Silviano Santiago

Silviano Santiago, 80 anos

Por Sofia Mariutti

silviano-santiagomenor

Hoje celebramos o aniversário de oitenta anos de um dos maiores pensadores brasileiros em atividade. Quando a tarefa é traçar sua biografia, todas as orelhas de livro e páginas de livrarias virtuais ficam pequenas. Mas hoje podemos nos permitir ultrapassar os limites de toques tão caros aos editores para homenageá-lo.

Silviano Santiago nasceu em Formiga, em Minas Gerais, em 1936, e vive hoje no Rio de Janeiro. Sua adolescência em Belo Horizonte é magistralmente retratada no livro Mil rosas roubadas, que conta a  amizade excepcional do narrador com Zeca, influente jornalista cultural. O roman à clef, lançado em 2014, foi o vencedor do Prêmio Oceanos em 2015.

Pela sua vasta produção escrita que inclui poemas, ensaios filosóficos, crítica literária, traduções, romances e contos, o autor já havia sido premiado três vezes com o Jabuti, recebido o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e o José Donoso, do Chile, pelo conjunto da obra, além de ter sido condecorado pelo governo da França como Chevalier e pelo MinC com a medalha de Comendador.

As condecorações não param por aí. Bacharel em Letras Neolatinas pela UFMG e Doutor em Letras pela Université de Paris — Sorbonne em 1968, Silviano foi professor visitante e pesquisador em diversas instituições norte-americanas como Stanford, Yale e Princeton e na Universidade de Toronto, no Canadá. Foi também professor da PUC do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense, onde, após a aposentadoria, recebeu o título de Professor Emérito. É, ainda, Doutor Honoris Causa pela Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación do Chile e pela Universidad Tres de Febrero, na Argentina.

Seus primeiros livros de crítica literária foram lançados nos anos 1970, e em 1988 a Companhia, então recém-inaugurada, publicava Nas malhas da letra, com reflexões até hoje acuradas e originais sobre a literatura modernista e pós-1964. Passados quase trinta anos, hoje ele ainda é referência quando se trata de discorrer sobre Carlos Drummond de Andrade, seu conhecido pessoal, na conferência de abertura da 10a Flip, pensar criticamente a obra de artistas contemporâneos como Adriana Varejão ou refletir sobre a morte e as biografias em ensaio filosófico para a revista Serrote.

Silviano é um pensador à l’ancienne, corajoso e inovador, que não tem receio de fazer críticas ferinas e trazer dissonância para o centro do debate da arte contemporânea. Um dos maiores méritos desse acadêmico e ensaísta de trajetória brilhante, contudo, é desdobrar os temas centrais de sua produção crítica em uma produção ficcional inovadora, pós-moderna, que dissolve as fronteiras entre os gêneros da ficção e não ficção (biografia, ensaio, romance). Como traço de sua ousadia, impossível deixar de lado a homoafetividade como tema recorrente de suas obras, presente em livros como Stella Manhattan (1985), Keith Jarrett no Blue Note (1996) e o próprio Mil rosas roubadas.

No ano em que festeja os oitenta anos, Silviano oferecerá a seus leitores o melhor presente imaginável. Depois de narrar passagens inauditas das vidas de Graciliano Ramos e Antonin Artaud, com Em liberdade (1981) e Viagem ao México (1993), o mineiro recria os últimos e dolorosos anos da vida de Machado de Assis, a partir de uma perspectiva totalmente original e audaciosa.

Nascido em 1839 na Corte Imperial, no romance de Silviano o autor de Memórias póstumas de Brás Cubas é um viúvo solitário que sofre dores e crises nervosas enquanto testemunha a modernização do Rio de Janeiro, no começo do século XX. As mudanças são muitas; a Monarquia deu lugar à República e a escravidão, ao trabalho livre; o poder se deslocou de Petrópolis, onde viviam a família real e outras famílias aristocráticas, ao Alto da Tijuca, bairro central que podem frequentar todos os cariocas.

