vinicius de moraes

Rodrigo Amarante lê Vinicius de Moraes

A revista TPM divulgou em primeira mão o novo episódio da websérie em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes. Veja abaixo o vídeo em que Rodrigo Amarante lê “Ternura”:

No episódio anterior, Rodrigo Amarante leu “A mulher que passa”:

Semana cento e sessenta e cinco

Os lançamentos desta semana são:

Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes
“Tragédia carioca”, Orfeu da Conceição transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas canções, por os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda do grande amor. Desesperado, Orfeu decide Descer ao Hades (reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientado em uma favela carioca, Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim — a peça inclusive inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor —, cenários de Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura entre poesia e música popular, entre teatro e canção.

Você é minha mãe?, de Alison Bechdel (Trad. Érico Assis)
Depois de falar da relação com o pai na cultuada graphic-novel Fun Home, Alison Bechdel investiga agora a relação com a mãe, uma atriz amante de música e literatura presa a um casamento infeliz. Num relato emocionante e divertido, a autora se debruça sobre o abismo que a separa de sua mãe — que parou de tocar ou beijar a filha antes de dormir, “para sempre”, quando ela tinha sete anos — em busca de respostas e de novas perspectivas para o futuro de ambas.

Barreira, de Amilcar Bettega
Filha de um imigrante turco estabelecido no sul do Brasil, Fátima — uma jovem fotógrafa — vai viver na Turquia. Lá se envolve com um artista performático de intenções duvidosas e com um autor de guia de viagens francês, divorciado, com uma história emocional difícil e acidentada. Paralelamente a isso, o pai de Fátima retorna pela primeira vez ao seu país natal para reencontrar a filha — mas não a encontra. Empreende então uma busca infrutífera pelas ruas da grande metrópole turca. A procura não rende frutos. E a busca pela filha se torna, aos poucos, a busca pela própria identidade de um homem encerrado entre passado e presente. Barreira é mais um título da coleção Amores Expressos, em que alguns dos melhores autores brasileiros escrevem histórias de amor em ambientes como Dublin, Tóquio, Lisboa e São Petesburgo.

A tempestade: histórias de Shakespeare, de Andrew Matthews (Trad. Érico Assis)
Depois de passar doze anos abandonado numa ilha deserta ao lado de sua filha Miranda, Próspero resolve fazer justiça. Para recuperar o trono, o antigo duque de Milão utiliza seus conhecimentos de magia e provoca uma grande tempestade, fazendo naufragar o navio em que estão seus traidores e trazendo-os para perto de si. Mas em vez de semear o ódio e investir na vingança, ele opta pelo caminho da reconciliação através do amor. Será com a ajuda do inexperiente coração de Miranda, que nunca viu outro homem a não ser seu pai, que Próspero reestabelecerá a união e provará a força que tem uma paixão verdadeira. Conheça a surpreendente história da última peça de Shakespeare e descubra qual é a relação desta Tempestade com a própria vida do escritor.

Getúlio (1930-1945): Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, de Lira Neto
Getúlio em sua fase mais Getúlio. Ditador, pai dos pobres. Nesta segunda parte da grandiosa trilogia biográfica de Getúlio Vargas, Lira Neto reconstitui a trajetória do político gaúcho entre o momento de consolidação do poder após a Revolução de 1930 e o golpe militar que encerrou o Estado Novo em 1945. O autor constrói um painel que mescla com grande habilidade narrativa as vidas pública e privada de Getúlio ao longo desses quinze anos, marcados por acontecimentos dramáticos no Brasil e no mundo. Conheça de perto o homem que mudou o país, em seus 15 anos mais emblemáticos no poder.

Editora Paralela

A Equação do Casamento, de Luiz Hanns
A Equação do Casamento apresenta seis dimensões presentes em qualquer relação amorosa que as pesquisas mostram ser cruciais para que marido e mulher permaneçam juntos e tenham satisfação em fazê-lo. A partir dela, o renomado psicólogo clínico e terapeuta de casais Luiz Hanns propõe que você reflita sobre seu casamento e busque mudanças efetivas para melhorar a vida a dois. A partir de casos clínicos e exemplos práticos, A Equação do Casamento propõe exercícios para que você possa lidar com situações comuns nos dias de hoje: resgatar um casamento em crise, aprender a conviver com um cônjuge difícil, incrementar uma relação sem encanto e afinidades, buscar mais sintonia sexual e lidar com um caso de infidelidade.

