simon sebag montefiore

Sangue, suor e páginas

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Em maio de 1945, a Alemanha nazista era derrotada pelas potências aliadas. Encerrava-se assim o capítulo europeu da Segunda Guerra. Em setembro daquele ano, depois do bombardeio atômico (no mês anterior) de Hiroshima e Nagasaki, o Japão iria assinar os termos de sua rendição. Terminava completamente um dos conflitos mais sangrentos da história, com mais de 20 milhões de mortos, cidades e países arrasados, a conformação geopolítica do mundo bastante diferente daquela de 1939, quando Hitler invadiu a Polônia, dando início à refrega.

Nos últimos 70 anos, muito se escreveu sobre a Segunda Guerra. Testemunhos, ensaios pessoais e historiográficos, ficção, biografias, poesia, quadrinhos. Compreensível: alastrando-se a partir do coração da Europa, os conflitos fizeram terra-arrasada das pretensões iluministas que, até então, moldavam o continente. A guerra de 1939-1945 significou uma crise na civilização. A barbárie, o genocídio programado de populações inteiras, a extrema violência contra civis e a tecnologia a serviço do terror desconcertam até os dias de hoje. Daí a copiosa e necessária produção — criativa e intelectual —, que sempre se renova.

Preparamos uma seleção de livros, entre lançamentos e obras fundamentais do nosso catálogo, para você se aprofundar e entender um capítulo da história humana que, ainda hoje, 70 anos depois, reverbera na política, na cultura e na sociedade.

Lançamentos

Ano zero, Ian Buruma
A história do mundo que se formaria a partir dos escombros da Segunda Guerra.

Os compatriotas, Bo Lidegaard
A comovente extraordinária narrativa de como os judeus foram salvos do horror na Dinamarca.

O fim do Terceiro Reich, de Ian Kershaw
Do autor da melhor biografia de Hitler, um relato do crepúsculo do nazismo.

Seis meses em 1945, de Michael Dobbs
Como a Conferência de Ialta moldaria o futuro do Ocidente.

Central Europa, William T. Vollman (previsto para o segundo semestre)
Romance polifônico e fascinante sobre a violência e o autoritarismo da Alemanha nazista e da União Soviética.

Terra negra, Timoty Snyder (previsto para 2016)
Um palpitante ensaio sobre a insanidade que conduziu o mundo ao Holocausto.

Piloto de guerra, Antoine de Saint-Exupéry
A experiência do autor de O pequeno príncipe como aviador na Segunda Guerra.

Obras essenciais

A biblioteca esquecida de Hitler — Os livros que moldaram a vida do Führer, de Timothy W. Ryback

Alemanha, 1945, de Richard Bessel

Engenheiros da vitória — Os responsáveis pela reviravolta na Segunda Guerra Mundial, de Paul Kennedy

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker

Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald

Hitler, de Ian Kershaw

A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade

O imperialismo sedutor — A americanização do Brasil na época da Segunda Guerra, de Antonio Pedro Tota

Maus — A história de um sobrevivente, de Art Spiegelman

Stálin — A corte do czar vermelho, de Simon Sebag Montefiore

Hora da guerra — A segunda Guerra Mundial vista da Bahia, de Jorge Amado

1940 — Do abismo à esperança, de Max Gallo

1941 — O mundo em chamas, de Max Gallo

Os colegas de Anne Frank, de Theo Coster

Fim de jogo, 1945, de David Stafford

Pós-Guerra — Uma história da Europa desde 1945, de Tony Judt

22 Dias — As decisões que mudaram o rumo da Segunda Guerra Mundialde David Downing

Nazismo e guerra, de Richard Bessel

Heinrich Himmler: uma biografiade Peter Longerich

Joseph Goebbels: uma biografia, de Peter Longerich

Caçando Eichmann, de Neal Bascomb

Éramos jovens na guerra, de Sarah Wallis e Svetlana Palmer

Semana cento e cinquenta

Os lançamentos desta semana são:

Jerusalém, de Simon Sebag Montefiore (Trad. Berilo Vargas e George Schlesinger)
Ursalim, Hierosolyma, Aelia Capitolina, Al-Quds, Yerushaláyim, Jerusalém: os muitos nomes dessa cidade sagrada para três grandes religiões dão uma medida da atração irresistível que ela tem exercido sobre crentes, profetas e místicos — e, em especial, sobre as sucessivas gerações de reis, guerreiros e políticos que sonharam conquistá-la. Destruída e reconstruída muitas vezes em trinta séculos de existência, palco de incontáveis milagres e atrocidades, Jerusalém também é um verdadeiro museu a céu aberto da história do mundo. A santidade de seus templos e lugares sagrados — que já foram disputados por judeus, árabes, otomanos, gregos, romanos, armênios e britânicos, entre outros povos — se confunde com a crônica dos sangrentos combates travados em nome de Deus ao pé de seus velhos muros. Neste livro monumental, Simon Sebag Montefiore triunfa com seu notável talento narrativo sobre o desafio hercúleo de reconstituir os principais momentos da longa biografia da capital espiritual do mundo.