Em um tempo em que as consultas médicas se dão nas farmácias, Machado encontrará em Mário de Alencar, filho de José de Alencar, um precioso interlocutor, que também sofre  crises nervosas terríveis e o encaminhará ao Dr. Miguel Couto.

Como se relacionava o autor do célebre conto “A causa secreta”, com a literatura médica das bulas de remédio? O que está por trás da sua obsessão por personagens viúvas e dissimuladas, como Fidélia e Capitu?

Qual será a relação entre as convulsões de Machado e sua genial criação?

Com extensa pesquisa, Silviano resgata aspectos biográficos da vida de um dos maiores romancistas de todos os tempos e os costura numa narrativa substanciosa que lança nova luz sobre a vida e a obra de Machado de Assis.

Enquanto não chega Machado, deixamos vocês com a capa e um trecho inédito do romance.

Parabéns, Silviano!

* * *

machado

“Machado de Assis tem na biblioteca tudo o que Gustave Flaubert e Stendhal publicaram no século XIX. Admira Stendhal por seu gosto pelas mulheres fascinantes e pelo desejo de abraçá-las e beijá-las em todo escrito literário. Quer amar a cada uma delas e a todas, satisfatoriamente. Suas vitórias (por ter a cabeça entulhada de coisas militares, é assim que Stendhal denomina as conquistas amorosas) não lhe proporcionam o prazer total; é tão pouco intensa a sensação do gozo amoroso que ele não chega à metade da profunda infelicidade que lhe trazem suas derrotas. Machado gosta da dura metáfora militar, escolhida por Stendhal para assimilar e explicar a delicadeza da carência afetiva masculina. Vitórias e derrotas. Elas cavam um sutil buraco na escrita literária de Stendhal, à espera do dia em que o sentimento incomensurável do gozo sexual aberto e pleno o preencha e, de modo inequívoco, proclame ao mundo o amor.

Quando a carência sentimental e a busca da plenitude no amor são sentidas no próprio coração, Machado caminha até a estante do escritório e apanha ao acaso um dos muitíssimos livros de Stendhal que guarda na biblioteca e começa a relê-lo sentado na poltrona da sala de visitas.

Stendhal na colina do Janículo.

Ele imagina escrever suas memórias na manhã do dia 16 de outubro de 1832, quando visita a igreja de São Pedro em Montório, erigida no local onde permaneciam as ruínas de antiga igreja romana do século IX. Machado lê as memórias alheias. A seus olhos cariocas, acostumados à imagem da baía de Guanabara vista do morro do Castelo, estende-se toda a Roma antiga e moderna. Da Via Ápia, que desde sempre se conserva com as ruínas dos seus túmulos e aquedutos, até os magníficos Jardins da Villa Borghese, construídos pelos franceses. Um sol esplendoroso brilha nos céus. Mal sente a brisa do siroco africano que, ao soprar amena, leva as nuvenzinhas brancas que coroam o monte Albano a flutuar nos céus. Um calor delicioso reina nos ares.

Está feliz por viver.”

* * * * *

Sofia Mariutti foi editora na Companhia das Letras e trabalhou na edição dos livros de Silviano Santiago.

12 livros premiados em 2015

O final do ano é o momento de lembrar as melhores leituras e, claro, premiar os melhores lançamentos dos últimos meses. Em 2015, o Grupo Companhia das Letras teve vários autores consagrados com diversos prêmios nacionais e internacionais. Confira a seguir a lista de livros premiados em 2015!

Quarenta dias

quarenta

“Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ela narra seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Ex-freira, Maria Valéria Rezende sempre se dedicou à educação popular, e em 2015 ganhou com Quarenta dias o Prêmio Jabuti de livro do ano.

