teoria literária

Semana noventa

Os lançamentos da semana são:

Abaixo as verdades sagradas, Harold Bloom (Tradução de Alípio Correa de Franca Neto e Heitor Ferreira da Costa)
Com sua formidável erudição, Harold Bloom faz uma avaliação grandiosa da literatura ocidental, revisitando desde as fontes javistas do Antigo Testamento até Franz Kafka e Samuel Beckett. Os ensaios reunidos neste livro apresentam uma leitura provocativa de Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Milton e outros — sem esquecer Freud –, com um apuro que sabe cercar o cerne moral e intelectual de cada texto. O crítico retoma o tema básico do agon literário — a luta do poeta forte contra seu precursor –, aliando-o a uma intensa meditação em torno do sublime. Sem distinguir entre o canto sacro e profano, Bloom afirma a poesia como ato essencial do conhecimento. E conclui que todas as nossas tentativas de dizer que certa obra de peso é mais sagrada do que outra estão simplesmente ligadas a questões políticas e sociais.

O imperador de todos os males, Siddhartha Mukherjee (Tradução de Berilo Vargas)
Siddhartha Mukherjee, oncologista que se depara diariamente com o drama de seus pacientes, traça em O imperador de todos os males uma “biografia” profundamente humana do câncer. O livro, ganhador do Prêmio Pulitzer 2011, narra em detalhes as etapas do processo cheio de idas e vindas da pesquisa da doença, as promessas de vitórias e as recaídas, as radicalizações temerárias de tratamentos como a mastectomia e a quimioterapia, e a importância tardia dada à prevenção, que levou a avanços como o exame de Papanicolau e o combate ao fumo. Em linguagem acessível, Mukherjee revela os notáveis resultados da recente pesquisa genética, que desvendam o mecanismo íntimo da doença e vão sendo paulatinamente incorporados ao tratamento. Tudo isso numa linguagem que tem a precisão do cientista e a paixão do biógrafo que não esconde sua admiração por um mal capaz de assumir muitas formas e que está à nossa frente na corrida pela imortalidade.