Portfolio Penguin

A venda desafiadora, de Matthew Dixon e Brent Adamson (Trad. Cristiana Serra)
Partindo de um estudo exaustivo de milhares de representantes comerciais, oriundos das mais variadas indústrias e cenários, A venda desafiadora defende que a abordagem clássica de construção de relacionamentos está fadada ao fracasso. O estudo dos autores constatou que todos os representantes de vendas do mundo correspondem a um de cinco perfis distintos, e embora os profissionais de todos esses tipos possam alcançar um desempenho mediano, apenas um deles — o Desafiador — apresenta, com consistência, resultados elevados. Os traços que fazem dos Desafiadores figuras sem igual podem ser replicados e ensinados aos representantes comerciais comuns. Tendo compreendido como identificar os Desafiadores em sua organização, você poderá usá-los como exemplo para implantar uma nova postura em toda a sua força de vendas.

Duas comemorações

Por Luiz Schwarcz

Saramago e Mia Couto

O meu post de hoje vem apenas comemorar dois eventos importantes. O primeiro acontecerá no dia 13 de agosto, no Sesc Consolação, e contará com a presença de Pilar del Río, Mia Couto, Milton Hatoum e Andréa del Fuego. Nesse dia lançaremos as novas edições de Memorial do Convento e Levantado do chão, os dois únicos livros de José Saramago que não haviam sido publicados pela Companhia das Letras. Realizaremos, assim, um desejo antigo do escritor português, que a cada vinda ao Brasil me cobrava uma atitude, no sentido de reunir toda a sua obra em uma só editora.

Sempre expliquei ao José que estávamos de mãos atadas. A editora Caminho, que o representava, havia assinado um contrato sem prazo de encerramento com outra editora brasileira. E o cancelamento desse documento tinha que partir deles, não de nós. Apesar dos pedidos reiterados do seu principal autor, a Caminho nunca foi a fundo nem quis lidar diretamente com esse assunto.

Agora, com os direitos em posse da Fundação Saramago, e com a ajuda de Silvia Gandelman, chegamos a um acordo com a antiga detentora, a editora Bertrand Brasil, e a celebração é portanto mais do que justa. Pilar estará entre nós relembrando tantos momentos em comum e festejando a realização de um desejo tão antigo.

O segundo motivo de comemoração tem a ver com Vinicius de Moraes. A razão de minha alegria, neste caso, é a assinatura do acordo com a família de Vinicius para a edição completa das obras do autor em formato digital.

A partir de outubro, o mês do centenário de nascimento de VM, suas obras estarão disponíveis em sua completude, incluindo todos os aparatos críticos. A versão existente, que não é de nossa responsabilidade, não traz o texto definitivo, conforme o estabelecimento realizado para nossas edições. Tenho mais a dizer sobre a obra de Vinicius e as celebrações que ocorrerão ao longo desse segundo semestre, mas o farei em ocasiões futuras.

Ps.: queridos amigos aqui do blog, tirarei um tempo de férias como colunista. Durante esse período, ainda indeterminado, meu espaço quinzenal às quintas será ocupado por novos autores da casa. Curtam as (minhas) férias. Abraços.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

Vinicius, o centenário


[No vídeo: Rodrigo Amarante lê “A mulher que passa”, de Vinicius de Moraes]

Sejamos sinceros. Há pouquíssimas culturas literárias que podem contar, o peito estufado de orgulho, com a presença de um escritor tão completo quanto Vinicius de Moraes. Poeta refinado desde o início da carreira literária — ainda mocinho penumbrista dado à metafísica —, escreveu crônicas com grande popularidade, enveredou pela crítica musical e de cinema, e por fim foi essa glória do nosso cancioneiro, um grande entre os grandes. Pensando bem, no fim das contas, quase não há similar em outras línguas. Vinicius, que tirava o chapéu tanto para T.S. Eliot quanto para Pixinguinha, traçou mesmo um caminho único. Mas nunca solitário.

E logo mais, no dia 19 outubro, Vinicius faria cem anos. Datas redondas, efemérides: sempre ótimas oportunidades para retomar o contato com um grande autor. Um livro como o recém lançado Jazz & Co., por exemplo. Despachado para o consulado do Brasil em Los Angeles em 1946, o futuro compositor da Bossa Nova iria mergulhar na cena da música negra da Costa Oeste americana. Fez camaradagem com músicos e produtores, frequentou o circuito de clubes, deixou-se embriagar pelo ritmo pulsante da música popular que tomou o mundo de assalto no pós-guerra. O volume, com textos garimpados por Eucanaã Ferraz e recheado de fotos incríveis e sacada gráficas, é de uma leitura deliciosa.

Durante a Flip, que começa na quarta-feira, o legado de Vinicius também será celebrado. No dia 5, sexta-feira, a aula-show “Vinicius 100: Palavra e Música”, reunindo os bambas José Miguel Wisnik, Paula Morelembaum e Arthur Nestrovski, traz uma seleção de canções do poeta, além de comentários — atiladíssimos, prevejo — sobre a presença do autor em nossa cultura. A noite promete.

Nos próximos meses, teremos mais lançamentos em torno de Vinicius de Moraes. Uma caixa com títulos essenciais do poeta e cronista, uma coletânea de suas crônicas para o leitor jovem para o selo Boa Companhia, um outro volume com textos inéditos e pouco conhecidos. Quer homenagear um autor? Publique seus livros. Porque Vinicius, aos cem, continua tinindo.

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Aula-show durante a Flip Vinicius 100: palavra e música
Sexta-feira, 5 de julho, às 21h30
O espetáculo traz uma seleção de canções de Vinicius de Moraes e seus parceiros, entremeadas de leituras de alguns poemas e conversas sobre vários assuntos. Da formação do cancioneiro brasileiro ao artesanato de letra e música; das potências transformadoras da bossa-nova ao debate sobre a “morte da canção”, Paula Morelenbaum, Zé Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski cantam e contam a música de Vinicius, situada por eles no contexto da cultura brasileira hoje.
Ingressos disponíveis por R$12.

Semana cento e sessenta

Os lançamentos desta semana são:

Pensadores que inventaram o Brasil, de Fernando Henrique Cardoso
O fio condutor desta seleção que reúne 35 anos de reflexões sobre o Brasil é o vigoroso diálogo mantido por Fernando Henrique Cardoso com nossos principais intérpretes. De Euclides da Cunha a Celso Furtado, de Joaquim Nabuco a Caio Prado Jr., o sociólogo e professor emérito da USP apresenta nestes textos — escritos dos anos 1970 até a atualidade, sendo três inéditos e todos revisitados pelo autor — um olhar original e crítico sobre o país, tendo como guia a leitura desses mestres.

E nós cobrimos seus olhos, de Alaa Al Aswany (Trad. Safa A-C Jubran)
Issam Abdulâti, o jovem protagonista e também narrador da novela que abre esta coletânea, pergunta-se sobre as qualidades de seus conterrâneos para em seguida negá-las com veemência: “Eu desafio qualquer pessoa a mencionar uma única virtude egípcia!”. O ponto de vista interno e desafiador, que aponta para os vícios e as idiossincrasias dos personagens, rendeu dificuldades de publicação. Vetada pela Organização Geral Egípcia do Livro, a novela teve uma primeira edição feita pelo próprio Alaa Al Aswany. Autor do aclamado romance O Edifício Yacubian, Aswany explora aqui a força do conto e da novela, formas incisivas e capazes de desconcertar os leitores mais precavidos. Neste E nós cobrimos seus olhos, empatia e mordacidade andam juntas e conferem ao Egito e aos egípcios um retrato caloroso e crítico, revelando ambiguidades e contradições de uma sociedade e de uma literatura impetuosa, que não se deixa domesticar.

Jazz & Co., de Vinicius de Moraes
Diplomata a ocupar seu primeiro posto no exterior (como vice-cônsul), Vinicius de Moraes desembarcou em Los Angeles, na Califórnia, em 1946, e ali passaria os cinco anos seguintes. Foi um período em que, além de conviver com a colônia artística brasileira radicada em Hollywood — em cujo centro gravitacional brilhava Carmem Miranda — e com grandes nomes do cinema americano como Orson Welles, Vinicius começou a se embrenhar em um novo universo musical: o jazz. Fascinado pela sofrida história dos negros americanos e mesmerizado pela variedade de ritmos presentes na música que emergiu do cruzamento entre a cultura dos escravos e a dos colonizadores europeus, o futuro compositor da bossa nova frequentou clubes, estúdios de gravação, lojas de disco especializadas. E, é claro, fez camaradagem com dezenas de músicos, compositores e amantes desse gênero musical. Nestes artigos publicados em revistas independentes como Flan e Sombra, além de textos em prosa e poesia (muitos deles inéditos até esta edição), um dos pais da bossa nova exibe fôlego de viajante aprendiz para colonizar o gosto brasileiro para o jazz. Com o projeto gráfico que retoma a linguagem da era de ouro dos álbuns do gênero (de selos como Blue Note e outros), Jazz & Co. celebre o legado de Vinicius de Moraes com tudo aquilo que distinguiu o autor: música, literatura e um bocado de beleza.

Um solitário à espreita, de Milton Hatoum
Além de ser um dos grandes nomes do romance brasileiro contemporâneo, o amazonense Milton Hatoum também é cronista de mão cheia, espraiando seu texto leve e inteligente por diversas publicações. É o caso das crônicas selecionadas para este volume: noventa e seis amostras do texto sensível e arguto do autor de Relato de um certo Oriente. Dividido em quatro seções que dão conta de temas como língua e literatura, a realidade, a memória e os afetos, além de pequenas fabulações, Um solitário à espreita traz para a forma da crônica, este gênero praticado por alguns dos melhores autores brasileiros, a visão de mundo e as opiniões de Milton Hatoum. O futuro da literatura, a dureza dos anos vividos sob o regime militar, a realidade cambiante das nossas grandes cidades — tudo isso vem embalado numa prosa tão apurada quanto especulativa, tão sagaz quanto calorosa. Um passeio delicioso, em suma, conduzido por um de nossos escritores mais representativos. Leia aqui no blog um dos textos da coletânea, “Estádios novos, miséria antiga”.

Pulphead, de John Jeremiah Sullivan (Trad. Chico Mattoso e Daniel Pellizzari)
Ao lado de Tom Wolfe e David Foster Wallace, John Jeremiah Sullivan é considerado um dos renovadores da prosa de não ficção americana. Seus ensaios unem a curiosidade sem limites e a apuração rigorosa — traços definidores dos melhores repórteres — a uma atenção ao detalhe, ao gosto pelo inusitado e a uma prosa fluente digna dos melhores ficcionistas. Os temas percorridos são tão distintos como rock’n’roll e botânica, reality shows e literatura, mas a forma com que se aproxima deles revela sempre engenho e imprevisibilidade. Como as listras na capa deste volume — que precisam ser raspadas para revelar o que há por baixo —, estes textos, lúdicos e surpreendentes, pedem decifração.

Breve Companhia

Choque de democracia, de Marcos Nobre
Junho de 2013. A data já entrou para a história. Assim como 1992 marca o impeachment de Fernando Collor e 1984 o movimento pelas eleições Diretas, 2013 já está identificado com o maior levante popular no Brasil desde a redemocratização — e talvez de toda a história do país. No calor dos acontecimentos, que ainda se fazem sentir por todos os cantos, uma série de análises tem surgido nos jornais, na televisão, nas redes sociais. Nenhuma, contudo, com a abrangência que se vê em Choque de Democracia – Razões da Revolta, de Marcos Nobre. Este é o primeiro trabalho a olhar em profundidade para o fenômeno e associá-lo à narrativa da história brasileira desde o fim do Regime Militar. Um dos principais observadores da conjuntura brasileira, Nobre atribui a revolta popular a um impasse em curso desde o fim dos anos 1970. Os protestos, segundo ele, são uma resposta à cultura política do “pemedebismo”, definido como uma blindagem do sistema político que represa as forças de transformação. Em nome da “governabilidade”, foi se criando no país um ambiente em que não existem situação e oposição, mas uma massa homogênea, amorfa e indistinta que fecha todos os canais possíveis de representação. As revoltas de 2013 são uma oportunidade de alterar esse cenário. Com didatismo, capacidade de síntese notável e densidade teórica, este ensaio traz uma contribuição decisiva para o debate sobre os rumos da democracia brasileira. Marcos Nobre é professor de Filosofia no IFCH-Unicamp e pesquisador do Cebrap. É autor de Dialética Negativa (Iluminuras, 1998) e Teoria Crítica (Zahar, 2004), entre outros livros.  “Choque de democracia” inaugura o selo Breve Companhia e está disponível na Amazon, iBookstore, Kobo/Cultura e Saraiva.