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7 livros para o Bloomsday e outros links

Em 1904, um homem estaria andando pelas ruas de Dublin neste momento. Fãs de James Joyce comemoram todo 16 de junho o Bloomsday, data em homenagem a Leopold Bloom, protagonista de Ulysses. Como escreveu o editor André Conti antes do lançamento da última tradução do romance para o português, o “sr. Bloom não é um homem comum que representa a todos nós. Ele é, única e exclusivamente, o sr. Bloom. Mas o acesso que Joyce nos permite a ele — por meio de uma série de manobras estilísticas — universaliza a experiência humana e nos insere, com toda nossa mesquinhez, com nossas manias abjetas, nossos grandes (e secretos) fracassos e nossas vitórias microscópicas, no centro do que é estar vivo e apreender a realidade a nossa volta.” Aproveitando a data, escolhemos algumas leituras entre links bacanas e livros para quem quer entrar no clima do Bloomsday, ou então também conhecer mais da obra de James Joyce. Confira!

1- Ulisses

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Ulisses contava apenas com uma tradução no Brasil quando a Alfaguara lançou, em 2008, uma nova versão, desta vez passada para o português pela professora Bernardina da Silveira Pinheiro. A tradução veio para apresentar o livro para um número maior de leitores, resgatando a linguagem coloquial de Joyce que narra as andanças de Leopold Bloom e Stephen Dedalus por Dublin durante o 16 de junho de 1904. Ulisses abarca toda a gama das emoções e experiências humanas, que o leitor vivencia pelo olhos, ouvidos e entranhas de personagens inesquecíveis.

2- Ulysses

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Quatro anos após o lançamento da tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro, Caetano W. Galindo lançou a sua versão, Ulysses — com Y. Publicada pelo selo Penguin-Companhia, a tradução foi inicialmente um projeto da tese de mestrado de Galindo, “dois anos, diários, de leitura, escrita e releitura” do livro, como ele escreveu durante o lançamento desta edição. Trazendo novamente para o leitor brasileiro a narrativa revolucionária e resgatando o bom humor presente no romance de James Joyce, Ulysses ganhou os prêmios de tradução da Associação Paulista de Críticos de Arte, da Academia Brasileira de Letras e o Jabuti.

3- Um retrato do artista quando jovem

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Indo além do maior romance de James Joyce  e do século XX  , seus outros livros também são ótimas leituras para o Bloomsday! Com 22 anos de idade, Joyce descobriu que podia se transformar em um artista escrevendo sobre o processo de se tornar um artista, escrevendo um ensaio autobiográfico que intitulou de A portrait of the artist — que depois se tornaria Um retrato do artista quando jovem. O livro narra as experiências do jovem Stephen Dedalus e termina com a recriação de seus ritos de passagem para a idade adulta, que incluíram deixar para trás a família, os amigos e a Irlanda para viver no continente. Segundo Bernardina da Silveira Pinheiro, na introdução do livro que também tem sua tradução, “nesta obra Joyce vai introduzir, de maneira inovadora, o uso sistemático do monólogo interior”, estilo marcante que aparecerá em seus futuros livros, como Ulysses.

4- Finn’s Hotel

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No início dos anos 1990, o surgimento de um manuscrito causou alvoroço entre os estudiosos de James Joyce. Encontrado em meio a seus papéis e anotações, Finn’s Hotel foi anunciado como embrião daquele que seria o mais enigmático dos livros do autor, Finnegans Wake. Apenas 20 anos após a descoberta do manuscrito é que Finn’s Hotel chegou às mãos do leitor, lançado no Brasil no ano passado. Tremendamente claro e acessível, é composto de onze pequenos contos sobre a história da Irlanda, e a edição ainda traz uma nova tradução do poema Giacomo Joyce, feita por Caetano W. Galindo.

5- Os mortos

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Lançado pela coleção “Grandes Amores” do selo Penguin-Companhia, Os mortos traz dois contos de James Joyce publicados em Dublinenses:  “Os mortos”, onde Gabriel Conroy descobre numa festa fatos novos sobre a vida afetiva pregressa da esposa, e a partir de então começa a repensar sua relação conjugal e até mesmo seu próprio conceito de amor; e “Arábias”, em que um garoto, incapaz de encontrar num bazar um presente para a menina por quem é apaixonado, descobre a falsidade por trás da ideia da idealização do amor romântico. Além desses textos, Os mortos também reproduz o monólogo de Molly Bloom no último capítulo de Ulysses. 

6- Constelação de gênios, de Kevin Jackson

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Para quem, além de ler James Joyce, também quer conhecer mais sobre ele, uma dica é Constelação de gênios, em que Kevin Jackson faz um retrato do período mais efervescente da modernidade, o contexto em que James Joyce e T. S. Eliot publicaram seus escritos mais famosos: o ano de 1922. Ano de publicação de Ulysses, neste livro o autor narra os acontecimentos mais importantes e entrega ao leitor um diário intenso e apaixonante sobre o ano que é considerado por muitos o mais importante do modernismo.

7- A anatomia da influência, de Harold Bloom

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A anatomia da influência não é um livro que fala sobre James Joyce e sua obra, mas é uma leitura importante para quem busca conhecer mais sobre a teoria literária e, claro, entender por que Ulysses revolucionou a literatura moderna. Desde que Harold Bloom publicou A angústia da influência, nos anos 1970, o conceito da influência literária tornou-se a verdadeira obsessão de seu trabalho. No livro, o crítico literário contemporâneo mais reconhecido da atualidade jogava por terra décadas de ideias preconcebidas ao mostrar que as grandes obras da literatura não surgem completamente formadas, mas por meio de um processo de intensa luta com aquelas que as precederam. A anatomia da influência é uma versão ampliada e revisada desse livro, uma coleção de ensaios, uma autobiografia literária e um convite para o corpo a corpo com os mestres do nosso pensamento.

Quer ir além dos livros? Confira também estes links com mais leituras sobre Ulysses e James Joyce:

Esta é a balada irlandesa tradicional que inspirou o Finngeans Wake. Fala do pedreiro Tim Finnegan, que caiu, bateu a cabeça e morreu. No velório, derrubam uísque sobre o corpo dele e Finnegan volta à vida (Uísque vem do gaélico uisce beatha, que significa “água da vida”). Aqui, em versão com os Irish Rovers.

Aqui neste link tem um texto sobre o sr. Hunter, o misterioso dublinense que inspirou Joyce a criar Leopold Bloom. Hunter seria protagonista de um conto de Dublinenses, mas a história cresceu e virou Ulysses. O texto também tem links para documentos e muito mais.

Ouça Joyce lendo um trecho do episódio Éolo, de Ulysses.

Joyce lendo, supostamente de cabeça, o trecho mais famoso de Finnegans Wake.

Aqui, o JoyceGeek explica (e ajuda a pronunciar) a palavra trovão do Finnegans Wake.

Vladimir Nabokov era um grande leitor de Joyce, e neste link esboça um mapa das andanças do Bloom por Dublin.

Começou a ler Ulysses agora? Veja um maravilhoso mapa interativo das andanças de Leopold Bloom por Dublin, com rotas para serem traçadas capítulo a capítulo. E para comparar, mapa interativo das andanças do Odisseu conforme tenta voltar para a casa depois da guerra de Troia.

Jorge Luis Borges também foi leitor de James Joyce. Veja esta conferência do escritor sobre o Joyce, gravada nos anos 1960.

Por fim, o divertido filme baseado em Ulysses lançado em 1967, que transporta a ação do livro para a Dublin do final dos anos 1960.

Aproveitem as dicas e bom Bloomsday!