Thyago Nogueira

9 livros para quem ama fotografia

No dia 19 de agosto comemoramos o Dia Mundial da Fotografia. Mesmo dizendo que uma imagem “vale mais que mil palavras”, é grande a variedade de livros que tratam sobre a fotografia, apresentando relatos sobre as grandes imagens já registradas. Pensando nisso, selecionamos nove leituras para quem ama fotografias e quer saber mais sobre elas, e também para aqueles que querem conhecer (ou rever) os trabalhos de grandes fotógrafos. Confira!

1- Por trás daquela foto, organizado por Lilia Moritz Schwarcz e Thyago Nogueira

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Em Por trás daquela foto, um time de oito autores brasileiros dedica-se a ler as linhas e entrelinhas de fotografias que eles mesmos escolheram, e a partir delas contam a história do país, fazem relatos pessoais e até enveredam pela ficção. Nina Horta, Humberto Werneck, Arthur Netrovski, Moacyr Scliar, Reginaldo Prandi, Lilia Moritz Schwarcz, Alberto Martins e Pedro Vasquez escrevem sobre fotos de Bob Wolfenson, Paulo Leite, Pierre Verger e outros fotógrafos, mostrando como cada fotografia guarda uma narrativa, com personagens, valores e culturas.

2- Fotografia e império, de Natalia Brizuela

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A íntima relação entre o Império brasileiro e a mídia fotográfica é o ponto de partida deste estudo sobre a história das representações – uma obra que se torna ainda mais interessante quando consideramos que sua autora é argentina. Natalia Brizuela contempla, analisa e interpreta uma série de imagens produzidas no Brasil por fotógrafos (em sua maioria) europeus ao longo do século XIX , desvelando a oscilante relação entre as representações da realidade, os mecanismos do desejo e a construção de geografias imaginárias.

3- Elogiemos os homens ilustres, de James Rufus Agee e Walker Evans

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Para produzir uma grande reportagem para a revista Fortune, o escritor e jornalista James Agee e o fotógrafo Walker Evans aprofundaram-se no sul dos Estados Unidos, em 1936, com o objetivo de retratar os efeitos da Grande Depressão que assolava o país. Durante quatro semanas, conviveram com três famílias de meeiros pobres do Alabama, numa relação tão próxima que chegaram a dormir na choupana de uma delas e a flertar com uma garota de outra família. O resultado dessa experiência extrapolou largamente os limites do que era conhecido como boa reportagem, e a matéria nunca chegou a ser publicada na imprensa. Com o texto reeditado para o formato de livro, a reportagem foi publicada em 1941, e a aventura de Agee e Evans tornou-se desde então referência obrigatória para os estudos de jornalismo, literatura e antropologia.

4- Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith (organizado por Joaquim Vieira)

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Essa dica é tanto para quem gosta de fotografia quanto de literatura! Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor – incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

5- Sobre fotografia, de Susan Sontag

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Sobre fotografia foi o ganhador do National Book Critic Circle Award de 1977. Livro que fez história no âmbito dos estudos da imagem, reúne seis ensaios de Susan Sontag escritos na década de 70, em que a romancista e filósofa analisa a fotografia como fenômeno de civilização desde o aparecimento do daguerreótipo, no século XIX. O resultado é uma história social da visão, demonstrando seu lugar central na cultura contemporânea.

6- 8 X fotografia, organizado por Lilia Moritz Schwarcz e Lorenzo Mammì

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Convidados pelo crítico de arte Lorenzo Mammì e pela antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, professores, críticos e um fotógrafo profissional elegeram livremente uma fotografia e a tomaram como ponto de partida para construir ensaios luminosos e originais. Questionando concepções consagradas, e muitas vezes equivocadas, os textos refletem sobre as mais variadas imagens, aproximando a fotografia da filosofia, do corpo, do tempo, da política e da memória familiar.

7- Outras Américasde Sebastião Salgado

outras

Em Outras Américas, Sebastião Salgado, um dos grandes fotógrafos brasileiros, registra os povos indígenas da América Latina, resultado de um trabalho que foi iniciado em 1977 e exigiu sete anos para ser concluído. Para realizá-lo, Salgado percorreu desde o litoral do Nordeste brasileiro às montanhas do Chile e daí à Bolívia, ao Peru, ao Equador, à Guatemala, ao México. Com sua estética que se põe a serviço da militância ética, Sebastião Salgado cria uma narrativa visual que muitas vezes obriga o leitor a constatar: é indiscutível a beleza das fotos, mas é terrível o mundo que elas retratam.

8- Da minha terra à Terra, de Sebastião Salgado

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Falando de Sebastião Salgado, o fotógrafo, junto com a jornalista Isabelle Francq, publicou em 2014 a sua autobiografia, em que pela primeira vez faz um relato sobre as suas origens e os bastidores de seus principais trabalhos fotográficos. Em Da minha terra à Terra, publicado pelo selo Paralela, o leitor se encontra com a autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento e generosidade.