A noite do meu bem

noitedomeubem

Depois de reconstituir o mundo da bossa nova no já clássico Chega de Saudade, Ruy Castro mergulhou no universo do samba-canção e das boates cariocas dos anos 1940, 50 e 60 em A noite do meu bemSeu novo livro mostra o nascimento de uma nova boemia do Rio de Janeiro, que saía dos cassinos (após a proibição dos jogos de azar em 1946) e migrava para as boates de Copacabana. Cantores, artistas, dançarinas, barmen e mais profissionais que perderam com o fechamento dos cassinos encontraram nas boates um novo lar, e aí nasceu uma nova cena musical que marcou a cena artística brasileira: o samba-canção. Os grandes nomes do gênero estão em A noite do meu bem, que foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor livro na categoria ensaio/teoria e crítica literária/reportagem.

Mil rosas roubadas

milrosas

Autobiografia e ficção se misturam neste romance de Silviano Santiago. No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável. Publicado em 2014, Mil rosas roubadas ganhou o primeiro lugar do Prêmio Oceanos (antes conhecido como Portugal Telecom).

Por escrito

porescrito

O Prêmio Oceanos teve uma dobradinha da Companhia das Letras. Silviano Santiago ficou com o primeiro, já Elvira Vigna com o segundo lugar pelo livro Por escritoEsta é uma história de separação. Mas engana-se quem espera encontrar aqui mulheres chorando pelos cantos da casa. As vidas de Molly, Izildinha, Valderez e das outras personagens do livro são tão inquietantes e inesperadas quanto a prosa da autora. Por escrito é também uma história de desencontros, em que as pessoas parecem não ver quem está à frente delas. E quem está presente na cena vai sumindo devagarinho sem ninguém notar. Ao nos virarmos para o lado, encontramos apenas quem não esperávamos que estivesse lá. Uma história de esperas e de muitos erros.

O tronco e os ramos

troncoeosramos

Quais as relações entre o pensamento de Freud e o de seus sucessores? Responder a essa pergunta significa escrever uma história da psicanálise, tarefa que pressupõe o domínio dos conceitos da disciplina e o conhecimento de sua cronologia. Eis o desafio a que Renato Mezan tem se dedicado ao longo de mais de trinta anos, e é o que vemos em O tronco e os ramos. No livro, o autor analisa não só textos fundamentais de Freud e cartas trocadas por ele com Ferenczi, Abraham, Jung, Fliess, mas também desdobramentos do tronco freudiano, autores centrais como Winnicott, Melanie Klein, Bion e Lacan — todos apreendidos junto de vasta bibliografia. O tronco e os ramos ganhou o Prêmio Jabuti na categoria psicologia, psicanálise e comportamento.

Antes e depois

antesedepois

Antes e depois – Um dia decisivo na vida de grandes brasileiros, de Flávio de Souza, ganhou o Prêmio APCA de melhor livro infantil/juvenil. D. Pedro II, Luiz Gama, Chiquinha Gonzaga, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Maria Lenk são os sete personagens deste livro que mostra qual foi o dia mais importante na vida de cada um e por que esse momento acabou mudando a vida de todos nós.

Turismo para cegos

turismoparacegos

A vida de Laila está prestes a se esfacelar. Jovem aluna de artes plásticas, ela tem os planos interrompidos por uma doença degenerativa e incurável que vai lhe custar a visão. Conforme a cegueira avança, tarefas corriqueiras tornam-se desafios e tudo o que lhe era familiar precisa ser explorado e redescoberto. Assim, também há algo de novo no envolvimento com Pierre, um funcionário público aparentemente inexpressivo que irá cuidar de Laila com dedicação. Turismo para cegos é o primeiro romance de Tércia Montenegro, e venceu o Prêmio Biblioteca Nacional na categoria romance.

Entre o mundo e eu

entreomundo

Prêmios internacionais também entram na nossa lista! O National Book Award de 2015 foi para Entre o mundo e eu, de Ta-Nehisi Coates, lançado no Brasil pela Editora Objetiva. Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, ele sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América.

Vida e destino

vidaedestino

A tradução de Irineu Franco Perpetuo para Vida e destino, de Vassili Grossman, foi escolhida a melhor do ano no Prêmio JabutiVida e destino é um épico moderno e uma análise profunda das forças que mergulharam o mundo na Segunda Guerra Mundial. Vassili Grossman, que esteve no campo de batalha e acompanhou os soldados russos em Stalingrado, compôs uma obra com a dimensão de Tolstói e de Dostoiévski, tocando, ao mesmo tempo, num dos momentos cruciais do século XX.

