Semana setenta e um

Não há nada lá, de Joca Reiners Terron
Publicado originalmente em 2000, Não há nada lá ganhou status de cult na última década. E para além do divertido quebra-cabeça literário, há também um livro ambicioso, que costura tempos e realidades distintas com rigor narrativo digno dos grandes prosadores.
Os devaneios de Guilherme Burgos, o encontro de Jaime Hendrix com Torquato Neto e a relação do ocultista Alistério Crowley com o “astrólogo” Fernando Pessoa levam a trama por um labirinto de acontecimentos insólitos, que podem (ou não) conduzir o mundo ao Apocalipse.

Diálogos fabulosíssimos, de Gilles Eduar
O francês Jean de la Fontaine (1621-95) dedicou-se a diversos gêneros da literatura, mas foi com a publicação de suas fábulas que ele adquiriu grande fama. Eduar retomou algumas das mais conhecidas e as recontou em forma de diálogo. São conversas divertidas e muitas vezes surpreendentes, pois o autor subverte a moral contida na fábula clássica e a reinterpreta de forma criativa e original, apresentando outro desfecho ou outro ponto de vista sobre a moralidade que ela inspira. Assim, na nova versão da história da Cigarra e da Formiga, por exemplo, a Cigarra convida a Formiga a ir a uma festa onde vai tocar e cantar, e a pequena trabalhadora, que nunca pensara que podia se divertir, topa pagar o ingresso para assistir ao show da amiga artista.

Pequenos contos para sentir medo, de Christine Palluy (Tradução de Heloisa Jahn)
Quem é que não gosta de ouvir histórias de monstros e outras criaturas assustadoras, daquelas que fazem a gente ter vontade de se esconder debaixo da cama? As que foram reunidas neste volume nem são tão terríveis assim, pois apesar dos personagens pavorosos – um dragão japonês de oito cabeças, uma feiticeira russa, alguns trolls noruegueses, entre outras criaturas assustadoras – todas terminam com uma lição valiosa: a esperteza e a sabedoria sempre vencem o medo e a força bruta.
Ilustrados por vários artistas, os dez contos são provenientes de diversos locais: Noruega, Espanha, Alemanha, França, Japão, Senegal, Cabília (na Argélia), Rússia, Irlanda e China.
Da mesma série, foram publicados também os volumes Pequenos contos para crescerPequenos contos para rir.