t.s. eliot

Ilustres recusados

gertrude

Carta de Arthur C. Fifield para Gertrude Stein recusando o original de The making of Americans.

Em seu post anterior na coluna Livre-Editar, Luiz Schwarcz escreveu sobre a relação entre autor e editor, e a autoridade dele em aceitar ou não um original para publicação. Como exemplo, Schwarcz cita casos em que autores hoje consagrados foram recusados e passaram por várias rejeições até encontrarem um editor que acreditasse no sucesso de seus livros.

Como Jack Kerouac e On the road, em que Mr. Parks, editor da Knopf, justificou a recusa do principal livro da geração beat dizendo: “… isto é um talento bem mal-direcionado e… esse grande, confuso e inacabado romance provavelmente venderia pouco e receberia críticas irônicas e indignadas de toda parte”. E ainda concluiu: “Não consegui entender esse troço”.

A seguir, leia as cartas de recusa de outras duas importantes obras do último século: The making of Americans, de Gertrude Stein, e A revolução dos bichos, de George Orwell (tradução de Carlos Alberto Bárbaro).

 

The making of Americans – Gertrude Stein

“Cara Madame,

Sou apenas um, apenas um, apenas um. Apenas um ser humano, um a um só tempo. Nem dois, nem três, apenas um. Com apenas uma vida para viver, com apenas sessenta minutos em uma hora. Com apenas um par de olhos. Com apenas um cérebro. Apenas um ser. Sendo apenas um, tendo apenas um par de olhos, tendo apenas um tempo, tendo apenas uma vida, eu não posso ler seu M.S. três ou quatro vezes. Nem mesmo uma vez. Apenas uma olhada, uma olhada basta. Dificilmente venderíamos uma cópia aqui. Dificilmente uma. Dificilmente uma.”

Sinceramente seu, A. C. Fifield

 

A revolução dos bichos – George Orwell

13 de julho de 1944

Caro Orwell,

Entendo que você queira uma decisão rápida sobre A revolução dos bichos, mas temos que ter no mínimo duas opiniões de nossos diretores, o que não pode ser feito em menos de uma semana. Certo, para acelerar as coisas eu devia ter solicitado também a análise do presidente. Mas o outro diretor concorda comigo em vários pontos sobre o livro. Concordamos que é um notável trabalho de escrita; que a fábula é muito bem trabalhada e que a narrativa mantém o interesse do leitor sob controle ― e isso é algo que muito poucos autores conseguiram atingir desde Gulliver.

Por outro lado, não estamos convencidos (e estou certo que nenhum dos outros diretores se convencerá) de que este seja o ponto de vista mais acertado para se criticar a situação política de nosso tempo. É por certo dever de qualquer editora que tenha interesses outros que não apenas o mero prosperar comercialmente que publique livros que remem contra a maré do momento; mas em cada ocasião isso exige que pelo menos um dos sócios da empresa seja convencido de que essa é a coisa que precise ser dita no momento. Não consigo enxergar qualquer motivação derivada de prudência ou temor para impedir quem quer que seja de publicar esse livro ― se esse alguém, claro, acredita naquilo que defende.

Agora, creio que meu próprio incômodo com esse apólogo é devido a seu efeito ser meramente de negação. Ele devia despertar alguma simpatia pelo que o autor quer, assim como simpatia pelas suas objeções a certas coisas: e o ponto de vista positivo, que considerei trotskista no geral, não convence. Penso que você dividiu seus votos, sem conseguir qualquer compensação derivada de alguma defesa apaixonada de nenhuma parte ― isto é, aqueles que criticam as tendências russas do ponto de vista de uma pureza comunista, e aqueles que, de um ponto de vista completamente diverso, estão preocupados com o futuro das pequenas nações.

E além disso, seus porcos são muito mais inteligentes que os outros animais, e portanto os mais qualificados para governar a fazenda ― na verdade, a Revolução dos bichos sequer teria existido sem eles: assim, o que seria preciso (alguém poderia argumentar) não era mais comunismo, mas mais porcos com espírito público.

Lamento muitíssimo, porque seja quem for que vá publicar esse livro terá naturalmente a chance de publicar seus outros livros futuros, e eu tenho sua obra em alta consideração, por se tratar da fusão de boa prosa e integridade fundamental.

A senhorita Sheldon irá devolver seu manuscrito em envelope separado.

Sinceramente seu,

T. S. Eliot

Semana três

Toda sexta-feira nós colocamos no blog os livros lançados durante a semana, assim como os eventos literários e culturais que acontecerão na semana seguinte. Não se esqueçam do Concurso Bolañomania, que foi prorrogado até dia 6 de junho. Os cinco vencedores ganharão uma sacola comemorativa do lançamento de 2666 com um exemplar do livro, e a melhor resenha também será publicada aqui no blog.

