siri hustvedt

Semana cento e cinquenta e oito

Os lançamentos desta semana são:

Todo aquele jazz, de Geoff Dyer (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Todo aquele jazz é uma história de destruição. Chet Baker e seu rosto arruinado ainda jovem, Art Pepper e seus desvarios na cadeia, Lester Young viciado em qualquer droga a seu alcance, Thelonious Monk paralisado pela doença mental. O autor inglês Geoff Dyer rompe a distância educada típica do ensaísmo tradicional e, assumindo um tom intimista, caminha entre os músicos que formam o tema deste livro. Considerado um dos mais instigantes livros já escritos sobre o gênero, Todo aquele jazz é uma mescla de ensaio e ficção que, em um salto de imaginação, aproxima-se dos gênios que construíram a época de ouro da música que deu voz aos oprimidos e mudou a história dos Estados Unidos.

O verão sem homens, de Siri Hustvedt (Trad. Alexandre Barbosa de Souza)
Quando seu casamento chega ao fim – ou a um interlúdio sem prazo para terminar-, Mia Fredricksen se sente uma estranha na própria casa. Ainda abalada pelo colapso nervoso, decide passar as férias de verão bem longe de Nova York e de seu cotidiano habitual, em uma cidadezinha nas pradarias de Missesota, lugar onde nasceu e onde vive sua mãe. Mais perto da infância e da velhice, e longe da sombra das figuras masculinas que marcam sua vida, Mia consegue a serenidade para reavaliar sua existência e, a partir da convivência com as mulheres ao seu redor, encontrar suas próprias respostas para as eternas questões do amor e o casamento, da solidariedade e a rivalidade, e das diferenças e semelhanças entre os sexos.

Ithaca Road, de Paulo Scott
Da janela do apartamento em Ithaca Road, Narelle observa o movimento da rua e do parque. O apartamento pertence ao seu irmão, que fugiu do país às vésperas da falência de seu negócio e lhe deixou um mar de problemas para resolver. No reencontro com algumas peças fundamentais do quebra-cabeça que se tornou sua vida, Narelle mal terá tempo de reparar na menina delicada e silenciosa que passa os dias desenhando no parque em Ithaca Road. Mas um primeiro passo na direção dessa garota pode trazer à tona um inesperado e incerto encontro entre passado e futuro. Ithaca Road traz uma história única e delicada envolvendo Penélopes contemporâneas, emancipadas, inconformadas, à procura do seu lugar num mundo novo que lhes convida a querer mais, muito mais.

Pássaros amarelos, de Kevin Powers (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Aos 21 anos, o soldado John Bartle é enviado para lutar no Iraque. Lá, ele se vê confrontado pela morte por todos os lados: seja no número crescente de baixas do Exército norte-americano, seja nos inimigos em que se vê obrigado a atirar. Bartle luta para resistir ao massacre psicológico da guerra e, ao mesmo tempo, proteger Daniel Murphy, um garoto assustado do interior dos Estados Unidos. Mas ele vê o amigo ceder aos poucos e acaba implicado em um conflito que confunde promessas, lealdade e a ética própria da guerra. A tortuosidade da memória de Bartle guia a reconstrução dos anos que se passaram desde então. Kevin Powers, ele mesmo um veterano do Iraque, combina cenas cruas de horror a observações sensíveis sobre a perda da ingenuidade neste seu primeiro romance, considerado pela crítica como “a primeira obra-prima americana produzida pela Guerra do Iraque”.

Um domingo na cozinha, de Lycia Kattan e Daniel Kondo
Para os pais de Tom, Lola e Leo, os domingos eram sinônimo de cozinha: quando finalmente tinham conseguido arrumar a bagunça do café da manhã, já era hora de preparar o almoço, e nunca sobrava tempo para os programas em família. Mas aquele seria um domingo especial; afinal, era o primeiro dia de S.A.N.D.R.O. (ou Super Auto New-Design Rare Overcooking machine) como robô-chef da casa. Acontece que o primeiro prato feito por aquela “revolução culinária”, segundo o comercial da tevê, não ficou lá muito saboroso – nem o segundo nem o terceiro nem o quarto… Apesar da decepção, as crianças acabaram arregaçando as mangas para ajudar os pais e descobriram receitas deliciosas e divertidas (que aparecem ao final do livro) e que não precisavam da ajuda de nenhum robô!

Editora Paralela

Para sempre sua, de Sylvia Day (Trad. Alexandre Boide)
Alto, moreno, rico, bem-sucedido, poderoso e, claro, lindo, Gideon Cross era o homem que qualquer mulher adoraria ter ao seu lado. Desde a primeira vez que se cruzaram, surge uma atração incontrolável entre eles. O que no começo parece ser só sexo, aos poucos vai se tornando uma paixão arrebatadora. Gideon e Eva não conseguem ficar um minuto sequer sem pensar um no outro, sem desejar-se. Os dois se entregam profundamente, revelando traumas e segredos de um passado complicado que até hoje os assombra com as suas marcas. Além disso, o dia a dia vai se revelar ainda mais desafiador. Se por um lado, Gideon e Eva não se cansam de seus encontros pra lá de sensuais, por outro, a presença implacável de Corinne, ex-mulher de Gideon, de Brett, ex-namorado gatíssimo de Eva por quem ela era apaixonada, e de Deanna, uma jornalista que só pensa em acabar com Gideon, fazem com que qualquer passo errado possa colocar tudo a perder. Mas até onde estariam dispostos a ir um pelo outro? O que sacrificariam por uma relação tão dependente quanto esta? Será que mesmo diante de todos os obstáculos conseguirão, enfim, ficar juntos?

Portfolio-Penguin

A teoria do bambu, de Ping Fu (Trad. André Fontenelle)
Ping Fu sabe o que significa ser operária de fábrica e presa política num país cuja Revolução Cultural quis eliminar todas as pessoas que tinham instrução. Sabe o que é ser espancada e estuprada apenas por fazer parte de uma família rica. Sabe o que é ser deportada para outro continente, sem dinheiro, família ou amigos, e começar uma nova vida como faxineira e garçonete. Por outro lado, Ping Fu também sabe o que é ser CEO de uma grande empresa de tecnologia, e ser eleita Empresária do Ano. Sabe como é ser amiga e mentora de um dos maiores programadores de software de que se tem notícia. Sabe o que é dar palestras para multidões e conselhos ao presidente dos Estados Unidos. Essa é a história de Ping Fu, a história de uma vida em dois mundos. Nascida às vésperas da Revolução Cultural da China, Ping Fu foi separada de sua família aos oito anos. Cresceu em meio a ritos de humilhação praticados pela Guarda Vermelha de Mao, e aos 25 anos foi forçada a deixar seu país natal para buscar uma nova vida nos Estados Unidos. Falando apenas três palavras em inglês e seguindo os ensinamentos taoistas aprendidos na infância, Ping Fu chegou aos Estados Unidos e menos de dez anos depois já era uma empresária bem-sucedida. Aos 38 anos fundou a Geomagic, empresa que é hoje a maior fornecedora de softwares 3D para a criação de modelos digitais de objetos reais. A teoria do bambu é o relato de uma jornada quase inacreditável. Um verdadeiro tributo à coragem de uma mulher em face da crueldade e uma valiosa lição sobre o poder da resiliência.

Semana cinquenta e sete

Os lançamentos da semana são:

A mulher trêmula, de Siri Hustvedt (Tradução de Celso Nogueira)
Desde a infância, a escritora Siri Hustvedt sofria de enxaqueca crônica. Uma condição que, a despeito de incomodá-la durante as crises, não parecia provocar maiores implicações em sua vida. Isso até a luminosa manhã de maio no campus de uma universidade em Minnesota, quando deveria proferir um discuro em homenagem ao pai, morto dois anos antes. Durante a apresentação, seu corpo inteiro começou a tremer convulsivamente e sem controle, embora isso não tivesse afetado a sua fala, que continuava clara. O que estava acontecendo com seus nervos, afinal? Haveria relação entre esses tremores e a velha enxaqueca? E mais: a suposta patologia seria capaz de fornecer uma chave de entendimento para a própria personalidade da autora?

Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis
Em Muito além do nosso eu, Miguel Nicolelis nos apresenta um cenário de ficção científica, mas que em breve se tornará real: braços robóticos movidos só com a força do pensamento, dispositivos intracranianos que eliminam os efeitos terríveis do mal de Parkinson e uma veste especial que torna possível aos paraplégicos voltar a caminhar. Indo mais além, Nicolelis antevê um futuro no qual, “sentado na varanda de sua casa de praia, de frente para seu oceano favorito, você um dia poderá conversar com uma multidão, fisicamente localizada em qualquer parte do planeta, por meio de uma nova versão da internet (a ‘brainet’), sem a necessidade de digitar ou pronunciar uma única palavra. Nenhuma contração muscular envolvida. Somente através do seu pensamento”.
Nicolelis passará por 7 cidades para apresentar sua pesquisa.

Silenciosa algazarra, de Ana Maria Machado
A literatura — o uso estético das palavras — é fundamental e necessária a cada um de nós, e, mais ainda, é um direito de todos. Isso é o que defende Ana Maria Machado há muitos anos, em artigos, palestras e livros para o público adulto e infantojuvenil. Nesta coletânea, que reúne textos recentes, ela trata de temas diversos — como os pontos de contato entre o folclore brasileiro e a obra dos irmãos Grimm; os problemas do convívio entre escritores e críticos; a prática da literatura com os pequenos pacientes de hospitais; o trabalho dos ilustradores nas obras infantis, entre outros — para discutir a importância da leitura e dos livros. Imaginando que, em uma imensa biblioteca imaginária da cultura universal, os livros estariam calados em suas estantes à espera de seus leitores, Ana Maria Machado nos convida a ouvir esse alarido secreto e a perscrutar a sua silenciosa disposição.

Obras completas, vol 16: O eu e o id, estudo autobiográfico e outros textos, de Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza)
O volume 16 contém os textos publicados por Freud entre 1923 e 1925, dos quais se destaca O Eu e o Id, um de seus principais trabalhos teóricos, no qual faz a mais detalhada exposição da estrutura e do funcionamento da psique, lançando a hipótese de que ela se dividiria em três partes: Id, Eu (ou “ego”) e Super-eu (ou “superego”). O segundo texto, “Autobiografia”, contém, na verdade, poucas informações pessoais. É um relato do desenvolvimento intelectual do autor e de suas contribuições para o surgimento e a elaboração da psicanálise. Ensaios de menor extensão incluídos no volume, mas bastante influentes, são, entre outros, “A dissolução do complexo de Édipo” e “A negação”.

Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald (Tradução de Carlos Abbenseth e Frederico Figueiredo)
Nos dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, as cidades alemãs foram arrasadas pelos bombardeios aliados, esfacelando famílias e multidões. No entanto, esse triste espetáculo humano está praticamente ausente da literatura alemã pós-1945, e, nos poucos casos em que aparece, é distorcido pelo esteticismo ou pela retórica mística. Esse é o diagnóstico feito por Sebald, que busca compreender essa estranha omissão, relacionando-a com os sentimentos de culpa e humilhação recalcados pelos alemães durante o período de reconstrução material do país. O livro se completa com um estudo sobre Alfred Andersch, tomado como caso exemplar de escritor que viveu o chamado “exílio interno” durante o Terceiro Reich e depois tentou redefinir sua imagem política e moral. Sebald investiga corajosamente um assunto polêmico: de um lado, revela a insensata “história da destruição natural” das cidades e, de outro, expõe a complexa cicatriz da catástrofe nazista.

Quem sou eu?, de Sílvia Zatz (Ilustrações de Simone Matias)
Narrada em versos, esta é a história de um personagem muito misterioso: vive cercado de água por todos os lados, mas não é uma ilha; dele saem pernas, mas não é uma cadeira; passa o tempo todo ouvindo um sonoro baticum, mas não é um relógio; tem a cabeça maior que o corpo, e não se trata de um alfinete; e conforme vão passando os dias vai crescendo tanto que o lugar onde vive já não é mais suficiente para abrigá-lo… Todo montado em forma de adivinhas, Quem sou eu? fala do começo da vida de todos nós, antes de nascermos, quando ainda estamos dentro da barriga de nossas mães. Ao tentar achar a resposta para esse jogo de adivinhação, e acertar quem é o personagem misterioso que passa por incríveis transformações, as crianças vão aprender inúmeras curiosidades sobre esse importante momento da vida.