges Simenon (tradução de André Telles)
Raymond Couchet, dono de uma grande rede de farmácias, é assassinado em seu escritório na Place des Vosges, endereço nobre de Paris. Uma grande soma em dinheiro foi roubada. No mesmo prédio onde ocorreu o crime, moram Edgar e Juliette Martin, a primeira mulher de Couchet. É por ali que o comissário Maigret resolve começar suas investigações. Não longe do local, no Hotel Pigalle, vivem, sem se conhecer, Nine Moinard, amante da vítima, e Roger Couchet, filho do primeiro casamento de Raymond. Problemático, Roger logo desperta as suspeitas de Maigret. Mas, de repente, comete suicídio. Ele sabia o que estava por trás da morte do pai.

Quando a máscara cai —  a verdadeira história do homem que fingiu ser um Rockfeller, de Walter Kirn (tradução de Sergio Tellaroli)
Walter Kirn conheceu por acaso o homem que se apresentou como Clark Rockefeller, herdeiro de uma das famílias mais poderosas dos Estados Unidos. Era um sujeito esquisito, mas nada que causasse desconfiança. Depois de quinze anos de amizade, porém, o escritor ficou devastado ao descobrir que seu amigo milionário não passava de um farsante, acusado de assassinato, sequestro e outros crimes. Combinando memórias, jornalismo investigativo e análise cultural, este livro tem o brilhantismo literário que encontramos em A sangue frio, de Truman Capote. Kirn expõe as camadas complexas da ilusão e da corrupção, das ambições e do autoengano que estão por trás de um grande impostor.

Paralela

Samba, de Delphine Coulin (tradução de Julia da Rosa Simões)
Depois de uma árdua jornada que começou no Mali, o imigrante africano Samba desceu do ônibus e se viu, enfim, livre pela primeira vez. Olhou em volta e lá estava ele: Paris, França. Ao caminhar pelas construções antigas, estava radiante. Seus pés estavam cansados e seus sapatos cheios de buracos, mas o céu estava claro, as paredes refletiam luz, e tudo parecia brilhar só para ele. Dez anos depois, seu encantamento com a cidade-luz só havia aumentado. Mesmo atrás das grades, mesmo algemado, ele ainda amava a França. Só lhe faltava pensar em um jeito de permanecer — e sobreviver — como um clandestino naquele país.

Semana duzentos e quatro

Poesia total, de Waly Salomão
Waly Salomão foi uma das figuras mais fecundas e heterogêneas da vanguarda brasileira. Não é à toa que Caetano Veloso, em música dedicada a ele, diz: “tua marca sobre a terra resplandece […] e o brilho não é pequeno”.
Baiano, filho de sírio com sertaneja, Waly foi ponta de lança de uma geração de poetas que – num movimento de resistência à censura – contrariaram os princípios formais da tradição e pensaram a produção literária a partir de sua articulação com as outras artes, o que contribuiu para sua escrita tão permeável às diversas manifestações do inquieto cenário cultural no Brasil das décadas de 1970 e 1980. Seus versos continuaram se reinventando ao longo dos anos 1990 e 2000, e consolidaram seu papel de poeta múltiplo em livros como Algaravias, lançado em 1996. Poesia Totalreúne pela primeira vez a obra poética completa de Waly Salomão, desde Me segura que eu vou dar um troço, de 1972, até Pescados vivos, de 2004. O volume traz ainda uma seção de canções inéditas em livro, além de apêndice com os mais relevantes textos sobre sua obra, assinados por nomes como Antonio Cícero, Francisco Alvim e Davi Arrigucci Jr. Em Gigolô de Bibelôs, seu segundo livro, o seguinte verso ecoa: “tenho fome de me tornar em tudo que não sou”. Tal desejo de abolir fronteiras e de confronto com os limites – entre o eu e o outro, entre a prosa e a lírica, entre a arte e a vida – é uma das principais marcas da obra de Waly Salomão. Poesia total é uma viagem sem volta: um “processo incessante de buscas poéticas”, como disse o próprio autor sobre seu trabalho poético-visual, os Babilaques.

Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam, de Marcelo Ferroni
Um escritor frustrado folheia todos os dias o jornal em busca de uma resenha para seu primeiro livro. Todavia, A porrada na boca risonha e outros contossegue ignorado pela crítica, enquanto Humberto vê o trabalho de seus rivais sendo incensado na imprensa e adorado pelo público. O único alento do escritor é Julia, a garota que conheceu por acaso e que agora o leva para um fim de semana na serra, onde ele irá conhecer sua família. A casa da família de Julia é uma majestosa propriedade da época do Império, um lugar onde há não muito tempo os senhores eram atendidos por seus escravos. Hoje, a casa serve de veraneio para os Damasceno, família paulista que fez fortuna vendendo filtros de água. A casa é a menina dos olhos do patriarca Ricardo, obcecado com sua restauração e com documentos e objetos relativos ao passado do local. Ao longo do fim de semana, as inúmeras tensões entre familiares, funcionários e amantes, acumuladas em anos de ressentimento e desconfiança, irão tomar forma num crime brutal. Valendo-se da tradição do mistério de quarto fechado, em que um personagem é morto em um cômodo trancado por dentro, Ferroni irá partir de um enunciado conhecido – um crime em que todos são suspeitos – para colocar em xeque os clichês do gênero, ao mesmo tempo que constrói um romance de enorme força literária sobre a família, o amor e o medo.

