Ta-Nehisi Coates

Os melhores livros de 2015

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Já é tradição fazermos um balanço no blog dos melhores livros do ano que passou. Reunimos neste post diversas listas de importantes veículos da imprensa nacional que escolheram os destaques de 2015. Se você perdeu algum lançamento e procura uma boa história para ler agora em 2016, conheça os livros do Grupo Companhia das Letras que mais se destacaram no último ano.

Entre o mundo e eu

Em Entre o mundo e eu, Ta-Nehisi Coates relembra seus momentos da infância em Baltimore e sobre como as tensões raciais sempre estiveram presentes em um Estados Unidos que se recusa a acordar do sonho americano. Na lista de melhores livros de: O GloboRisca Faca.

Dois irmãos

O grande e trágico épico de Milton Hatoum adaptado por dois dos mais extraordinários quadrinistas da atualidade, Fábio Moon e Gabriel Bá, entrou na lista de melhores HQs do ano do site Risca Faca.

Jeito de matar lagartas

Vencedor do Prêmio APCA na categoria contos/crônicas, o livro de Antonio Carlos Viana narra histórias do cotidiano aparentemente banais, mas que tocam em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A capital da vertigem

No segundo livro de Roberto Pompeu de Toledo sobre a cidade de São Paulo, o jornalista faz um panorama monumental da capital, sobre como surge uma cidade que deixa a condição de vila e se impregna com a fuligem das chaminés, o vapor das fábricas e a fumaça dos automóveis.Na lista de melhores livros do Risca Faca.

Submissão

Em Submissão, Michel Houellebecq faz uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade, e foi também um dos livros mais comentados de 2015. Na lista de melhores livros de: Estado de S. Paulo, El País BrasilJornal Opção e Veja

A noite do meu bem

A noite do meu bem, novo livro de Ruy Castro, mergulha na vida noturna da capital carioca nos anos 1940, 50 e 60 para contar a história do samba-canção, e entrou na lista de melhores livros do jornal O Globo.

A ilha da infância

Terceiro livro da série Minha Luta, de Karl Ove Knausgård, este volume narra a infância do autor em uma pequena ilha da Noruega. A ilha da infância está na lista de melhores livros do ano do Risca Faca.

Ainda estou aqui

Após 35 anos do lançamento de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva volta a falar sobre a história de sua família durante a ditadura militar em Ainda estou aqui. Concentrando o relato também em sua mãe, Eunice, o livro entrou na lista de melhores livros de O Globo.

A queda do céu

Davi Kopenawa, grande xamã e porta-voz dos Yanomami, e o antropólogo francês Bruce Albert oferecem neste livro um relato excepcional sobre a realidade indígena, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

O livro das semelhanças

O livro das semelhanças desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensível de uma das vozes mais originais da poesia brasileira: Ana Martins Marques. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco

Revival

Revival, publicado no Brasil pela Suma de Letras, é uma história eletrizante de Stephen King sobre vício, fanatismo e o que existe do outro lado da vida. Está na lista de melhores livros da revista Veja.

O amor das sombras

Os contos de Ronaldo Correia de Brito em O amor nas sombras falam de traição, repressão, segredos e linhagens assombradas por uma herança de violência. A cada conto, a cada personagem, ele revela algo novo, sempre buscando um caminho distinto. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A zona de interesse

A zona de interesse, de Martin Amis se passa em Auschwitz em 1942, e cada um dos vários narradores do livro testemunha o horror inominável  do campo de concentração a sua maneira. Na lista de melhores livros da Veja.

Brasil: Uma biografia

Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling tratam o país como um personagem em Brasil: Uma biografia, livro com texto acessível que propõe uma nova e pouco convencional história do Brasil. Na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Diários da presidência

Durante seus dois mandatos como presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso manteve o hábito quase semanal de registrar, num gravador, o dia a dia do poder. O primeiro volume de Diários da presidência, que traz a transcrição dos dois primeiros anos de FHC como presidente, entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

Escuta

Com Escuta, Eucanaã Ferraz mais uma vez avança em sua escrita e confere vigor a toda a poesia brasileira. É o que levou o livro a figurar na lista de melhores do ano do Suplemento Pernambuco.

