solomon northup

Leia um trecho de “Doze anos de escravidão”, o livro que deu origem ao filme ganhador do Oscar

Doze anos de escravidão, que já havia ganhado o Globo de Ouro em janeiro, acaba de ganhar três Oscar: melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro adaptado e melhor filme!
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O filme é uma adaptação da autobiografia de Solomon Northup, um negro livre que foi sequestrado e submetido à escravidão entre 1841 e 1853. Leia abaixo um trecho do livro, já disponível em todas as livrarias na edição da Penguin-Companhia (tradução de Caroline Chang):

* * *

A dor em minha cabeça se atenuara um pouco, mas eu me sentia muito tonto e fraco. Estava sentado sobre um banco baixo, feito de tábuas, sem casaco nem chapéu. Minhas mãos estavam algemadas. Em torno de meus tornozelos havia um par de pesados grilhões. Uma ponta de corrente estava presa a um grande anel que saía do chão; a outra, aos grilhões em meus tornozelos. Em vão tentei me pôr de pé. Acordando desse transe tão doloroso, demorou algum tempo até eu conseguir organizar meus pensamentos. Onde estava? O que significavam as correntes? Onde estavam Brown e Hamilton? O que eu fizera para merecer ser encarcerado em tal masmorra? Eu não conseguia entender. Havia um branco de duração indefinida antes de eu acordar em tal lugar solitário, e os acontecimentos desse período não foram recordados nem mesmo com o maior esforço de memória. Agucei os ouvidos em busca de algum sinal ou som de vida, mas nada quebrou o silêncio opressivo, a não ser o clangor de minhas correntes, sempre que eu ousava me mexer. Falei em voz alta, mas o som de minha voz me surpreendeu. Apalpei meus bolsos, tanto quanto os grilhões permitiam — o suficiente, na verdade, para me certificar de que eu não apenas fora roubado em minha liberdade, mas que os documentos que a atestavam e meu dinheiro também tinham sido levados! Foi então que começou a ganhar espaço em minha mente a ideia, a princípio difusa e confusa, de que eu fora sequestrado. Mas isso me parecia impossível. Deveria ter havido algum mal­-entendido — algum engano fatídico. Não era possível um cidadão livre de Nova York, que não fizera mal a homem nenhum, tampouco violara qualquer lei, ser tratado de forma tão desumana. Quanto mais eu contemplava minha situação, porém, mais tinha certeza de minha suspeita. Era um pensamento lamentável, de fato. Senti que não havia confiança ou misericórdia em homens desprovidos de sentimentos; e, voltando­-me para o Deus dos oprimidos, deitei a cabeça sobre minhas agrilhoadas mãos e chorei lágrimas amargas.

* * *

Cerca de três horas se passaram, durante as quais permaneci sentado no banco baixo, absorto em reflexões pesarosas. À distância ouvia o cacarejar de um galo, e logo mais um estrondo ao longe, como coches passando aceleradamente pelas ruas, chegou até meus ouvidos, e eu soube que era dia. Nenhum raio de sol, porém, penetrou minha prisão. Finalmente ouvi passos que pareciam vir de cima, como de alguém caminhando de um lado para o outro. Ocorreu­-me que decerto eu estava em um imóvel subterrâneo, e o cheiro de umidade e mofo do lugar confirmava minha suposição. O barulho acima continuou por pelo menos uma hora, quando, enfim, ouvi passos vindo de fora. Uma chave rangeu na fechadura — uma porta pesada fez ranger as dobradiças, permitindo uma inundação de luz, e dois homens entraram e se postaram à minha frente. Um deles era alto, forte, com uns quarenta anos de idade, talvez, cabelo castanho­-escuro, ligeiramente salpicado de grisalho. Seu rosto era amplo, sua compleição, corada, seus traços, graúdos, expressando nada mais além de crueldade e astúcia. Tinha cerca de um metro e oitenta de altura, usava um traje completo, e sem qualquer preconceito tenho a permissão de dizer que era um homem de aparência sinistra e repugnante. Seu nome era James H. Burch, conforme fiquei depois sabendo — um negociante de escravos bem conhecido em Washing­ton; e naquele momento, ou recentemente, ligado por negócios, na condição de sócio, a Theophilus Freeman, de New Orleans. A pessoa que o acompanhava era um simples lacaio chamado Ebenezer Radburn, que agia meramente como carcereiro. Esses dois homens ainda vivem em Washington, ou viviam na época em que, voltando da escravidão, passei por aquela cidade, em janeiro último.

A luz que penetrara pela porta aberta me permitiu observar o cômodo no qual eu estava confinado. Tinha cerca de três metros e meio por três metros e meio — com sólidas paredes de argamassa. O assoalho era de tábuas pesadas. Havia uma pequena janela, sobre a qual cruzavam­-se espessas barras de ferro, com um postigo externo, firmemente fechado.