Os lançamentos desta semana foram:

Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda
Publicado pela primeira vez em 1959, Visão do Paraíso inaugurou o ensaísmo sobre o imaginário do colonizador ao estudar os mitos edênicos que acompanharam as narrativas dos descobrimentos e da colonização da América. A Companhia das Letras agora relança este título em edição revista e com imagens do acervo pessoal do autor.

Capítulos de história do Império, de Sérgio Buarque de Holanda
Com introdução e organização do historiador Fernando Novais e posfácio do historiador Evaldo Cabral de Mello, Capítulos de história do Império traz à luz um conjunto de textos inéditos sobre a história política do Império brasileiro.  Nas quatro partes que compõem o volume, o autor analisa a crise do Império brasileiro no final do século XIX, compreendendo-a como produto da falência do mecanismo de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.

Essa história está diferente ― Dez contos para canções de Chico Buarque, organização de Ronaldo Bressane
Dez autores de estilos diversos recriam em ficção o cancioneiro do compositor carioca Chico Buarque. O projeto, idealizado pela RT Features e patrocinado pela Caixa Econômica Federal, traz contos de Alan Pauls, André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Luis Fernando Verissimo, Mario Bellatin, Mia Couto, Rodrigo Fresán e Xico Sá. Leia trechos de alguns dos contos aqui. Haverá evento para lançamento do livro em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, confira as datas abaixo.

Os gatos, de T. S. Eliot (Edição bilíngüe; Ilustrações de Axel Scheffler; Tradução de Ivo Barroso)
Durante toda a década de 1930, T. S. Eliot deu de presente a seus afilhados e amigos uma série de poemas. Seus poemas infantis surpreenderam seus amigos pela graça e sensibilidade para com a psicologia felina, e em 1939 ele foi convencido a publicá-los. O que era para ser uma brincadeira acabou por se tornar um de seus trabalhos mais conhecidos: após sua morte, os poemas serviriam de base para o musical Cats.

Sociedade da neve, de Pablo Vierci (Tradução de Bernardo Ajzenberg)
Em outubro de 1972, um avião fretado da Força Aérea do Uruguai que rumava para o Chile se choca contra uma montanha nos Andes. Das 45 pessoas a bordo, 29 sobrevivem ao impacto. Dez dias depois do acidente, a primeira notícia que ouvem do mundo exterior por rádio é que as buscas pelo avião foram abandonadas. Entremeando as narrativas dos sobreviventes com o relato objetivo do autor, A sociedade da neve traz a verdadeira história de como dezesseis jovens conseguiram sobreviver durante 72 dias num dos ambientes mais inóspitos do planeta.

Os belos dias de minha juventude, de Ana Novac (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Escritas em 1944, quando a autora, aos quinze anos, foi prisioneira em Auschwitz e Plaszow, essas anotações carregam, além de um relato incisivo dos seis meses em que foi prisioneira, o feito de ser o único documento autobiográfico produzido em campos de concentração que foi preservado com o fim da guerra.

Lobinho, o detetive da floresta, de Ian Whybrow (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Heloisa Jahn)
No quarto volume das aventuras do Lobinho, o intrépido detetive Lobinho Binho precisa descobrir onde foram parar os animais que desapareceram de seus lares, enchendo as famílias de angústia.

O guerreiro solitário, de Henning Mankell (Tradução de George Schlesinger)
Neste novo romance policial do autor sueco Henning Mankell, é verão, e o inspetor Wallander se prepara para viajar com sua nova namorada, na esperança de que seu pai idoso e sua filha rebelde não o obriguem a cancelar seus planos. Mas será uma sequência de crimes brutais que atrapalhará sua “lua de mel”, mais uma vez o obrigando a mergulhar no trabalho.

* * * * *

O Blog da Companhia indica os seguintes eventos até a semana que vem:

2º Festival Internacional de Leitura de Campinas
29 de maio a 6 de junho.
Em sua segunda edição, o Festival Internacional de Leitura de Campinas contará com a presença dos autores Angela Lago, Tatiana Belinky, Fabricio Corsaletti, Ricardo Azevedo e Fabrício Carpinejar. Para mais informações, acesse: http://www.filc.com.br/filc2010/
Local: CIS Guanabara e Largo do Rosário – Campinas, SP

8º Salão do livro do Piauí
Acontece de 31 de maio a 6 de junho o 8º Salão do livro do Piauí. Fazem parte da programação do evento palestras de Antonio Cícero, autor de Finalidades sem fim, e do angolano Ondjaki, escritor de Avódezanove e o segredo do soviético. Para mais informações, acesse: http://www.fundacaoquixote.org.br/
Local: Complexo da Praça Pedro II – Teresina, PI