O livro das semelhanças

semelhancas

Um dos grandes destaques da poesia em 2015 foi Ana Martins Marques, que ganhou o Prêmio APCA com O livro das semelhanças. Dividido em quatro seções (“Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”), esta obra desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensível de uma das vozes mais originais da poesia brasileira. Do amor à percepção de que há um espaço — geográfico, quase — para o lugar-comum, do entendimento da precariedade do nosso tempo no mundo à graça (mineira, matreira) proporcionada pela memória: eis uma poeta que nos fala diretamente.

Jeito de matar lagartas

jeitodematar

Quase seis anos após a publicação de Cine privê, Antonio Carlos Viana, um dos melhores contistas brasileiros da atualidade, lançou Jeito de matar lagartas, também premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria contos/crônicas. Ao narrar histórias do cotidiano aparentemente banais, como uma brincadeira de criança, a venda de um imóvel ou o reencontro de um jovem estudante com a antiga professora, o autor toca em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão.

Luís Carlos Prestes

prestes

Para encerrar, o Jabuti de biografia foi para Luís Carlos Prestes, de Daniel Aarão Reis. Brilhante estrategista militar, comandante da lendária marcha guerrilheira que leva seu nome, alto dirigente comunista e ideólogo da esquerda durante várias décadas, Luís Carlos Prestes é de um protagonismo inquestionável na história política do Brasil entre os anos 1920 e 1980. Amparado em documentos e depoimentos de primeira mão, muitos deles inéditos, Daniel Aarão Reis — professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF) e respeitado historiador das esquerdas brasileiras — faz uma ambiciosa investigação sobre o homem por trás do mito do “Cavaleiro da Esperança”.

Silviano Santiago e Elvira Vigna vencem o Prêmio Oceanos 2015

12342679_10153210311451408_5867640764887559259_n

Entregue na noite de ontem, 8 de dezembro, o Prêmio Oceanos 2015 teve dois autores da Companhia das Letras entre os vencedores. Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago, primeiro lugar da premiação, e Por escrito, de Elvira Vigna, que ficou com o segundo lugar.

Publicado em 2014, Mil rosas roubadas é o relato da história de uma grande amizade entre dois homens que começa em 1952. Anos mais tarde, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável. Rodrigo Casarin, em resenha publicada hoje no blog Página Cinco, define o livro dizendo que o “amor e a paixão que o narrador sente pelo amigo – bastante íntimo em alguns momentos – parece não ter arrefecido ao longo de cinco décadas. Mais que isso, eclode com grande força quando o outro está à beira da morte. Mil rosas roubadas é isso: a mais pura declaração de amor”. Ao receber o prêmio, Silviano Santiago dedicou a conquista “ao biógrafo que eu perdi”, referindo-se ao produtor Ezequiel Neves, inspiração para o livro.

Por escrito, de Elvira Vigna, é uma história de separação. As vidas de Molly, Izildinha, Valderez e das outras personagens do livro são tão inquietantes e inesperadas quanto a prosa da autora. Com uma linguagem cortante e antissentimental, e uma visão de mundo cáustica e desiludida, os personagens de Elvira caminham trôpegos por cenários de devastação afetiva, emocional e pessoal.

A Companhia das Letras parabeniza seus autores pelo prêmio.

Veja como foi a repercussão do Prêmio Oceanos na imprensa:

Folha de S. Paulo: Silviano Santiago leva Prêmio Oceanos por livro sobre descobridor de Cazuza

Página Cinco: Vencedor do Oceanos é declaração de amor em forma de ensaio biográfico

O Estado de S. Paulo: Silviano Santiago vence o Prêmio Oceanos com o livro Mil Rosas Roubadas

O Globo: Romance de Silviano Santiago vence o prêmio Oceanos

Zero Hora: Romance de Silviano Santiago é eleito melhor livro do ano no Prêmio Oceanos 2015

Veja: Crítico Silviano Santiago vence o Prêmio Oceanos

20 leituras sobre amor (com finais felizes ou não)

O Dia dos Namorados está chegando, e nós aqui da Companhia das Letras achamos que um livro é um ótimo presente para celebrar, ou enfrentar, o amor. Eles contam histórias de grandes paixões e não importa se no final os relacionamentos dão certo ou errado: cada livro apresenta uma forma diferente de amar ou de encarar o amor. Pensando nisso, selecionamos vinte leituras inspiradas no Dia dos Namorados, seja para quem quer se emocionar com o final feliz de um romance ou para quem prefere histórias em que, apesar do amor, nada dá certo. Na alegria ou na tristeza, o amor é sempre belo. Confira!

1. Declaração de amor, de Carlos Drummond de Andrade

declaracao

Quem está apaixonado ou buscando inspiração não pode deixar de ler os poemas mais românticos de Carlos Drummond de Andrade. Este volume, organizado pelos seus netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond, reúne os poemas mais amorosos, românticos e deliciosamente apaixonados do grande poeta mineiro. E ainda conta com ilustrações de Nik Neves para deixar os versos de Drummond ainda mais belos.

2. Afterde Anna Todd

afterblog

Para jovens leitores e adultos, Anna Todd conta nesta série a romântica e inconstante história de amor entre Tessa e Hardin. Ela acaba de completar 18 anos e ir para a faculdade, uma garota certinha e estudiosa. Ele é um garoto rude, que implica logo de cara com o jeito de Tessa. Mas a atração que um sente pelo outro é irresistível, e depois de Hardin, Tessa nunca mais será a mesma. A série nasceu como uma fanfic da banda One Direction e teve mais de 1 bilhão de leituras na plataforma Wattpad. No Brasil, serão publicados cinco livros pela Editora Paralela, e o terceiro chega às livrarias nesta semana. Uma leitura para quem gosta de rir, chorar, amar, odiar, enfim, para quem quer sentir tudo pelas personagens.

3. Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz

aristoteles

Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Em Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, Benjamin Alire Sáenz conta uma história belíssima em que Ari e Dante descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

4. A arte de ouvir o coração, de Jan-Philipp Sendker

artede

Um bem-sucedido advogado de Nova York desaparece de repente sem deixar vestígios e sem que sua família tenha qualquer ideia de onde ele possa estar. Até o dia em que Julia, sua filha, encontra uma carta de amor que ele escreveu há muitos anos para uma mulher birmanesa da qual nunca tinham ouvido falar. Com a intenção de resolver o mistério e descobrir enfim o passado de seu pai, Julia decide viajar para a aldeia onde a mulher morava, onde descobre histórias de um sofrimento inimaginável, a resistência e a paixão que irão reafirmar a crença no poder que o amor tem de mover montanhas.

5. A imortalidade, de Milan Kundera

imortalidade

A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim. Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.

6. O irresistível café de cupcakes, de Mary Simses

cafe

Ellen é uma advogada de Manhattan e seu noivo está prestes a se tornar um importante político. Tudo em sua vida parece estar perfeito e no caminho certo. Até que ela decide realizar o último desejo de sua avó e entregar em mãos uma carta. Para isso, ela precisa ir para Beacon, uma charmosa cidadezinha do interior. Entre cupcakes de blueberry e deliciosas rosquinhas, Ellen desvenda os mistérios da vida de sua avó. Aos poucos, ela descobre os simples prazeres da vida e que “perfeito” nem sempre é o que parece.

7. Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier

ligue

Os “poemas de amor e big bang” de Gregorio Duvivier têm foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística do autor, um dos responsáveis pelo sucesso do Porta dos Fundos, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade, falando da adolescência, do mistério da criação, das palavras e suas relações inusitadas, da experiência do amor vivido enfim como gente grande e da transitoriedade de tudo.

8. Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago

milrosas

Como nasce e de que se alimenta o afeto entre dois adolescentes do mesmo sexo? Da solidão em família, do repúdio à rotina estudantil, das caminhadas pela metrópole? Como esse afeto se frustra e se transforma em amizade duradoura? No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável.

9. Amor ao pé da letra, de Melissa Pimentel

amor

Quando se mudou para Londres, Lauren pensou que seria fácil sair com os belos ingleses. Mas a animação inicial foi logo frustrada: por mais que fosse linda, independente e não procurasse por um relacionamento sério, os homens pareciam fugir dela. Até que teve uma ideia meio maluca: a cada mês, seguir ao pé da letra os conselhos dos mais famosos guias de relacionamento, e contando em seu blog os resultados dessa experiência.

10. O amor natural, de Carlos Drummond de Andrade

amornatural

Se em Declaração de amor Drummond mostra a sua faceta mais romântica, em O amor natural a coisa é um pouco diferente. Publicado originalmente em 1992, cinco anos depois da morte do poeta, O amor natural foi saudado, com justiça, como um grande acontecimento cultural: a lírica erótica (e por vezes pornográfica) de um dos maiores poetas da literatura brasileira finalmente vindo a lume. Compostos no decurso da longa carreira literária do autor, os textos reafirmam a enorme vitalidade — pessoal e literária — do autor.

11. Nunca vai embora, de Chico Mattoso

nunca

Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.

12. Os enamoramentos, de Javier Marías

enamoramentos

María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância, todas as manhãs, aquele que lhe parece ser o “casal perfeito”: o empresário Miguel Desvern e sua bela esposa Luisa. Esse ritual cotidiano lhe permite acreditar na existência do amor e enfrentar seu dia de trabalho. Mas um dia Desvern é morto por um flanelinha mentalmente perturbado e María se aproxima da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida numa trama em que nada é o que parecia ser, e em que cada afeto pode se converter em seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo.

13. Diga o nome dela, de Francisco Goldman

diga

Em 2005, o escritor e professor norte-americano Francisco Goldman se casou com Aura Estrada, uma jovem e promissora estudante de literatura. Pouco antes de o casamento completar dois anos, durante as férias numa praia do México, Aura quebrou o pescoço após ser tragada por uma onda. Responsabilizado pela morte de Aura e mortificado pela culpa, Francisco entregou-se ao desespero. Passava os dias sem rumo, bebendo e flertando com a catatonia, a depressão, o suicídio. Para vencer a crise, escreveu Diga o nome dela, um romance sobre o amor e a dor da perda. Diga o nome dela é uma história sobre o luto — uma mostra pungente de que só com a organização da memória é possível driblar a falta de sentido e reafirmar o desejo de seguir adiante.

14. Cartas extraordinárias, de Shaun Usher

cartas

Nem todas as cartas reunidas neste livro por Shaun Usher são de amor, mas tem ato mais romântico do que escrever ou receber cartas? Cartas extraordinárias é uma celebração do poder da correspondência escrita, que captura o humor, a seriedade e o brilhantismo que fazem parte da vida de todos nós. A coletânea reúne mais de 125 cartas, com sua transcrição e uma breve contextualização, além de ser ricamente ilustrado com fotografias e documentos. A engenhosa organização de Shaun Usher cria uma experiência de leitura que proporciona muitas descobertas, e cada nova página traz uma bela surpresa para o leitor. Não apenas um deleite literário, mas também um livro-presente inesquecível.

15. O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca

unico

Este romance de J. P. Cuenca se passa em um futuro próximo na cidade de Tóquio e é centrado na figura de Shunsuke Okuda, um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, uma garçonete por quem fica obcecado. Iulana é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. O maior problema, contudo, é que estão sendo observados. O pai de Shunsuke, sr. Okuda, paira sobre o livro como uma figura onipresente e maligna que parece querer destruir qualquer chance de felicidade do filho.