Uma porta com armação de ferro levava para a cela ou cave adjacente, totalmente destituída de janelas ou qualquer abertura para a luz. A mobília do quarto no qual eu me encontrava consistia no banco de madeira em que eu estava sentado e em um fogão de ferro antiquado e sujo. Além disso, nas duas celas, não havia nem cama nem cobertor, absolutamente mais nada. A porta, pela qual Burch e Radburn haviam entrado, levava a um estreito corredor e, subindo um lance de escadas, até um quintal, cercado por uma parede de tijolos de três ou três metros e meio de altura, imediatamente atrás de uma construção de mesmo tamanho. O quintal se estendia atrás da casa uns nove metros. Numa parte do muro havia uma porta de ferro pesada que dava para uma passagem estreita e coberta, que por sua vez contornava uma das laterais da casa até a rua. O destino do homem de cor sobre o qual a porta da estreita passagem se fechava estava selado. O topo do muro suportava a extremidade de um telhado, que subia na direção da parte interna, formando uma espécie de recesso aberto. Abaixo do telhado havia um sótão circundante onde escravos, se assim quisessem, podiam dormir à noite, ou, na intempérie inclemente, buscar abrigo da tempestade. Era, no geral, como o celeiro de uma fazenda, a não ser pelo fato de ser construído de forma que o mundo lá fora jamais pudesse ver o gado humano ali mantido.

A construção à qual o quintal era adjacente tinha dois andares e dava para uma das ruas de Washington. Sua fachada tinha a aparência de uma residência particular sossegada. Um estranho que a olhasse jamais sonharia com seus usos execráveis. Por mais estranho que pareça, perfeitamente avistável dessa mesma casa, soberano em sua colina, ficava o Capitólio. As vozes de representantes patrióticos enchendo a boca para falar de liberdade e igualdade e o clangor das correntes dos pobres escravos quase que se mesclavam. Uma casa de escravos sob a sombra do Capitólio! Tal é a descrição correta de 1841 da casa de escravos de William, em Washington, em uma de cujas celas me vi tão inexplicavelmente confinado.

“Bem, meu rapaz, como se sente agora?”, perguntou Burch ao passar pela porta aberta. Respondi que me sentia mal e perguntei a razão de meu cárcere. Ele respondeu que eu era seu escravo — que me comprara e que estava prestes a me mandar para New Orleans. Afirmei, em alto e bom som, que eu era um homem livre — morador de Saratoga, onde tinha mulher e filhos, que também eram livres — e que meu nome era Northup. Reclamei com amargura do estranho tratamento que recebera e fiz ameaças de, uma vez liberto, buscar vingança pelos males sofridos. Ele negou que eu fosse livre e com um xingamento enfático declarou que eu vinha da Geórgia. Repetidas vezes afirmei que não era escravo de ninguém e insisti para que ele retirasse minhas correntes imediatamente. Ele tratou de me silenciar, como se temesse que minha voz fosse ouvida. Mas eu não queria saber de ficar em silêncio e denunciei os autores de minha prisão, fossem quem fossem, como vilões irremediáveis. Percebendo que não podia me calar, ele se lançou num furor violento. Com xingamentos blasfemos me chamou de crioulo mentiroso, fugitivo da Geórgia, e todos os demais epítetos profanos e vulgares que a mente mais indecente poderia conceber.

Durante esse tempo Radburn manteve-se em pé e em silêncio. Sua função era supervisionar aquele estábulo humano, ou melhor, desumano, receber escravos, alimentá-los e açoitá­-los, a uma taxa de dois xelins por cabeça por dia. Ele desapareceu, e em poucos momentos voltou com os seguintes instrumentos de tortura: o remo, como é chamado na nomenclatura dos castigos para escravos, ou pelo menos na nomenclatura com a qual primeiro me familiarizei, consistia numa tábua de madeira de uns cinquenta centímetros ou pouco mais escarvada nessa forma. A parte do remo em si, que tinha o tamanho de duas mãos espalmadas, fora furada com uma broca fina em vários lugares; o gato era uma corda grande de vários cordões — os cordões se abriam, com um nó na extremidade de cada um.