O lixo da história, de Angeli
Todos conhecem Rê Bordosa, Benevides Paixão e Bob Cuspe. Para muitos leitores, no entanto, os personagens são apenas a cereja do bolo, principalmente quando falamos das charges políticas de Angeli. Ano após ano, não houve escândalo da República ou evento internacional que não tenha passado por seu escrutínio ferino e implacável. Desde 2001, Angeli dedicou incontáveis charges aos conflitos que atravessaram o Oriente Médio após o Onze de Setembro. Sem escolher lados fáceis, passou pelo governo Bush, pelas guerras do Afeganistão e do Iraque, pelo conflito em Israel e Palestina, chegando até os distúrbios recentes no Egito e na Síria. O resultado é um painel abrangente das principais questões que mobilizaram o noticiário político internacional nos últimos dez anos.

A infância de Jesus, de J.M. Coetzee (Trad. José Rubens Siqueira)
“Não sei o que dizer. Estamos aqui pela mesma razão que todo mundo está. Nos deram uma chance de viver e nós aceitamos essa chance. É uma grande coisa, viver. É a coisa mais importante de todas.” São essas as palavras que um recém-chegado dirige à criança que o acaso lhe confiou numa estranha terra de exilados onde a mera possibilidade de substituir é acolhida com enorme gratidão. Desligadas de suas histórias e realocadas segundo regras compreendidas como “o jeito como as coisas são”, pessoas comem um pão que alimenta, mas não tem sabor, e estabelecem relações truncadas em que predomina uma generalizada e anódina boa vontade. Aos olhos de um homem que reluta em se adaptar, esse lugar se revela uma fonte de confusão moral. A partir do estranhamento da própria linguagem cotidiana, os fatos mais básicos da vida são tomados em sua face absurda, no embate entre a lógica impecável do sistema e as razões naturais de alguém ainda preso a hábitos antigos.

Cada homem é uma raça, de Mia Couto
Como ficou o cego pescador? Por que Rosa Caramela enlouqueceu? O que aconteceu com o passarinheiro? Uma princesa russa em Moçambique? Neste singular volume de contos, Mia Couto nos brinda com sua prosa repleta de poesia, em que esses e outros personagens surpreendentes povoam histórias delicadas, que encantam pela beleza que transborda mesmo das situações mais trágicas.

A orquestra da lua cheia, de Jens Rassmus (Trad. Sofia Mariutti)
Era hora de dormir, mas Ana não estava com sono. E, aliás, por que temos que dormir mesmo quando não estamos com sono? Inquieta, ela resolveu plantar bananeira. E, assim do nada, uma coisa muito estranha aconteceu. Ana caiu no teto…

Fervor das vanguardas, de Jorge Schwartz
Entre as décadas de 1920 e 1930, a América Latina foi varrida por uma onda de irresistível renovação cultural. No rastro da urbanização, suas pequenas mas combativas vanguardas de escritores, arquitetos, músicos e artistas visuais já não se contentavam com os modelos estéticos servilmente copiados da Europa. Esses pioneiros se voltam para o substrato “primitivo” das tradições criollas, indígenas e afro-americanas com o ambicioso projeto de fundar uma arte original, ao mesmo tempo enraizada em valores nacionais e conectada com as recentes tendências estrangeiras. Nesta seleção de textos sobre o período mais irrequieto das vanguardas latino-americanas, Jorge Schwartz aborda com uma penetrante visada interdisciplinar o melhor da produção de artistas-chave como Oswald de Andrade, Xul Solar, Joaquín Torres García, Lasar Segall e Oliverio Girondo. O autor analisa a mútua fertilização entre palavra e imagem, assim como os pontos de contato e afastamento entre os modernistas brasileiros e seus confrades hispano-americanos.

Juventude, de J.M. Coetzee (Trad. José Rubens Siqueira)
John está prestes a se formar em matemática, mas sua grande aspiração na vida é tornar-se poeta. O problema é que a poesia — como as mulheres mais interessantes — não se entrega para qualquer um. Assim, o rapaz aguarda ansiosamente pelas experiências de vida que farão com que ele entre em contato com “o fogo sagrado” da inspiração poética e do verdadeiro amor. É em busca desse ideal que ele abandona a turbulenta África do Sul dos anos 1960 e vai para Londres. Tudo o que arranja na antiga metrópole, porém, é um tedioso emprego de programador de computadores. Além de uma ou outra namorada, que nunca está à altura das paixões que ele imagina necessárias para que um homem seja tocado pela chama da arte e da poesia. Com a mesma força narrativa de seus outros livros, Coetzee desfere frases curtas e certeiras, sem nenhuma afetação, desenhando personagens que vão crescendo e se tornando mais complexos a cada parágrafo.

Editora Paralela

Sobre o Céu e a Terra, de Jorge Bergoglio (papa Francisco) e Abraham Skorka (Trad. Sandra Martha Dolinsky)
O que o papa Francisco pensa intimamente sobre temas espirituais como Deus, a fé, a religião, a morte? E sobre questões essenciais como a política, a pobreza, a educação e a ciência? E quais são suas reflexões mais profundas sobre assuntos polêmicos como o aborto, a eutanásia e o casamento de duas pessoas do mesmo sexo? Em conversas de coração aberto que não evitaram os assuntos mais difíceis — e que estão documentadas neste livro ímpar —, o ainda arcebisto de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio e o rabino Abraham Skorka compartilham a fé na capacidade de suas religiões em fazer pessoas melhores. São diálogos entre dois homens simples e eruditos que acreditam que as igrejas precisam “sujar os pés” para ajudar quem precisa de ajuda. Para um dos mais importantes jornalistas brasileiros, Elio Gaspari, da Folha de S. Paulo e de O Globo, este livro é uma obra “inteligentíssima” e quem desfrutá-lo “viverá umas boas duas horas”.