9- Um olhar sobre o Brasil, de Boris Kossoy e Lilia Moritz Schwarcz

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Publicado pela Editora Objetiva, Um olhar sobre o Brasil faz parte da coleção História do Brasil Nação. O volume repassa em 459 imagens os últimos 170 anos da trajetória histórica do Brasil, cobrindo o período de 1833 a 2003,  incluindo imagens emblemáticas, selecionadas a partir de um extenso garimpo em arquivos públicos e coleções privadas, que demarcam o aparecimento da fotografia no país e sua crescente importância para a historiografia nacional.

A Companhia das Letras responde – parte 1

A reação ao post “Pergunte à Companhia das Letras” foi incrível, agradecemos a todos que participaram.

Em vez de responder por escrito aqui no blog, pedimos aos funcionários da editora que respondessem em vídeo. Como foram muitas as perguntas, e nem todas as pessoas puderam gravar esta semana, tivemos que organizar as respostas em mais de um post.

Abaixo você assiste a Maria Emilia, Thyago, André e Ana Paula respondendo questões sobre processo de edição, Jorge Amado, tradução e aquisição de direitos autorais estrangeiros, entre outras coisas.

Colocaremos mais vídeos na próxima quinta-feira, mas resolvemos adiantar algumas respostas mais pontuais:

André Siqueira: Quando serão lançados mais livros do Rex Stout?
R: No momento não temos mais títulos do autor programados.

Xerxenesky: Alguma previsão de quando será lançada a versão brasileira de Against the day, meu Pynchon favorito do coração? (isto é, supondo que vocês pretendem lançar esse livro)
R: Against the day tem lançamento previsto para julho, com o título Contra o dia.

Rafael Pereira Telles: Queria muito que vocês lançassem uma nova edição do livro O leilão do lote 49. Está previsto? Acho que muitos querem essa informação!!!
R: Infelizmente não há previsão de nova edição, mas obrigada pela dica!

Raphael Payayázes: Como posso me tornar um colunista do Blog da Companhia?
R: Os colunistas são pessoas vinculadas à editora, sejam funcionários, autores ou colaboradores. Entretanto, caso você escreva sobre algum livro da Companhia em seu próprio blog, ficaremos felizes em indicá-lo nos nossos posts semanais de links.

Ronnie: Gostaria de saber se a editora pretende traduzir e publicar algum livro de ensaios de W.G. Sebald (ou outro livro dele além dos 4 já publicados).
R: O lançamento do ensaio Guerra aérea e literatura está previsto para abril.

Confira o blog quinta-feira que vem para ver mais respostas, e obrigada, novamente, pela participação!

O cara da capa

Por Thyago Nogueira

Depois da invasão fotográfica, é a vez das capas ilustradas e tipográficas chamarem a atenção. E um dos bons culpados por isso talvez seja o designer londrino Jon Gray, cuja capa acima, da edição americana de Ilustrado, vai embalar também a versão brasileira do livro.

Gray é formado pelo London College of Printing, mas foi no emprego da editora inglesa Little, Brown que aprendeu a dar vida às capas, cortando, colando e desenhando à mão, para depois escanear o trabalho e manipulá-lo no computador.

Conhecido como Gray318 e colaborador de editoras inglesas e americanas, é autor de capas vibrantes e inventivas, que brincam com a caligrafia e a tipologia para dar movimento e graça ao título e ao nome do autor. Cores chapadas e contrastantes e uma divertida repetição de padrões gráficos, tirados de quadrinhos e cartazes, são marcas de seus melhores trabalhos, que trazem para o universo pop a aceleração futurista de Filippo Marinetti, a irreverência lúdica de Paul Rand e a concisão expressiva de Saul Bass, para citar apenas três gigantes da história do design.

Gray é o cara por trás das elogiadas capas de Jonathan Safran Foer, um namoro que começou com Everything is Illuminated (2003) e seguiu com a arrebatadora Extremely Loud and Incredibly Close (2005) — que chegou a ter duas versões. Para I’m ok, título anterior do livro que tem como protagonista um garoto e os desdobramentos do Onze de Setembro, Gray concebeu uma capa em preto-e-branco fúnebre, com letras que surgem dos vazios criados por uma renda de anjos, grifos e volutas. Mas o livro mudou de título no final da edição, e Gray teve de correr novamente à cartola.

A mão vermelha que estampa a capa definitiva do romance não é apenas um sinal de perigo e atenção. Quem a observa atentamente na livraria é capaz de vê-la pedir que você se aproxime e encaixe ali sua própria mão. Como faz uma criança que quer conferir seu contorno ou como faz um adulto que apalpa um objeto querido. Mas também como fez um designer talentoso, que mostra como transformar a literatura em grande fonte de inspiração.

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Thyago Nogueira é editor da Companhia das Letras e fotógrafo. É editor de Lourenço Mutarelli e da coleção Jorge Amado.