Assim que esses formidáveis flagelos apareceram, fui pego pelos dois homens e bruscamente privado de minhas roupas. Meus pés, como já fora dito, estavam presos ao chão. Colocando-me sobre o banco, com o rosto para baixo, Radburn pôs seu pesado pé sobre os grilhões entre meus punhos, mantendo-os dolorosamente junto ao chão. Com o remo, Burch começou a bater em mim. Golpe após golpe foi infligido sobre meu corpo nu. Quando seu incansável braço finalmente se fatigou, ele parou e perguntou se eu ainda insistia em ser um homem livre. Eu insisti, e então os golpes recomeçaram, mais rápidos e com mais força, se é que isso era possível. Quando se cansava ele repetia a mesma pergunta e, recebendo a mesma resposta, prosseguia em sua ação cruel. A essa altura o diabo encarnado praguejava as imprecações mais demoníacas. Com a força dos golpes o remo se quebrou, deixando o inútil cabo nas mãos de meu agressor. Ainda assim eu não capitulava. Todos aqueles golpes brutais não eram capazes de forçar meus lábios a proferir a mentira imunda de que eu era um escravo. Jogando com força contra o chão o cabo do remo quebrado, Burch pegou a corda. Foi mais doloroso ainda. Lutei com todas as minhas forças, mas foi em vão. Roguei por misericórdia, mas minhas preces só foram respondidas com imprecações e novos golpes. Pensei que morreria sob os açoites do bruto maldito. Até agora a carne se arrepia sobre meus ossos quando lembro da cena. Eu estava em fogo. Só posso comparar meus sofrimentos às agonias flamejantes do inferno!

Por fim fiquei em silêncio diante de suas repetidas perguntas. Eu não daria nenhuma resposta. Na verdade, estava quase incapacitado de falar. Ainda assim ele vergava o chicote sem descanso sobre meu pobre corpo, até parecer que a carne lacerada era arrancada de meus ossos a cada golpe. Um homem com uma centelha de misericórdia na alma não espancaria nem mesmo um cachorro dessa forma cruel. Ao fim e ao cabo Radburn disse que era inútil continuar me açoitando — que eu já ficara bastante machucado. Assim, Burch desistiu, dizendo, ao mesmo tempo que agitava ameaçadoramente o punho fechado junto a meu rosto, sibilando as palavras por entre seus dentes firmemente cerrados, que, se algum dia eu ousasse dizer mais uma vez que tinha direito à minha liberdade, que fora sequestrado ou qualquer coisa do tipo, o castigo que acabara de receber não seria nada em comparação com o que aconteceria. Jurou que ia me dobrar, ou me matar. Com essas palavras de consolo, os grilhões foram tirados de meus punhos, com meus pés ainda presos à argola do chão; o postigo da pequena janela gradeada, que havia sido aberto, foi novamente fechado, e, quando eles saíram, trancando a grande porta atrás de si, fui deixado numa escuridão tão densa quanto antes.

Concorra a 5 exemplares de “Doze anos de escravidão”

Na próxima semana a Penguin-Companhia lançará Doze anos de escravidão, de Solomon Northup. Considerado a melhor narrativa já escrita sobre um dos períodos mais nebulosos da história americana, o clássico narra a história real de Solomon, um negro livre que, atraído por uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo.

Depois de liberto, Northup publicou o relato contundente de sua história, que se tornou um best-seller imediato. Hoje, 160 anos após a primeira edição, Doze anos de escravidão é reconhecido como uma narrativa de qualidades excepcionais. Para a crítica, o caráter especial do livro deve-se ao fato de o autor ter sido um homem culto que viveu duas vidas opostas, primeiro como cidadão livre e depois como escravo.

No dia 21 de fevereiro chega aos cinemas brasileiros a adaptação do livro, com Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender no elenco, e direção de Steve McQueen. O filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme, e agora concorre a nove Oscar.

Para acompanhar a torcida pelos prêmios, vamos sortear 5 exemplares de Doze anos de escravidão. Para participar, é só responder nos comentários deste post: dentre todos os livros que já viraram filme, qual é sua adaptação favorita?

Aceitaremos apenas uma resposta por pessoa, até a meia-noite do dia 17 de fevereiro. Sortearemos 5 comentários, e seus autores receberão o livro pelo correio. O resultado será divulgado neste mesmo post, no dia 18 de fevereiro.

Doze de anos de escravidão chega nas livrarias dia 17 de fevereiro, e já está em pré-venda: [Saraiva] [Cultura] [Travessa] [Submarino]

[Atualizado dia 18 de fevereiro, às 15h30:]

Sorteamos os 5 ganhadores! Parabéns, entraremos em contato por e-mail.

Oito filmes inspirados em livros que estreiam em 2014

1) A música nunca parou

  • Inspirado em: “O último hippie”, estudo de caso de Um antropológo em Marte (Oliver Sacks)
  • Lançamento no Brasil: 17 de janeiro
  • Sinopse: Gabriel desaparece após um confronto com o pai. Vinte anos depois, Henry e sua mulher descobrem que o filho está em Nova York e que ele tem um tumor cerebral. Ao pesquisar sobre a doença, Henry conhece uma musicoterapeuta que pode ajudar o rapaz, já que ela fez grandes avanços com vítimas de tumores cerebrais por meio da música.