16. Uma teoria provisória do amor, de Scott Hutchins

teoria

Uma modesta empresa de informática de San Francisco, a Amiante Systems, fundada e comandada pelo genial pioneiro Henry Livorno — hoje velho e decadente —, aposta todas as suas fichas na tentativa de criar o primeiro computador verdadeiramente inteligente do mundo. Para isso, contrata o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. O motivo é simples: a memória do computador é alimentada pelos diários secretos escritos pelo pai de Neill, o dr. Basset, um médico do Arkansas que se suicidou quando o filho tinha dezenove anos. Dilacerado pelos dilemas morais envolvidos na operação de fazer reviver, ainda que virtualmente, o próprio pai, Neill ainda tem que lidar com a nova namorada desmiolada de vinte anos e com os encontros perturbadores com a ex-mulher.

17. Meu coração de pedra-pomes, de Juliana Frank

coracao

Lawanda trabalha num hospital, mas não está ali para lidar com os pacientes — não oficialmente, pelo menos. Ela é uma das encarregadas da limpeza e vive sob a fiscalização da insuportável Lucrécia, que insiste em controlar seus horários e reclamar de seus atrasos. Mas, como os serviços de faxina são muito mal pagos, Lawanda precisa de outros meios para conseguir comprar os besouros que coleciona (ainda que sua mãe preferisse que ela poupasse para adquirir um apartamento). Assim, presta pequenos serviços escusos aos internos do hospital.
Ela também é colecionadora de borboletas, que costura com esmero em suas calcinhas, sempre usando a linha da mesma cor das asas. Faz esta e outras macumbas para que seu amado José Júnior largue a mulher de uma vez e fique só com ela. Na cama, Lawanda sabe que é imbatível, mas a pressão das tias velhas é grande e o rapaz tem dificuldades de se libertar.

18. Manual do mimimi, de Lia Bock

manual

Lia Bock se considera uma ativista sentimental que ama amar as coisas. Depois de criar o blog mais acessado da revista TPMManual do mimimi marca a estreia de Lia no mundo dos livros. Em textos irônicos, ácidos, mas também sentimentais, além de profundamente sinceros, Lia (uma verdadeira expert nos assuntos do coração) — com charme e estilo inconfundíveis — falar com todas as mulheres: solteiras, casadas, recém-separadas e à procura.

19. As horas nuas, de Lygia Fagundes Telles

horas

Rosa Ambrósio, uma atriz de teatro decadente, passa em revista, entre generosas doses de uísque, os amores de sua vida. O primo Miguel, sua paixão adolescente, morreu de overdose por volta dos vinte anos. Gregório, seu marido, virou um homem taciturno depois que foi torturado pela ditadura militar. Diogo, seu amante e último companheiro, trocou-a por moças mais jovens. Neste livro, Lygia Fagundes Telles põe em cena grandes temas de nosso tempo — o movimento feminista, a cultura de massa, a aids, as drogas —, mediados pelos destinos individuais de um punhado de criaturas.

20. Flores azuis, de Carola Saavedra

flores

No apartamento para onde se mudou depois de se separar da mulher e da filhinha de três anos, um homem recebe uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial “A”. Também separada, a autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário. Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso, o que acaba por desestabilizar a sua relação com o trabalho, com a ex-mulher, com a filha e com a atual namorada, todas elas mulheres que ele não compreende e pelas quais se sente acuado.

Redescobrindo José J. Veiga

Em 2015, José J. Veiga completaria 100 anos. O autor é capaz de agradar a tipos muito diferentes de leitores, de jovens estudantes a leitores maduros, de admiradores da prosa fantástica aos fãs da narrativa realista. No ano de seu centenário, a Companhia das Letras inicia a reedição de sua obra completa, começando com Os cavalinhos de Platiplanto, seu primeiro livro publicado em 1959, e A hora dos ruminantes, considerado um de seus principais romances.

Para marcar a reedição, convidamos grandes autores da nossa literatura para escreverem o prefácio dos livros. Abaixo, assista a Silviano Santiago e Antonio Arnoni Prado comentando a obra de José J. Veiga.

Silviano Santiago fala sobre Os cavalinhos de Platiplanto:

Antonio Arnoni Prado fala sobre A hora dos ruminantes:

12