tony ross

Semana cento e quinze

Os lançamentos desta semana são:

Habibi, de Craig Thompson (Trad. Érico Assis)
Dodola, uma garota perspicaz e independente, foge de seus captores levando consigo uma criança. Eles crescem juntos no deserto, só os dois, vivendo num navio naufragado na areia. Em meio a sentimentos cada vez mais conflitantes, os dois passam o tempo contando histórias. Assim, somos apresentados também à origem do islamismo e de suas tradições, conforme as narrativas se combinam numa trama de aventura, romance, filosofia e tragédia. Para contar a saga de Dodola e Zam, Craig Thompson recorreu ao Corão e às Mil e uma noites. Do primeiro, colheu o próprio estilo do livro, inspirado na caligrafia árabe, e também as narrativas do texto sagrado dos muçulmanos, recriadas com maestria pela pena do autor. A partir do segundo, elaborou um cenário fantasioso, repleto de lendas e histórias, uma versão quase mitológica da nossa ideia de Oriente. Ambientado nos dias de hoje, Habibi não se passa em nenhum país conhecido. É uma terra igualmente fantástica e concreta, onde questões presentes se misturam a indagações ancestrais. Crítica social, questionamentos ecológicos, paralelos entre religião e amor: tudo encontra seu lugar nesta narrativa tão épica quanto particular. Fruto de sete anos de pesquisas e trabalho, Habibi é um monumento do quadrinho moderno e uma resposta atual a questões que nos perseguem desde sempre.

Poemas escolhidos, de Elizabeth Bishop (Trad. Paulo Henriques Britto)
Apesar de ter publicado pouco em vida, Elizabeth Bishop é tida como uma das mais importantes vozes da poesia norte-americana.
Esta antologia, organizada e traduzida por Paulo Henriques Britto, apresenta grande parte dos poemas que a autora publicou em vida e alguns poemas póstumos, ainda inéditos em português. Estão aqui também os poemas que a autora escreveu sobre o Brasil, resultado das quase duas décadas em que morou no país. Mesclando a capacidade de observar e descrever a textura do mundo, lugares e animais a uma inclinação psicológica e subjetiva, Bishop se debruça sobre temas como o tempo, a memória, a natureza e o amor, em composições que apresentam uma grande variedade de recursos formais, em que a relação entre forma e conteúdo é perfeitamente evidente. Como ressalta Paulo Henriques Britto em um dos textos introdutórios que acompanham o volume, “como todo poeta lírico, Bishop toma sua própria experiência individual como matéria-prima; como todo artista maior, com base nesse material pessoal ela cria obras cujo interesse vai além do puramente autobiográfico e pessoal”.

Mao: a história desconhecida, de Jung Chang e Jon Halliday (Trad. Pedro Maia Soares)
Mao: a história desconhecida é a mais sólida biografia de Mao Tse-tung já escrita, fruto de uma década de pesquisa em arquivos do mundo todo e centenas de entrevistas com amigos, colaboradores e conhecidos de Mao – boa parte dos quais nunca havia se pronunciado. O resultado do árduo trabalho de Jung Chang e de seu marido, Jon Halliday, é a demolição de diversos mitos. O livro foi um dos lançamentos mais esperados no mundo todo e causou grande impacto quando foi publicado, no Reino Unido, em 2005.

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
No filme José e Pilar, o diretor Miguel Gonçalves Mendes apresentou ao público um Saramago desconhecido. Acompanhando seu dia a dia, revelou a intimidade de um dos mais fascinantes escritores da língua portuguesa. Neste José e Pilar – Conversas inéditas, Miguel reuniu entrevistas realizadas durante o período em que conviveu com o autor e sua esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río. São depoimentos sinceros e comoventes sobre trabalho, arte, morte e, é claro, o amor de um pelo outro. Nas conversas, estão presente o humor desconcertante de Saramago, o conhecido ritmo de suas frases e, sobretudo, o mesmo universo que a ele interessou durante toda a carreira, elementos que aparecem aqui em momentos inesperados: quando o autor fala de um sonho que teve na infância ou repara na paisagem durante um passeio de carro. Ou ainda quando interrompe um depoimento de Pilar para observá-la sendo entrevistada. Mas, se realmente não há distância entre o Saramago escritor e o José deste livro, isso fica ainda mais claro quando ele se volta à política e à religião, temas que sempre o acompanharam. Com um olhar crítico e ferino, revê episódios polêmicos de sua trajetória e defende uma vida livre “dessa superstição paralisante” que seria a crença em Deus. O homem que queria morrer “lúcido e de olhos abertos” surge aqui, enfim, como alguém que seguiu o conselho que ele mesmo costumava dar a jovens escritores: “Não tenhas pressa e não percas tempo”. Leia um trecho aqui.

O código de honra, de Kwame Anthony Appiah (Trad. Denise Bottmann)
Seja o fim do duelo na Inglaterra, a abolição do costume chinês de amarrar os pés, o término da escravidão no novo Mundo ou do assassínio de meninas e mulheres no Paquistão, o que está em jogo é a honra. Neste livro original e provocador, Kwame Anthony Appiah, um dos filósofos mais importantes da atualidade, mostra como o conceito de honra foi central para impulsionar revoluções morais no passado – e, ainda, como isso poderia acontecer no futuro. Ao narrar casos de ruptura na história e de tradições locais ainda vigentes, o autor revela que o apelo à razão, à religião ou à moralidade não é suficiente para causar mudanças efetivas. mais comumente, hábitos cruéis são erradicados quando entram em conflito com a honra. Mas eis que surge a questão: código de honra local versus código moral universal. Sem abrir mão do rigor filosófico, o autor imprime leveza ao texto, referindo-se também a fatos cotidianos. Em todas as instâncias, Appiah não se abstém de defender uma ética da identidade e das diferenças, e de valorizar, acima de tudo, o bem mais precioso: o direito à vida.

Sonho de uma noite de verão, de Andrew Matthews e Tony Ross (Trad. Érico Assis)
Na cidade de Atenas, tem gente sofrendo por amor: Hérmia está prometida a Demétrio, mas ama Lisandro, com quem decide fugir. porém, o plano logo chega aos ouvidos do noivo abandonado, que os segue até um bosque não muito longe dali. Por lá, a paixão também está causando discórdias. Oberon, o orgulhoso rei das fadas, está em pé de guerra com a esposa e resolve lhe dar uma lição usando uma flor encantada que tem o poder de despertar o amor em qualquer um. Prepare-se para muita diversão, nesta comédia romântica com um quê de conto de fadas – talvez o mais popular dos textos de Shakespeare -, e descubra curiosidades sobre as fontes de inspiração deste grande dramaturgo.

As dez melhores histórias da Bília, de Michael Coleman (Trad. André Czarnobai)
Basta abrir este livro para conhecer as histórias mais famosas do Ocidente sob novos – e hilariantes – pontos de vista. Aqui você lerá o diário de Adão e conhecerá a sua verdadeira personalidade; descobrirá como Deus e Noé bolaram o plano de transformar a Terra numa grande enxurrada, e como Noé fez para reunir toda aquela bicharada dentro da sua arca; saberá todas as coisas que Moisés fez – e que o transformaram na grande estrela do Antigo Testamento – a partir de seu próprio relato, entre muitas outras anedotas interessantíssimas. Além disso, dez seções de fatos fantásticos discutem como os animais, os símbolos, os direitos da mulher e outros assuntos são abordados na Bíblia.

Semana trinta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Meu tipo de garota, de Buddhadeva Bose (Tradução de Isa Mara Lando)
Obrigados a passar uma noite de inverno na sala de espera de uma estação, quatro homens matam o tempo contando histórias de amor que viveram ou testemunharam. Por meio dessas histórias, que podem ser lidas quase como contos autônomos, o escritor bengali Buddhadeva Bose revela de modo sutil as relações culturais, raciais e religiosas na Índia da primeira metade do século XX. Poucos autores conseguem entrelaçar de modo tão fluente e aparentemente espontâneo a observação das emoções humanas e a descrição da vida social.

Américo – O homem que deu seu nome ao continente, de Felipe Fernández-Armesto (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Américo Vespúcio (1454-1512), protagonista dos descobrimentos dos séculos XV e XVI, é também um dos mais complexos e enigmáticos personagens dessa história. A despeito da magnitude de suas realizações como cosmógrafo e navegador — exagerada, segundo alguns, por um sagaz instinto de autopromoção —, os documentos de sua trajetória são surpreendentemente escassos. Com grande fluência literária e boas doses de humor, Américo explica como o domínio dos preceitos retóricos dos mestres da Antiguidade, um interesse profundo pela magia e um notável senso de oportunidade contribuíram para que Vespúcio superasse entre seus contemporâneos a fama do rival pioneiro, o genovês Cristóvão Colombo, e entrasse para a posteridade como o topônimo do Novo Mundo.

Em risco, de Patricia Cornwell (Tradução de Rafael Mantovani)
Neste romance policial, a genial criadora de Kay Scarpetta nos apresenta a um novo detetive, Win Garano. Ele é designado para reabrir e resolver casos arquivados usando novas tecnologias de investigação, e recebe a tarefa quase impossível de resolver um assassinato que ocorreu há vinte anos. A tarefa logo se revela mais difícil do que parece. Pistas falsas apontam para uma trama de interesses que envolvem bandidos e policiais. Com a ajuda da agente Sykes, uma de suas várias admiradoras, e amparado por visões premonitórias de uma avó cartomante, Garano precisa lidar com a delicada situação pessoal de sua chefe, que também parece conhecer e esconder fatos essenciais à investigação.

Dez mais histórias de fantasmas, de Michael Cox (Tradução de Ricardo Gouveia; Ilustrações de Michael Tickner)
Neste livro, há dez das melhores histórias de abantesmas e espectros, algumas engraçadas, outras tristes e muitas realmente assustadoras, como “O escritor-fantasma”, de Arthur Conan Doyle, e “O Horla”, de Guy de Maupassant. Entre cada narrativa, seções de fatos interessantes explicam, por exemplo, por que algumas pessoas acabam virando fantasmas e outras não; dão dicas de como caçar fantasmas; mostram a diferença entre gremlins e espíritos malignos; e apresentam detalhes sobre as fantasmagóricas reuniões conhecidas como sessões espíritas. Da mesma coleção de Dez mais horripilantes contos de fadas, Dez mais lendas do rei Artur e Dez mais histórias de terror.

Muito barulho por nada, Andrew Matthews (Tradução Érico Assis; Ilustrações de Tony Ross)
Nesta adaptação em prosa de uma das mais famosas comédias de Shakespeare, dois casais estão às voltas com as confusões em que seus corações lhes metem: Cláudio ama Hero mas desiste de se casar com a moça por acreditar, erroneamente, que ela é infiel; Benedito e Beatriz precisam ser vítimas de uma complicada tramoia para perceber que estão perdidamente apaixonados um pelo outro. Felizmente, no final tudo fica bem. Esta edição ainda inclui um prefácio de Ernani Ssó e dois posfácios: um sobre a origem da história e como Shakespeare se apropriou dela; e outro que trata das dúvidas em torno da identidade do grande dramaturgo inglês. Na mesma coleção, de adaptações juvenis das peças de Shakespeare, foi publicado Romeu e Julieta.

Gelo nos trópicos, de CárcamO
A dinâmica entre as crianças nem sempre é permeada de sentimentos fraternos. Brigas quase sempre fazem parte das brincadeiras, e a competição, então, nem se fala. Artista premiado, CárcamO conta, apenas com o traço, a história de um pinguim que boia em um pedaço de gelo e, contra a própria vontade, acaba chegando a uma ilha tropical, onde vivem um jacaré, uma capivara e uma anta. Competindo pela atenção do forasteiro e também pelo pedaço de gelo, os três companheiros acabam tendo uma lição sobre o valor da amizade.