Assim começa o mal

Tendo como título um verso da tragédia shakespeariana Hamlet, o novo romance de Javier Marías apresenta um olhar arrebatador e inesquecível sobre o desejo e o rancor tendo como cenário a Madri pós-ditadura franquista nos anos 1980. Na lista de melhores livros de: Suplemento Pernambuco e Jornal Opção.

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai

Hannah, de 14 anos, é portadora de uma doença congênita e está perdida. No cenário de destruição da Europa após a Segunda Guerra Mundial, ela encontra Marius, um homem que guarda seus próprios segredos e parte com a menina em busca de seu pai. O livro de Gonçalo M. Tavares está na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Assim foi Auschwitz

Primo Levi e Leonardo De Benedetti, logo após o fim da Segunda Guerra, são encarregados de elaborar um relatório detalhado sobre as abomináveis condições de saúde dos campos de concentração. O relato está em Assim foi Auschwitz, que entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

12 livros premiados em 2015

O final do ano é o momento de lembrar as melhores leituras e, claro, premiar os melhores lançamentos dos últimos meses. Em 2015, o Grupo Companhia das Letras teve vários autores consagrados com diversos prêmios nacionais e internacionais. Confira a seguir a lista de livros premiados em 2015!

Quarenta dias

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“Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ela narra seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Ex-freira, Maria Valéria Rezende sempre se dedicou à educação popular, e em 2015 ganhou com Quarenta dias o Prêmio Jabuti de livro do ano.

A noite do meu bem

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Depois de reconstituir o mundo da bossa nova no já clássico Chega de Saudade, Ruy Castro mergulhou no universo do samba-canção e das boates cariocas dos anos 1940, 50 e 60 em A noite do meu bemSeu novo livro mostra o nascimento de uma nova boemia do Rio de Janeiro, que saía dos cassinos (após a proibição dos jogos de azar em 1946) e migrava para as boates de Copacabana. Cantores, artistas, dançarinas, barmen e mais profissionais que perderam com o fechamento dos cassinos encontraram nas boates um novo lar, e aí nasceu uma nova cena musical que marcou a cena artística brasileira: o samba-canção. Os grandes nomes do gênero estão em A noite do meu bem, que foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor livro na categoria ensaio/teoria e crítica literária/reportagem.

Mil rosas roubadas

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Autobiografia e ficção se misturam neste romance de Silviano Santiago. No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável. Publicado em 2014, Mil rosas roubadas ganhou o primeiro lugar do Prêmio Oceanos (antes conhecido como Portugal Telecom).

Por escrito

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O Prêmio Oceanos teve uma dobradinha da Companhia das Letras. Silviano Santiago ficou com o primeiro, já Elvira Vigna com o segundo lugar pelo livro Por escritoEsta é uma história de separação. Mas engana-se quem espera encontrar aqui mulheres chorando pelos cantos da casa. As vidas de Molly, Izildinha, Valderez e das outras personagens do livro são tão inquietantes e inesperadas quanto a prosa da autora. Por escrito é também uma história de desencontros, em que as pessoas parecem não ver quem está à frente delas. E quem está presente na cena vai sumindo devagarinho sem ninguém notar. Ao nos virarmos para o lado, encontramos apenas quem não esperávamos que estivesse lá. Uma história de esperas e de muitos erros.

O tronco e os ramos

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Quais as relações entre o pensamento de Freud e o de seus sucessores? Responder a essa pergunta significa escrever uma história da psicanálise, tarefa que pressupõe o domínio dos conceitos da disciplina e o conhecimento de sua cronologia. Eis o desafio a que Renato Mezan tem se dedicado ao longo de mais de trinta anos, e é o que vemos em O tronco e os ramos. No livro, o autor analisa não só textos fundamentais de Freud e cartas trocadas por ele com Ferenczi, Abraham, Jung, Fliess, mas também desdobramentos do tronco freudiano, autores centrais como Winnicott, Melanie Klein, Bion e Lacan — todos apreendidos junto de vasta bibliografia. O tronco e os ramos ganhou o Prêmio Jabuti na categoria psicologia, psicanálise e comportamento.