2) Quando eu era vivo

  • Inspirado em: A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli
  • Lançamento: 31 de janeiro
  • Sinopse: Após o fim do casamento e a perda do emprego, Júnior (Marat Descartes) retorna à casa do pai (Antonio Fagundes). Mas esta não é mais a casa de sua infância. Seu quarto agora é habitado pela jovem inquilina Bruna (Sandy Leah) e todo o ambiente lhe parece inóspito e opressor. No quartinho dos fundos, Júnior encontra objetos estranhos que pertenciam à sua mãe, incluindo uma misteriosa mensagem criptografada. Certo de que a compreensão da mensagem é a chave para entender melhor seu passado e seu presente, Júnior desenvolve uma obsessão pela história da família, ao mesmo tempo em que acontecimentos sombrios passam a fazer parte da rotina da casa.

3) Doze anos de escravidão

  • Vencedor do Globo de Ouro, indicado ao Oscar 2014 em 9 categorias inclusive Melhor Filme
  • Inspirado em: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup (será lançado dia 24 de fevereiro pela Penguin-Companhia)
  • Lançamento no Brasil: 21 de fevereiro
  • Sinopse: Esta história, baseada em fatos reais, apresenta Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um escravo liberto que é sequestrado em 1841 e forçado por um proprietário de escravos (Michael Fassbender) a trabalhar em uma plantação na região de Louisiana, nos Estados Unidos. Ele é resgatado apenas doze anos mais tarde, por um advogado (Brad Pitt).

4) Amor sem pecado

  • Inspirado em: As avós, de Doris Lessing
  • Lançamento no Brasil: previsto para março
  • Sinopse: Duas amigas de infância se apaixonam pelos filhos uma da outra. Após muitas crises, elas terão de enfretar mais um problema: ambos jovens são casados.

5) Guerras sujas

  • Indicado ao Oscar 2014 na categoria Melhor Documentário
  • Inspirado em: Guerras sujas, de Jeremy Scahill (será lançado em março pela Companhia das Letras)
  • Lançamento: junho de 2013 (Estados Unidos), sem data para o Brasil
  • Sinopse: Jeremy Scahill, repórter investigativo e autor do bestseller Blackwater, investiga dados escondidos por trás das guerras americanas, desde o Afeganistão até a Somália, dentre outras. As histórias paralelas às contadas pelo governo e empresa americana descobertas através de uma profunda jornada investigativa.

6) Uma longa queda

  • Inspirado em: Uma longa queda, de Nick Hornby (será lançado em maio pela Companhia das Letras)
  • Lançamento: 21 de março na Inglaterra, sem data para o Brasil
  • Sinopse: A trama é focada em quatro pessoas que planejam se suicidar. Aaron Paul faz um entregador de pizza, Pierce Brosnan encarna um apresentador de televisão, Toni Collette faz a mãe de uma criança deficiente e Imogen Poots vive uma adolescente problemática. Os personagens se encontram no topo de um prédio em uma noite de Ano Novo.

7) A gente é monstro

  • Inspirado em: A gente é monstro, de Alan Snow
  • Lançamento: previsto para outubro
  • Sinopse: Os caixatrolls são monstros que vivem debaixo das charmosas ruas de Ponterrato e saem dos esgotos, à noite, para roubar o que os cidadãos têm de mais precioso: suas crianças e seus queijos. Pelo menos é isso que dizem as lendas. Na verdade, os caixatrolls vivem numa comunidade amável e criam um garoto humano órfão e abandonado chamado Eggs. Quando as criaturas se tornam alvo de um exterminador, Eggs se aventura pelas ruas para salvá-los, juntando-se com uma garota para salvar não só os caixatrolls, mas também a alma de Ponterrato.

8) Cadê você, Bernadette?

  • Inspirado em: Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple
  • Lançamento: sem previsão
  • Sinopse: Bee concluiu seus estudos na Galer Street, uma escola liberal de Seattle, com as melhores notas, e tudo o que ela quer como presente de formatura é uma viagem à Antártida na companhia dos pais. Elgin é um pai ausente, mas genial: programador da Microsoft, tornou-se um rock star no mundo nerd por ter dado a quarta palestra mais vista no TED, e está prestes a lançar o Samantha 2, o projeto de sua vida. O momento não poderia ser pior para se isolar no extremo sul do planeta. A mãe, Bernadette, já não aguenta a vida em Seattle e está à beira de um ataque de nervos. poucos dias antes da viagem, ela desaparece, com medo do convívio social e de sentir enjoo durante a travessia da passagem de Drake. Agora Bee fará tudo para encontrar a mãe. Mas antes ela terá de descobrir quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem.