Promoção: Dez Coisas Pelas Quais Vale a Pena Viver

Agosto é o mês de um grande lançamento da Companhia das Letras: A máquina da lama, de Roberto Saviano. O novo livro do autor de Gomorra é baseado no programa de televisão Vieni via con me, que, apresentado em 2010 na Itália pela RAI 3, alcançou a maior audiência da história da emissora, deixando para trás o Grande Fratello (o Big Brother italiano) e um clássico da Liga dos Campeões entre Inter e Barcelona.

Com Vieni via com me, Saviano, que desde o lançamento de Gomorra vive sob escolta policial, mais uma vez irritou o governo, provocou políticos de diferentes partidos e conquistou o público. Diante de um auditório lotado, contou histórias da Itália contemporânea: falou dos negócios da máfia calabresa no Norte do país, do direito à morte digna, do descalabro com o lixo nas ruas de Nápoles, das vítimas de um terremoto que morreram por negligência das autoridades, da compra de votos nas eleições…

Como a música de Paolo Conte, que inspirou o título e tocava na abertura do programa, a mensagem de Saviano é universal. É um protesto contra a indiferença, a omissão e a fuga. E é um convite ao leitor, para que esse o ajude na busca de uma saída.

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O autor conclui o seu prefácio — reescrito especialmente para a edição brasileira — com uma lista pessoal das dez coisas pelas quais vale a pena viver. Para comemorar o lançamento de A máquina da lama, convidamos você a nos enviar a sua própria lista das Dez Coisas Pelas Quais Vale a Pena Viver.

Deixe um comentário neste post com a sua lista. Sortearemos entre os leitores que participarem cinco exemplares do livro. O resultado será divulgado no dia 16 de agosto, neste mesmo post.

[Atualizado dia 16 de agosto, 16h30]
Resultado da promoção: foram sorteados pelo random.org os números 19, 12, 54, 39 e 32, logo os vencedores são:

19) Roberta Resende
12) Patrícia Salomão
54) valter ferraz
39) Marcia Caetano
32) Odilia Pizzo

Parabéns, entraremos em contato por email!

Abaixo, trecho exclusivo do prefácio, com a lista de Saviano.

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A Itália das listas

(Trecho do prefácio de Roberto Saviano. Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)

O desafio inicial era narrar esta Itália diferente através de listas que seriam o arcabouço e a gramática da transmissão. Uma ideia simples, porque as listas podem conter qualquer coisa, qualquer experiência, qualquer história. Também por isso a participação do público foi superlativa: todos pensaram em uma lista própria e, através do Facebook e do site, chegaram milhares delas ao programa. Belas, divertidas, dramáticas. Lembrei-me da cena do filme Manhattan na qual Woody Allen, deitado no sofá, imagina “uma narrativa sobre pessoas doentes, que continuamente criam para si mesmas problemas inúteis e neuróticos porque isso as impede de se ocupar dos mais insolúveis e aterrorizantes problemas universais”. Como antídoto, Allen pensa em algo otimista: uma lista das coisas pelas quais vale a pena viver. É claro que isso é um expediente, o doente crônico é ele e a lista otimista serve — a ele e só a ele — para subtraí-lo dos problemas inúteis e neuróticos aos quais está aprisionado. Woody Allen cita Groucho Marx, Joe Di Maggio, o segundo movimento da sinfonia Júpiter de Mozart, Louis Armstrong, A educação sentimental de Flaubert, os filmes suecos, Marlon Brando, Frank Sinatra, aquelas incríveis maçãs e peras pintadas por Cézanne, os caranguejos do restaurante Sam Wo e o rostinho de Tracy. Uma lista leve, que vale mais do que um guia moral para os perplexos.

Sempre fui atraído por listas. Um dia, gostaria de escrever livros de listas. E tenho certeza de que a lista das coisas pelas quais vale a pena viver é um exercício fundamental para lembrarmos aquilo de que somos feitos. Uma Constituição de nós mesmos. Eu gostaria de passar o tempo escutando o que as pessoas escrevem, as dez coisas que dão sentido à vida delas. Gostaria de poder lê-las no programa. Mas sempre convém saber poupar as palavras. Aqui, porém, tenho o papel à minha frente, e ele nunca nega fogo. Infelizmente e por sorte. Eis minha lista. Eis as dez coisas pelas quais, para mim, vale a pena viver:

1) A mozarela de búfala de Aversa;
2) Bill Evans tocando “Love theme from Spartacus”;
3) Ir com a pessoa que você mais ama ao túmulo de Rafael Sanzio e ler para ela a inscrição latina que muitos ignoram;
4) O gol de Maradona no 2 x 0 contra a Inglaterra na Copa do México em 1986;
5) A Ilíada;
6) Passear de fones de ouvido por aí, escutando Bob Marley cantar “Redemption song”;
7) Mergulhar, mas bem no fundo, onde o mar é mar;
8) Sonhar com a volta para casa depois de ter sido obrigado a ficar longe por muito, muito tempo;
9) Fazer amor em uma tarde de verão. No Sul;
10) Depois de um dia em que criaram um abaixo-assinado contra você, ligar o computador e encontrar um e-mail do seu irmão dizendo: “Estou orgulhoso de você”.