Antes e depois

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Antes e depois – Um dia decisivo na vida de grandes brasileiros, de Flávio de Souza, ganhou o Prêmio APCA de melhor livro infantil/juvenil. D. Pedro II, Luiz Gama, Chiquinha Gonzaga, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Maria Lenk são os sete personagens deste livro que mostra qual foi o dia mais importante na vida de cada um e por que esse momento acabou mudando a vida de todos nós.

Turismo para cegos

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A vida de Laila está prestes a se esfacelar. Jovem aluna de artes plásticas, ela tem os planos interrompidos por uma doença degenerativa e incurável que vai lhe custar a visão. Conforme a cegueira avança, tarefas corriqueiras tornam-se desafios e tudo o que lhe era familiar precisa ser explorado e redescoberto. Assim, também há algo de novo no envolvimento com Pierre, um funcionário público aparentemente inexpressivo que irá cuidar de Laila com dedicação. Turismo para cegos é o primeiro romance de Tércia Montenegro, e venceu o Prêmio Biblioteca Nacional na categoria romance.

Entre o mundo e eu

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Prêmios internacionais também entram na nossa lista! O National Book Award de 2015 foi para Entre o mundo e eu, de Ta-Nehisi Coates, lançado no Brasil pela Editora Objetiva. Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, ele sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América.

Vida e destino

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A tradução de Irineu Franco Perpetuo para Vida e destino, de Vassili Grossman, foi escolhida a melhor do ano no Prêmio JabutiVida e destino é um épico moderno e uma análise profunda das forças que mergulharam o mundo na Segunda Guerra Mundial. Vassili Grossman, que esteve no campo de batalha e acompanhou os soldados russos em Stalingrado, compôs uma obra com a dimensão de Tolstói e de Dostoiévski, tocando, ao mesmo tempo, num dos momentos cruciais do século XX.

O livro das semelhanças

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Um dos grandes destaques da poesia em 2015 foi Ana Martins Marques, que ganhou o Prêmio APCA com O livro das semelhanças. Dividido em quatro seções (“Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”), esta obra desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensível de uma das vozes mais originais da poesia brasileira. Do amor à percepção de que há um espaço — geográfico, quase — para o lugar-comum, do entendimento da precariedade do nosso tempo no mundo à graça (mineira, matreira) proporcionada pela memória: eis uma poeta que nos fala diretamente.

Jeito de matar lagartas

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Quase seis anos após a publicação de Cine privê, Antonio Carlos Viana, um dos melhores contistas brasileiros da atualidade, lançou Jeito de matar lagartas, também premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria contos/crônicas. Ao narrar histórias do cotidiano aparentemente banais, como uma brincadeira de criança, a venda de um imóvel ou o reencontro de um jovem estudante com a antiga professora, o autor toca em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão.

Luís Carlos Prestes

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Para encerrar, o Jabuti de biografia foi para Luís Carlos Prestes, de Daniel Aarão Reis. Brilhante estrategista militar, comandante da lendária marcha guerrilheira que leva seu nome, alto dirigente comunista e ideólogo da esquerda durante várias décadas, Luís Carlos Prestes é de um protagonismo inquestionável na história política do Brasil entre os anos 1920 e 1980. Amparado em documentos e depoimentos de primeira mão, muitos deles inéditos, Daniel Aarão Reis — professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF) e respeitado historiador das esquerdas brasileiras — faz uma ambiciosa investigação sobre o homem por trás do mito do “Cavaleiro da Esperança”.