Uma longa queda, de Nick Hornby (Trad. de Christian Schwartz)
Eles só queriam saltar de um dos edifícios mais altos de Londres e pôr um fim em tudo. Mas escolheram a noite de Ano-Novo para isso, e acabaram encontrando gente demais disposta a fazer a mesma coisa naquele terraço. Nenhum dos quatro queria testemunhas, ainda mais por serem desconhecidos que tinham em comum apenas o fato de estarem no mesmo local, na mesma hora. Desse impasse nasce algo inesperado: os quatro potenciais suicidas fazem um trato, segundo o qual nenhum deles poderia se matar antes do Dia dos Namorados. Juntos, Martin, um apresentador de tevê condenado por pedofilia; Jess, uma adolescente problemática e impulsiva; Maureen, mãe de um rapaz aprisionado a vida toda em estado vegetativo; e o roqueiro frustrado JJ vão descobrir – e inventar – algumas boas histórias para os manter distraídos até o prazo final. Neste romance, Nick Hornby se vale do tema sensível e polêmico do suicídio para mostrar o lado deliciosamente ridículo de nossas tragédias cotidianas.

FREUD (1926-1929)  – Obras completas, volume 17 – Inibição, sintoma e angústia, o futuro de uma ilusão e outros textos, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Entre os textos deste volume, aquele considerado mais importante é o ensaio teórico Inibição, sintoma e angústia, em que Freud faz uma revisão do seu conceito de angústia, distingue entre repressão e defesa e diferencia cinco tipos de resistência, entre vários outros temas. Em O futuro de uma ilusão, que causou controvérsia quando foi publicado, ele reflete sobre a natureza e o destino da religião e faz a apologia da razão como a única via para o conhecimento, no espírito dos iluministas do século XVIII. A questão da análise leiga, escrito em forma de diálogo, é, ao mesmo tempo, uma brilhante exposição da teoria e da prática da psicanálise e uma defesa da autonomia desta em relação à medicina, do seu exercício por terapeutas sem formação médica. Dos textos menores do volume, merecem destaque “O Fetichismo” e “Dostoiévski e o parricídio”. No primeiro, o fetiche é explicado como um sucedâneo do pênis que o garoto atribui à mulher na infância. O segundo analisa a personalidade do escritor russo com base no “complexo de Édipo”.

FREUD (1916-1917)  – Obras completas volume 13 – Conferências introdutórias à psicanálise, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Freud foi um mestre na exposição e divulgação de suas ideias, e entre as várias obras que escreveu para esse fim se destacam as Conferências introdutórias à psicanálise, publicadas em 1916-7. Durante muitos anos deu séries de conferências na Universidade de Viena, onde era “professor extraordinário”, e resolveu publicar em livro a última dessas séries. O livro se tornou um best-seller entre suas publicações e logo foi traduzido para muitas línguas. Ele se divide em três partes. Após capturar a atenção do leitor com a explicação psicanalítica para fenômenos insólitos, mas comuns a todas as pessoas, que são os atos falhos (na primeira parte) e os sonhos (na segunda), Freud expõe sua abordagem das neuroses e apresenta a terapia psicanalítica (terceira parte). Apesar do título, esta é mais que uma simples introdução à psicanálise, pois apresenta algumas novidades na teoria, como a discussão das fantasias primárias, na conferência 24, e da angústia, na conferência 25, além de trazer o mais claro resumo do simbolismo (na 10) e da formação dos sonhos (na 14). Podem ser mencionados também os comentários sobre as perversões, nas conferências 20 e 21, e a análise do processo psicanalítico, na última conferência.

Editora Seguinte

A escolha, de Kiera Cass (Trad. de Cristian Clemente)
Quando foi sorteada para participar da Seleção, America não imaginava que chegaria tão perto da coroa – nem do coração do príncipe Maxon. Com o fim do concurso cada vez mais próximo, e as ameaças rebeldes ao palácio ainda mais devastadoras, ela se dá conta de tudo o que está em risco e do quanto precisará lutar para alcançar o futuro que deseja. America já fez sua escolha, mas ainda há muitas outras em jogo… Aspen, seu antigo namorado, terá de encarar um futuro longe dela. E Maxon precisa ter certeza dos sentimentos da garota antes de tomar a grande decisão, ou acabará escolhendo outra concorrente.

Editora Paralela

Tempo bom, tempo ruim, de Jean Wyllys
Jean Wyllys, um dos parlamentares mais combativos e corajosos em atividade, recebeu em 2013 o prêmio Congresso em Foco por ser o deputado federal que melhor representou a população brasileira, segundo avaliação de jornalistas e da sociedade. Dono de uma trajetória imprevisível e supreendente, Jean Wyllys saiu da pequena cidade de Alagoinhas, no interior da Bahia, estudou jornalismo, venceu o Big Brother Brasil em 2005, para se tornar, enfim, um dos grandes defensores das minorias e dos direitos humanos no Congresso Nacional. Com lucidez, erudição e honestidade implacável, Jean Wyllys revê sua trajetória e as lutas que trava diariamente, revelando ao leitor os conflitos sociais e raciais do Brasil, um país de avanços e retrocessos, de tempo bom e tempo ruim.

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