Feira do livro de Canoas
De 2 a 20 de junho.
Em sua 26ª edição, a Feira do livro de Canoas promoverá encontros com os autores Charles Kieffer, Luiz Ruffato, Ricardo Azevedo e Michel Laub. Para mais informações, acesse: http://www.feiradolivrocanoas.blogspot.com
Local: Praça da Bandeira – Canoas, RS

12º Salão do livro da FNLIJ
De 09 a 19 de junho.
Ana Maria Machado, Daniel Kondo, Gilles Eduar, Graça Lima, Luciana Sandroni, Odilon Moraes, Roger Mello e Rosana Rios são os autores da Companhia das Letras que participarão da 12ª edição do Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens. No dia 11, o autor Roger Mello estará lá para autografar o livro Carvoeirinhos, às 14h. Para mais informações, acesse: http://www.fnlij.org.br/salao/
Local: Av. Barão de Tefé, 75 – Saúde – Rio de Janeiro / RJ

10ª Feira Nacional do livro de Ribeirão Preto
De 10 a 20 de junho, das 9h às 22h.
Os autores Paulo Markun, Fabrício Carpinejar, Tony Belloto, Fabrício Corsaletti, Carola Saavedra, Moacyr Scliar, Zuenir Ventura, Daniel Galera e Rafael Coutinho participarão da décima edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Os encontros com os autores acontecerão nas Praças Carlos Gomes e XV de novembro e na Esplanada do Teatro Pedro II. Para mais informações, acesse: http://www.feiradolivroribeirao.com.br/

Contação de histórias do livro Por amor ao futebol!
Sábado, 05 de junho, às 15h.
Kiara Terra conta histórias de Por amor ao futebol!, de Pelé, ilustrado por Frank Morrison.
Local: Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073 – São Paulo, SP

Contação de histórias e oficina do livro Por amor ao futebol!
Sábado, 05 de junho, às 16h.
Márcia Brito conta histórias e faz oficina baseada no livro Por amor ao futebol!, de Pelé, ilustrado por Frank Morrison.
Local: Livraria da Vila – Shopping Cidade Jardim – Av. Magalhães de Castro, 12000 – São Paulo, SP

Lançamento do livro Essa história está diferente em RJ, SP e Brasília
A Caixa Cultural, a RT Features e a Companhia das Letras convidam para o lançamento do livro Essa história está diferente, com participação de André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Xico Sá e do organizador Ronaldo Bressane. Após a sessão de autógrafos, haverá um bate-papo com os autores.
Rio de Janeiro, segunda-feira, 7 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural – Avenida Almirante Barroso, nº 25
São Paulo, terça-feira, 8 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural São Paulo – Galeria Vitrine da Paulista – Av. Paulista, 2083 – Térreo – Conjunto Nacional
Brasília, quarta-feira, 9 de junho, às 18h.
Local: Caixa Cultural – SBS Qd. 4 Lote 3/4

Davi Arrigucci Jr. participa do curso “Cidades por escrito” no Instituto Moreira Salles
Terça-feira, 08 de junho, às 19h.
Autor do livro O guardador de segredos, Davi Arrigucci Jr. fala sobre a Buenos Aires escrita por Borges em evento promovido pelo Instituto Moreira Salles. (Não há mais vagas disponíveis para esse evento)
Local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro, RJ

Exposição Beatriz Milhazes – gravuras
Até 29 de agosto.
Dezessete gravuras da artista plástica Beatriz Milhazes, cujas obras se vê nas novas capas das obras de Lygia Fagundes Telles, estarão expostas no Museu de Arte do Espírito Santo. Veja mais informações e um depoimento da artista no site da exposição.
Local: Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (Maes) – Av. Jerônimo Monteiro, 631 – Vitória, ES

Mostra “Cineastas e Imagens do Povo”
Até 6 de junho.
A mostra reúne documentários citados no livro homônimo de Jean-Claude Bernardet, a mais abrangente antologia da história do documentário brasileiro moderno. Além de resgatar a história do nosso cinema, o evento exibe algumas cópias novas, confeccionadas especialmente para a ocasião. A programação também conta com a realização de debates com a presença de realizadores e de um curso ministrado por especialistas, organizado com o apoio da Universidade de São Paulo. O público tem a oportunidade de assistir filmes que falam das grandes questões culturais, políticas e sociais vividas no país nas últimas quatro décadas. A maioria deles se encontrava inacessível às novas gerações até esta merecida homenagem ao trabalho de um dos maiores críticos de cinema ainda em atividade no Brasil.
Veja mais informações e a programação completa aqui.
Local: CCBB – R. Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo, SP

Exposição Ostengruppe: cartazes russos contemporâneos
Até 20 de junho.
O Instituto Tomie Ohtake traz cerca de 80 cartazes do Ostengruppe, grupo de designers russos com forte influência do futurismo e do construtivismo russo. Veja mais informações no site da exposição.
Local: Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros – São Paulo, SP