Semana duzentos e setenta e oito

Gratidão, Oliver Sacks (Tradução de Laura Teixeira Motta)
Durante os últimos meses de sua vida, Oliver Sacks escreveu uma série de ensaios nos quais explorou de maneira comovente seu percurso pessoal para concluir a vida e enfrentar a própria morte da melhor forma. Este livro traz quatro textos publicados no New York Times entre julho de 2013 e agosto de 2015, pouco antes de ele morrer. Juntos, formam uma ode à singularidade de cada ser humano e de gratidão pelo dom da vida. Sacks reflete sobre o significado de levar uma existência que valha a pena.

Objetiva

Entre o mundo e eu, Ta-Nehisi Coates (Tradução de Paulo Geiger)
Ta-Nehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América. O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação.

Política, propina e futebol, Jamil Chade
Em maio de 2015, a maior organização esportiva do planeta era alvo de uma ação da polícia suíça. Segundo investigações americanas, a Fifa havia montado uma “Copa do Mundo da fraude”, movimentando durante 24 anos pelo menos 150 milhões de dólares em propinas e subornos. As prisões e acusações levaram à renúncia do presidente da entidade, Joseph Blatter. Com base em quinze anos de cobertura jornalística da Fifa e a partir de documentos exclusivos, Jamil Chade desvenda como funcionava o pagamento de propinas, revela de que forma.

Seguinte

Nova ordem – Mundo Novo Vol.2, Chris Weitz (Tradução de Álvaro Hattnher)
Jeff e Donna são resgatados por sobreviventes da Doença e descobrem que o mundo além dos Estados Unidos está bem diferente do que imaginavam: por lá são muitos os que conseguiram escapar do vírus. Algumas pessoas se unem para derrubar os governos vigentes, causando uma onda de tumultos ao redor do planeta. Para piorar, em meio ao caos do resgate da Marinha, eles se separam.
Jefferson volta para Nova York e tenta levar a Cura para a tribo da Washington Square, sonhando em reunir todas as tribos e criar uma nova nação. Donna, por sua vez, é levada para a Inglaterra pelo governo inglês, que oferece uma vida normal em Cambridge em troca de informações. Mas um desastre ainda maior que a Doença está prestes a acontecer, e Donna e Jefferson só poderão evitá-lo se acharem o caminho de volta um para o outro.

 

 

A voz do gueto

Por Nei Lopes

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Para o Dia da Consciência Negra, convidamos o professor Muniz Sodré e o escritor Nei Lopes para escreverem sobre Entre o mundo e eu, livro em que Ta-Nehisi Coates mostra a seu filho através de cartas como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação. A seguir, leia o depoimento de Nei Lopes.

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“Você é impotente ante o grande crime da história que foi permitir que existissem guetos” (grifamos). Esta afirmação resume a grande mensagem deste importante livro do afro-americano Ta-Nehisi Coates.

E o livro é relevante, entre outros aspectos, porque suscita comparações ao leitor brasileiro: dá vontade de aprender melhor como ocorreram, no Brasil e nos EUA, os respectivos processos de extinção da ordem escravista; como operaram as contradições no pós-abolicionismo, lá e cá; como o Brasil claramente apostou na solução do “problema negro” pela diluição de sua porção africana no grande caldo geral.

Ele faz também refletir sobre como, a partir dos conceitos de literatura “periférica”, “marginal” e/ou “independente”, alguns círculos de legitimação abraçaram, no Brasil, a ideia de criação de um gueto, não só dentro da literatura como um todo, mas principalmente dentro daquela literatura de combate ao racismo, produzida por afrodescendentes em geral. Dentro dessa legitimação, no Brasil de hoje, se o escritor não é do gueto, sua palavra não significa, não opera nem ecoa.

Observemos que embora este livro venha do ghetto (aqui a forma inglesa é indispensável), sua edição brasileira, sob o aspecto formal, comprova, na “Nota sobre o título”, consignada na página de créditos, que não há boa literatura sem o aval das instituições legitimadoras, como as academias e demais círculos formuladores dos cânones literários.

E é assim que a voz do gueto deixa de ser panfleto e se torna, realmente, obra literária relevante, como esta, e abre as portas do mundo.

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Sinopse: 
Em um trabalho profundo que articula as maiores questões da história dos Estados Unidos e os ideais americanos com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Ta-Nehisi Coates apresenta uma nova e poderosa reflexão para a compreensão da história norte-americana e de sua discussão racial atual. Como é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? E como podemos todos nós contar e reconhecer de forma honesta essa história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Entre o mundo e eu é a tentativa de Ta-Nehisi Coates de responder a estas perguntas em uma carta a seu filho adolescente. Coates compartilha a história de seu despertar para a verdade sobre seu lugar no mundo por meio de uma série de experiências reveladoras.

Entre o mundo e eu já está nas livrarias.

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Nei Lopes é escritor afrocarioca. Seu livro mais recente é Rio Negro, 50, publicado em 2015 pela Editora Record.

O corpo

Por Muniz Sodré

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Foto: University of Michigan’s Ford School

Para o Dia da Consciência Negra, convidamos o professor Muniz Sodré e o escritor Nei Lopes para escreverem sobre Entre o mundo e eu, livro em que Ta-Nehisi Coates mostra a seu filho através de cartas como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação. A seguir, leia o depoimento de Muniz Sodré.

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Não à toa, o pensamento hindu associa no Bhagavad Gita o corpo à terra. São aí similares os princípios de gravidade e permanência, que fazem do corpo um campo de resistência às alterações indevidas. Aliás, intelectualmente, existe consenso quanto ao fato de que, na realidade, nós não “temos” simplesmente um corpo, pois “somos” igualmente corpo: a tentativa de conscientização coletiva dessa realidade orientou grande parte das ditas “contraculturas” dos anos 70, teorizadas por autores como Norman O. Brown, Berger e Luckmann e outros.

Neste magnífico relato intitulado Entre o mundo e eu, carta de alerta de um pai a seu filho sobre o racismo nos Estados Unidos, o corpo é o eixo de orientação existencial. “Você é um menino negro e precisa ser responsável pelo seu corpo de uma maneira que outros garotos jamais poderão entender”, diz o pai, Ta-Nehisi Coates, um afro-americano já célebre por sua forte denúncia da discriminação racial naquele país. Ele é taxativo: “Você também será responsável pelas piores ações de outros corpos negros (…) terá de ser responsável pelos corpos dos poderosos (…) não pode esquecer o quanto eles tiraram de nós e como transfiguraram nossos corpos em açúcar, tabaco, algodão e ouro”.

Para mim, é a pregnância filosófica dessa categoria “corpo” que dá força política ao recado deste texto. Enquanto as teorizações contraculturalistas dos anos 70 acabaram sendo recuperadas pelos estrategistas de mercado em função do consumo — que “libera” o corpo para torná-lo disponível a ofertas pré-programadas —, a voz atualíssima de Ta-Nehisi Coates é um grito novo. Por isso, diz ao filho: “Eu queria que você soubesse: na América, é tradição destruir o corpo negro;  é uma herança”.

Se sinceros, os leitores brasileiros deste texto imprescindível não poderão deixar de perceber que essa “herança”, o legado da forma social escravista, não é exclusiva da América. Dela ainda padecemos.

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Sinopse: 
Em um trabalho profundo que articula as maiores questões da história dos Estados Unidos e os ideais americanos com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Ta-Nehisi Coates apresenta uma nova e poderosa reflexão para a compreensão da história norte-americana e de sua discussão racial atual. Como é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? E como podemos todos nós contar e reconhecer de forma honesta essa história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Entre o mundo e eu é a tentativa de Ta-Nehisi Coates de responder a estas perguntas em uma carta a seu filho adolescente. Coates compartilha a história de seu despertar para a verdade sobre seu lugar no mundo por meio de uma série de experiências reveladoras.

Entre o mundo e eu já está nas livrarias.

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Muniz Sodré é Professor Titular Emérito da UFRJ.

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