Tony Bellotto

Concorra a dois exemplares autografados de “No buraco”

Em seu novo livro, Tony Bellotto conta a história de Teo Zanquis, o guitarrista de uma banda de rock brasileira que alcançou a fama nos anos 80 com o hit “Trevas de luz”, para depois cair no esquecimento.

As bandas de um sucesso só, ou one hit bands, são comuns na história da música. Deixe um comentário neste post com o nome de uma banda assim, junto com sua única música de sucesso, e concorra a um exemplar autografado de No buraco.

Sortearemos duas pessoas. Por favor, use um endereço de e-mail válido no formulário para que possamos entrar em contato caso você ganhe. Aceitaremos apenas um comentário por pessoa. Participarão do sorteio comentários postados até as 23h59 de 28 de outubro. O resultado será anunciado aqui no blog dia 29 de outubro.

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Tony Bellotto está afastado de sua coluna aqui no blog para lançar seu novo livro pelo Brasil. Confira abaixo os eventos marcados com presença do autor:

Terça-feira, 12 de outubro, às 18h
Feira do Livro de Caxias do Sul
Bate-papo com Tony Bellotto, participação de Marcos Fernando Kirst.
Praça Dante Alighieri – Auditório
Caxias do Sul – RS

Sexta-feira, 22 de outubro, das 18h30 às 21h30
Bate-papo e lançamento com Tony Bellotto.
Saraiva MegaStore Shopping Iguatemi Campinas
Av. Iguatemi, 777 – Vila Brandina
Campinas – SP

Terça-feira, 26 de outubro, 19h
Bate-papo com o autor no evento Prosa nas Livrarias.
Livraria da Travessa
Shopping Leblon – Av. Afrânio de Melo Franco, 290
Rio de Janeiro – RJ

Quinta-feira, 28 de outubro, às 19h
Sempre um Papo com o autor Tony Bellotto
Palácio das Artes (Sala Juvenal Dias) – Centro
Belo Horizonte – MG

Semana dezenove

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar, José Rubens Siqueira, Antonio Carlos Viana e Dorothée de Bruchard)
Entremeando a narrativa do cativeiro com reflexões sobre a morte, a liberdade e o poder, Não há silêncio que não termine reconstitui com implacável lucidez o período de mais de seis anos que Ingrid Betancourt passou no inferno verde da selva amazônica em poder das Farc, a principal organização guerrilheira da Colômbia. Leia dois post sobre o trabalho de edição do livro: “Seis anos na selva, quatro meses de trabalho”, da editora-assistente Lucila Lombardi, e “Originais aos pedaços”, do colunista Luiz Schwarcz.

Seu rosto amanhã – vol. 3, de Javier Marías (Tradução de Eduardo Brandão)
O narrador deste ambicioso thriller metafísico, Jacques ou Jaime ou Jacobo Deza — o ex-professor da Universidade de Oxford que, ainda no primeiro volume, decide voltar à Inglaterra e se juntar a um grupo de velhos espiões do núcleo do Serviço Secreto britânico que atuaram contra o nazismo —, acaba conhecendo aqui os inesperados rostos dos que o rodeiam e também o dele. Descobre então que, sob o mundo mais ou menos tranquilo em que os ocidentais vivem, sempre lateja uma necessidade de traição e violência que é inoculada em nós como um veneno.

No buraco, de Tony Bellotto
Em seu novo romance, Tony Belloto mimetiza às avessas sua história para contar com humor ácido e contundente as aventuras de Teo Zanquis, um tipo solitário, que atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. Agora ele caminha sem ilusões para a velhice, mas isso não impede que Teo busque o amor no corpo de uma jovem coreana, nem que estreite laços de amizade com figuras de quem ele jamais imaginaria se aproximar em seus tempos de semi-ídolo do rock nacional, como a dona Gladys, velha e excêntrica vizinha da quitinete onde ele mora.

Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Internado no hospital, o narrador deste poderoso romance tece o relato de uma caminhada de um ano pelo leste da Inglaterra, investigando a história, a arte e a natureza numa mistura de autobiografia, ensaio, narrativa histórica e prosa de ficção. A lucidez, a originalidade e a beleza descritiva de Sebald resultam numa narrativa hipnotizante, que remete a influências como Jorge Luis Borges, Thomas Bernhard e Joseph Conrad.

Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila (Tradução de Marcelo Musa Cavallari)
Livro da vida, o clássico mais lido pelos espanhóis depois de Dom Quixote, é a autobiografia de uma mulher que conta, entre outros feitos, a experiência de seu contato direto com Deus, numa prosa que mistura conversa de freira, romance de cavalaria e teologia mística. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Feminista avant la lettre, esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como ‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. Esta edição traz também uma esclarecedora introdução de J. M. Cohen, especialista em literatura de língua espanhola e um dos mais notáveis homens de letras da Inglaterra no séc. XX.

Sete suítes, de Antonio Fernando de Franceschi
O contraponto entre a musicalidade das palavras e o rigor da composição, entre a maneira que tem o poeta de entrar no assunto com leveza e de ao mesmo tempo conferir-lhe a força da revelação, caracteriza o poeta Antonio Fernando De Franceschi, não deixando dúvida quanto à importância dessa poesia mineral, feita de pedras, de paisagens bruscas e desse outro minério que é o produto da memória. Os temas das sete suítes são “Pirassununga” (memórias da infância), “Asa e vento” (uma contraposição entre passado e presente), “As formas clássicas”, “As palavras”, “Poços de Caldas”, “Retratos” e “Inquietudes”.

Padre Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa, de Amélia Pinto Pais (Ilustrações de Mariana Newlands)
Escrito como uma autobiografia, o livro traz os principais acontecimentos da vida de Antônio Vieira, além de trechos de seus mais conhecidos sermões e de sua correspondência. O volume inclui ainda dois anexos: um texto explica a estrutura de um sermão e outro contextualiza a ação da Inquisição. Dirigido aos jovens leitores, Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa pretende despertar neles o gosto por conhecer a vida e a obra deste que é um dos maiores prosadores da nossa língua.

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum! Mas não tem jeito, com o Pum é assim mesmo: simplesmente ninguém consegue evitar que ele escape e cause certos inconvenientes.

No buraco

Por Marta Garcia

(Foto por Moriah  Hodges)

Aqui vão duas excelentes notícias em torno de Tony Bellotto: a primeira é que acaba de aportar na editora a versão definitiva de seu novo livro, No buraco. É tão bom que demos um jeito de ele sair ainda este ano, em outubro, apesar da programação abarrotada do segundo semestre. A segunda é que o nosso autor espontaneamente se propôs a colaborar no blog da Companhia, falando de literatura e música. A coluna de Tony Bellotto estreia nesta sexta, dia 25.

Sou editora do Tony desde 95, quando ele apareceu aqui com Bellini e a esfinge. “Será que roqueiro sabe escrever romance?”, pensei, confesso que com algum preconceito. Mas a leitura me fisgou de cara, e desde então já trabalhamos juntos em cinco livros. Bellini e a esfinge teve, aliás, uma primeiríssima edição, em formato menor, fora da coleção de policiais. Hoje esgotada, é item de colecionador.

Falando em roqueiro escritor, No buraco está na exata interseção dessas duas habilidades do Tony: o livro, narrado em primeira pessoa, conta as agruras de Teo Zanquis, roqueiro cinquentão decadente, que teve uma one hit band nos anos 80. Ele fala de sua agitadíssima vida on the road, nos áureos tempos, e de sua recente paixão por uma jovem coreana que conhece em São Paulo, numa loja de discos de uma galeria do centro. Só por essa sinopse talvez já dê pra perceber que o livro vem recheado de humor, sexo, drogas e rock´n´roll. Os diálogos são impagáveis. Pra quem tem mais de 40, não faltam referências musicais dos anos 80 pra trás que podem desencadear doses variadas de nostalgia. Pros fãs do Bellini, vou pedir pra terem um pouco mais de paciência. Mas também posso garantir que nenhum leitor de Tony Bellotto, com mais ou menos de 40, vai se decepcionar com as aventuras do aloprado Teo Zanquis.

Abaixo (e pra quem gosta de listas), uma amostrinha do manuscrito ainda não editado:

“Passo de vez em quando pelas lojas e sebos das galerias do centro. Apesar de não ser mais ligado à música, gosto de jogar conversa fora com músicos e gente que ainda cultua discos, de preferência velhos discos de vinil, daqueles que se pode admirar a capa e ler as letras no encarte sem o auxílio de óculos ou lentes de aumento. Gente que chama discos de álbuns e que discorre — e eventualmente discute até a morte — sobre os dez melhores discos de rock de todos os tempos. Elvis Presley (o primeiro do Elvis), Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Exile on Main Street, Who’s Next?, Led Zeppellin IV, Are You Experienced?, Catch a Fire, London Calling, Appetite for Destruction e Nevermind, por exemplo, e essa não é sequer a minha lista. É uma lista hipotética, talvez política e cronologicamente correta demais para o meu gosto. Por exemplo: esqueci de incluir na lista Paranoid, do Black Sabbath, e isso seria motivo suficiente para que uma fatwa fosse decretada contra mim nos altos escalões das galerias roqueiras do centro de São Paulo. E nem sequer citei — heresia das heresias — o Never Mind The Bullocks, do Sex Pistols.”

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Marta Garcia é editora da Companhia das Letras. Além de Tony Bellotto, edita outros autores brasileiros como Ruy Castro, Daniel Galera e Carol Bensimon.

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